Alcinéa Cavalcante

Liberdade de expressão!
Macapá - Amapá

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Postado por: Alcinéa Cavalcante em 18/07/10 as 11:35 pm

TudoIgualOutraVezAmesmaCoisaDeNovo, infelizmente!

Marco Antonio Pelaes Costa

Qual o sentido da política? Porque ela foi criada e porque a exercemos? A exercemos de fato? Assim como esta missiva chinfrim começa abusando de um método (socrático) com origem na Grécia, a política também tem sua origem, do modo ocidental como a devíamos conhecê-la hoje, nos pensadores helênicos. De repente(?) alguns homens perceberam que era dispendioso demais entrarem em guerras quando havia uma diferença de opiniões. Nasceu então um mecanismo onde a pólis teria seus rumos definidos não mais pela força das espadas, mas sim pela força dos argumentos; pela capacidade de convencimento; pelo prezo a retórica fulminante contra os adversários. Pena que eles também inventaram que para se fazer política, a maior das artes humanas, era necessário ter tempo livre, excluindo da democracia grega grande parte das pessoas, inclusive os escravos. Só quem gozava do privilégio do ócio poderia exercer e participar da arena política.

Hoje, depois de um bocado de gente dar pitacos, interessantes ou não, em como deve se organizar a “arena política” temos a tal democracia representativa, que encontra seu ápice nas eleições. Votaremos(?) para deputados estaduais e federais, senadores, governadores e presidente da república, mas o quanto e o como de fato influenciamos na arena e nos rumos que nossas pólis terão?

“Nunca antes na história desse país” se viu uma eleição tão fastidiosa, por falta de opções reais e não de aparência. Qual o motivo disso?

No plano nacional, desde a eleição de 94 a disputa fica entre PT e PSDB. Como está 2 x 2 esse ano parece que eles combinaram de “ir a nêga“. A principal diferença que há entre esses dois partidos é meramente plástica. Um vermelhinho com estrelinha e outro amarelo e azul com tucaninho. No mais, há uma igualdade de programas de enojar qualquer um de nós. É o que o sociólogo Carlos Nelson Coutinho tem chamado de “americanalhização da política”. Peço, por favor, a qualquer sincero petista de plantão que não tente sacanear a inteligência de ninguém. Vamos lá, você no fundo no fundo sabe que não existe esse papo de avanço triunfal, de “um novo país”, de Governo Lula isso, Governo Lula aquilo. Vamos lá, você pode fazer mais que isso. Você sabe que qualquer governozinho minimamente progressivo seria um escândalo perto do Lula. O Bolsa Família? Ahhh vai pra lá! O Serra ta dizendo que vai aumentar e você duvida? Claro que não. Qualquer um aumenta. Nenhum dos problemas estruturais da sociedade brasileira (saúde, educação, moradia, pobreza, reforma agrária, participação política, etc.) foram ou começaram a ser resolvidos pelos governos tão parecidos que podemos resumi-los a “Fernadinho 1, 2, 3 e 4”. Se tu não sabes tucano, se tu não sabes petista, somos 40 milhões de brasileiros miseráveis (menos de 1 dólar por dia); 50 milhões de analfabetos funcionais; investimos 2,5% do PIB em educação e 36% em banqueiros. Somos o país que investe mais em seus presidiários do que nos seus estudantes; um país que humilha os aposentados; etc. Se ainda duvidas, arrisca-te a ir a um hospital público para ver o que ta rolando. Aí podes dizer-me: “temos o Pré-Sal!”, tira teu primeiro cavalinho da chuva, pois 85% dos possíveis recursos do Pré-Sal serão para as empresas estrangeiras. Pelo menos sediaremos uma copa do mundo e as olimpíadas né!? Belezinha problema resolvido

Mas, como o brasileiro tem essa ligação piegas com esperança e não sei o que mais lá, habemus alternativa(?)! Marina Silva rompeu com o Governo e com o PT e lançou sua candidatura. “A candidata da Amazônia, do meio ambiente, a candidata verde”. Que belezinha de novo! Vai pra lá tu também! Caístes nesse papo? Ela mesma tratou de tirar o cavalinho da chuva de qualquer apressadinho: “Eu mudei de casa, mas continuo morando na mesma rua”, e depois perdeu a linha e saiu elogiando a “criativa” política econômica de FHC e Lula. “Alvaite-se penoso” (como gritávamos ao ver uma pipa “chinando” no “P. Help”), tão incoerente que foi no “gasgo”, mas com muita linha!

