Alcinéa Cavalcante

Liberdade de expressão!
Macapá - Amapá

Feliz Ano Novo!

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 31/12/11 as 2:49 pm

Desejo que todos os teus dias de 2012 tenham a ternura da poesia, a alegria do samba, a beleza e o perfume da rosa e sejam cheinhos de amor, saúde, paz, alegrias.
Que jamais te  falte a bênção de Deus, o pão na tua mesa, o ombro amigo, a mão carinhosa, motivos para sorrir e celebrar a vida.

Anonovesco

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 31/12/11 as 2:30 pm

Alcy Araújo Cavalcante
(1924-1989)

Aceitarei sem mágoas milhões de luas. Não bem luas. Que o plural acaba com a poesia. Satélite. Assim o telescópio perceberá melhor os anéis de Saturno. Ser satélite. Girar em torno de. Há necessidade de uma gramática celeste. Melhor ainda, geografia celestial, de asas. Asas circunferenciais, eclipsiodais, tridimensionais, vista-visionais, de fim de ano, natalinas. Faltam tantos dias relativos para o começo de outro fim.

Sempre o começo. O início. O inaugural. O inaugural e a esperança de que após o fim o início recomeça. Há muitas casas no reino de meu Pai. A todos a melhor casa. Esperança de último. Esperança de ser o primeiro inquilino na interpretação simplista do Livro.

Enquanto isso, falece o gesto de bondade. Não observar o aviso – é proibido pisar na rosa. Superior mesmo é nascer pássaro e defecar na flor silvestre.

Também seria bom nascer borboleta e pousar na flor com asas de arco-íris. Digo, arco-da-velha. Nunca porém nascer disco voador, viajar milhões de mundo, encontrar milhões de humanidades. Uma é suficiente.

O necessário mesmo é reler Júlio Verne. Viajar deitado. Sem sair de casa. Acordado, à espera de Papai Noel de barbas brancas, saco de nylon e brinquedos de matéria plástica.

Depois esperar o dia da Fraternidade Universal e os três reis magos. Principalmente Baltazar, o que nasceu no Harlem, há mil novecentos e oitenta e oito anos, um mês e dezoito dias. Explico: Baltazar porque o poeta não tem preconceitos raciais.

Viva o ano novo que começa quando nasce uma criança.

(Do livro “Autogeografia”, 1965 – Macapá-AP)

As armas da ovelha

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 31/12/11 as 2:07 pm

Dom Pedro José Conti, Bispo de Macapá      

Logo depois que foi criada, a ovelha percebeu que era o mais fraco de todos os animais. Vivia sempre com medo de ser agredida pelos outros animais, todos mais fortes e valentes. Não sabia mesmo como defender-se. Então voltou com o Criador e lhe expôs os seus sofrimentos.

- Quer algo para defender-te? – perguntou amavelmente o Senhor.
- Sim – respondeu a ovelha.
- Que tal duas presas acuminadas?

A ovelha sacudiu a cabeça:
- Como poderei comer a grama mais macia? E também teria cara de briguenta.
- Quer duas garras poderosas?
- Ah, não. Poderia ter vontade de usá-las sem motivo.
- Poderia injetar veneno com a saliva – continuo pacientemente o Senhor.
- Nem pensar. Seria odiada e mandada embora como uma cobra qualquer.
- Podem servir dois chifres muito fortes?
- Também não dá. Ninguém mais me daria carinho.
- Mas para defender-te deve ter alguma coisa que possa fazer mal aos outros.
- Eu, fazer mal a alguém? Não, não posso. Antes ficar como estou. – - Como quiseres – disse o Criador – Vou dar-te três armas poderosíssimas, com as quais poderás ser feliz. Dou- te de presente a mansidão, a humildade e a paciência.

Uma pequena história para começar bem o novo ano, celebrar a Jornada Mundial da Paz e entender o sentido de nos tornarmos todos “fazedores da paz”.

