Alcinéa Cavalcante

Liberdade de expressão!
Macapá - Amapá

Chá da tarde

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 30/03/14 as 3:00 pm

SENTIMENTAL
Carlos Drummond

Ponho-me a escrever teu nome
com letras de macarrão.
No prato, a sopa esfria, cheia de escamas
e debruçados na mesa todos contemplam
esse romântico trabalho.
Desgraçadamente falta uma letra,
uma letra somente
para acabar teu nome!
- Está sonhando? Olhe que a sopa esfria!
Eu estava sonhando…
E há em todas as consciências um cartaz amarelo:
“Neste país é proibido sonhar.”

Bom dia!

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 25/03/14 as 6:00 am

“Quando abro cada manhã a janela do meu quarto é como se abrisse o mesmo livro numa página nova”
(Mario Quintana)

Boa tarde!

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 27/01/14 as 1:29 pm

“Haverá ainda, no mundo, coisas tão simples e tão puras como
a água bebida na concha das mãos?”
(Mario Quintana)

Hoje tem poesia no Araxá

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 22/01/14 as 12:19 am

Hoje, a partir das 20h no Norte das Águas (Araxá) tem encontro poético com a participação dos consagrados poetas paraenses Juracy Siqueira e Walcyr Monteiro e o Movimento Poesia na Boca da Noite.
Para entrar logo no clima, leia  a convocação, em forma de poema, feita pelo Juracy.

CONVOCAÇÃO!
Juracy Siqueira

Em nome da poesia,
da amizade, da alegria,
da palavra e da emoção,
faço esta convocação
para se fazer presente
logo após o sol poente
às margens do Rio-mar
para a poesia exaltar:
Convoco Fernando Canto,
armado de cetro e manto,
chamo Decleoma Pereira,
Jurandir, Jaci Siqueira,
convoco o velho marujo
dito Obdias Araújo,
sumano Walcyr Monteiro
junto ao boto mandingueiro;
convoco Waldinett Torres
com a Rama Dê-Las Torres,
que venham para a função
o Raule e a Cris Assunção!
E para trocar de rima,
a Elida Almeida Lima
para na festa en/cantar.
Sem esquecer de chamar,
com seu verbo de brilhante,
Alcinéa Cavalcante;
também chamo, sem esparro
o  Paulo Tarso Barros.
Que venha Aline Monteiro,
Júlia, Thiago Soeiro,
Áquila e Asaf Assunção,
Alice, Aiury… E quem não
convoquei, também se afoite,
“Poesia na boca da noite”
nunca fez mal a ninguém.
E por fim, por testemunha,
a Maria Lídia Cunha
e toda a turma do bem!

Chá da tarde

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 13/12/13 as 3:30 pm

Os Estatutos do Homem
Thiago de Mello

Artigo I 
Fica decretado que agora vale a verdade.
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.

Artigo II 
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo. 

Artigo III  
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança. 

Artigo IV
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu. 

        Parágrafo único:  
O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino. 

Artigo V  
Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa. 

Artigo VI  
Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora. 

Artigo VII  
Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo. 

Artigo VIII   
Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor. 

Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha
sempre o quente sabor da ternura. 

Artigo X  
Fica permitido a qualquer  pessoa,
qualquer hora da vida,
uso do traje branco. 

Artigo XI 
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã. 

Artigo XII   
Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela. 

        Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor. 

Artigo XIII 
Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou. 

Artigo Final.   
Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.

Um poema de Romério Rômulo

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 11/12/13 as 9:43 pm

Bandeira
Romério Rômulo

já decidido, bandeira
vou contigo pra pasárgada

se o rei me apagar
me escondo na tua pele
me amarro no teu abraço
e aonde fores, irei

invento que fui amante
da vênus de botticelli
e que a vila de ouro preto
é um raio do meu olho
aí o rei se convence
de que sou homem fatal

invento dos meus amores
dos olhares de clarice
de tantas outras madonas
do aço que já comi

e aí quem vai dizer
que sou isso pelo avesso?
quem vai olhar os meus trapos
e falar do puro medo
das entranhas habitadas
no meu corpo de miséria?

falo dos panos de seda
do meu circo sem igual
onde 15 malabares
no espanto de uma corda
fazem toda a travessia

invento que namorei
a raínha de sabá
e suas tropas andaram
no meu cabelo de lona

te garantizo, bandeira
o rei não vai resistir

quem sabe que as harmonias
de villa-lobos sou eu?