Então não tem sido muito animador pensar nesse cenário nacional. Como andei lendo uns autores pós-modernos por aí, pensei que esse papo de conjuntura internacional, nacional, é grande tolice. Temos que valorizar somente nossos espaços locais. Mudando de pouco em pouco nossa própria realidade. Então fui mais que depressa depositar todas as minhas esperanças nas eleições do meu querido Estado do Amapá.

Putakiupariu! E não é que encontramos cenário muito parecido? Alguém pergunta: “parecido com o nacional?” e respondo: “Também, mas principalmente parecido com 15 ou 20 anos atrás no próprio Estado do Amapá”.

Mas é muito reducionismo dizer que está tudo parecido ou igual. Não só reducionista, mas leviano e mentiroso. É que há mudanças sim. Vejamos: há novos coadjuvantes e até protagonistas(!); há novas composições (essas terão um parágrafo à parte), e, além disso, há também… é….. há a questão do… Bom, deve ter outras coisas novas. Fiquemos com essas por enquanto.

Ontem, em 2002, PSB e PT viraram inimigos mortais. Puxa vida, que quiprocó você arranjaria tendo dois de seus “capas” em uma mesma sala. Como dizem os mineiros: “nuh!”. Parecia briga de gato no cio. Hoje juram, mutuamente, amor eterno e infinito (até a próxima eleição?). É uma coisinha linda e fofa de se ver. Vá tomando fôlego aí que vou tentar colocar tudo junto aqui. O PT era o partido da militância radical e anti-pragmática. Cresceu contra as oligarquias e organizando o povo pobre e trabalhador, mas de repente(?) se tornou mais um partido que Sarney (já já chego nele “de cum força”) poderia contar como aliado nacional e local. Lá atrás havia um bloco amplo de libertação do Amapá. Era todo mundo contra o “pobre” velhinho Comandante. Nessa onda tava PSB, PT, PDT, PCdoB, (O PMDB tava?) etc. O velhinho era do PFL (atual DEM). Foi assim que foi bonito ver em 1994 Capi ser eleito Governador e em 1996, apoiando Waldez Góes do PDT para prefeito. O velhinho e o PFL ganharam. Depois Waldez foi governador do Estado por quase oito anos e teve sempre como um dos principais aliados o PFL e como principal inimigo e opositores o PSB e o Capi, justamente os que apoiaram Waldez contra o PFL, os aliados de Waldez. Calma! Eu também estou ficando confuso, mas vamos lá que tem mais. O Capi que era do PMDB e depois foi pro PSB, que foi perseguido pela Ditadura e depois voltou para o Amapá e assumiu um cargo de 1º escalão no Governo deste rincão, onde o governador tinha sido indicado adivinhem por quem? Bigode na cabeça! Aliás, quem foi um dos que recebeu de braços abertos Sarney em nosso Estado? Disso todo mundo sabe, mas dizem que foi muito lá atrás. Nem tanto assim né “Bial”? Se formos relembrar em 1998 o Capi deu um chega pra lá no seu vice (Idelgardo Alencar. Por onde anda hein!?) e apoiou o Bigode do inferno pro Senado. E o Bigode? Bom, esse sempre enxergou o Amapá como um feudo. Uma antiga polêmica, a do quinto ano de mandato quando fora presidente lhe concedeu a dádiva suprema da distribuição de concessões públicas de Rádios e TV´s. Tem aos montes por aí com uns testas de manganês, até no próprio Amapá, é o que dizem as boas línguas. Esse já mexeu e remexeu no quadro político do Amapá que nem é necessário fazer o retrospecto aqui. Ele tem muitos amigos e assessores, mas nem todos gostam de assumir que são “do peito e das contas”, e nem de aparecer juntinhos em público. Um representante dessa galera é o “camarada” Lucas Barreto. Este por sua vez, que ninguém “dava nada”, tinha sido deputado umas quantas vezes já, foi presidente da Assembléia e de repente(?) quis alçar vôos mais altos. O professor Amanajás, do lindo projeto Desafio (vai pra lá!), também quis. O vice do Waldez, que é do PP, o PPD, também quis, aí já viu né? Rachou! Teve gente tirando verba dalí. Colocando mais cargos acolá. Tirando outros mais em frente. A harmonia que governou o Amapá (que soldava sua unidade principalmente na maestria de Sarney e no sentimento de proteção em relação ao inimigo, o PSB) rachou! Agora é cada um por si!