A paz é um bem que não pode existir sozinho. Na linguagem da Bíblia “Shalom” é o resultado de muitos outros valores ou, se preferirmos, o conjunto desses valores. Assim entendemos que a paz exige a justiça; as duas andam juntas, abraçadas. Onde e quando tiver injustiça, sempre haverá conflitos. O mesmo vale para a união; enquanto houver divisões e disputas, nunca existirá a paz verdadeira.

A verdade é a única base sólida para uma paz duradoura. Falsidade e mentira são como areia movediça: antes ou depois, tudo afunda e desmorona.  Poderíamos continuar falando de liberdade, de respeito e proteção dos direitos de todos, de condições de vida dignas, de valorização da vida. Esses “valores” acabam sendo “condições” para que a paz seja vivida na prática e não somente em discursos alto-tonantes. Hoje podemos falar, também, do planeta Terra que reclama a sua parte na construção da paz, ele cobra respeito. A natureza não se vinga, mas tem as suas regras que não podem ser impunemente violadas.

Por tudo isso, é costume dizer que a paz é um bem muito precioso, mas extremamente frágil. Se qualquer um dos outros valores faltar ou sofrer limitações, a paz também sofrerá e poderá desaparecer. Se acreditamos no valor inestimável da paz, precisamos defendê-la. Com quais armas? Bem conhecemos as “armas” de todas as guerras, desde as convencionais, incluindo a bomba atômica, até as das “guerras” comerciais ou das disputas pelo poder. Toda injustiça tem a violência como aliada. A mentira tem a corrupção para sustentá-la. A desunião se serve de preconceitos e calúnias para manter um grupo afastado e rancoroso com outro.

E as armas da paz? Se em lugar da “ovelhinha” da história de cima colocarmos a paz entendemos que mansidão, humildade e paciência são as armas que ela ganhou do bom Deus. Não podemos duvidar. A paz somente pode usar armas “pacíficas”; de outra forma estaria em contradição consigo mesma. Na construção da paz não se pode agredir ou matar. A paz pode usar, apenas, as forças do bem. Fora disso deixaria de ser o bem precioso, soma de tantos outros bens. Seria uma paz falsa, de mentira, ou de fachada.

Vamos refletir sobre as “armas” da paz. Mansidão não é fraqueza ou covardia; é a capacidade de não revidar contra quem, talvez, já nos agrediu. É a virtude de quem nunca pensa em se vingar, ao contrário, busca conquistar o adversário com a serenidade, o carinho, o perdão. Sorrisos, perseverança e argumentos podem convencer mais que ameaças. A humildade nem precisa ser explicada. Basta reconhecer as próprias limitações, admitir e agradecer pelas qualidades dos outros, pedir ajuda quando precisar. Humildade não é falta de autoestima, é renúncia à arrogância e a soberbia em nossa vida. A paciência, enfim, é a virtude dos fortes, daqueles que sabem esperar. Estes não precisam queimar etapas, correr, exigir, cobrar, sobretudo dos outros. Os que têm paciência procuram fazer a própria parte, com certeza não esperam de braços cruzados, mas acreditam que tudo tem hora certa para acontecer, porque confiam na bondade de Deus. Somente Ele conhece os detalhes da história, nunca retirará as suas promessas, nunca deixará de ser o que Ele é: amor, puro, simples, total.

Que tal sermos um pouco mais “ovelhinhas” no novo ano, e usar somente as armas da paz para sermos felizes?

Pour le Brésil, “la Guyane ne compte pas”

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 29/12/11 as 2:37 pm

Do jornal France-Guyane

« Le véritable potentiel du pays est surévalué »
Propos recueillis par Thomas FETROT / France-Guyane / 28.12.2011

Gérard Police, Docteur en civilisation brésilienne et maître de conférences à l’Université des Antilles-Guyane, évoque la nouvelle qualification du Brésil, qui devient la 6e puissance économique mondiale.

