Alcinéa Cavalcante

Liberdade de expressão!
Macapá - Amapá

Para ler hoje, amanhã e depois…

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 01/04/10 as 5:17 pm

Conto Abril – Século XX
Alcy Araújo (1924-1989)

É abril. Esta, a grande e universal verdade. Abril – Século XX, explico. Relembrando judas, o que traiu, e Pilatos, o que lavou as mãos, e Pedro, o que negou. Abril trazendo até nós a lembrança de que numa sexta-feira do mundo crucificaram o Homem Bom. O que acreditava na remissão dos homens. O que andou sobre a poeira escaldante dos caminhos e sobre a leveza das espumas, conduzindo de público o gesto de bondade. O que não traiu. O que não foi indiferente. O que não negou. Eu sou a Verdade, disse. Capaz de todos os sofrimentos e de amar sobre todas as coisas. Sabia que amar é um modo de sofrer.
Numa sexta-feira do Mundo, o Homem Bom subiu a colina fora da cidade. Com o Homem, o Cirineu, as mulheres, os centuriões, a turba. Do alto da cruz elevou-se ao seu reino. César era de outro mundo. Ficaram a turba, os centuriões, as mulheres, o cirineu.

Vinte séculos depois de trinta e três anos de exemplos, envergonhado e triste, diante do templo, da imagem, círios lacrimais, o poeta não tem coragem de pronunciar o seu santo nome.

Bastaria isso. Estariam salvas as almas migratórias, desencontradas, exodoidais que habitam as latitudes do poeta.

Sabeis. Muitos séculos viveu o poeta. Do Gênesis a abril do corrente século. Mais precisamente. Do caos ao hoje. Por isso os sentimentos. A traumatização da palavra sagrada, disse, há pouco. Melhor direi inibição. Melhor ainda. Descoberta de velhos sentimentos, na contemplação das almas do poeta.

Contarei a descoberta. O poeta contemplava nesta hora do século os olhos de suas almas multiplicadas, fixos nos céus, por onde passam anjos, estrelas, música de rádio, imagens de TV. E o poeta – cheio de experiências bem vividas – Caos, Paraíso, Dilúvio, Sodoma, Babilônia, Cartago, Roma, Wall Street, etc. etc. – se comoveu.

Suas almas, almas de poeta, todas ali, sem faltar nenhuma, na muda contemplação do azul, do infinito, dos horizontes do Pai. Emotivo e feliz, o poeta chorou. O poeta chora como os anjos.

Seus olhos, então, alçaram vôo, enquanto a mão emocional acariciava os cabelos cor de lago da alma recém-nascida.

Era chegado o momento. Tudo consumado. Ao longe, imóvel, pairava o disco voador.

Perdoai, Senhor, eles não sabem o que fazem. É abril – Século XX.
(Extraído do livro Autogeografia, de Alcy Araújo, lançado em 1965)

Hummmmm… de dar água na boca

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 01/04/10 as 3:59 pm

Moqueca de peixe feita por Lucas Barreto

Reunimos ontem à noite, em minha casa, um pequeno grupo de queridos amigos  para um bate-papo saboreando esta deliciosa moqueca de peixe feita  pelo  Lucas Barreto.
O encontro começou por volta das 20h e se estendeu até a madrugada.  Falamos de Semana Santa,  gastronomia, contamos causos e piadas e claro que falamos também de política, tanto local como nacional.
Uma das coisas que me dá imenso prazer é receber amigos em casa para um chá, um cafezinho, um almoço ou jantar, na sala, na área, no pátio ou no quintal sob a frondosa mangueira, sem frescuras, sem formalidades, como ontem. É assim, rapidinho a gente faz a festa. Liga pra um, liga pra outro e de repente se reúne os amigos para curtir os bons momentos da vida.
Ontem, por exemplo, o mano Alcione  e esposa Vilma deram a idéia de comermos um peixe, afinal já era Semana Santa. O Lucas Barreto se prontificou a fazer a moqueca. Meu marido e meu filho, como sempre, providenciaram o gelo, cerveja e refrigerante. E logo logo estávamos todos reunidos: Cel Carlos e Reka,  Cel Dias e Alcilene, Lucas Barreto, Jaime Nunes, Randolfe Rodrigues, Márcia Corrêa, Volney Oliveira, Alcione e Vilma.