Chá da tarde

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 26/11/13 as 3:10 pm

O que o vento não levou
Mario Quintana

No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas
que o vento não conseguiu levar:
um estribilho antigo
um carinho no momento preciso
o folhear de um livro de poemas
o cheiro que tinha um dia o próprio vento…

Semana do Poeta

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 20/10/13 as 2:31 pm

Hoje é o Dia do Poeta. Em Macapá, o dia acordou com um sol bochechudo saudando os poetas. O céu está azulzinho e nuvens impecavelmente brancas brincam formando códigos que só os poetas conseguem decifrar. Um convite à poesia. Um dia perfeito para ler, dizer, declamar poemas, relembrar os primeiros poetas amapaenses, relembrar os que partiram, conversar e abraçar  todos aqueles que vivem a poetar no meio do mundo, estimular a juventude que está se dedicando à arte de construir versos e incentivar as crianças que traduzem em versos os sentimentos mais puros.
E neste domingo de sol bochechudo e céu azul-ternura começa aqui no blog a “Semana do Poeta”. Durante todo esta semana, o maior espaço neste blog será dedicado à poesia, aos poetas e grupos poéticos.
O espaço está aberto para todos. Mande sua poesia, sua foto, sua história ou do seu grupo poético. Esta semana quem manda no blog são os poetas e os amantes da poesia.
E começamos lembrando da Antologia Modernos Poetas do Amapá, lançada em junho de 1960, reunindo os mais importantes poetas do início do Território Federal do Amapá: Alcy Araújo, Álvaro da Cunha, Aluízio da Cunha, Arthur Neri Marinho e Ivo Torres. Intelectuais que demarcaram, como área de cultura, um território ainda jovem. Foi a primeira iniciativa, no gênero, cultivada na linha setentrional do país.
Publico abaixo recorte do jornal Amapá (que recebi de presente do poeta Paulo Tarso) noticiando o lançamento da Antologia em Belém do Pará, na livraria Dom Quixote.
O lançamento em Belém foi bastante concorrido e contou com a presença de estudantes, intelectuais, professores, jornalistas e dos nomes mais importantes da literatura paraense como Bruno de Menezes, Haroldo Maranhão, Max Martins, Rodrigues Pinagé e Georgenor Franco – que saudou os amapaenses em nome da Academia Paraense de Letras. Alcy Araújo, meu pai (de terno branco, óculos, à direita) falou em nome dos modernos poetas do Amapá.

Poeta

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 20/10/13 as 1:51 pm

“Qual seria o anel do poeta,
se o poeta fosse doutor?
– Uma saudade brilhando
na cravação de uma dor”
(Catulo da Paixão)

Se alguém te perguntar o quiseste dizer com um poema, pergunta-lhe o que Deus quis dizer com este mundo… (Mario Quintana)

A minha poesia, senhor, é a poesia desmembrada
dos homens que olharam o mundo
pela primeira vez;
dos homens que ouviram o rumor do mundo
pela primeira vez.
(Alcy Araújo)

“Meu poema é teu, irmão.
Está à tua disposição em qualquer lugar.
Meu berro de guerra não se perderá no ar!
Encontrará resposta em outras esquinas.
Subirá às praças, derrubando mitos.”
(Isnard Lima)

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
(Fernando Pessoa)

Mas o que vou dizer da Poesia? O que vou dizer destas nuvens, deste céu? Olhar, olhar, olhá-las, olhá-lo, e nada mais. Compreenderás que um poeta não pode dizer nada da poesia. Isso fica para os críticos e professores. Mas nem tu, nem eu, nem poeta algum sabemos o que é a poesia. (Garcia Lorca)

O poeta é um jornalista da alma humana. (Affonso Romano de Sant’Anna)

Eu não forneço nenhuma regra para que uma pessoa se torne poeta e escreva versos. E, em geral, tais regras não existem. Chama-se poeta justamente o homem que cria estas regras poéticas. (Maiakovski)

Não sou alegre nem triste: sou poeta (Cecília Meireles)

Minha poesia é cheia de imperfeições. Se eu fosse crítico, apontaria muitos defeitos. Não vou apontar. Deixo para os outros. Minha obra é pública. (Carlos Drummond)

Dever do poeta é cantar com seu povo e dar ao homem o que é do homem: sonho e amor, luz e noite, razão e desvario. (Pablo Neruda) 

Criança Feliz II

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 11/10/13 as 3:40 pm

SCrianças  felizes  brincando de ciranda com a Pano da Poesia

Bom dia!

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 08/08/13 as 5:02 am

S

Bom dia,amigos!

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 20/07/13 as 2:08 am

Poema para o amigo

É possível que eu te conte
uma história de príncipes e fadas
que escutarás com o olhar perdido na infância.
Ou que te conte uma piada tão engraçada
que rolaremos de tanto rir.
Nossas gargalhadas contagiarão os passantes
e de repente todo mundo estará rindo
sem nem saber por que.

É possível
que eu faça um café com tapioca e te chame
pois café, tapioca e amigo tem tudo a ver.