Le Brésil est devenu la 6e puissance économique mondiale. Il continue pourtant d’être qualifié de pays émergent. Cette appellation est-elle encore justifiée ?
Le Brésil, comme la Chine, l’Inde, la Russie ou l’Afrique du sud sont tous des pays émergents, à leur manière. Il existe encore de grands contrastes au Brésil, de grandes poches de sous-développement. Il y a des choses qui ne fonctionnent pas du tout. Le pays commence à se faire connaître. Il jouit d’une reconnaissance diplomatique qui est le signe d’un placement économique. Mais le Brésil est encore très loin derrière la Russie ou l’Inde. On peut s’interroger sur la capacité du Brésil à passer d’un statut d’émergent à celui d’un pays qui peut discuter avec les grandes puissances. Pour l’instant, c’est un pays à fort potentiel. Mais on ne sait pas à quelle échéance il va le concrétiser. Celui qui est mis en avant surévalue le véritable potentiel du pays. Car il n’a aucune chance de concurrencer la Russie, la Chine ou l’Inde. C’est un pays émergent moyen.

Le Brésil ne souffre-t-il pas d’une répartition inéquitable des richesses sur son territoire ?
Il existe en effet des inégalités énormes, ahurissantes. Les grands États du sud sont très développés, comme São Paulo qui est l’équivalent d’un pays européen développé comme le Portugal ou l’Espagne. Mais quand on remonte vers le nord, on trouve des États arriérés, isolés. C’est ce contraste qui fait que l’on peut considérer le Brésil comme un ensemble à développer. Car, avec le système actuel, l’écart continue de se creuser. Et les inégalités sont partout.

Dans quelle mesure la montée en puissance du Brésil peut-elle modifier les rapports avec la Guyane ?
Je ne crois pas que ces deux facteurs communiquent réellement. À l’échelle du Brésil, la Guyane ne compte pas. Le développement du Brésil ne peut pas avoir d’incidence sur ce qu’il se passe en Guyane. Je ne vois pas de grands changements. Plutôt des évolutions par petites touches.
Le seul rapprochement possible sera entre la Guyane et l’Amapá. Mais là aussi, il faudra reconsidérer le fonctionnement économique de la Guyane. Mais le fantasme du produit brésilien qui se vend moins cher en Guyane ne se réalisera pas. Le plus intéressant est sans doute le potentiel d’investissement dans l’Amapá.

L’image du Brésil a-t-elle changé ?
Le pays est perçu de manière de plus en plus sérieuse et crédible. On est sortie de la vieille image samba/football, qui est en train de basculer. Cela dit, au plan européen, ça évolue lentement. On ne parle que peu du Brésil au quotidien dans les médias.
Mais avec plus de sérieux, de rigueur. Et cette image reste positive. Sur tous les plans, le Brésil peut-être considéré comme une valeur relativement sûre. Il a l’image d’un pays qui est apte à recevoir des investisseurs pour le développement.

Quelles sont les principales difficultés auxquelles se heurte le pays ?
Une situation catastrophique au niveau de l’éducation nationale, qui est restée à l’abandon pendant longtemps. Il est très difficile de remonter la pente. Il existe aussi des lacunes énormes au niveau des infrastructures de transport. Notamment aéroportuaires, qui sont déplorables. Là aussi, il existe un contraste très fort entre le réseau routier au Sud, très dense, et celui du Nord.
Enfin, la corruption de la classe politique cause un préjudice énorme et a une grande influence sur l’absence de développement de certains États. Globalement, le principal handicap du Brésil provient du non-respect du citoyen et d’une conception prédatrice du pouvoir.

Vestibular – sai o listão da Unifap

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 29/12/11 as 1:51 pm

Carreatas, foguetes, banho de ovos com trigo e muita alegria nos quatro cantos da cidade. São os novos calouros e seus familiares e professores festejando a aprovação no concorrido vestibular da Universidade Federal do Amapá -Unifap.
Para conferir o listão clique aqui

Quem tiver fotos das festas, comemorações, trotes e quiser compartilhar  pode mandar pro e-mail alcinea.c@gmail.com  que a gente posta aqui no blog.

Feliz aniversário, meu amor!

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 29/12/11 as 10:26 am

Hoje é dia de celebrar a vida. É aniversário do meu amor Soeiro – com quem sou casada há mais de 30 anos. Para ele todo meu carinho, paparicos, amor e atenção nesta quinta-feira de sol bochechudo quando ele completa mais um ano de vida. Agradeço a ele por tantos anos de companheirismo, amor e felicidade. Agradeço a Deus pela graça de festejarmos juntos mais um aniversário, com saúde, alegria e paz.
Te amo!