Tudo isso é quase nada, perto do vai-e-vem dos últimos 15 ou 20 anos da “política” no Estado do Amapá. Poderia também enveredar pelo fácil, mas enfadonho caminho de enumerar as famílias que dão as cartas no Estado. Mas deixemos isso pra outra hora.

Lendo um recente texto do jornalista Corrêa Neto, queixando-se corretamente do nível de despolitização nesse processo eleitoral, pelo menos pelo o que ele tem visto na internet, onde velhas acusações de parte a parte são novamente utilizadas, chego a pergunta crucial: alguém acredita que todo esse vai e vem, essa mudança de postura, de alianças, o amor de ontem e o ódio de hoje e vice-versa, se dá realmente porque há diferença política/programática de fundo entre os principais blocos de disputa das parcelas do poder no Amapá? Reparem, não é um debate sobre moral e nem ética, é sobre política. Qual diferença (política e programática) que há entre esses candidatos e partidos que justifique estarem separados nessas eleições? Se há essa grande diferença o que justifica que tenham estado juntos em outra? O que muda tão rapidamente na conjuntura política que justifique beijar no rosto de quem se queria bater até ontem? Mudar beleza. Algum grupo ou pessoa se encanta pelo poder e trai as suas convicções. Isto pode e realmente acontece. Mas “desmudar” e mudar novamente sem limites é piada!

Lhes respondo sem nenhum medo de errar: não há nenhuma diferença política fundamental. Algumas poucas nuancem talvez. Uns mais tolerantes à corrupção; uns mais “democráticos” que outros; uns mais personalistas que outros, etc. De fundamental para justificar todo estardalhaço NADA! Utilizando aquele jargão: “São todos farinha do mesmo saco”. Utilizando o Chico (ô Chico, perdão!): “Rita que amava Dito que amava Rita que amava Carlos amava Dora que amava Pedro que amava tanto que amava a filha que amava Carlos que amava Dora que amava toda a quadrilha”.

Dizem para a população que isso é “saber fazer política!”. Não é mesmo! Política é resolver os problemas da pólis debatendo e disputando pontos de vista diferentes. Há diferenças, debatamos. Não há, sigamos.

O poder pelo poder! Nua e crua gostemos ou não, a realidade é esta. Pragmatismo acima de tudo!

Mas vendo os noticiários me tranqüilizei. Pensei: “ainda bem que eu sou do PSOL, um novo partido contra a velha política e não participamos dessas “coisas”. Não colocamos nosso pragmatismo na frente de nossos princípios. Temos a consciência de que temos que fazer política de novo tipo, com “P” maiúsculo (Políticaaaaaa!), senão seremos mais do mesmo! Ainda bem que sou do PSOL!”. Finalmente vi que estávamos na página de um blog como mais um, como um partido qualquer, na “luta”(?) pragmática. Depois da raiva racionalizei e vi que nada mais justo que nos colocarem no mesmo patamar de qualquer outro partido, pois é justamente o que estamos sendo nessas eleições do Amapá.

O grande problema da política hoje é a falta de Política.

Por essas e por outras teremos nessas eleições TudoIgualOutraVezAmesmaCoisaDeNovo, infelizmente!

P.S.: Odeio os pós-modernos.

Marco Antônio  Pelaes Costa – marcounifap@yahoo.com.br (nada a ver com a Fátima, sou dos Pelaes de Afuá!)