Alcinéa Cavalcante

Liberdade de expressão!
Macapá - Amapá

Poesia na boca da noite com Natal solidário

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 07/12/11 as 2:22 pm

É aí, ao lado da grandiosa Fortaleza de São José, sendo acariaciados pela brisa do rio Amazonas, que poetas e amantes da poesia vão estender sexta-feira, o varal e os Panos da Poesia e da Vida, na boca da noite para falar, dizer e declamar poesias, das 17h às 19h.
Será também a festa de confraternização natalina. Para isso, o grupo pretende montar no lugar uma árvore de Natal decorada com poesias que, ao final, serão distribuídas a todas as pessoas – poetas ou não – que participarem deste encontro.
O Pano da Vida será a mesa onde serão servidos alimentos para a alma – que são os livros de poemas – e para o corpo, como bolos, doces, salgadinhos, biscoitos, croquetes, frutas… (você pode levar, se quiser, alguma guloseima,viu?)

Para esta sexta-feira, o Movimento Poesia na Boca da Noite fez uma parceria com um grupo de internautas que faz parte da rede social Twitter e que está realizando o #TwitterFestNatalSolidário.
Como funciona essa parceria? O Pano da Poesia nesta boca da noite será um posto de arrecadação de brinquedos. Esses brinquedos serão distribuídos pelos   “twitteiros” para crianças carentes de Macapá (Tudo sobre esse Natal Solidário que objetiva fazer o maior número de crianças felizes neste Natal você fica sabendo no blog do Coronel Giovanni e também no jornal local da TV Record, canal 10, às 12h de quinta-feira, 8).

Então está combinado: sexta-feira, 9, Poesia na Boca da Noite, das 17h às 19h, ao lado da Fortaleza de São José, pertinho do Banco do Brasil.
Vá lá. Participe. Se quiser leve sua poesia ou de seu poeta preferido para recitar ou enfeitar o varal. Se puder leve um brinquedo e entre na campanha Natal Solidário promovida pelos “twitteiros”.

Feliz aniversário, Glória!

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 07/12/11 as 1:10 pm

Hoje todos os versos de ternura e amor, toda a beleza da poesia, todo o lirismo dos mais lindos poemas são para a querida amiga e poeta Glória Araújo, que está completando 72 anos de idade, cheia de alegria, disposição e dinamismo.
Glória faz parte do Movimento Poesia na Boca da Noite e a todos encanta com sua alegria contagiante, risadas gostosas e belas poesias.
Muitas vezes seus poemas tem duplo sentido, mas ela nega. “Isso tá na cabeça de vocês, não na minha”, diz ela soltando uma gostosa gargalhada.
Ela brinca com as palavras. No poema A Rede, por exemplo, um dos mais pedidos nas rodas de poesia, quando se pensa que trata-se de um poesia erótica se é surpreendido com um final – como direi? – inocente, talvez.
Leia:

A Rede
(Glória Araújo)

A rede velha comeu foi fogo
com nós dois pra lá e pra cá,
O suor cobria nosso corpo
Ajeita a rede, balança a rede,
A rede querendo rasgar
E nenhum queria parar.

Eu rangia os dentes e gemia
Ele dizia: agüenta, meu bem,
Que já vou terminar.

Depois de muito esforço
puxamos a rede e o que vimos
valeu todo o sacrifício
O peixe era enorme
dava para o almoço e jantar.

Uma crônica de Ruben Bemerguy

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 07/12/11 as 4:03 am

Entre medos
Ruben Bemerguy

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo
”.
Poema em Linha Reta – Fernando Pessoa (Álvaro Campos)

Minha história tem muitas gravuras. Algumas verídicas. Outras, nitidamente imaginárias. É inútil ensaiar separá-las. Elas se equivalem a toda hora. Elas também se amiúdam aos gritos e em silêncio. Eu as ouço e dai tudo se passa dentro de mim. Tenho medo de minhas gravuras. Tamanho é meu medo que, se bem sei, é ele a ilustração mais presente em minha vida.

Mesmo de coisas simples, tenho medo. Medo de poesia, eu tenho. Por isso, pouco a visito. Se me arrisco percorrer seus monumentos, a lua logo influencia meus movimentos e aí torno público o que trago de mais oculto. Sofro com isso. Sempre desejei alguns instantes de paz com a poesia. Poderia ela, não fosse meu medo, ter-me no colo. A pé, passear vagarosamente comigo. Soletrar-me. Despir-me e depois me deitar em seu casulo. Beijar meus olhos. Ah! Poesia, minha feiticeira. Só isso já me bastaria.

Também tenho medo dos que voam. Não pela preamar dos voos. Tenho medo do pouso. É um risco, por exemplo, pousar em um coração. Se ele é moço e se ainda não crê nos loucos, pobre pouso. Se já maduro, e se se crê exausto e em desuso, pobre pouso. Tenho muitos hábitos de defesa ao menor sinal de um pouso. Pernoito muito por isso desviando-me dos pousos. Não fosse esse medo, faria de mim um pássaro. Não para voar, mas só para pousar. Pousaria preguiçoso no corpo dele. Destruiria todos os muros. Juntos, içaríamos um ao outro. Indo e vindo. Não fosse meu medo, só isso me bastaria.

Tenho tantos e diferentes medos e, ainda assim, desguarneço-me. Contra essa desatenção ensaio todos os meus ódios. Há muito, pus meu exército de prontidão e às suas baionetas e foices descrevo minuciosamente cada poesia, cada possibilidade de pouso. Armo cadafalsos nos lugares mais altos. Secretamente, destruo cidades e dos escombros escuros que sobram desenho nomes. Sobre eles deito para me certificar que premeditadamente os aniquilei. Vou adiante. Alvejo a lua das sextas-feiras. Firo e confiro cada gota de lua derramando. Descanso ao perceber que não existem mais noites de sexta-feira. Também incursiono sobre os sábados e domingos. Inverto suas existências. Sábado é segunda-feira e domingo é terça-feira. Isso, só para proibir e escravizar. Faço tudo sem qualquer piedade. Ao fim, atiro o corpo dele a última estrela do universo. Cansado, volto. Rio do meu exército. Rio da lua gotejando e dos dias da semana que castrei para me proteger dos medos. Sozinho, choro. Choro muito de mim.