Alcinéa Cavalcante

Liberdade de expressão!
Macapá - Amapá

É assim que a banda toca

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 14/10/10 as 4:06 pm

De uma eleição para a outra o anjo vira monstro e o monstro vira anjo.
Disse um dia desses aqui que na política os adversários de ontem são os aliados de hoje e vice-versa. As composições feitas agora no segundo turno, confirmam isso.
Vejamos: até um dia desses a deputada federal Dalva Figueiredo (PT) era uma bruxa porque fazia parte do governo da “harmonia” e vestiu no primeiro turno a camisa do governador Pedro Paulo Dias (PP). Hoje, vestindo a camisa de Camilo (PSB) é uma cândida fadinha.
O senador Papaléo Paes (PSDB) era tido como um monstro por defender com unhas e dentes no Senado o senhor José Sarney (PMDB). Engajado esta semana na campanha de Camilo Capiberibe (PSB) virou um belo e encantador príncipe.
O PSB está errado em transformar os que antes considerava  “monstros”  em “príncipes”? Na minha opinião não está. Repito: na política sempre foi e sempre será assim: adversários se tornam aliados e aliados viram adversários.
Daí que não entendo porque tanto chilique quando se fala que a tendência do PP é apoiar Camilo. Ora, até poucos dias (primeiro turno) militantes e assessores do PSB só não chamavam de santa para a deputada federal Dalva Figueiredo, hoje estendem o tapete vermelho para ela passar. Por que amanhã também não poderão aceitar o apoio do PP, com cujo presidente o ex-senador Capiberibe conversou há poucos dias? E se o o governador Pedro Paulo Dias quiser votar em Camilo, quem vai impedir? Podem até não aceitá-lo no palanque, mas jamais poderão impedi-lo de votar.
Cada um é dono do seu voto, cada um vota em quem quiser. E essa é uma vontade que tem que ser respeitada.
Falar nisso, o clima anda muito pesado nesta eleição no Amapá. Militantes apaixonados por um candidato agridem militantes de outro candidato.
Já vi – e muito -  agressões aos militantes de Dalva Figueiredo. Pra que isso? Agora estão todos juntos.
Vi e ouvi, no dia 26 de outubro do ano passado na Assembléia Legislativa, um pronunciamento do deputado Joel Banha chamando a família Capiberibe de “amapaense de araque” (até escrevi sobre isso no blog criticando a deselegância e falta de respeito do parlamentar, que você lê clicando aqui). Hoje o parlamentar e os Capiberibes são unha e cutícula, casa e botão, açaí e farinha, tamuatá e pirão.
Lá em cima os políticos brigam, ou fazem que brigam, protagonizam muito jogo de cena. Depois fazem acordos – alguns transparentes e outros até inconfessáveis – e vão juntinhos para o mesmo palanque ou se metem no mesmo saco. Lá embaixo, alguns militantes, por falta de um pouquinho de inteligência, compram a “briga”, perdem amigos e às vezes ganham inimizade para a vida toda.
Já presenciei inúmeras vezes deputados e vereadores se agredindo em plenário e minutos depois tomarem cafezinho  sorridentes e no maior bate-papo como velhos amigos, enquanto os militantes – principalmente aqueles que precisam de um carguinho pra sobreviver – ensandecidos levarem a briga adiante. Bobos!

Prefeitos – quem com quem

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 14/10/10 as 1:02 pm

Prefeito de Macapá  Roberto Góes anuncia oficialmente amanhã seu apoio a Lucas Barreto.
Além do prefeito da capital, estão com Lucas Barreto os prefeitos  Francimar Santos (PT), de Serra do Navio,  Zezinho (PV) de Pedra Branca do Amapari,  Bessa (PDT), de Porto Grande, Rildo  (PMDB) de Tartarugalzinho, Marmitão, de Mazagão,  Peba, de Amapá. e Paulo Albuquerque, de Cutias.

