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	<title>Alcinéa Cavalcante &#187; Sapiranga</title>
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		<title>Crônica do Sapiranga</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Nov 2011 14:50:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alcinéa Cavalcante</dc:creator>
				<category><![CDATA[Macapá antiga]]></category>
		<category><![CDATA[Sapiranga]]></category>

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		<description><![CDATA[CHOREI,  E MUITO ! Milton Sapiranga Barbosa Depois que os  desfiles cívicos, pátrios  e carnavalescos foram transferidos  da Av. FAB para à  avenida Ivaldo Veras(Sambódromo), nunca mais  me  interessei em  ir  assistir  desfiles no  local acima  mencionado,  até que  neste  ano de  2011, não  pude  deixar de ir, por  dois motivos  que  julguei importantíssimos,  como  [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><span style="color: #003366;">CHOREI,  E MUITO !</span></strong><br />
<em><span style="color: #003366;">Milton Sapiranga Barbosa</span></em></p>
<p><a href="http://www.alcinea.com/blog/wp-content/uploads/2011/11/sapir.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-13040" title="sapir" src="http://www.alcinea.com/blog/wp-content/uploads/2011/11/sapir.jpg" alt="" width="131" height="150" /></a>Depois que os  desfiles cívicos, pátrios  e carnavalescos foram transferidos  da Av. FAB para à  avenida Ivaldo Veras(Sambódromo), nunca mais  me  interessei em  ir  assistir  desfiles no  local acima  mencionado,  até que  neste  ano de  2011, não  pude  deixar de ir, por  dois motivos  que  julguei importantíssimos,  como  vocês  poderão  comprovar a  seguir.</p>
<p>Minha   filha  caçula, Elinne, quando  fui  visitá-la  no  sábado, 03/09,  me  fez um  convite muito  especial, pedindo  que  fosse assistir o desfile  do Pedro Caíque, seu  filho(  aquele moleque da crônica <em><span style="text-decoration: underline;"><a href="http://www.alcinea.com/sem-categoria/cronica-do-sapiranga-12" target="_blank">O filho da lavadeira e o neto indagador </a></span></em>). Lembram? De  imediato  prometi  que não ia  faltar. Primeiro, porque  naquele dia em  que ele  desfilaria, eu  estaria  de berço, completando 66 anos  de  vida,  e segundo, por que, sem dúvida,  veria  naquele  moleque, da terceira geração da Dona Alzira, um  pouco  de mim, já que  ele  carrega nas veias um de meu sangue. Não,  eu poderia  deixar  de  ver meu Neto desfilar  pela  primeira  vez  na  vida  e logo no dia  de meu  aniversário.</p>
<p>Na  quarta  feira, 07/09, às  06  da manhã  já  estava acordado. Depois  de rezar  e agradecer à Deus por  me  dar, até  então,  o  dobro  de   sua  idade,   tomei um reconfortante banho, vesti  uma  roupa  nos  trinques, bebi o café matinal , saindo  em seguida  pedalando  minha  bike   rumo  ao  sambódromo.<br />
Como   o trajeto da casa  onde moro  até ao local do  desfile dista uns  mil  e quinhentos  metros aproximadamente, ou mais,  fui  relembrando, feliz,  como  pinto no lixo, dos  meus  tempos  de jardim de infância  até à  quinta  série, iniciado no  anexo  da Escola  Normal  e concluído  no Grupo Escolar Barão do Rio Branco.<br />
Lembrei das  professoras  que  me  deram ensinamentos  e  alguns  cascudos, também. Como  foram diversas, não  cito nomes para não cometer injustiça.<br />
Lembrei  com saudade da  “Turma  da Graxa”, pois  por  dois  anos, por  ser baixo  e magrinho, sempre ficava no  pelotão da “bagunça”,   já  que   na graxa não havia preocupação  com  o passo  certo. Bem  que tentávamos,  dando  aquele “pulinho”  para  acertar o  passo(assim pensávamos), com o  do  colega  que marchava ao lado  direito ou  na frente, mas as  vezes eles  também estavam marchando errado, e a coisa  ia  do jeito que  dava até o final  do desfile da escola.Mas o orgulho de  passar  em frente ao Palanque  Oficial era indescritível.<br />
Recordei  da Turma do Bastão , da  Escola  Industrial,   comandada  pelo  saudoso professor, árbitro, atleta e  escoteiro, Expedito da  Cunha Ferro(91), que   com uma  varinha na mão direita, exigia muita  atenção  e disciplina  dos  “bonecos  de anil” por  ele  selecionados .<br />
Quando a Turma do Bastão parava  em  frente  ao  palanque  e  começava a fazer  evoluções, com uma  precisão incrível, era  um  espetáculo  e os  aplausos  e  fogos  eram  ensurdecedores.</p>
<p>De  repente, ainda envolto nessas  gostosas  lembranças de  meu  tempo de primário, cheguei  na Ivaldo Veras, acho  que uns  10  minutos  antes de começar  o  desfile de  7  de setembro. As  dependências  do  sambódromo já  estavam lotadas. E  agora? Como  iria ver meu  neto passar garboso pela  avenida. Felizmente, liberado por  uma  policial  militar, consegui lugar  em uma  das  cabines  que  abrigam os  jurados nos   desfiles carnavalescos. Lá, daquele  lugar privilegiado, fiquei  atendo, assistindo  o passar dos membros da Polícia Militar, um pelotão da Legião Estrangeira, e  os  alunos das diversas  escolas  de Macapá  e  dos  meus  olhos   começaram a  cair  gotas e mais  gotas  de lágrimas .<br />
Como  tinha  gente  ao  redor, de vez  enquanto  eu ia  até  a escada enxugar lágrimas  saudosas  que  teimavam em cair devido a forte emoção que  tocava meu  coração, por  lembrar da minha  infância  feliz.<br />
De  repente,   lá  vem o  pelotão da Polícia Ambiental e dentro  de um carro  patrulha,  envergando  o  uniforme da  companhia, no posto  de  Tenente, era  meu  netinho Pedro Caíque  Barbosa Baía.<br />
Outra  vez  voltei no  tempo. Ao  vê-lo,  comodamente sentado naquela   viatura, foi  então  que  chorei pra valer,  ao lembrar,  do  dia  em que  cheguei  atrasado para receber o  material que  o governador Janary Nunes mandava  distribuir para os alunos da época (macacão   e botas). Quando  chegou a minha vez, o macacão  estava na medida  certa, mas as botas estavam  dois números acima  do que   eu  calçava, 38 em vez  de  36. Mas  quem disse  que  recusei? Eu não  ficaria sem  desfilar  de forma alguma.<br />
No  dia  7, bem cedo, coloquei uns  pedaços  de  papéis nos  bicos  das botas,  calcei duas meias  de  jogador  do  meu  cunhado justo (grande  zagueiro  do Amapá Clube) e mais  a meia da  escola e  fui  todo  contente  para  a avenida  FAB.<br />
Minha  escola Barão do Rio Branco, foi a  quarta  a desfilar, pegando já um  forte  sol  pela  frente. Quando passamos  em frente  ao palanque, ao  olhar  pra  direita, avistei  minha  mãe Alzira e minha irmã Mariazinha batendo  palmas e ostentando largos  sorrisos  em  seus  rostos.<br />
Elas, eu tinha  certeza,  estavam aplaudindo orgulhosas   aquele  moleque  magrela, que  mesmo  com enorme  sacrifício  de  marchar   com  aquelas  enormes botas  e  com pesos  extras, passava  garboso  diante  do  público e  das  autoridades, como se  tudo  estivesse  normal.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.alcinea.com/blog/wp-content/uploads/2011/11/MACAPA35a.jpg"><img class="size-full wp-image-13041 aligncenter" title="MACAPA35a" src="http://www.alcinea.com/blog/wp-content/uploads/2011/11/MACAPA35a.jpg" alt="" width="432" height="491" /></a></p>
<p>Terminado o  desfile, fui liberado para  ir  tomar  banho na  praia  da  Fortaleza de São José, que naquele  tempo  era  bem limpinha  e tinha muita  areia. Tirei  as botas  longe  dos  colegas, tomei  banho  e  depois trouxe as botas  nas mãos, pois  se eles vissem o tanto  de papel e pano que havia  utilizado no calçado para poder  desfilar, era  gozação  por  toda a  vida. É, chorei de verdade, ainda mais que  depois  que  meu  neto  desfilou, correu  ao meu  encontro,  me  deu  um   forte  abraço  de parabéns  pelo  meu  aniversário,  depois    que lhe  prestei  continência. Afinal  estava  diante  de um Tenente Mirim da Polícia Ambiental. CHOREI,  SIM !  E VOCE, NÃO  CHORAVA?</p>
