Alcinéa Cavalcante

Liberdade de expressão!
Macapá - Amapá

Dia: 7 de fevereiro de 2011

Justiça mantem Moisés Souza na presidência da AL

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 07/02/11 as 2:39 pm

O juiz Constantino Brahuna negou a liminar pedida pelo deputado Jacy Amanajás (PPS) para anular a eleição da mesa diretora da Assembléia Legislativa ocorrida dia 2.
Numa sessão tumultuada, Moisés Souza foi eleito presidente por nove votos a zero.
A chapa encabeçada por Jacy Amanajás alegou que a chapa de Moisés Souza havia sido registrada antes da posse dos deputados, o que, segundo Amanajás era ilegal. A chapa contestou também o fato de Maria Góes presidir a sessão e foi ela quem indeferiu o pedido de registro da chapa de Amanajás alegando que deputados que subscreviam a chapa de Moisés apareciam também subscrevendo a de Amanajás. Nesse caso, vale a chapa que protocolou primeiro o pedido de registro. No caso, a de Moisés.
Ao negar a liminar, Brahuna lembra que pelo Regimento Interno da Assembléia  “as chapas concorrentes à eleição da mesa diretora não poderão inscrever candidatos já figurantes em outras chapas, nem será permitida a subscrição de mais de uma chapa, mesmo em caráter de apoio, caso em que prevalece a primeira subscrição”, portanto Maria Góes agiu acertadamente ao indeferir o pedido de registro de Amanajás.
Quanto ao fato da chapa ter sido inscrita antes da posse, o juiz ressalta que não existem duas sessões: uma para posse e outra para eleição. Mas apenas uma. “Há uma só sessão preparatória para o calendário do primeiro ano legislativo, marcada para 1º de fevereiro, com desdobramento da sessão, em ato contínuo, previsto para o dia útil imediatamente seguinte, visando o implemento de dois atos e finalidades embutidos num só procedimento solene, – posse aos diplomados deputados estaduais e eleição da mesa diretora da Assembléia Legislativa, – amálgama de atos procedimentais cuja providência formal remete, na origem, ao ingresso, até o horário de 13 horas do dia 1º de fevereiro, data de início da única sessão preparatória para o implemento dos dois atos”, diz Brahuna. O que foi mal interpretado pela chapa de Amanajás que entendia que só podia ter acesso ao protocolo após a solenidade de posse.

Eleição no MP – Ivana Cei é a mais votada

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 07/02/11 as 1:41 pm

O Ministério Público Estadual realizou hoje eleição para formar a lista tríplice que será enviada para o governador do Estado para nomeação do novo Procurador Geral de Justiça, que substituirá Iacy Pelaes
A apuração terminou agora há pouco.
Ivana Cei foi a mais votada. Ela teve 41 votos, seguida de Iacy Pelaes, com 37 votos, e Márcio Augusto, 31. Um deles será nomeado pelo governador Camilo Capiberibe nos próximos dias.

Crônica do Sapiranga

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 07/02/11 as 12:12 am

Contrário tá na porteira
Milton Sapiranga Barbosa

Desde  há  várias  décadas passadas, sempre   que se aproxima  à  época junina, no  sexto mês  do ano, sou  envolvido por uma forte  dor no peito, num misto  de  tristeza  e saudade.  Tristeza, por ver que  hoje  em dia já não se  brinca  mais  quadrilha  como  antigamente. Saudade  de  quando  as  quadrilhas obedeciam  ao comando  de  um marcador, com seus  gritos de “ lá vem chuva ” , a turma ameaçava correr e ele gritava, “é mentira”: “ olha  a cobra ”, a turma pulava e ele voltava a dizer:” é mentira”, e  assim  ia comandando  seus  brincantes . Hoje as quadrilhas são estilizadas, usam  roupas  luxuosas e dançam ao  som  de músicas  ditas “bregas”(nada contra os fãs de Reginaldo Rossi).

