Alcinéa Cavalcante

Liberdade de expressão!
Macapá - Amapá

Feliz Ano Novo!

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 31/12/11 as 2:49 pm

Desejo que todos os teus dias de 2012 tenham a ternura da poesia, a alegria do samba, a beleza e o perfume da rosa e sejam cheinhos de amor, saúde, paz, alegrias.
Que jamais te  falte a bênção de Deus, o pão na tua mesa, o ombro amigo, a mão carinhosa, motivos para sorrir e celebrar a vida.

Anonovesco

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 31/12/11 as 2:30 pm

Alcy Araújo Cavalcante
(1924-1989)

Aceitarei sem mágoas milhões de luas. Não bem luas. Que o plural acaba com a poesia. Satélite. Assim o telescópio perceberá melhor os anéis de Saturno. Ser satélite. Girar em torno de. Há necessidade de uma gramática celeste. Melhor ainda, geografia celestial, de asas. Asas circunferenciais, eclipsiodais, tridimensionais, vista-visionais, de fim de ano, natalinas. Faltam tantos dias relativos para o começo de outro fim.

Sempre o começo. O início. O inaugural. O inaugural e a esperança de que após o fim o início recomeça. Há muitas casas no reino de meu Pai. A todos a melhor casa. Esperança de último. Esperança de ser o primeiro inquilino na interpretação simplista do Livro.

Enquanto isso, falece o gesto de bondade. Não observar o aviso – é proibido pisar na rosa. Superior mesmo é nascer pássaro e defecar na flor silvestre.

Também seria bom nascer borboleta e pousar na flor com asas de arco-íris. Digo, arco-da-velha. Nunca porém nascer disco voador, viajar milhões de mundo, encontrar milhões de humanidades. Uma é suficiente.

O necessário mesmo é reler Júlio Verne. Viajar deitado. Sem sair de casa. Acordado, à espera de Papai Noel de barbas brancas, saco de nylon e brinquedos de matéria plástica.

Depois esperar o dia da Fraternidade Universal e os três reis magos. Principalmente Baltazar, o que nasceu no Harlem, há mil novecentos e oitenta e oito anos, um mês e dezoito dias. Explico: Baltazar porque o poeta não tem preconceitos raciais.

Viva o ano novo que começa quando nasce uma criança.

(Do livro “Autogeografia”, 1965 – Macapá-AP)

As armas da ovelha

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 31/12/11 as 2:07 pm

Dom Pedro José Conti, Bispo de Macapá      

Logo depois que foi criada, a ovelha percebeu que era o mais fraco de todos os animais. Vivia sempre com medo de ser agredida pelos outros animais, todos mais fortes e valentes. Não sabia mesmo como defender-se. Então voltou com o Criador e lhe expôs os seus sofrimentos.

- Quer algo para defender-te? – perguntou amavelmente o Senhor.
- Sim – respondeu a ovelha.
- Que tal duas presas acuminadas?

A ovelha sacudiu a cabeça:
- Como poderei comer a grama mais macia? E também teria cara de briguenta.
- Quer duas garras poderosas?
- Ah, não. Poderia ter vontade de usá-las sem motivo.
- Poderia injetar veneno com a saliva – continuo pacientemente o Senhor.
- Nem pensar. Seria odiada e mandada embora como uma cobra qualquer.
- Podem servir dois chifres muito fortes?
- Também não dá. Ninguém mais me daria carinho.
- Mas para defender-te deve ter alguma coisa que possa fazer mal aos outros.
- Eu, fazer mal a alguém? Não, não posso. Antes ficar como estou. – - Como quiseres – disse o Criador – Vou dar-te três armas poderosíssimas, com as quais poderás ser feliz. Dou- te de presente a mansidão, a humildade e a paciência.

Uma pequena história para começar bem o novo ano, celebrar a Jornada Mundial da Paz e entender o sentido de nos tornarmos todos “fazedores da paz”.

A paz é um bem que não pode existir sozinho. Na linguagem da Bíblia “Shalom” é o resultado de muitos outros valores ou, se preferirmos, o conjunto desses valores. Assim entendemos que a paz exige a justiça; as duas andam juntas, abraçadas. Onde e quando tiver injustiça, sempre haverá conflitos. O mesmo vale para a união; enquanto houver divisões e disputas, nunca existirá a paz verdadeira.

A verdade é a única base sólida para uma paz duradoura. Falsidade e mentira são como areia movediça: antes ou depois, tudo afunda e desmorona.  Poderíamos continuar falando de liberdade, de respeito e proteção dos direitos de todos, de condições de vida dignas, de valorização da vida. Esses “valores” acabam sendo “condições” para que a paz seja vivida na prática e não somente em discursos alto-tonantes. Hoje podemos falar, também, do planeta Terra que reclama a sua parte na construção da paz, ele cobra respeito. A natureza não se vinga, mas tem as suas regras que não podem ser impunemente violadas.

Por tudo isso, é costume dizer que a paz é um bem muito precioso, mas extremamente frágil. Se qualquer um dos outros valores faltar ou sofrer limitações, a paz também sofrerá e poderá desaparecer. Se acreditamos no valor inestimável da paz, precisamos defendê-la. Com quais armas? Bem conhecemos as “armas” de todas as guerras, desde as convencionais, incluindo a bomba atômica, até as das “guerras” comerciais ou das disputas pelo poder. Toda injustiça tem a violência como aliada. A mentira tem a corrupção para sustentá-la. A desunião se serve de preconceitos e calúnias para manter um grupo afastado e rancoroso com outro.

E as armas da paz? Se em lugar da “ovelhinha” da história de cima colocarmos a paz entendemos que mansidão, humildade e paciência são as armas que ela ganhou do bom Deus. Não podemos duvidar. A paz somente pode usar armas “pacíficas”; de outra forma estaria em contradição consigo mesma. Na construção da paz não se pode agredir ou matar. A paz pode usar, apenas, as forças do bem. Fora disso deixaria de ser o bem precioso, soma de tantos outros bens. Seria uma paz falsa, de mentira, ou de fachada.

Vamos refletir sobre as “armas” da paz. Mansidão não é fraqueza ou covardia; é a capacidade de não revidar contra quem, talvez, já nos agrediu. É a virtude de quem nunca pensa em se vingar, ao contrário, busca conquistar o adversário com a serenidade, o carinho, o perdão. Sorrisos, perseverança e argumentos podem convencer mais que ameaças. A humildade nem precisa ser explicada. Basta reconhecer as próprias limitações, admitir e agradecer pelas qualidades dos outros, pedir ajuda quando precisar. Humildade não é falta de autoestima, é renúncia à arrogância e a soberbia em nossa vida. A paciência, enfim, é a virtude dos fortes, daqueles que sabem esperar. Estes não precisam queimar etapas, correr, exigir, cobrar, sobretudo dos outros. Os que têm paciência procuram fazer a própria parte, com certeza não esperam de braços cruzados, mas acreditam que tudo tem hora certa para acontecer, porque confiam na bondade de Deus. Somente Ele conhece os detalhes da história, nunca retirará as suas promessas, nunca deixará de ser o que Ele é: amor, puro, simples, total.

Que tal sermos um pouco mais “ovelhinhas” no novo ano, e usar somente as armas da paz para sermos felizes?