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		<title>Crônica do Sapiranga</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Jun 2011 23:22:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alcinéa Cavalcante</dc:creator>
				<category><![CDATA[Macapá antiga]]></category>
		<category><![CDATA[Sapiranga]]></category>

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		<description><![CDATA[Dia primeirio de junho, eu não respeito senhor! Milton Sapiranga Barbosa Neste  primeiro  de junho, como  de costume, mesmo  estando de férias,  acordei as   6 da manhã. Após  agradecer  a Deus pelo  ótimo  sono e   por  ver nascer  mais um novo dia,  assisti, no  canal   96  da Via Embratel,  as peripécias da  dupla Tom  e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><span style="color: #000080;">Dia primeirio de junho, eu não respeito senhor!</span></strong><em><span style="color: #000080;"><br />
Milton Sapiranga Barbosa</span></em></p>
<p><a href="http://www.alcinea.com/blog/wp-content/uploads/2011/06/sapir.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-10776" title="sapir" src="http://www.alcinea.com/blog/wp-content/uploads/2011/06/sapir.jpg" alt="" width="131" height="150" /></a>Neste  primeiro  de junho, como  de costume, mesmo  estando de férias,  acordei as   6 da manhã.<br />
Após  agradecer  a Deus pelo  ótimo  sono e   por  ver nascer  mais um novo dia,  assisti, no  canal   96  da Via Embratel,  as peripécias da  dupla Tom  e Jerry. A  eterna briga do gato com o rato.<br />
Durante o primeiro  intervalo  do  desenho animado, percebi  que Macapá  estava silenciosa, muito silenciosa.  Não se  ouvia pipocar  de fogos   e  nem  a  salva  de tiros  disparados pelos  canhões da Fortaleza de São José de Macapá,  acordando a cidade   e  homenageando  o  primeiro governador  do  Território Federal  do Amapá, Janary Gentil  Nunes, cujo   aniversário é comemorado no primeiro  dia do  mês  da quadra  junina no Brasil.<br />
Aí   bateu  uma tremenda  saudade da Macapá  de antigamente. Lembro  que  naquele  tempo, o  primeiro de junho, era  repleto de comemorações, que iniciavam ao   romper da aurora  e  varavam noite  a dentro.  Tinha churrasco, torneios  de futebol, natação, festa na piscina territorial  e  em diversas sedes  de  clubes  locais. Tinha marabaixo  na casa  da dona Gertrudes  e  do Mestre Julião Ramos. Todos  prestando   homenagem ao  Governador  do Amapá, inclusive imortalizado por Mestre Ladislau na cantoria que dizia: “Pra onde  tu  vás rapaz, por  este caminho  sozinho.? Vou  fazer minha  morada, lá prós campos do Laguinho” / Dia primeiro de junho, eu não respeito senhor, eu  saio gritando vivas, ao nosso  Governador”  e por  aí vai.<br />
Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, gostou  e gravou  os versos   de “Ladrão” de Ladislau.<br />
Ao  sentir   que   se  aproxima a quadra junina, lembrei  também  das  noitadas  de festejos   de  Santo Antonio (13), São João (24),  São  Pedro (29)   e  São Marçal (se  dizia São Marçá) no  dia  30, encerrando  as  festividades  da quadra junina.<br />
Me vi   outra  vez, junto   com  meus  amigos  de infância, entre eles, Moacir, Pilão, Arideu, Dodoca, Zé Rodinha, Deodato, Mucura, Boquinha e  tantos outros, percorrendo  ruas  e  avenidas  da  Favela,  em  desabalada  carreira  para  poder  ter impulso  e pular as   fogueiras   que  eram  acesas   em  frente  de cada  residência  do  bairro.  Os   adultos, sempre  que  percebiam que  íamos  pular, nos  avisavam  que  era perigoso, que  alguém podia  se ferir. E   eles  tinham razão. Mas  sabe  como  é  moleque, não  tem noção  do perigo. Muitas vezes  alguém   errava  o pulo, batia  numa haste  de lenha  e ia  ao  chão, arranhando joelhos, mãos, cotovelos  e alguns  até   ficavam  com  a cara  esfolada. Era  bonito  de se ver o  bairro iluminado  por   fogueiras  armadas nos  mais  diversos tamanhos  e com  todo tipo  de madeira  disponível.<br />
A minha  querida  mãezinha, preferia  fazer  a  fogueira em  frente de casa  com   galhos de muricizeiro, pois  depois  que  a sirene da Usina de Força e Luz apitava avisando que eram  21  horas,  ela  apagava   e  no  outro  dia  aproveitava  o carvão para  colocar no  ferro de engomar (passar  roupa)   e  os  pedaços que  não  tinham  sidos queimado  totalmente,  ela  usava  para  cozinhar   o feijão do  dia  a  dia (até   hoje não sei  porque, o  feijão  cozido no  fogão  a lenha  tem um sabor  diferente, do cozido no  fogão a gás. Será  pelo  cheiro da fumaça que  entranha no caldo?. Ah, essa modernidade).<br />
As  vésperas  e nos  dias   que   os  santos Antonio,  João e Pedro são  homenageados, nós saíamos pulando  fogueiras  até   as   existentes  em bairros  adjacentes (como  Trem e Bairro Alto) por exemplo, mas     no  dia  30,  nós  nos  aquietávamos. É  que   São Marçal  é  homenageado  com  fogueiras  feitas  de  paneiros, muitos paneiros, que  provocam altíssimas  labaredas  e aí sim, pular  era  por  demais  perigoso  e  só  então  acatávamos os  conselhos  dos  mais  velhos.<br />
Puxa, como  era bom naquele  tempo. Ir de casa  em casa   e  se  deliciar  com cuiadas e  cuiadas de mingau  de vários sabores, mas  o  preferido, não tenho dúvidas,  era  o  de milho branco. Comer canjica, milho  assado,   milho cozido, tacacá, aluá  e  outras  iguarias  da época, era uma delícia só.<br />
Naquele  tempo  o  vizinho   fazia  questão da presença das  comadres  e  compadres, muitos  só  de  fogueira, naquela   de: “Santo Antonio disse, São  João  confirmou, que   o Milton há de ser meu  afilhado, que  Jesus  Cristo mandou”. E não é, que mesmo sem ser abençoado por um  padre,  valia, se  respeitava  e tomava-se benção, sempre  que se encontrava  um padrinho ou madrinha de fogueira?.<br />
As mulheres  passavam fogueira  e  se travam  de “ Meu Botão”, “ Minha Rosa”,  “ Minha Flôr”, “Minha Boneca”,  e  depois  só  se  tratavam por  esses  nomes, por  toda a vida, sempre  que  se  encontravam.<br />
E  as     apresentações   dos  Bois Bumbás,  com  seus  caçadores , índios, pagés, catirinas, etc, etc?.  Tinham  também  exibições  de  cordões, sendo  que  o mais famoso  deles   foi  o  cordão do Uirapuru, na  minha opinião, mas na verdade, todos  eram bacanas de se  assistir .<br />
Meus  olhos  estão  nublados por  lágrimas  saudosas  que  teimam  em rolar  face abaixo, não  me  deixando  mais continuar minha  viagem     pela   romântica, festiva,  segura  e bela  Macapá  de antigamente.  Saudade, muita saudade  dos  bons  tempos vividos, principalmente, na minha  querida  Favela.</p>
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		<title>Crônica do Sapiranga</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Apr 2011 15:00:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alcinéa Cavalcante</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sapiranga]]></category>

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		<description><![CDATA[S.O.S &#8211; A Lagoa  dos Índios está morrendo! Milton Sapiranga Barbosa Creio que  todos estão lembrados da crônica Raiva e Tristeza, na qual eu lamentava o descaso dos chamados órgãos  competentes, criados para   proteger  o Meio Ambiente, Flora e Fauna,  falando especificamente sobre a Lagoa dos Índios, que no meu entender, se bem cuidada  e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><span style="color: #800000;">S.O.S &#8211; A Lagoa  dos Índios está morrendo!</span></strong><br />
<em><span style="color: #800000;"> Milton Sapiranga Barbosa</span></em></p>