Funcionário aposentado do Banco do Brasil, uma das coisas que Soeiro mais gosta – além de curtir a família – é uma boa pescaria

Soeiro e o nosso filho Márcio

É Natal!

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 24/12/11 as 2:42 pm

Alcy Araújo Cavalcante
(1924-1989)


Sabeis que é Natal. Não é necessário que eu diga isto. O anúncio da renovação do milagre do nascimento de Jesus está nesta música que vem de longe, que desce do céu e flutua, em pianíssimo, em torno de nossa alma e toca de leve o coração dos homens.

O milagre está, também, nesta luz que vem do alto e ilumina os espíritos, está no riso das crianças, na oração da rosa, na lágrima dos que sofrem, no canto dos pássaros, no sussurro da brisa, no murmúrio do rio e na saudade de minha mãe rezando.
Tudo é tão bonito que as lágrimas de dor e de saudade de infâncias inexistentes são poesia pura. O belo é tanto que não resisto à vontade vesperal de anunciar que é Natal, antes que a noite chegue, antes que seja oficiada a Missa do Galo, antes que dobrem os sinos na igreja comunicando a vinda do Messias.
Tudo é luz em torno do mundo. As trevas não prevalecerão quando cair a noite acendendo mistérios. As vozes dos anjos, o coral dos pastores de Israel, a lembrança dos Reis Magos estão presentes. Há perfume. Os turíbulos de Deus espargem incenso e mirra, porque é Natal no mundo e renasce a esperança no cumprimento da palavra dos profetas.
Mais uma vez é Natal!
Chegam as vozes da infância perdida nos caminhos e o coração enxuga saudades. Os sinos, à meia-noite, vão bimbalhar lágrimas distantes. Vêm de presépios inanimados e risos perdulários afogam angústias cotidianas. A dor se esconde por trás de mágoas indormidas e as horas se ocultam nos relógios, para que a poesia do Natal não passe e o musical minuto dure mais um segundo na eternidade deste dia.
É Natal!
Reza a minha alma de joelhos pelo menino sem brinquedos que perdi, na minha pobreza de sempre.
É Natal!
Repetem meus arrependimentos nas estradas.
E uma alegria imensa absorve as tristezas que fabriquei no mundo. Um sentimento infinito de bondade apaga as dores que construí durante o meu ontem irreversível. Uma ternura imensa acende felicidades futuras, porque é Natal, neste sábado do mundo. Há um polichinelo no bazar. Pertence ao menininho doente que Jesus chamou para o seu reino. Uma boneca abandonada já não chama mamãe para a garota loura que um anjo levou pela mão naquela manhã de sol. Mas outros brinquedos coloridos fazem ciranda em torno das árvores de Natal e milhares de crianças são felizes nos lares cristãos de meu país sem coordenadas. Enquanto isto, Deus sorri, pleno de Amor, por trás da Eternidade.

Se você fosse o Papai Noel

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 24/12/11 as 2:19 pm

que presente daria para aqueeeeeeele político?

Feliz Natal!

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 24/12/11 as 1:15 pm

A você, querido leitor, desejo um Natal doce, feliz, abençoado, iluminado,
cheinho de alegrias e amor, muito amor

É tempo de esperança

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 23/12/11 as 4:44 pm

Alcy Araújo
(1924-1989)

O Natal está bem aí, anunciando alegrias e saudades. Eu bem que poderia estar feliz escrevendo esta crônica. Mas lembro que não tenho infância e que Papai Noel não vai trazer, ainda desta vez, o polichinelo que vi num bazar, quando a vida era feita de esperanças.

A vida ainda traz esperanças, mas agora é feita de saudades, saudades do que fui e do que poderia ter sido se naquele Natal que Papai Noel não veio e se esqueceu de mim houvesse trazido o pequeno polichinelo colorido, que fazia trejeitos engraçados. Sei que para ele custaria muito pouco o presente.

