Alcinéa Cavalcante

Liberdade de expressão!
Macapá - Amapá

Dia: 23 de dezembro de 2011

É tempo de esperança

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 23/12/11 as 4:44 pm

Alcy Araújo
(1924-1989)

O Natal está bem aí, anunciando alegrias e saudades. Eu bem que poderia estar feliz escrevendo esta crônica. Mas lembro que não tenho infância e que Papai Noel não vai trazer, ainda desta vez, o polichinelo que vi num bazar, quando a vida era feita de esperanças.

A vida ainda traz esperanças, mas agora é feita de saudades, saudades do que fui e do que poderia ter sido se naquele Natal que Papai Noel não veio e se esqueceu de mim houvesse trazido o pequeno polichinelo colorido, que fazia trejeitos engraçados. Sei que para ele custaria muito pouco o presente.

Não sei que desobediência ou outro pecado infantil Papai Noel penalizou. Mas a verdade é que ele nunca trouxe o polichinelo, nem naquele ano, nem depois, nem agora quando estou mais órfão do que nunca.

Aliás, não tem sido fácil ser órfão sem um polichinelo, sem uma bola colorida ou uma rosa orvalhada. Eu poderia comprar uma rosa, comprar uma bola, comprar um polichinelo. Mas isto me tornaria mais órfão de carinho do que já tenho sido neste meu andar pelos sertões e veredas da vida.

Contudo, é Natal. E a criança órfã que habita o homem de hoje, ainda vai iluminar um presépio, uma árvore de Natal e se emocionar quando os sinos bimbalharem na Matriz de São José, chamando os fiéis para a Missa do Galo.

O menino órfão que há no homem ainda vai chorar quando os sinos disserem, do alto do campanário, que Jesus nasceu. Será como há dois mil anos, quando numa gruta de Belém, um menino foi adorado pelos Reis Magos e pastores e trinta e três anos depois os homens mataram o menino, numa cruz fincada no topo de uma colina fora da cidade de Jerusalém.

Descubro que o seu nascimento se renova porque Ele ressuscitou e com Ele as esperanças que ainda existem no coração deste menino que envelheceu e conta saudades.

Sei que estou escrevendo diferente porque é tempo de Natal e estou de mãos vazias e com os olhos abastados de lágrimas, com o coração sortido de ternura e a alma carregada de angústias.
Além disso há as mágoas que me ofertaram e as mágoas que plantei, como um lavrador de desencantos. Mágoas minhas e dos que me amaram.

Todavia, é tempo de esperança e encontro pelas ruas o sorriso das crianças. Que elas, pelo menos, possam ser felizes nestes tempos amargos…

Nota triste

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 23/12/11 as 3:59 pm

Faleceu na manhã de hoje, vítima de infarto fulminante, o amigo Almir Teles.
Bacharel em Direito, formado pela faculdade Seama, e funcionário do Tribunal de Justiça, Almir tinha sempre o coração cheio de ternura. Amava as flores, a poesia, as pessoas, a música, a cidade e mais tantas coisas que merecem ser amadas.
Frequentador assíduo deste blog, Almir todos os dias deixava comentários aqui. Num deles, lembrando o poeta Mario Quintana, escreveu: “a morte chega pontualmente na hora incerta”. E foi pontualmente na hora incerta do amanhecer desta ante véspera de Natal que Almir  resolveu nos pregar uma peça. Partiu, sem avisar, para passar o Natal no céu. Ainda ontem deixou dois comentários desejando Feliz Natal a todos.
Que Deus te receba com um largo sorriso, amigo Almir Teles.

Um poema de Alcy Araújo

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 23/12/11 as 1:02 pm

Natal
(Alcy Araújo – 1924-1989)

Que cada um
leve um pássaro
para a amada

Quem possuir anjo
leve também
seu anjo

É Natal

Deus acende
pássaros
e rosas
e estrelas
que tentam
inutilmente
fazer renascer
a cor branca
enodoada
pelo vento
que vem das usinas
nucleares.

Racionamento – Ministério Público pede esclarecimentos à CEA

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 23/12/11 as 12:58 pm

A Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor encaminhou na data de hoje (23) ofício ao Presidente da Companhia de Eletricidade do Amapá, CEA, requisitando informações sobre as constantes interrupções no fornecimento de energia elétrica em Macapá.