<p><a href="http://www.alcinea.com/blog/wp-content/uploads/2011/04/sapir1.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-10249" title="sapir" src="http://www.alcinea.com/blog/wp-content/uploads/2011/04/sapir1.jpg" alt="" width="131" height="150" /></a>Creio que  todos estão lembrados da crônica Raiva e Tristeza, na qual eu lamentava o descaso dos chamados órgãos  competentes, criados para   proteger  o Meio Ambiente, Flora e Fauna,  falando especificamente sobre a Lagoa dos Índios, que no meu entender, se bem cuidada  e protegida, seria um  dos mais bonitos cartões  postais de Macapá.  Enfatizando que a mesma  estava completamente abandonada, cheia  de lixos diversos,  na sua outrora  límpidas águas. Até óleo despejaram  no local, matando  diversas  espécies de peixes, entre eles, traíra, piranha, pratinhas e  uéuas.<br />
E foi ao passar outra vez naquele logradouro, que  me veio a mente  as pessoas, adultas e moleques, como eu, a época, que  deixaram sua marca, pela perícia na pesca ou por outra particularidade  qualquer.  Entre eles  o  “Jacaré”, que  era quem ordenava a hora e  o término  do banho.  Quem desobedecesse sofria as conseqüências. Certa vez, um desavisado, que não  conhecia  a Lei Jacaré, foi chegando na ponte, tirou  camisa  e tibum. Pra que? O Jacaré passou mão na sua zagaia, que  estava sempre ao  seu lado e atirou no  rumo do “atrevido”. O bico do ferro central  da zagaia entrou no bumbum dele, que  saiu as pressas de dentro d`água   em desabalada carreira, não sem antes  ter aquela arma retirar de suas nádegas pelo próprio Jacaré, que simplesmente disse: “Ainda não  é hora do banho”. O moleque, apavorado  com  o olhar feroz  do seu  algoz,  esqueceu  até a camisa em cima do corrimão da ponte.<br />
O Jacaré era  tão bravo, que sucuri, de meia boca,   enrolava na  perna  dele  e ele saía tranquilamente de dentro do lago, como se ela fosse uma sanguessuga,  que tivesse presa  a sua  perna.<br />
Lembrei também  do Joanico,  filho da dona Otávia, que morava na esquina da Leopoldo com a Cora de Carvalho (por onde será que ele anda?  Soube que ele estava morando  às margens do Rio Matapí e que mordido por uma cobra  teve uma das pernas amputadas). Ele, Joanico,  que também era bom na zagaia,  um dia  arpoou uma bota na Lagoa só para  mostrar que ela tinha o órgão vaginal igual ao de uma mulher. Tinha  até  cabelos. A molecada  toda foi olhar. Ele explicou  que se um humano quisesse fazer as vezes do boto, morreria,  se não tivesse alguém que  o tirasse de cima dela. (Será? Não sei!)<br />
Na Lagoa, que tem ligação com  o Rio Amazonas através do Igarapé da Fortaleza,  se podia pescar Pirapitinga, Tucunaré, Cuiú, Apaiarí, Surubim.etc, etc. Lembrei  do Célio Paiva (um grande zagueiro do Juventus, filho do seu Barbosa da Sapataria), que  chegava  por lá   só  a tarde, por volta das   17 horas . Sentava  à sombra de  um esteio  e só começava a pescar  17h45, pois  era  quando um imenso cardume de jacundás aparecia no local. Ele fazia a festa, grandes cambadas, pois o jacundá é um dos peixes mais fácies de fisgar, pois o mesmo engole  a isca  com uma voracidade  incrível. Ele não errava um.<br />
Tinha  também  o  Sabará (outro  craque que jogou no Juventus, São José e Paissandu), que  preferia  pescar  dentro da lagoa, ao que  ele  apelidou   de pescaria “ cabecinha no fundo. É que ele ficava dentro do lago com água pelo pescoço, daí o nome que ele empregava para  sua maneira de pescar.<br />
Lembrei  do velho e bom preto “Seu Gonzaga”, pescando em sua canoa  no meio do aningal,  pitando um  “porronca” cigarro feito com fumo de rolo -tabaco puro-  e, sempre que eu e o Deodato, o Dudu, perguntávamos se  estava batendo    bem “pratinha” (peixe da família do pacu)  naquele ponto ele dizia: “meu filho tá, mas é na miúda, na miúda, na miúda”. Como nós já havíamos descoberto seu truque, sabíamos que  ele  estava pegando só pratinha graúda, que chamávamos de “pires”, devido  seu tamanho  se parecer  com o parceiro da xícara, e íamos para perto dele  e também passávamos a puxar  só pratinha graúda.  Ele ficava carrancudo, mas nós nem aí, fazíamos a festa.<br />
Ali fiz grandes amizades que perduram até hoje. Como homenagem  listo  alguns : o Dmoá,</p>
<div id="attachment_10248" class="wp-caption alignright" style="width: 269px"><a href="http://www.alcinea.com/blog/wp-content/uploads/2011/04/029.jpg"><img class="size-medium wp-image-10248 " title="Foto: Alcinéa" src="http://www.alcinea.com/blog/wp-content/uploads/2011/04/029-259x300.jpg" alt="" width="259" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Os irmãos Ruy, Antônio e Walter Maia e o Geraldo Galo (camisa preta)</p></div>
<p>Clóvis, Wálter Damasceno, os irmãos Miranda Maia (Wálter, Ruy, Antonio, Paulo, Pires),  os Irmãos Lemos (Romeu, Ceará, Picolé),  os  irmãos Queiroz do Couto (Dudu, Bilica, Chico e Jorge), Bené Valadares,  Catara, Lucide, Luciberto, Chope, Chico Almeida e seu irmão  Jorge , Galo, Carrapeta, João Dutra, Manduca, Alcides etc.etc&#8230;  Apesar das boas recordações, constatei, que apesar de ter mostrado  em rede mundial minha revolta, raiva e tristeza,  nada, nadica mesmo de nada, foi feito para tentar salvar a Lagoa  dos Índios,  que  a  cada  dia que  passa, vai morrendo  aos poucos, infelizmente.</p>
<p>Cadê Ibama, Sema, Semam, Polícia Ambiental?  Não  deixem a Lagoa morrer. Por favor,   ajam  enquanto é tempo. Salvem a Lagoa dos Índios, pelo amor  de Deus!</p>
<p><em>P.S.  Quero convocar os amigos listados acima, para formarmos um mutirão e  marcarmos um dia  na semana, para  realizarmos  uma limpeza no local, para ver  se as  autoridades (in) competentes  criam  vergonha  e passam  a dar uma melhor  atenção  a Lagoa dos Índios.</em></p>
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		<title>Crônica do Sapiranga</title>
		<link>http://www.alcinea.com/sapiranga/cronica-do-sapiranga-21</link>
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		<pubDate>Mon, 14 Mar 2011 15:00:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alcinéa Cavalcante</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sapiranga]]></category>

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		<description><![CDATA[Bendita Chuva Milton Sapiranga Barbosa Manhã  de sábado chuvosa, fiquei impossibilitado de pegar a bike e sair pedalando pela beira rio, apreciando a beleza  do rio amazonas, com destino a banca  do Dorimar, para comprar jornais e  encontrar  amigos  de infância, que quando não  estão por lá, estão no bar da praça ou a sombra [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #800000;"><strong>Bendita Chuva</strong><br />
<em>Milton Sapiranga Barbosa</em></span></p>
<p><a href="http://www.alcinea.com/blog/wp-content/uploads/2011/03/sapir.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-9528" title="sapir" src="http://www.alcinea.com/blog/wp-content/uploads/2011/03/sapir.jpg" alt="" width="131" height="150" /></a>Manhã  de sábado chuvosa, fiquei impossibilitado de pegar a bike e sair pedalando pela beira rio, apreciando a beleza  do rio amazonas, com destino a banca  do Dorimar, para comprar jornais e  encontrar  amigos  de infância, que quando não  estão por lá, estão no bar da praça ou a sombra do jambeiro em frente à casa do João Silva.</p>
<p>Sem poder sair  o jeito foi pegar o controle remoto e procurar um canal da via Embratel que estivesse apresentando um bom programa.<br />
Nos canais de esportes só  matérias repetidas. Uma,  com  o Vágner Love,  já passou bem umas 5 vezes. De repente aparece na tela um aviso que a  rede TeleCine estaria com seus canais abertos, sem custo algum,   até  o dia 20 do mês em curso.<br />
Não relutei um instante sequer e fui direto no Tele Cine Premium. Nada de bom. Fui acionando o botão do controle até chegar ao Tele Cine Cult.<br />
Aí meus olhos brilharam e o coração bateu aceleradamente. Lá estavam Yul Brinner, James Coburn, Charles Bronson, Steve Mc Quem, os principais atores do filme The Magnificente Seven, título original, mas  que  para nós brasileiros  ficou sendo  Os Sete Homens de Ouros.<br />