A  saudade  se  faz mais  presente,  e  doi mais forte, é  quando me lembro  do  meu  tempo  de moleque na Favela, das  apresentações do  “ Bumba –Meu- Boi” (bailado popular cômico-dramático, com personagens humanos, animais e fantásticos, sobre a morte e ressurreição do BOI),com suas  catirinas, caçadores, vaqueiros, pajés , etc, etc…

Era bonito  ver   o  Boi do Tio Maçarico se apresentar (Tio Maçarico morava numa imensa área atrás do Glicério Marques, onde  hoje, entre outras, ficam as casas do Orlando Barbeiro e dos pais  do Adelmo Caxias e parte da av. Antonio Coelho de Carvalho).  A maior  disputa  era  entre os Bois  do Tio Maçarico   e   do Tio Julião ( policial GT que morava  na Almirante Barroso, onde  hoje fica a casa do amigo Orlando Santana. Ele era meu padrinho de fogueira). Mas  eu torcia pro Boi do Tio Maçarico vencer.

Um outro  boi  famoso daquela  época,   vinha  lá das bandas do laguinho para disputar  com  os  da Favela e era  comandado por  outro  Julião, o Mestre.

Os  duelos  entre  esses três bois eram  sensacionais, divertidos  e ansiosamente  esperados  pela  população. Cada boi  tinha  sua  leva  de  simpatizantes, que  faziam a maior festa, batiam palmas e soltavam foguetes  quando  seu  boi  preferido  entrava   no   campo da disputa para fazer a  sua exibição.
Naquele tempo (ô saudade danada que me faz chorar), a família  que quisesse  que um boi se apresentasse em frente a  sua residência, bastava garantir o café para os assistentes  e muita birita para os brincantes.  Lembro  que  por  causa da  água que passarinho não bebe, muitas das vezes, quem dançava embaixo do boi, ficava tão porre que não conseguia  ressuscitar  o “bicho”. O Pantera  foi um deles, pois fizera uma prateleira na parte interna da armação do Boi pra guardar a garrafa de Canta Galo e bebeu tanto, mas tanto , que só levantou no outro dia.  Além da  representação  da morte do boi  e a luta  do pajé  para  salvar    o animal do patrão,  o ponto alto da brincadeira, que levava  o público  ao  delírio, era  quando  começavam os desafios das  cantorias .
Ainda hoje lembro ( e não canso de agradecer a Deus  por  essa memória privilegiada) de trechos  dessas  cantorias.  Juro a vocês, até me parece  ver  nitidamente  a figura imponente do  Tio Maçarico, no  meio do  terreiro de seu  quintal,  devidamente  paramentado, cantando  em provocação  ao  boi  do Tio Julião da Favela.

Ele  entoava  assim:
Contrário tá na porteira/ Não deixa ele entrar/
Ele veio aprender toada/ Pra cantar no boi de lá

E em cima da bucha ouvia  em  resposta :
Contrário já tá entrando/ com suas próprias toadas/
Prepara logo teu boi/ pra levar umas lambadas

E a cantoria  seguia  por horas e horas, noite  a dentro,  para deleite  da grande platéia  que presenciava  o desafio, e que  ria e  batia palmas  a cada  provocação  de um  e  da resposta do outro.
Depois  que Tio Maçarico, o Tio  Julião  e  o Mestre  se foram para outro plano, as  brincadeiras dos Bois Bumbás (Bumba Meu Boi)  foram  morrendo aos poucos.

Um Oleiro, que  morava na maloca (área de terra existente na Mendonça Júnior, entre Jovino  e Odilardo), chamado de Mestre Júlio,   por  alguns  anos, talvez quatro no máximo,   com  seus  próprios recursos e a ajuda de seu filho Zé Oleiro, ainda tentou  manter  viva a tradição do Bumba Meu Boi em Macapá, mas sem apoio  dos poderes públicos e sem concorrência, teve  que  entregar os  pontos
E aí  sim, o Boi morreu,.
E não teve pajelança que  o fizesse  ressuscitar.
Uma pena