Não sei que desobediência ou outro pecado infantil Papai Noel penalizou. Mas a verdade é que ele nunca trouxe o polichinelo, nem naquele ano, nem depois, nem agora quando estou mais órfão do que nunca.

Aliás, não tem sido fácil ser órfão sem um polichinelo, sem uma bola colorida ou uma rosa orvalhada. Eu poderia comprar uma rosa, comprar uma bola, comprar um polichinelo. Mas isto me tornaria mais órfão de carinho do que já tenho sido neste meu andar pelos sertões e veredas da vida.

Contudo, é Natal. E a criança órfã que habita o homem de hoje, ainda vai iluminar um presépio, uma árvore de Natal e se emocionar quando os sinos bimbalharem na Matriz de São José, chamando os fiéis para a Missa do Galo.

O menino órfão que há no homem ainda vai chorar quando os sinos disserem, do alto do campanário, que Jesus nasceu. Será como há dois mil anos, quando numa gruta de Belém, um menino foi adorado pelos Reis Magos e pastores e trinta e três anos depois os homens mataram o menino, numa cruz fincada no topo de uma colina fora da cidade de Jerusalém.

Descubro que o seu nascimento se renova porque Ele ressuscitou e com Ele as esperanças que ainda existem no coração deste menino que envelheceu e conta saudades.

Sei que estou escrevendo diferente porque é tempo de Natal e estou de mãos vazias e com os olhos abastados de lágrimas, com o coração sortido de ternura e a alma carregada de angústias.
Além disso há as mágoas que me ofertaram e as mágoas que plantei, como um lavrador de desencantos. Mágoas minhas e dos que me amaram.

Todavia, é tempo de esperança e encontro pelas ruas o sorriso das crianças. Que elas, pelo menos, possam ser felizes nestes tempos amargos…

Nota triste

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 23/12/11 as 3:59 pm

Faleceu na manhã de hoje, vítima de infarto fulminante, o amigo Almir Teles.
Bacharel em Direito, formado pela faculdade Seama, e funcionário do Tribunal de Justiça, Almir tinha sempre o coração cheio de ternura. Amava as flores, a poesia, as pessoas, a música, a cidade e mais tantas coisas que merecem ser amadas.
Frequentador assíduo deste blog, Almir todos os dias deixava comentários aqui. Num deles, lembrando o poeta Mario Quintana, escreveu: “a morte chega pontualmente na hora incerta”. E foi pontualmente na hora incerta do amanhecer desta ante véspera de Natal que Almir  resolveu nos pregar uma peça. Partiu, sem avisar, para passar o Natal no céu. Ainda ontem deixou dois comentários desejando Feliz Natal a todos.
Que Deus te receba com um largo sorriso, amigo Almir Teles.

Um poema de Alcy Araújo

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 23/12/11 as 1:02 pm

Natal
(Alcy Araújo – 1924-1989)

Que cada um
leve um pássaro
para a amada

Quem possuir anjo
leve também
seu anjo

É Natal

Deus acende
pássaros
e rosas
e estrelas
que tentam
inutilmente
fazer renascer
a cor branca
enodoada
pelo vento
que vem das usinas
nucleares.

Racionamento – Ministério Público pede esclarecimentos à CEA

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 23/12/11 as 12:58 pm

A Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor encaminhou na data de hoje (23) ofício ao Presidente da Companhia de Eletricidade do Amapá, CEA, requisitando informações sobre as constantes interrupções no fornecimento de energia elétrica em Macapá.

No documento, o promotor André Araújo questiona a respeito de um suposto racionamento que estaria sendo efetuado pela CEA, sem que a população tenha sido amplamente informada sobre os motivos para as interrupções e o cronograma de desligamento.

“A falta de esclarecimento aos consumidores sobre a verdadeira razão para as frequentes interrupções no fornecimento de energia afronta os diretos básicos do consumidor, especialmente em se tratando de um serviço de relevância pública como o prestado pela CEA”, declarou o promotor.

Na ocasião foi também recomendado pela Promotoria que dê ampla divulgação a futuras interrupções no fornecimento de energia, permitindo que a população se previna antecipadamente dos transtornos causados pelos desligamentos.