O filme era tão bom que assistir 3 vezes e sem gastar um tostão, pois  casais que não queriam enfrentar  a enorme fila que passava da casa do Agostinho Souza, pediam para comprar  três ingressos, dois pra eles  e um, lógico, para este que vos escreve. Terminado o filme na TV, me veio à lembrança de uma leva  de  filmes de grandes bilheterias exibidos nas telas do Cine Territorial, dos barracões dos padres, da Capelinha de N.S. de Fátima, da Prelazia, depois Cine João XIII e da paróquia do Trem, depois Cine Paroquial  e do Cine Macapá. Filmes que tenho certeza, muitos dos que lerem esta crônica, vão lembrar e viajar no avião da saudade, como aconteceu comigo, senão vejamos: Os Perigos de Nyoka(a Rainha das Selvas), um seriado que lotava os barracões que vibravam e torciam quando ela aparecia para salvar alguém. Adorei assistir: Marcado Pela Sarjeta (com Paul Newman e Sal Mineo), que narrava a trajetória de um homem  de origem pobre, que passou pela prisão e se tornou um dos maiores pugilistas de todos os tempos: Rocky Graziano. Lembram dos filmes, Acorrentados, Ao mestre Com Carinho, Sementes da Violência, todos estrelados por Sidney Poltier (primeiro negro a ganhar um  Oscar)?<br />
E os filmes do mestre Alfred  Hitchcock: Um Corpo que Cai, Psicose, Os pássaros e Janela Indiscreta. Os longas metragens exibidos nos Cines Macapá e João XXIII, como os épicos  Ben Hur, Manto Sagrado, Os Canhões de Navarone, Cleópatra- A Rainha  do Egito, Spartacus, A ponte do Rio Kwai, Os  Dez Mandamentos, Lawrence da Arábia e por aí vai. Lembrei do filme que marcou a estréia do Cine Macapá; Ladrão de Casaca.<br />
E o musical A Noviça Rebelde, com a incomparável Julie Andrews que  ano passado completou 45 anos de seu lançamento . Lembrei dos grandes filmes de faroestes como:  Rastro de Ódio, O Último Pistoleiro, Dólar Furado, A Conquista do Oeste, No Tempo das Diligências.  E os filmes com a dupla Oscarito e Grande Otelo, os reis das chanchadas, que fizeram milhões de pessoas rirem com  suas trapalhadas em: Aviso aos Navegantes, Cacareco Vem Aí, De Vento e Popa, Matar  ou Correr, uma sátira do  bang bang Matar ou Morrer. E o baiano, meu  xará (Milton)- Zé Trindade, em Marido de Mulher Boa,  Mulheres a Vista, Genival  é de Morte. E o caipira  Mazzaropi, que não fazia filme sobre  o Brasil, mas sim para o Brasil inteiro rir; Jeca  Contra o Capeta, As Aventuras de Pedro Malasarte.</p>
<p>É meus amigos, ainda me lembro de grandes filmes  da época de ouro do cinema, antes do advento da ielevisão e agora  dos filmes em DVDs, piratas ou não.</p>
<p>No domingo, 20/02, quando encerrou a gratuidade da Rede Telecine, ainda fui presenteado com as exibições dos filmes: O Meninão com Jerry Lewis e Dean Martin: O Destino do Poseidon com Ernest Borgnine  e  Glória Feita de Sangue com o meu ator preferido; Kirk Douglas.  Ainda  faltou  citar muitos filmes  famosos, com Cantinflas, John Wayne, Burt Lancaster, Charlton Hestone outros grandes artistas. Mas isso deixo para vocês trabalharem um pouco a memória.</p>
<p>Obrigado meu Deus. Saudade não mata, mas estou morrendo de saudade  das domingueiras nos  cinemas da nossa velha e querida Macapá, de trocar revistas com a molecada, de comprar ingressos para casais que detestavam filas e receber uns trocados e as vezes até ter o ingresso pago por eles. De dar aquela esticadinha até o  Macapá Hotel para apreciar  a beleza do rio Amazonas, degustando um bauru com  flip guaraná e em depois dar  um passei no trapiche para fechar mais um domingo feliz em minha vida.. Bons Tempos.</p>
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		<title>Crônica do Sapiranga</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Feb 2011 03:12:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alcinéa Cavalcante</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sapiranga]]></category>

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		<description><![CDATA[Bar Popular Milton Sapiranga Barbosa O Bairro da Favela, nas  décadas de 50/60, tinha vários estabelecimentos  comerciais que  serviam  como pontos de referências  e de grandes concentrações de  pessoas. Entre  eles podemos destacar o Salão  do Pecó,  o  Salão Rouxinol, embrião  do famoso  dançará Merengue, que primeiro  funcionou  as proximidades  onde mais tarde seria construído [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #008000;"><strong>Bar Popular</strong><br />
<em>Milton Sapiranga Barbosa</em></span></p>
<p><a href="http://www.alcinea.com/blog/wp-content/uploads/2011/02/sapir2.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-9342" title="sapir" src="http://www.alcinea.com/blog/wp-content/uploads/2011/02/sapir2.jpg" alt="" width="131" height="150" /></a>O Bairro da Favela, nas  décadas de 50/60, tinha vários estabelecimentos  comerciais que  serviam  como pontos de referências  e de grandes concentrações de  pessoas.<br />
Entre  eles podemos destacar o Salão  do Pecó,  o  Salão Rouxinol, embrião  do famoso  dançará Merengue, que primeiro  funcionou  as proximidades  onde mais tarde seria construído o Hospital  São  Camilo  e São Luiz  e depois, em definitivo, até  seu  fechamento, lá próximo  ao  quartel do  34 BIS.  Tinha  também o Posto Teixeira &amp; Scotti, a Casa Leão de Ouro, o Bar Canta Galo, o Bar  do Pina, o Mercadinho da Favela, As Casas Duas Estrelas  e Amin Richeni, a Batedeira do  Seu Mirico, a Mercearia  do Cacú, Casa da Tia Gertrudes e  a  Sapataria do Seu Barbosa.  Na lista acima está  faltando  o Bar e Mercearia Popular, do Sr. Manoel Raimundo Monteiro, que foi esquecido de propósito por ser a razão principal desta crônica, em atendimento ao pedido do meu amigo, o competente advogado Adelmo Caxias.</p>
<p>O Bar Popular, apesar da seriedade  de  seu proprietário, que  dificilmente sorria (a não ser  que a piada contada  por  algum  freqüentador  fosse  muito boa) recebia  um  bom número  de pessoas no  dia  a dia. Lá se podia comprar gêneros alimentícios ou tomar uma biritinha (os adultos), na maior tranqüilidade.  Contudo, era sempre no  sábado à noite, a partir  das 20 horas,  que  um  mundão  de gente  marcava  presença  no local, para assistir o  Show de Calouros,  um  deleite  para  moradores locais  e  de bairros vizinhos.<br />
Mas  nem  só calouros  se apresentavam.  Por lá, como convidados, passaram cantores e cantoras famosos da época,  do naipe  de um Agostinho Costa, que  tinha  um belo timbre de voz  e cantava como  ninguém  as músicas gravadas  por Nélson Gonçalves, Carlos Galhardo, Silvio  Caldas  e outros menos votados.<br />
A  bela Terezinha Laranjeira, a Maria  Edilamar e a Belinha Barriga (uma  queria ser melhor que a outra, sendo uma versão  tucuju  da Marlene e Emilinha Borba), também por  lá  apareciam vez ou  outra para  delírio do  grande público. Cantor ou Cantora que desafinasse ou esquecesse a letra da música, levava  estrondosa vaia e gritos de fora, vai cantar no banheiro da tua casa e outros apupos, que dificilmente voltava a subir no palco.<br />
Contudo, sem medo  de errar, posso  afirmar  que  o momento mais  esperado do Show de Calouros era quando o Osmar  Melo  ou  o Edoelson  Alencar  anunciavam: “<span style="color: #ff0000;">Vem  aí o Grande Cantor  Nélson Nery</span>”.<br />
“Grande” e &#8220;Cantor&#8221;, era pura  gozação dos apresentadores, pois  ele não passava de 1,50 de altura  e não  cantava  lá  essas  coisas. O senhor Nélson Nery, de letra bonita  e extremamente organizado  em  suas  estatísticas  sobre  quase  tudo: Futebol, Cantores, Músicas, etc, etc., era  pai  dos amigos Milton, Dedé, Adinélson, Maria Lucia, Socorrinho, Carlos Alberto, que  sofriam  com  as  gozações  que  os moleques faziam quando seu pai  subia  ao palco.<br />
É  que  ele, acho  que  sempre  que  aprontava das  suas, chegando tarde em casa ou tendo bebido  além da conta, era  repreendido  por  sua esposa. Para limpar  a barra em casa, ele se valia   do Show de Calouros do Bar Popular.<br />