No documento, o promotor André Araújo questiona a respeito de um suposto racionamento que estaria sendo efetuado pela CEA, sem que a população tenha sido amplamente informada sobre os motivos para as interrupções e o cronograma de desligamento.

“A falta de esclarecimento aos consumidores sobre a verdadeira razão para as frequentes interrupções no fornecimento de energia afronta os diretos básicos do consumidor, especialmente em se tratando de um serviço de relevância pública como o prestado pela CEA”, declarou o promotor.

Na ocasião foi também recomendado pela Promotoria que dê ampla divulgação a futuras interrupções no fornecimento de energia, permitindo que a população se previna antecipadamente dos transtornos causados pelos desligamentos.

(Ascom/MPE)

Sobre o concurso da Afap

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 23/12/11 as 11:58 am

Em relação ao post “Boca no Trombone, do dia 20, onde o leitor Luciano Pinheiro, reclama do concurso público, o diretor-presidente e presidente da comissão do concurso público, Sávio José Perez Fernandes, enviou o seguinte e-mail ao blog:

Prezada Alcinéa,

        Cumprimentando-a cordialmente e no cumprimento de minhas atribuições como Presidente da Comissão do Concurso Público da Agência de Fomento do Amapá – AFAP, venho por meio deste esclarecer alguns questionamentos feitos por um de seus leitores através de uma mensagem enviada no dia 20/12, sobre o referido Concurso Público. Vale destacar que tais esclarecimentos nos foram encaminhados pela FMZ, por intermédio de sua Coordenação Acadêmica e de Banca.  

        Como o próprio menciona, a área de “Tecnologia da Informação” é relativamente recente no cenário profissional brasileiro. Por esta razão, quando a contextualizamos nesta realidade, descobrimos que ainda não há unanimidade na regulamentação profissional para a área, na forma de um conselho ou órgão correlato. Desta forma, há, sim, diversos cursos que tangem a área e a ausência de uma legislação específica viabiliza, muitas vezes, problemas desta e de outras naturezas.

        Em resumo, ao nos atermos apenas na questão da área de TI, teremos o seguinte padrão: enquanto a restrição quanto à formação, vigente em alguns concursos, desagrada a alguns profissionais da área, a ampliação desagrada a outros. É virtualmente impossível agradar a todos quanto a esta questão.

        No entanto, de maneira geral, gostaríamos de ampliar nossos esclarecimentos e considerar os comentários quanto à existência ou não das supracitadas formações no âmbito do Amapá e o efeito desta ausência como empecilho (ou prejuízo) para a realização de um concurso. Em caráter de exemplo, seguindo tal linha de raciocínio, não poderíamos abrir, no Estado, concursos para áreas como Medicina Veterinária e Medicina, uma vez que não temos a primeira escola e a segunda existe há apenas dois anos e ainda não formou sua primeira turma…

        Infelizmente, a demanda amapaense por médicos e veterinários (dentre outros) suplanta – e muito – a discussão sobre a existência ou não destas escolas na região. Os concursos são, então, realizados segundo a necessidade da sociedade. Na verdade, dados nacionais diversos nos ensinam que a ordem é exatamente esta: as demandas social e profissional de uma região que levam à criação de cursos, inclusive os superiores. E foi justamente a demanda social que trouxe os cursos exemplificados e fará o mesmo com a área de TI.

        Desta forma, reiteramos que o concurso em questão respeita a necessidade desta Agência, a legislação vigente e a sociedade Amapaense. Queremos deixar claro que o compromisso precípuo da Agência de Fomento do Amapá S/A – AFAP e, por conseguinte, nesta situação específica, o da empresa contratada – FMZ – é o de contribuir para o avanço e o desenvolvimento do Estado do Amapá, através de um processo constante de modernização, transparência e idoneidade em todas as atividades em que estamos presentes.

Estamos às ordens para quaisquer esclarecimentos.
Cordialmente,
Sávio José Perez Fernandes
Diretor Presidente/AFAP
Presidente da Comissão do Concurso Público