Gitas e gitinhas
Postado por: Alcinéa Cavalcante em 26/08/09 as 2:41 am
Fracassou – Até o líder do governo na Assembléia, deputado Eider Pena (PDT), já reconhece que o Programa Amapá Produtivo, bandeira do governador Waldez Góes, fracassou. Ontem ele disse que “o comandante Barcellos foi o único governador do Amapá que teve o setor produtivo como meta principal”.
Desprestigiados - Deputados andam choramingando pelos cantos dizendo que estão sendo desprestigiados pelo governador Waldez Góes – que já não está nem aí para eles. Os nobres parlamentares queixam-se que estão tomando chá de banco até de auxiliar de chefe de gabinete de secretário de estado.
Fora do ar - O que mais se comenta nos corredores da Assembléia Legislativa é que as sessões plenárias só voltarão a ser transmitidas pelo rádio quando o deputado Camilo Capiberibe (PSB) parar de chamar de “tetracassado” para o prefeito Roberto Góes (PDT).
Ele vai sim – Professor-doutor José Carlos Tavares, reitor da Universidade Federal do Amapá, vai sim disputar uma cadeira de deputado federal ano que vem. Só faltava escolher o partido, o que já foi feito. Ele vai para o nanico PMN. A festa de filiação está marcada para a próxima sexta-feira, 28, a partir das 9h na sede da UNA.
Seafro - Manuel Azevedo Costa, o professor Maneca, é o novo titular da Secretaria (sem orçamento) Extraordinária de Políticas para Afrodescendentes (Seafro). Por que Josivaldo Libório caiu eu não sei. Quem souber informe aí na caixinha de comentários.
Tá fora - Médico e radialista Leonai Garcia – que até dia desses apresentava programa na rádio Antena 1, da família Borges (senador Gilvam Borges) disse que durante o período em que esteve na emissora (14 anos) assumiu e cumpriu compromissos com os Borges mesmo discordando de alguns procedimentos. “Hoje me sinto desobrigado de tais compromissos“, disse. O que isso quer dizer? Que Leonai não fará campanha e nem votará mais no senador Gilvam ou qualquer outro candidato com o sobrenome Borges.
Homenagem a quem merece
Postado por: Alcinéa Cavalcante em 26/08/09 as 2:30 am
Ele só andava de calça branca de linho, camisa branca mangas compridas, sapatos pretos impecavelmente engraxados e cinto preto. E não se separava nunca do seu guarda-chuva preto.
Morava numa casa toda branca, parecia uma casa encantada que despertava a curiosidade de toda a molecada da pequena cidade de Macapá. A primeira vez que estive lá – acho que eu devia ter uns onze ou doze anos de idade – era como se eu estivesse realizando um sonho e me senti superior aos outros colegas.
Fiquei encantada com a casa que de tão branca me pareceu ter sido pintada com nuvens das tardes de verão.
Nas paredes, poesias emolduradas e alguns desenhos do boto, saci-pererê, iara, curupira, feitos por sua filha Maria do Céu. Livros e cadernos de anotações em todos os cômodos, em cima de todos os móveis mostravam a sede de conhecimento e a sabedoria daquele homem. No quintal, plantas medicinais, árvores e uma criação de galinhas.
Estive lá acompanhando minha mãe que buscava uma informação que não lembro sobre o que. E aquele homem falava de plantas medicinais, de poesia, de minérios, da fauna e da flora amazônica e tantos outros assuntos dos quais eu nada entendia. E ficava boquiaberta diante dele.
Mais tarde comecei a visitar o Museu Histórico-Científico Joaquim Caetano da Silva, do qual ele era diretor. Ia ali pra conversar com ele, pra aprender tanta coisa e para ouvi-lo tocar serrote. Sim! Ele tocava serrote e eu que naquela época pensava que serrote só tinha utilidade para os marceneiros e carpinteiros. Ele tinha tanta paciência com os jovens, adorava conversar e nos ensinar. Gostava de nos mostrar como a Amazônia era rica e nos falava das madeiras, dos óleos, dos minérios, das plantas, dos rios e das lendas.
Ensinava que se pode fazer tudo que se quer. Contrariando os agrônomos provou que era possível cultivar uvas no Amapá. E ali, na frente do Museu, em plena avenida Fab (a avenida principal de Macapá) plantou dezenas de pés de uva.
Naquela época em Macapá só se via uva nos livros escolares (lembram da lição “O Ivo viu a uva”?). Não deu outra. A molecada se dividia em dois grupos: um ficava conversando com o “doutor” para distraí-lo, enquanto o outro roubava as frutas. Um assobio informava que a missão havia sido cumprida com sucesso. O grupo que estava lá dentro se despedia apressadamente e partia para a pracinha do Hospital Geral, onde se juntava ao outro, para saborear as frutas.
Mais tarde o museu mudou para uma sala do Macapá Hotel. Eu já me considerava íntima do cientista e pedi para trabalhar ali com ele. Eu era menor de idade, mas implorei que me deixasse trabalhar de graça com ele porque o que eu aprenderia ali valeria muito mais do que qualquer salário, do que qualquer dinheiro. Ele topou. E muito do que sei e do que sou devo a ele.
O Museu era visitado por pessoas de todas as classes. Era gente em busca de plantas medicinais, gente em busca de informações sobre tanta coisa, gente vinda do exterior atrás de um remédio que ele fazia com a planta “pata de vaca” para combater o diabetes.
Quem é do Amapá já deve ter percebido que eu estou falando de Waldemiro Gomes. Cientista, poeta, jornalista, músico. Nascido em Belém em 4 de dezembro de 1895, fez seus estudos no Brasil e em Portugal, especializando-se em Botanica Médica, Parasitologia, Química e Fisica Médica, Antropologia Cientifica e Fisiológica, Agricultura, Apicultura, Extração de Princípios Ativos Vegetais e Histologia dos Vegetais. E colocou todo seu conhecimento à disposição do Amapá, depois de ter assessorado vários cientistas, entre eles Gaspar Viana, no Rio de Janeiro.
Waldemiro Gomes chegou ao Amapá em 1935 e não abandonou mais esta terra. Fez o primeiro mapa de ocorrências minerais da região do Amapari, montou e dirigiu o Museu Histórico-Científico Joaquim Caetano da Silva, catalogou igarapés do Amapá, fez inúmeros estudos e pesquisas sobre madeiras, minerais, fibras e óleos industriais.
Waldemiro Gomes morreu em 21 de agosto de 1981. Foram 46 anos dedicados ao Amapá. Estado que muito lhe deve e que ainda não lhe prestou a homenagem que merece. Quando Waldemiro Gomes morreu, o governador da época deu seu nome ao Museu de Plantas Medicinais. Mas no governo Capiberibe o nome do museu foi mudado e Waldemiro Gomes foi rebaixado para nome de uma salinha do Museu do Desenvolvimento Sustentável.
O Amapá é injusto e ingrato com este grande homem. O Amapá já prestou homenagens a quem nunca fez nada por esta terra, já homenageou gente que nunca colocou os pés aqui e já deixou de homenagear muita gente que merece ser homenageada.