O Grande Nélson Nery só sabia cantar uma música  que dizia  mais ou menos  assim: <span style="color: #ff0000;"><em>“o nome dela tem apenas quatro letras. é carinhosa, é  divina  e  é mulher</em></span>”  e por  aí  afora.  Por  que isso?. É  que  sua  esposa  era conhecida  por  “YAYÁ”, daí&#8230;</p>
<p>Quando  do Show de Calouros, os moleques  da Favela não permitiam  que  moleques de outros bairros  paquerassem  as meninas da Favela. Uma vez, munidos  de cintos, mas  sem chegar  a bater, pois eles não eram  besta de esperar, colocamos  pra correr uma turma de garotos que veio lá  do Igarapé das Mulheres tirar casquinha  com  nossas  menininhas. É mas também um  dia  eles  fizeram  o mesmo conosco .<br />
Ficou  um a um,  crescemos e  ficamos  amigos.   O Bar  Popular do Sr Manoel Raimundo, sem dúvida, quando  em Macapá  se podia dormir com as janelas abertas e a porta escorada por um banquinho,  era  o grande point  dos favelenses ou favelianos, como queiram. Depois que  seu Manoel Raimundo  fechou o Bar Popular, ficou um grande vazio, pra não  dizer saudade,  no coração  de cada morador  do querido bairro da Favela.</p>
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		<title>Crônica do Sapiranga</title>
		<link>http://www.alcinea.com/sapiranga/cronica-do-sapiranga-19</link>
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		<pubDate>Thu, 17 Feb 2011 14:01:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alcinéa Cavalcante</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sapiranga]]></category>

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		<description><![CDATA[Só de ouvir contar! Milton Sapiranga Barbosa Em  crônicas  anteriores publicadas neste conceituado blog, sempre fiz questão de lembrar dos Pretos Velhos  que moravam no bairro da Favela, pois que eles contribuíram e muito  com seus conselhos e, às vezes  ralhando, com autorização  dos pais, para nossa formação.  Contei também  que   eles narravam histórias  maravilhosas  [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #008000;"><span style="font-size: medium;"><strong>Só de ouvir contar!</strong></span><br />
<em>Milton Sapiranga Barbosa</em></span></p>
<p><a href="http://www.alcinea.com/blog/wp-content/uploads/2011/02/sapir1.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-9124" title="sapir" src="http://www.alcinea.com/blog/wp-content/uploads/2011/02/sapir1.jpg" alt="" width="131" height="150" /></a>Em  crônicas  anteriores publicadas neste conceituado blog, sempre fiz questão de lembrar dos Pretos Velhos  que moravam no bairro da Favela, pois que eles contribuíram e muito  com seus conselhos e, às vezes  ralhando, com autorização  dos pais, para nossa formação.  Contei também  que   eles narravam histórias  maravilhosas  e assombrosas para a molecada do bairro. Narrativas  que  deixavam os moleques  com os cabelos em pé, com exceção deste humilde cronista, que tem os cabelos pixaim, mas  que também ficava  com  muito medo.<br />
Entre as  muitas  histórias  ouvidas, duas  ainda estão bem vivas  em minha memória, pois falavam de assombrações, coisas  do outro mundo.</p>
<p>Uma delas, eles, os Pretos Velhos, contavam de  uma bela mulata, dessas que nós homens classificamos de “ gostosas”, de “fechar o comércio”  e por aí vai. A tal mulata, tarde da noite,  costumava  chamar  um táxi, entrava e depois de rodar por um bom tempo por  ruas e avenidas  da antiga Macapá, mandava  o motorista seguir pela av. General Gurjão   e  dobrar à esquerda, entrando na  rua Eliezer Levy, que ainda não era mão única. Nessas alturas, pelo longo trajeto  percorrido, o motorista  mostrava um  sorriso de orelha a orelha, prevendo que ia fechar o dia com uma  boa  grana no bolso e ainda na  companhia de uma   mulata como  aquela. Pois  sim!.</p>
<p>Quando o carro  chegava  em frente ao portão  do  primeiro residencial dos mortos de Macapá, ela mandava  parar o carro, depois de perguntar  quanto  ela devia . O motorista informava o valor da corrida e solícito dizia: “A senhora  não devia  saltar aqui, é muito perigoso. Entre   que  vou  deixá-la  na  porta de sua  casa,  sem cobrar mais  do que  já  foi  acertado”.  E ouvia como resposta.  “Bom  homem, não se preocupe, não tem  perigo algum, pois  aqui é a minha casa há muito tempo”. Em seguida, ela  adentrava ao  cemitério, virando fumaça.  Quem  contava  a história da  Mulata do Cemitério, dizia  que  teve motorista  que  ficou   lelé  da cuca. Também não era pra menos.</p>
<p>A segunda história de assombração  que não esqueço, também tem  como personagem  uma mulher  bonitona, só que loura, que  costumava  aparecer  pedindo  carona  em  um ponto qualquer da  estrada Macapá Santana, que  já  foi  rodovia Duque de Caxias e atualmente é chamada de Duca Serra.</p>
<p>Bem trajada e  com   um  corpo  escultural, era um  colírio  para os  olhos de qualquer um. Motorista que trafegava   na  estrada ,como   dizia  dona Lalí,  (mãe do Alopércio, Haroldo e José Maria Franco, e do Carrapeta- adotivo -), “ NAS HORAS MORTAS”, indo ou vindo  de Santana, não  se furtava  em dar  carona aquele  espetáculo  de mulher.  Tão logo a “bela” entrava  e sentava no banco do passageiro, se mostrava receptiva a uma  boa cantada. Ela  deixava  claro ao homem que lhe dava  carona que aquela  noite  prometia. A “fera”, o motorista prestativo, vendo a oportunidade  de uma conquista  fácil, partia pra cima  e tinha amplo  sucesso. Trocadas  as  primeiras  carícias e algumas apalpadelas aqui e ali,  o casal  saltava  e  a  estonteante mulher levava  seu  parceiro  mata  a dentro  até chegar em uma clareira, bem longe  de onde  o carro fora  estacionado. Embriagado pela beleza daquela  “deusa”que  lhe caíra nos braços,  o motora  se deixava conduzir  sem  reclamar. Chegando  a tal clareira, a loura, já despida,  juntava  um monte de folhas e se deitava em cima  pronta para o ato sexual.  Seu acompanhante, já babando de desejo por aquele pitéu, também  se livrava rapidamente das vestes  e partia  feliz  pro rala e rola. Só  que  quando  ele, já com o membro em riste  ia   realizar a penetração, a  mulher  dava  uma  gargalhada  apavorante  e sumia, como por encanto. E  o seu parceiro ia com tudo de encontro a folhagem que serviria de cama para os dois.</p>
<p>Completando a  história da “ bela loura da estrada”,  o narrador dizia,  que teve  motorista que   ficou  vagando, perdido na mata por muitos e muitos dias, outros  endoideceram e outros,  nunca mais  apareceram. Só  os carros foram encontrados abandonados na mata.</p>
<p><em><strong>P.S</strong>.-Se verdadeiras ou não essas  histórias,  nunca pude  comprovar, pois   não  há  relato oficial  de alguém  que tenha  passado por quaisquer  um  desses  aperreios  assombrosos contados acima.  Portanto, por favor, não me acreditem</em></p>
<p>É só de ouvi contar.</p>
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		<title>Crônica do Sapiranga</title>
		<link>http://www.alcinea.com/sapiranga/cronica-do-sapiranga-18</link>
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		<pubDate>Mon, 07 Feb 2011 03:12:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alcinéa Cavalcante</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sapiranga]]></category>

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		<description><![CDATA[Contrário tá na porteira Milton Sapiranga Barbosa Desde  há  várias  décadas passadas, sempre   que se aproxima  à  época junina, no  sexto mês  do ano, sou  envolvido por uma forte  dor no peito, num misto  de  tristeza  e saudade.  Tristeza, por ver que  hoje  em dia já não se  brinca  mais  quadrilha  como  antigamente. Saudade  de  [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #800000;"><strong>Contrário tá na porteira</strong><br />
<em>Milton Sapiranga Barbosa</em></span></p>