(Ascom/MPE)

Sobre o concurso da Afap

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 23/12/11 as 11:58 am

Em relação ao post “Boca no Trombone, do dia 20, onde o leitor Luciano Pinheiro, reclama do concurso público, o diretor-presidente e presidente da comissão do concurso público, Sávio José Perez Fernandes, enviou o seguinte e-mail ao blog:

Prezada Alcinéa,

        Cumprimentando-a cordialmente e no cumprimento de minhas atribuições como Presidente da Comissão do Concurso Público da Agência de Fomento do Amapá – AFAP, venho por meio deste esclarecer alguns questionamentos feitos por um de seus leitores através de uma mensagem enviada no dia 20/12, sobre o referido Concurso Público. Vale destacar que tais esclarecimentos nos foram encaminhados pela FMZ, por intermédio de sua Coordenação Acadêmica e de Banca.  

        Como o próprio menciona, a área de “Tecnologia da Informação” é relativamente recente no cenário profissional brasileiro. Por esta razão, quando a contextualizamos nesta realidade, descobrimos que ainda não há unanimidade na regulamentação profissional para a área, na forma de um conselho ou órgão correlato. Desta forma, há, sim, diversos cursos que tangem a área e a ausência de uma legislação específica viabiliza, muitas vezes, problemas desta e de outras naturezas.

        Em resumo, ao nos atermos apenas na questão da área de TI, teremos o seguinte padrão: enquanto a restrição quanto à formação, vigente em alguns concursos, desagrada a alguns profissionais da área, a ampliação desagrada a outros. É virtualmente impossível agradar a todos quanto a esta questão.

        No entanto, de maneira geral, gostaríamos de ampliar nossos esclarecimentos e considerar os comentários quanto à existência ou não das supracitadas formações no âmbito do Amapá e o efeito desta ausência como empecilho (ou prejuízo) para a realização de um concurso. Em caráter de exemplo, seguindo tal linha de raciocínio, não poderíamos abrir, no Estado, concursos para áreas como Medicina Veterinária e Medicina, uma vez que não temos a primeira escola e a segunda existe há apenas dois anos e ainda não formou sua primeira turma…

        Infelizmente, a demanda amapaense por médicos e veterinários (dentre outros) suplanta – e muito – a discussão sobre a existência ou não destas escolas na região. Os concursos são, então, realizados segundo a necessidade da sociedade. Na verdade, dados nacionais diversos nos ensinam que a ordem é exatamente esta: as demandas social e profissional de uma região que levam à criação de cursos, inclusive os superiores. E foi justamente a demanda social que trouxe os cursos exemplificados e fará o mesmo com a área de TI.

        Desta forma, reiteramos que o concurso em questão respeita a necessidade desta Agência, a legislação vigente e a sociedade Amapaense. Queremos deixar claro que o compromisso precípuo da Agência de Fomento do Amapá S/A – AFAP e, por conseguinte, nesta situação específica, o da empresa contratada – FMZ – é o de contribuir para o avanço e o desenvolvimento do Estado do Amapá, através de um processo constante de modernização, transparência e idoneidade em todas as atividades em que estamos presentes.

Estamos às ordens para quaisquer esclarecimentos.
Cordialmente,
Sávio José Perez Fernandes
Diretor Presidente/AFAP
Presidente da Comissão do Concurso Público

Só por curiosidade…

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 22/12/11 as 1:26 pm

sua ceia natalina será à luz de vela ou de lamparina?

Presente de Natal para os amapaenses

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 22/12/11 as 10:29 am

Este é o “Kit Amapá produtivo”  (que postei pela primeira vez  em novembro de 2009, aqui). Esse kit  foi sucesso no governo WG e continua super últil hoje.

O agradecimento de Dom Pedro

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 22/12/11 as 10:20 am

Obrigado comunicadores e comunicadoras
Dom Pedro José Conti
,  Bispo de Macapá

Aproveito a ocasião do Natal e de final de ano para agradecer a todos os comunicadores e comunicadoras, que de tantas formas divulgam as matérias que me esforço para escrever toda semana. Agradeço a quem publica a matéria no seu jornal, quem a lê num programa de rádio ou televisão, e também a todos os que a tornam pública através da internet em sites, blogs e outros meios que hoje a tecnologia da comunicação nos oferece.