É possível que eu chegue na tua casa sem avisar
só pra te ofertar uma rosa que acabara de nascer
e te oferecer um Johrei.

É possível que eu te ofereça uma música no rádio
ou te mande, pelo Correio,
uma carta numa folha de papel almaço.

É possível que eu te ligue
no meio da noite
no meio do dia
a qualquer hora
– mesmo na mais imprópria –
só pra dizer:
Amigo, eu amo você.

(Alcinéa Cavalcante)

Tempo perdido

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 08/07/13 as 7:00 pm

Havia um tempo de cadeiras na calçada.
Era um tempo em que havia mais estrelas. Tempo em que as criançasbrincavam sob a clarabóia da lua. E o cachorro da casa era um grande personagem. E também o relógio de parede! Ele não media o tempo simplesmente: ele meditava o tempo.
(Mario Quintana)

Colar de poesia

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 08/06/13 as 12:35 am

SNós do Movimento Poesia na Boca da Noite vivemos inventando coisa para incentivar a leitura e despertar o gosto pela poesia.
Agora na Semana da Lusofonia comemoramos distribuindo poesias dos mais famosos poetas portugueses.
Fizemos centenas de passarinhos de origami, imprimimos trechos de poesias,  compramos linhas e contas coloridas e  fizemos colares que distribuímos por aí para que mais e mais pessoas tenham acesso à poesia de Bocage, Fernando Pessoa, Florbela Espanca, Antero de Quental, Camões, entre outros.
Ficaram lindos e todo mundo gostou e usou.
S

ori10

Bom dia!

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 20/05/13 as 5:04 am

O pão de cada dia
Thiago de Mello

Que o pão encontre na boca
o abraço de uma cançãoconstruída no trabalho
Não a fome fatigada
de um suor que corre em vão.

Que o pão do dia não chegue
sabendo a travo de luta
e a troféu de humilhação.
Que seja a bênção da flor
festivamente colhida
por quem deu ajuda ao chão.

Mais do que flor, seja fruto
que maduro se oferece
sempre ao alcance da mão.
Da minha e da tua mão.

Chá da tarde

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 28/04/13 as 4:04 pm

Uma lembrança de Verão
Val-André Mutran

Se um dia pudesse voltar no tempo…
Ouviria que seja por encanto o sussurrar do vento.
Leria muito mais Pablo e Spinoza à fórmulas de Kent.

Se um dia me fosse permitido olhar o tempo…
Repararia o corpo perfeito dos bem acabados ateus
que não reparam santos, pois, movem-se como Deuses.

Se um dia me fosse concedido ouvir o tempo…
Calaria, circunspecto, ouvir Callas após o Ato final.

Assobiaria besteiras para espantar a sina.

Se alguma vez conhecesse o encanto…
Confraria um trato: o de adiar a fome, aviltar a vontade,
esquecer a dor, levitar no agora;
encantar-me com a noite: perder-me de amor pelo dia.
Se apesar de tudo e só peço haja não me for permitido…

Que a morte venha tântrica, semântica, pois é tempo de trabalho
Muitos me esperam
Poucos me verão…
…No Inverno.

(Val-André Mutran, poeta e jornalista paraense, há vários anos residindo em Brasília)

Boa tarde!

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 16/04/13 as 3:20 pm

caminhada

Boa tarde!

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 14/04/13 as 3:40 pm

O

Chá da tarde

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 07/04/13 as 3:13 pm

Explicação

Vivo do ato de escrever
sobre tragédias
e espetáculos
sobre o candidato vitorioso
e o derrotado
sobre o deputado corrupto
e o governante que finge ser honesto
sobre a exportação da mandioca
e a importação da farinha
sobre a fome e a riqueza
sobre o real e o dólar.
Perdoa-me, Anjo,
não sobrou tempo
para escrever
um poema de amor.
(Alcinéa)

Hoje tem Poesia na Boca da Noite

Postado por: Alcinéa Cavalcante em 31/03/13 as 1:51 am

O Movimento Poesia na Boca da Noite estende  hoje, a partir das 16h30, o Pano da Poesia no Parque do Forte.
É com muito lirismo, poemas, ciranda, chocolate,  bolo e guaraná que os poetas e  amantes da poesia vão comemorara a Páscoa e o aniversário da poetisa Andreza Gil (foto) , à beira do rio mais lindo do mundo e ao lado da Fortaleza de São José.

andreza2Andreza faz parte do Movimento Poesia na Boca da Noite. Ano passado ela participou da Bienal Internacional do Livro de São Paulo onde autografou a coletânea “Poesia na Boca da Noite” na qual constam belíssimos poemas dela.
Hoje ela faz aniversário e nada melhor do que festejar a data com muita poesia.