<p><a href="http://www.alcinea.com/blog/wp-content/uploads/2011/02/sapir.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-8941" title="sapir" src="http://www.alcinea.com/blog/wp-content/uploads/2011/02/sapir.jpg" alt="" width="131" height="150" /></a>Desde  há  várias  décadas passadas, sempre   que  se aproxima  à  época junina, no  sexto mês  do ano,  sou  envolvido por uma forte  dor no peito, num misto  de  tristeza  e saudade.  Tristeza, por ver que  hoje  em dia já não se  brinca  mais  quadrilha  como  antigamente. Saudade   de  quando  as  quadrilhas obedeciam   ao comando  de  um marcador, com seus  gritos de “  <strong>lá vem chuva</strong> ” , a turma ameaçava correr e ele gritava, “<strong>é  mentira</strong>”: <strong>“ olha  a cobra</strong> ”, a turma pulava e ele voltava a dizer:” <strong>é mentira”,</strong> e  assim  ia comandando  seus  brincantes . Hoje  as quadrilhas são estilizadas, usam  roupas  luxuosas e dançam  ao  som  de músicas  ditas “bregas”(nada contra os fãs de Reginaldo Rossi).</p>
<p>A  saudade  se  faz mais  presente,  e  doi mais forte, é  quando  me lembro  do  meu  tempo  de moleque na Favela, das  apresentações do  “ <strong>Bumba –Meu- Boi</strong>” (bailado popular  cômico-dramático, com personagens humanos, animais e fantásticos, sobre a morte e ressurreição  do BOI),com suas  catirinas, caçadores, vaqueiros, pajés , etc, etc&#8230;</p>
<p>Era bonito  ver   o  Boi do Tio Maçarico se apresentar (Tio Maçarico morava numa imensa área atrás do Glicério  Marques, onde  hoje, entre outras, ficam as casas do Orlando Barbeiro e dos pais  do Adelmo Caxias e parte da av. Antonio Coelho de Carvalho).  A maior  disputa  era  entre os Bois  do Tio Maçarico   e   do Tio Julião (  policial GT que morava  na Almirante Barroso, onde  hoje  fica a casa do amigo Orlando Santana. Ele era meu padrinho de fogueira). Mas  eu torcia pro Boi do Tio Maçarico vencer.</p>
<p>Um outro  boi  famoso daquela  época,   vinha  lá das bandas do laguinho para disputar  com  os  da Favela e era  comandado  por  outro  Julião, <strong>o Mestre</strong>.</p>
<p>Os  duelos  entre  esses três bois eram  sensacionais,  divertidos  e ansiosamente  esperados  pela  população. Cada boi  tinha  sua  leva  de  simpatizantes, que  faziam  a maior festa, batiam palmas e soltavam foguetes  quando  seu  boi  preferido  entrava   no   campo da disputa para fazer a  sua exibição.<br />
Naquele tempo (ô saudade danada que me faz chorar), a família  que quisesse  que um boi se apresentasse em frente a  sua residência, bastava garantir o café para os assistentes  e muita birita para os brincantes.  Lembro  que  por  causa da  água que passarinho não bebe, muitas das vezes, quem dançava embaixo do boi, ficava tão porre  que não conseguia  ressuscitar  o “bicho”. O Pantera   foi um deles, pois fizera uma prateleira na parte interna da armação do Boi pra guardar a garrafa de Canta Galo e  bebeu tanto, mas tanto , que só levantou no outro dia.  Além da  representação  da morte do boi  e a luta  do pajé  para  salvar    o animal do patrão,   o ponto alto da brincadeira, que levava  o público  ao  delírio, era  quando  começavam os desafios das  cantorias .<br />
Ainda hoje lembro ( e não canso de agradecer a Deus   por  essa memória privilegiada) de trechos  dessas  cantorias.  Juro a vocês, até  me parece  ver  nitidamente  a figura imponente do  Tio Maçarico, no  meio do  terreiro de seu  quintal,  devidamente  paramentado, cantando  em provocação  ao  boi  do Tio Julião da Favela.</p>
<p>Ele  entoava  assim:<br />
<span style="color: #800000;"><em>Contrário tá na porteira/ Não deixa ele entrar/<br />
Ele veio aprender toada/ Pra cantar no boi de lá</em></span></p>
<p>E em  cima da <strong>bucha</strong> ouvia  em  resposta :<strong><br />
</strong><span style="color: #800000;"><em>Contrário já tá entrando/ com suas próprias toadas/<br />
Prepara logo teu boi/ pra levar umas lambadas</em></span></p>
<p>E a cantoria  seguia  por horas e horas, noite  a dentro,  para deleite  da grande platéia   que presenciava  o desafio, e que  ria  e  batia palmas  a cada  provocação  de um  e  da resposta do outro.<br />
Depois  que  Tio Maçarico, o Tio  Julião  e  o Mestre  se foram para outro plano,  as  brincadeiras dos Bois Bumbás (Bumba Meu Boi)  foram  morrendo aos poucos.</p>
<p>Um Oleiro, que  morava  na maloca (área de terra existente na Mendonça Júnior, entre Jovino  e Odilardo), chamado de Mestre Júlio,   por  alguns  anos, talvez quatro no máximo,   com  seus  próprios recursos e a ajuda  de seu filho Zé Oleiro, ainda tentou  manter  viva a tradição  do Bumba Meu Boi em Macapá, mas sem apoio  dos poderes públicos e sem concorrência, teve  que  entregar os  pontos<br />
E aí  sim,  o <strong>Boi </strong> morreu,.<br />
E não teve pajelança  que  o fizesse  ressuscitar.<br />
Uma pena</p>
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		<title>Crônica do Sapiranga</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Jan 2011 16:43:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alcinéa Cavalcante</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sapiranga]]></category>

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		<description><![CDATA[BATE LATA Milton Sapiranga Barbosa Um  dia, passando em frente a uma  residência localizada na  avenida  Pedro Baião, no bairro do Trem,  deparei-me  com uma cena que  há muito não via.  Lá,  um  senhor, aparentando ter entre 85 e 90 anos de  idade, proseava  com um garoto de  8 anos de idade. Curioso, freei  a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #993300;"><strong>BATE LATA</strong><br />
<em>Milton Sapiranga Barbosa</em></span></p>
<p>Um  dia, passando em frente a uma  residência localizada na  avenida  Pedro Baião, no bairro  do Trem,  deparei-me  com uma cena que  há muito não via.  Lá,  um  senhor, aparentando ter entre 85 e 90 anos de  idade,  proseava  com um garoto de  8 anos de idade.  Curioso, freei  a bike,  fingindo verificar algum problema em um  dos  pneus, pois queria ouvir o que  a  dupla conversava.<br />
O senhor idoso  contava ao garoto sobre casos de assombração que vivera em   sua juventude, em andanças pela  mata fechada,  realizando   caçadas noturnas. O  menino  ouvia  atento, mostrando ao mesmo tempo em seu semblante, admiração  e medo.</p>
<p>Sai  de lá lembrando  as  histórias que  os  queridos  pretos  velhos de minha  infância  contavam,  entre eles, tio Congó, Antonio Cirino,  Bulivino, Pirico, Félix, Zeca Caiano,  as  Antônias  Duarte e Mangabeira, os  irmãos Casemiro, Bernardo e Margarida, dona Juliana, (mãe  desse  trio)  e  tantos outros, que  cercados por  dezenas de moleques da Favela, contavam  histórias maravilhosas   e  em  sua  maioria, assombrosas.  Em algumas  delas  eles  diziam de pessoas, que  em noite de lua  cheia se  transformavam  em animais, geralmente  porcos, que  vagavam    pela  cidade  em busca de  crianças  choronas, desobedientes  e também aquelas que não gostavam de  estudar  e/ou de  tomar banho.<br />
E nos ouvíamos  atentos,  sem piscar.  E o pior, acreditávamos. Eles  também contavam  que  durante  um  eclipse,  todo mundo  tinha  que  fazer  muito barulho para  não  deixar a Lua  dormir, pois  se  ela  adormecesse as  crianças  iam nascer defeituosas, as  galinhas  deixariam de por ovos,  os  cabritos não mais berrariam, a cachaça ficaria  envenenada,  o mundo  acabaria. Aliás, que  eclipses  solares  e lunares, no tempo  de antigamente,  eram  reportados como  maus presságios  e  causavam sustos  ao  acontecer.</p>
<p>Sempre  que  ocorria  um eclipse  lunar (ocorre quando a Lua e  o Sol  ficam em lados opostos da terra), a boa  e velha  Macapá   era  sacudida  por  um  <strong>BATE  LATA</strong> infernal, com  crianças, jovens e adultos  percorrendo  ruas e avenidas batucando  sem parar, no Centro, Trem, Laguinho, Favela, Igarapé das Mulheres.<br />