Não tenho nenhuma pretensão que as minhas simples considerações – e, às vezes, historinhas – sejam como a semente do Evangelho, mas vale a comparação da parábola do semeador: a semente cai e, quando encontra terra boa, produz fruto. Não é necessário que as pessoas gostem ou concordem com tudo, quero apenas ajudar a pensar e a refletir. Já é um grande resultado!

Todos entendemos, também, que a comunicação cumpre um grande serviço quando não funciona como os passarinhos, as pedras ou os espinhos da mesma parábola, que tornam a semente inoperante, mas deixa a Palavra chegar. Sermos “canais” da Palavra da Vida e da Verdade é uma grande missão e responsabilidade. Depois, o Espírito Santo e a boa vontade das pessoas fazem o resto.

Muito obrigado por mais um ano de colaboração. Espero, no próximo ano, poder contar mais ainda com a sua preciosa disponibilidade. Feliz Natal e um Ano Novo de Paz para todos vocês, comunicadores e comunicadores, e também para as suas famílias.    

Racionamento às avessas

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 22/12/11 as 9:57 am

Audrey Cardoso, presidente do Sindicato dos Urbanitários

O racionamento anunciado em 2010 pelo STIUAP, não ocorreu naquele ano graças a um fenômeno meteorológico inusitado que proporcionou chuvas abundantes na cabeceira do rio Araguari à montante da Usina Hidrelétrica Coaracy Nunes, no município de Ferreira Gomes. Colaborando para que o Governo passado negligenciasse e não contratasse em caráter emergencial os 24 MW autorizados pela Portaria 659/2011 do MME de 22/07/2010, atendendo a Lei 12.111/09 que diz “Art. 1o As concessionárias, permissionárias e autorizadas de serviços e instalações de distribuição de energia elétrica nos denominados Sistemas Isolados deverão atender à totalidade dos seus mercados por meio de licitação, na modalidade de concorrência ou leilão, a ser realizada, direta ou indiretamente, pela Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL, de acordo com diretrizes do Ministério de Minas e Energia.”

 

Na transição para o novo governo, sob a coordenação do atual presidente da CEA, o assunto veio à tona e observou-se a necessidade de contratar imediatamente esta energia através de geração térmica, para operação no início de outubro de 2011 a fim de evitar o racionamento. Solicitação esta reiterada na última reunião entre Sindicato dos Urbanitários do Amapá – STIU-AP e GEA em 26/01/2011, ratificada através de ofício recebido pelo Governador do Estado Camilo Capiberibe na mesma data.

A “nova” gestão da Companhia de Eletricidade do Amapá – CEA muito se vangloriou da brilhante idéia de recuperar a empresa CEA através de medidas saneadoras, com dispensa de cargos comissionados, anunciou pagamento do suprimento em dias à Eletronorte, redução de valores de contratos e redução de despesas em geral.

Poucos meses depois, veio à tona a realidade de uma empresa insolvente e com dificuldades financeiras graves, tarifa congelada pela sua inadimplência setorial, arrecadação aquém das despesas e o plano perfeito se desmoronou.

O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico – CMSE em sua ATA da 97ª Reunião Extraordinária debateu a gravidade da situação e o risco de racionamento que se apresentava no Amapá e aprovou a contratação de mais 23 MW, aquisição autorizada pela Portaria 391/2011 do MME de 01/07/2011, apresentando já um déficit total de 47 MW.

A presidência da empresa nomeou para o cargo de chefe do Setor de Licitações, à época, um cargo comissionado externo, que desconhecia a legislação do setor e mais ainda de processo licitatório, resultando no atraso do lançamento do edital de licitação e da contratação da empresa vencedora. Ressaltando que para a construção do edital foi necessário o auxílio da Eletronorte em Brasília.