Apoiam Camilo Capiberibe os prefeitos Nogueira (PT), de Santana, Valdo, de Ferreira Gomes, e Agnaldo, de Oiapoque.

Senadores – Quem com quem

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 14/10/10 as 12:13 pm

Dos atuais três senadores, um está neutro e os outros dois já declararam quem apoiam neste segundo turno para o governo do Amapá.
José Sarney (PMDB) desde o primeiro turno disse que não tem candidato ao governo do Amapá; o tucano Papaléo Paes (47.619 votos)  apoia Camilo Capiberibe (PSB) e o peemedebista  Gilvam Borges (121.015 votos) declarou apoio ontem ao candidato Lucas Barreto (PTB).

Randolfe Rodrigues (PSOL), o senador mais votado no Amapá e o mais jovem do Brasil (203.259 votos) desde o primeiro turno está com Lucas Barreto.

Agenda dos candidatos – quinta-feira

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 14/10/10 as 12:02 pm

Lucas 14
15h – Reunião com os Urbanitários, na sede do sindicato;
16h – Caminhada no bairro Buritizal;
19h – Reunião com lideranças políticas;
21h – Comício no bairro Perpétuo Socorro, na Avenida Rio Xingu

Camilo 40
18h45 – Entrevista no Jornal do Amapá, TV Amapá, canal 6.
19h30 – Explanação sobre as políticas de saúde da Frente Popular no Conselho Regional de Medicina (CRM).
20h30 – Comício na Rua Claudomiro de Moraes no bairro Congós.

Bom dia!

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 14/10/10 as 10:00 am

POR ISTO HOUVE SILÊNCIO
Alcy Araújo Cavalcante

O homem havia sido feito assim: bom, humilde, terno para viver dentro de um mundo cheio de revolta. E o mundo foi angustiando o homem, rasurando a sua ternura, arranhando a sua bondade. Por isto que o homem, vítima de muitos desencantos, começou a fazer o que não devia, a andar de cabelos ao vento, telefonar, freqüentar o cais.

A cada sofrimento, o homem fazia mais uma tolice e magoava o seu Anjo. E o Anjo, pobre Anjo aflito, chorava lágrimas imensas, que cresciam em seus olhos como pássaros de luz.

Daí então o Anjo não pôde ter mais um minuto de distração. Mal ele se distraía e lá ia o homem por aí, pés descalços, braços nus em direção ao seu desconhecido, pisando espinhos que nasciam das rosas vermelhas.

Mesmo assim o homem sabia que não estava só, como naquele começo de tarde em que teve vontade de comprar uma bicicleta azul e um cavaquinho. Sabia também que não estava só como naquele poema em que o amor morria por falta de azul e os pássaros brancos deixaram de nascer.

E por ser assim o homem falou ao Anjo que a felicidade existia. Apenas estava além das lágrimas contemporâneas, colocada depois da dor, na continuidade da espera, na renovação de todas as esperanças.

E falou isto quando as estrelas gotejavam silêncio dentro da noite. A música se enovelava no coração e o poema era uma oração nascente.

Então o Anjo pegou o homem pela mão e caminharam em direção ao mar. Foi quando Deus sorriu e achou que o que tinha feito era bom. E descansou, porque era chegado o sétimo dia e na distância Anjo e homem se integravam no azul do mar. Por isto houve um grande silêncio no coração das coisas…

(Alcy Araújo Cavalcante, poeta, jornalista e escritor, nasceu no Pará em 7 de janeiro de 1924 e morreu no Amapá em 22 de abril de 1989. Fundou jornais, revistas, clubes de arte. Figura na Antologia Modernos Poetas do Amapá, na Grande Enciclopédia da Amazônia, na Brasil e Brasileiros de Hoje e na Enciclopédia Portuguesa Brasileira, entre outras. Publicou os livros Autogeografia, Poemas do Homem do Cais e Jardim Clonal. Ao morrer deixou mais de dez obras inéditas, entre elas o romance Terra Molhada e o livro de crônicas e poemas Ave Ternura)