Tudo  que  fazia  barulho  era usado pela  população tucuju. Podia ser lata, panela, frigideira,  ferro  com ferro,  não importava. Só não podia  deixar  a lua  nem ao menos  cochilar, quanto   mais  dormir, pois aí seria  o caos, o mundo acabaria.<br />
Depois  que  o  eclipse  terminava, devolvendo o  brilho e  o maravilhoso luar  da   lua cheia, era aquela  festa. Todo mundo pulava, se abraçava, soltava fogos, pois para a alegria de todos, a lua  continuava  acordada. Depois que o  eclipse terminava, tinha até quem  se gabava  de ter feito  mais  barulho , achando-se  o mais  responsável  pelo  despertar do  satélite da terra.</p>
<p>A minha mãe, Dona Alzira, contava que em maio  de 1947, eu  então com  2 anos, um  eclipse total  do sol (só ocorre na fase da Lua Nova, quando a Lua se interpõe entre o Sol e a Terra),  deixou todo mundo apavorado em Macapá. Foi uma loucura. Em plena 10 horas da  manhã, o  dia virou  noite . Escuridão total. Todo  mundo se abraçando e chorando, pensando ser aquilo um aviso de Deus que  o  mundo ia acabar.<br />
Dizia ela que  o Bate Lata para despertar  o astro  rei foi intenso, quase ensurdecedor. Até tiros de espingardas para o alto foram  disparados. Os velhos canhões  da Fortaleza de São José também troaram por  várias  vezes. No fim de alguns minutos, todos  sorriam felizes, o mundo não acabara,  afinal o sol voltara  a brilhar  intensamente para todos e assim  está até hoje.</p>
<p>Bons  tempos e de muita felicidade na Macapá  de outrora. Como  era  divertido o <strong>BATE LATA</strong> na cidade, em  especial, na minha  querida  e amada  FAVELA.</p>
<p>Daquele tempo de bate lata, ainda estão por aí  muitos amigos e conhecidos, entre os quais<strong>,</strong> Adelmo Caxias,  Mauro Vilhena, Arideu Dias, Zuleide Farias,  Barata, Paulo Armando, Moacir, Alcinéa e  Alcione Cavalcante, Pilão, Carrapeta, etc&#8230;</p>
<p><em><strong>PS</strong>:  Todos os outros  que   fizeram barulho para acordar a  lua, e que  não tiveram seus nomes  citados na  crônica, sintam-se  também  lembrados e  homenageados.</em></p>
<p><strong>Você bateu lata? Então comente aí!</strong></p>
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		<title>Crônica do Sapiranga</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Jan 2011 16:40:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alcinéa Cavalcante</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sapiranga]]></category>

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		<description><![CDATA[Banheiro público faz uma faaaaaaalta! Milton Sapiranga Barbosa No  meu último  dia  de trabalho na Rádio Difusora de Macapá, no   dia  6 de janeiro de 2011, depois de 6 meses de  contrato com a velha  boa, quando  o  relógio marcava 12 horas,  me dirigi  a  direção do departamento comercial  e junto a dona Elizamar, prestei  [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #800000;"><strong>Banheiro público faz uma faaaaaaalta!<br />
</strong><em><span style="color: #800000;">Milton Sapiranga Barbosa</span></em></span></p>
<p><a href="http://www.alcinea.com/blog/wp-content/uploads/2011/01/sapir1.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-8560" title="sapir" src="http://www.alcinea.com/blog/wp-content/uploads/2011/01/sapir1.jpg" alt="" width="131" height="150" /></a>No  meu último  dia  de trabalho na Rádio Difusora de Macapá, no   dia  6 de janeiro de 2011, depois de 6 meses de  contrato com a velha  boa, quando  o  relógio marcava 12 horas,  me dirigi  a  direção do departamento comercial  e junto a dona Elizamar, prestei  conta do movimento  financeiro da manhã, isto é, do  arrecadado  com as mensagens e notas que  seriam  divulgados no Alô Alô  Amazônia daquele  dia.<br />
Cumprida  a obrigação, saí  às  pressas do prédio da emissora, pois por  ser muito emotivo,  sou  avesso a  despedidas, já que me emociono e choro com muita  facilidade.  Meu  retorno  para  casa, como  fiz, na maioria das vezes,  durante os 6 meses, tanto na ida como na  volta,   foi  pela  avenida  Beira Rio,  apreciando a beleza do majestoso Rio Amazonas.<br />
Quando  já  estava passando  em frente a Igreja Santa  Inês, do Bairro do mesmo nome, tive que  apressar  minhas  pedaladas, pois  comecei a  sentir  fortes dores  e  aquela necessidade urgente  e  desesperada de  encontrar  um  sanitário  disponível, onde pudesse  me aliviar da tremenda dor de barriga que me acometera, acho que  devido a suculenta  feijoada  traçada  na  noite  anterior.<br />
Nessas horas de aperreio qualquer local ermo, construção abandonada, uma moita  ou uma grande pedra, onde  possa se esconder, serve  para  você  se  desapertar. Olhava para um  lado, para outro  e nada de avistar um   local para desalojar o barro  que  ameaçava vazar a qualquer instante.<br />
Pensei  em procurar  um local deserto  onde pudesse  descer  a praia  e de cueca  entrar na  água  e  fazer o  serviço. Contudo, o  movimento de pessoas, lanchas  e carros pela orla, não me permitiam  ficar de cuecas, além do que, eu, pensei melhor, e   não  quis mais    aumentar  a  poluição fecal  do  Rio Amazonas, aliás, exemplo este,  que poderia ser seguido por  centenas e centenas de ribeirinhos e pessoas  que tomam banho  ou  singram  em suas  águas  nas    suas embarcações.<br />
Naquele  sofrimento, mais  e mais pedalava  e não  via nenhuma residência  de  um  conhecido,  ao  qual eu pudesse  pedir  socorro. Afinal não  estava  em um  bairro  antigo da  cidade, como Trem, Laguinho, Favela, Perpétuo Socorro, Pacoval, Santa Rita, onde  sempre encontro algum  amigo ou  conhecido de infância. Pensei, com a  onda de violência que assola nossa Macapá  de Norte a Sul, de Leste a Oeste, se batesse em uma  residência  situada ao longo do percurso, certamente não  seria  atendido, já que as pessoas  temem ser  assaltadas, mesmo  estando  no  recesso do lar, cercado por  grades, de tão  perigoso que está  de viver  em Macapá  hoje  em   dia. No  meu  pedalar desesperado em  busca  de  uma  “retrete”,  e  que me veio a  lembrança: “ Banheiro Público”.</p>
<p>Se  ainda  existisse,  seria  fácil  me livrar daquele incômodo que ameaçava sujar-me  a  cueca, a calça e parte do corpo. Se  os  Banheiros Públicos  não  tivessem sido  destruídos, eu  teria subido  pela  av. Pedro Baião, entrado na  rua Feliciano Coelho, para usar  o  Banheiro Público do Bairro do Trem  e  em  seguida  poder exclamar  feliz: <em>“Ufa, que  alívio!&#8221;</em></p>
<p style="text-align: center;"><em><a href="http://www.alcinea.com/blog/wp-content/uploads/2011/01/0021.jpg"><img class="size-full wp-image-8561 aligncenter" title="002" src="http://www.alcinea.com/blog/wp-content/uploads/2011/01/0021.jpg" alt="" width="512" height="352" /></a><span style="font-size: small;"><span style="color: #800000;">Este prédio era o Banheiro Público do bairro do Trem &#8211; Av. Feliciano Coelho</span></span><br />
</em></p>
<p>É pessoal,  até   então   eu  não  tinha  me  dado  conta de quanta  falta  faz  um Banheiro Público. Eu, que  no  meu  tempo de infância  e adolescência, podia  dispor de três, um no Centro, outro no Laguinho e  no Trem,  para tomar  um  banho após a bola   ou  fazer uma necessidade fisiológica, hoje não encontro  mais nenhum. E  tenho  certeza, jamais voltaremos a  ter esses  logradouros em nossa  Cidade. Criaram os  banheiros químicos, mas você  só os  encontra  em  dias  de grandes  eventos.<br />
Só  que  o  aperreio pelo qual passei  não  acontece só nos dias  de  Micaretas, Feiras  e outros acontecimentos festivos. Pode vir a qualquer momento, em qualquer local, quando você menos  espera. E  tome  sufoco. O  bom disso  tudo, é  que  consegui, acho até que, batendo  o recorde de velocidade para  um velho de 6.5 anos de idade , e inveterado  fumante, ainda por cima, chegar  em casa  na hora H, e puder  me  aliviar daquela  tremenda  pressão  e  medo de cagar em  cima da  Bike.<br />