Após a homologação e adjudicação do processo licitatório em agosto/2011, a contratação exigia que a empresa disponibilizasse 24 MW em 05/10/2011 e os 23 MW restantes em 05/11/2011.

Tornava-se latente o completo desconhecimento da complexidade do serviço de instalação de uma Usina Térmica por parte da gestão da empresa, por ofertar um prazo impossível de ser cumprido. E devido a todo atraso, na vontade de fazer, no lançamento da licitação e na contratação da empresa vencedora, a contratada iniciou as obras de instalação do parque gerador praticamente em setembro de 2011, partindo da terraplanagem, construção de tanques de combustível, infra-estrutura civil, transporte dos geradores em balsas de Manaus até Santana e instalações elétricas para colocar as máquinas em operação, e até hoje dia 21/12/2011 ainda não foi gerado nenhum MW para socorrer a população amapaense.

Hoje (21/12/2011), a diretoria da CEA anunciou pela manhã que estava descartada a possibilidade de racionamento, declaração esta em descompasso com o que ocorreu no horário de 20 às 22 horas, onde a população, principalmente da capital do Estado, sofreu duramente a escuridão do racionamento, com desligamentos em diversos bairros da cidade de 30 a 60 minutos em revezamento.

Daqui a pouco a culpa será do Sindicato por questionar a omissão e a negligência e da população amapaense por consumir energia, mas o GEA nunca admite que perdeu tempo e deveria ter buscado conversar com a Presidenta da República desde o início do ano, perdeu tempo precioso por cuidar das vaidades políticas e não agregar a bancada federal que sempre esteve disponível para tratar do assunto CEA.

Viver na escuridão em pleno século XXI é inadmissível e muito descaso com o povo. Principalmente num governo comandado por uma ex-Ministra de Minas e Energia que ajudou a construir e estabelecer o novo modelo do setor elétrico.

Avisos não faltaram e após o racionamento ainda temos que conviver com a decisão final sobre o futuro da CEA em meados de janeiro de 2012; torcemos pela Federalização! Depende apenas do emprenho e da vontade do governo estadual na busca de uma solução política reunindo a bancada federal junto à presidenta Dilma Rousseff.

Desejamos que todos tenhamos uma Natal de muita luz e sem falta de energia e que 2012 seja uma ano de Federalização da CEA.

Uma crônica de Alcy Araújo

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 21/12/11 as 2:05 pm

Para meus filhos
Alcy Araújo Cavalcante

(1924-1989)

Escrevo para meus filhos. Para dizer que é tempo de esperança entre tantas desesperanças e que há, no coração grisalho, a certeza de que me realizei em vocês, em cada nascimento de vocês, em cada Natal de vocês.

Poderia dizer outras palavras, alinhar outras expressões. Mas acho que dizendo que me realizei em vocês, estou dizendo o melhor que vem do meu dentro, do que sou, do que amo como pai e como homem, cargueado pelas vivências cotidianas e relativas.

Desejo que vocês e todos que tomarem conhecimento desta crônica fiquem sabendo que eu os amo, porque vocês estão em mim, nas minhas horas nuas, nos meus instantes mais íntimos, nas coisas que mais me pertencem, como me pertencem as mágoas que plantei como um lavrador de angústias.

Estamos mudando e eu não vou garimpar palavras, nem costurar termos estabelecidos, nem concretar um poema. Não que vocês não mereçam. É que tenho medo de não ser transparente, não existir à luz equatorial, não exibir suficientemente esta alegria de curtir vocês em cada vereda por onde passam meus pés nus e pesados como barcos que buscam o fundo do mar, do grande mar absoluto.

Gostaria de construir nesta página o meu sonho, o destino de cada um. E vocês teriam as mais belas profissões, como as de santos, poetas, sacerdotes, pintores… mas quem sou eu, além de um pai, para construir destinos?

Todavia, eu ergo as mãos plenas de carinho e acaricio a cabeça de cada um, num gesto de bênção. Deus os abençoe, pelo muito que consegui ser como poeta e como homem sofrido. Feliz Natal para vocês…

Do senador Randolfe Rodrigues para os leitores do blog

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 21/12/11 as 1:46 pm