AH, SIM! Que nenhum de vocês passe pelo que passei naquele 6 de janeiro. Pois, mesmo não sendo da minha época de moleque, vai sentir o quanto faz falta um Banheiro Público.</p>
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		<title>Crônica do Sapiranga</title>
		<link>http://www.alcinea.com/sapiranga/cronica-do-sapiranga-15</link>
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		<pubDate>Tue, 04 Jan 2011 13:37:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alcinéa Cavalcante</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sapiranga]]></category>

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		<description><![CDATA[AGORA PODE! Milton Sapiranga Barbosa Como nasce um  apelido? Até  hoje não  apareceu nenhum  estudioso que pudesse explicar, com  exatidão, a origem do apelido. Quem foi a primeira pessoa a ficar conhecida por  uma alcunha? De receber   apelido  nem  Cristo escapou. Lembrem-se que  na cruz  em que Ele foi  crucificado, acima de  sua cabeça colocaram [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #003366;"><strong>AGORA PODE!</strong><br />
<em>Milton Sapiranga Barbosa</em></span></p>
<p><a href="http://www.alcinea.com/blog/wp-content/uploads/2011/01/sapir.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-8424" title="sapir" src="http://www.alcinea.com/blog/wp-content/uploads/2011/01/sapir.jpg" alt="" width="131" height="150" /></a>Como nasce um  apelido? Até  hoje não  apareceu nenhum  estudioso que pudesse explicar, com  exatidão, a origem do apelido.<br />
Quem foi a primeira pessoa a ficar conhecida por  uma  alcunha?<br />
De receber   apelido  nem  Cristo escapou. Lembrem-se que  na cruz  em que Ele foi  crucificado,  acima de  sua cabeça colocaram uma tábua  onde se lia; “INRI”,-traduzindo: Jesus Cristo, o Rei  dos Judeus.<br />
Grandes figuras da  história  receberam  apelidos, uns exaltando  façanhas de guerra, atos heróicos ou de maldade, como Alexandre   ( o Grande), Átila,  o   Huno-  Flagelo de Deus  ou Praga de Deus).</p>
<p>Existe   até  competição entre Cidades para saber  qual  é a campeã dos apelidos.  Cametaenses  e Vigienses, chamam,  cada um  para si esse título, mas ninguém se arrisca  a dizer  qual  das  duas  é  na verdade  a  cidade  dos  apelidos.</p>
<p>O meu amigo Carrapeta, cametaense da gema, sempre que nos  encontramos  no sábado à tarde, narra fatos  hilariantes sobre como nasce um apelido. Narra ele que; “ Uma senhora, todos os  dias  ia  para a  roça  e deixava  sua  filha em casa,, levando   um   sua  companhia   o  genro  e  o  neto.  Certo dia o neto escutou  gemidos  roucos vindos  do  meio  do  mato, foi  olhar  e o que  viu o deixou  apavorado. Seu  pai  estava por cima de   sua   avó, que se contorcia toda. O moleque saiu então  em  disparada  para ir  avisar  sua  mãe que  seu pai  estava matando   sua  vovozinha. A noticia vazou e a  partir daquele  dia seu genitor ficou  conhecido na cidade por: “ <strong>NÃO MATA A VOVÓ</strong>”.</p>
<p>Para  defender a  Vigia, lembro   do  saudoso  amigo Suzete, pelhudo de quatro costados,  que  contava; “ Um juiz que fora destacado para  Vigia,  sabendo antecipadamente da fama  da população  em colocar apelidos, fez  todo mundo  saber que duvidava que alguém tivesse coragem de lhe apelidar. Esse juiz tinha um problema na perna  direita. Dava um passo  com a  esquerda  e puxava a direita de  encontro a primeira, provocando  aquele barulho  de ordem  unida, batendo  um sapato de encontro ao outro quando   o instrutor grita  ALTO. Um  dia ao passear pela  cidade   encontrou  um  senhor no alto de uma escada pintando  e  deu bom  dia. No ato  recebeu a resposta do velho gozador vigiense; “Bom  dia  seu <strong>TRANCA  E CHUTA</strong>”.  Era o que  faltava, daquele  dia em diante  o Meritíssimo, passou a ser soado por todos pelo apelido de  Tranca e Chuta. Os moleques gritavam e corriam, os adultos chamavam e se  escondiam.. Segundo o Suzete, ele não  demorou muito por lá.</p>
<p>Muita gente já morreu e matou por causa de um apelido. Nos meios jurídicos, dizem que   durante um julgamento, o advogado  pro réu, iniciou   a defesa  de seu  cliente repetindo quatro vezes  a frase; “Meritíssimo  Juiz, quero  dizer a Vossa Excelência e ao corpo de jurados que”. Só falava isso. Dava uma pausa e repetia:  Meritíssimo&#8230;!  Até que  na  quarta  vez, o juiz irritado falou: “ Ou o senhor concluiu logo  seu pensamento ou serei forçado a suspender  a sessão”.<br />
De imediato o advogado retrucou, dirigindo-se aos  jurados. Vejam senhores, por apenas  quatro vezes, só  quatro vezes, tratei o presidente deste  júri com o maior respeito, tratando-o por Vossa Excelência e ele  ficou irritadíssimo.<br />
Agora, imaginem o estado de meu  cliente,  que por  20 anos foi humilhado, na frente de todos, sendo chamado de  Cara de Cavalo!<br />
Os jurados, contam, absolveram o  réu por unanimidade.</p>
<p>Quem de vocês não  conhece uma pessoa apenas pelo apelido? Quem de vocês não  foi  apelidado  ou apelidou um  conhecido, de infância, escola ou trabalho?<br />
Se alguém se  declarar isento, vou custar a acreditar, até  prova  em contrário.</p>
<p>Eu, quando  criança, ganhei de um amigo um apelido que  me fez brigar muito, balar  e apedrejar muito moleque, quando não  conseguia  chegar junto e  partir pra  briga.<br />
O  odioso apelido em questão é <strong>BUNDA DE XERIFE</strong>.</p>
<p>Vou logo  afirmando que não tem nada de imoral  e aconteceu  assim:  Numa  manhã qualquer da  semana, a turma da Favela  estava  reunida no vão entre a Sapataria do seu Barbosa e a Carvoaria  Positiva do seu Manoel Cardoso.  Por um desses acasos do destino, eu que sempre chegava na frente, fui o  último  a  chegar no local, pois antes precisei encher com  água  um barril de 200 litros, pois se não o fizesse, nerusca de sair  para brincar. Ao  chegar junto aos meus  colegas fui logo  dizendo: hoje  eu  vou ser  o Rocky Lane. Mas um outro moleque já havia se apossado do nome. Dalí em diante  fui desfiando um  rosário de nomes de artistas das histórias em quadrinhos e do cinema: Gene Autry, um  gritava, sou  eu. Búffalo Bill. Esse  sou  eu, dizia  outro. E assim foi. Durango Kid, Flexa Ligeiro, Zorro, Tonto, Monte Hale, Bill Dinamite, Randolf  Scott, Jesse James,  Kid Colt, Tex Riter, Hopalong Cassidy, Roy Rogers, Cavaleiro Solitário, Cavaleiro Negro, Kid  Carson. Todos esses  nomes  e mais  alguns  já haviam  sido  escolhidos. Até  o Zorro Espadachim, no  cinema interpretado por  Errol  Flyn,  pertencia ao Isnard Lima, que possuía o uniforme completo do   referido personagem.<br />
Sem  poder  me  apropriar do   nome  de um  dos  meus  heróis, pronunciei a frase  que  iria  me provocar muita  raiva,  por anos e anos.  Falei em alto e bom  tom: &#8220;<strong>Já que todos os artistas estão escolhidos só me resta ser o xerife!</strong>&#8220;  <strong></strong> O  Lelé, que  estava sentado, escorado na  parede da carvoaria, e que  até  então se limitava a traçar  riscos  no  chão, parou o que  fazia, levantou a cabeça e pronunciou pausadamente, como  que para marcar a frase: “ <strong>Tu não és nem a bunda do xerife! </strong> Foi o bastante. O  apelido Bunda de Xerife  pegou na hora e   por  causa dele briguei muito.<br />
É que naquele tempo  eu  não sabia que não se deve  ligar para apelido. Agindo assim   não pega, mas se você se  aporrinhar, aí   é  que a turma  pega no  pé  pra valer.<br />
Hoje, alguns  amigos,  como  o Lelé, Percival, Izo, Hamilton, Haroldo Vitor  e  alguns  mais, ainda me  chamam de  Milton Bunda ou Bunda de Xerife.</p>
<p>Bom, mas <strong>AGORA  PODE</strong>. Não brigo e nem balo mais ninguém.</p>
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