Ainda sobre transporte coletivo

Recebi com pedido de publicação:

Quem pagará esta conta?
Laurindo Junior*

As empresas de ônibus CIDADE DE MACAPÁ, UNIÃO MACAPÁ e CAPITAL MORENA, que correspondem hoje a 60% do sistema de transporte coletivo, não estarão medindo esforços, para que seja interrompido de imediato as operações irregulares, por parte da empresa de ônibus EXPRESSO MARCO ZERO. Os prejuízos, por subtração de receitas do sistema, já ultrapassam a cifra de R$ 10 milhões de reais. QUEM PAGARÁ ESTA CONTA ??? …Infelizmente a população usuária, que por incompetência dos gestores públicos, oneram o sistema, fazendo a TARIFA DE ÔNIBUS ficar mais cara.

Diversas ações populares deverão ser ingressadas, por funcionários do sistema, ainda esta semana, com intuito de buscar responsáveis, entre eles, o Prefeito Roberto Góes, a Prefeita em exercício Helena Guerra, o ex-diretor Presidente da EMTU Haroldo Matos, o atual diretor de transportes Jair Andrade, o diretor da empresa Expresso MARCO ZERO, Felipe Edson Pinto e Karen Cristina Martiniuk, sócia proprietária da Expresso Marco Zero.

As empresas estarão propondo ações contra o município e seus gestores, onde os valores devem chegar a impressionante cifra de R$ 50 milhões de reais, de prejuízos causados pela não concessão do equilíbrio econômico financeiro. O Tribunal de Contas do Estado será notificado para que se posicione uma vez que futuros precatórios impactarão fortemente sobre o orçamento do município e mais uma vez o povo será onerado com impostos e tarifas mais caras, ou pela prestação de serviços públicos inadequados e de má qualidade.

Este é o preço que se paga quando se busca fazer milagres com o chapéu alheio.Gestores públicos mal intencionados, às custas de benefícios políticos imediatos, criam aos municípios, fardos, que a longo prazo, engessam o progresso e crescimento econômico-social, prejudicando investimentos em outras áreas essenciais, como educação, segurança e saúde, às custas do famigerado prestígio político que lhes garantam votos para as próximas eleições.

É justamente isto que, muitas vezes, os formadores de opinião não percebem ao preferem não enxergar, pois achatar as tarifas de transporte coletivo, afeta não só o caixa das empresas de ônibus, como também todos os outros serviços públicos, pois os prejuízos causados serão pagos, por TODOS, no FUTURO.

A nova geração que por hora estão se alfabetizando nas escolas, nem sonham que já estarão herdando uma dívida deixada por políticos que só pensam em si mesmos, e ao que parece só pensam no presente e se esquecem do futuro.

*Laurindo Junior é Diretor de Transportes da Viação Cidade de Macapá

Era assim


O Instituto de Educação do Território do Amapá (IETA) que formava as tão cantadas em verso e prosa professoras normalistas e oferecia também o curso pedagógico. Os alunos do IETA eram chamados de “piramutada” por causa da cor da farda: azul e branca.
No muro baixo que cercava a escola, a turma sentava  antes ou depois das aulas para papear ou paquerar. Muitas amizades foram feitas e muitos namoros começaram neste muro.
Hoje quase nada resta da arquitetura original deste prédio que abriga a Universidade Estadual.
Você estudou no Ieta? Você era “piramutaba”? Conta aí na caixinha de comentários.

Desabafo do leitor

“Alcinea,
Acompanho vc há um bom tempo, e gostaria de parabeniza-la pelo interessante, útil e importante conteúdo de seus assusntos. Pois bem, gostaria de desabafar com vc um assunto terrível para os moradores da Odilardo Silva (entre Alm. Barroso e Padre Julio).Perturbaçao de sossego. Pais e maes de família tem suas madrugadas de repouso ceifadas por jovens (muito deles menores de idade), que estacionam seus carros, ligam o som no ultimo volume, enchem a cara e, quando amanhece, saem com seus carros cantando pneus.Se vc liga para o 190, o atendente diz que a prioridade é chamadas de crime. Voce nao tem noçào do sentimento de descaso que sentimos da policia. será que se as pessoas que nos perturbam a noite toda, fossem pobres, com carros velhos e modestas vestimentas teriam o mesmo tratamento? A policia se omite em fazem cumprir a lei, defender aqueles que cedo precisam acordar para trabalhar, enquanto arruaceiros estão repousando em suas casas. Isso é discriminação! A gente vê Juiz de Direito aparecendo na mídia, fazendo campanha de Paz no transito, nossa que lindo! Cadê a prática? cadê a apreensão de adolescentews bebados, carros perturbando a vizinhança? Delegados de Polícia Civil abordando nas madrugadas esses beberroes, que mijam no portão da sua casa, que deixam um monte de lixo na sua calçada, e evidentemente ligam o som do carro no ultimo volume, ficam só no papinho… Alcinea, to cansado. Temo o pior, qualquer dia desses, (eu ou qualquer outra vítima desses absurdos) parta para agressão, ou coisa pior, aí a polícia aparecer para fazer cumprir a lei? Por favor leve adiante esse meu apelo.”

Ex-presidente da Liesa precisa de sangue 0+

Ex-presidente da Liga das Escolas de Samba do Amapá, Marjô Silva, enfrenta grave problema de saúde e precisa com urgência de sangue 0+
Ela está internada há duas semanas no Hospital Alberto Lima. Seu quadro é muito delicado. Amigos dela estão se mobilizando para conseguir transferi-la para São Paulo numa UTI e esperam ajuda da comunidade carnavalesca.

Cronistas do blog

A solidão humana
Cléo Farias de Araújo

Olhando o muro que o pedreiro acabou de fazer na minha casa (mais de 3 m. de altura), senti, a princípio, um grande alívio por concluir mais uma etapa na proteção do meu pequeno patrimônio. Mas à noite, do lado de dentro do terreno, ao fechar o portão, vendo aquele emaranhado de ouriços sobre a nova construção, senti um grande bolo no estômago, pelas prisões que a modernidade nos reserva. Fiquei ali, intermináveis minutos, a contemplar duas obras: a do pedreiro e a do Arquiteto Maior. Constatei a estupidez dos homens, pois no afã de se defender, acabam por fazer exatamente o contrário. E o resultado é um amontoado de descrenças, desconfianças, inseguranças e outras emoções perversas, desaguando na tristeza e na solidão.

Por outro lado, olhando a obra de Deus, vi que a imensidão do céu não tem cercas. Deus não as criou e muito menos os muros. O vento anda livre, em que pesem as modificações que o progresso impôs. O amor ainda corre solto entre as pessoas, entrando e saindo da vida delas, quando quer. Os abraços e beijos também não têm muros ou abismos que os impeçam de ser trocados.

Meditando acerca da liberdade nas coisas que Deus criou, voltei ao tempo de garoto, quando minha cidade era livre. As casas não tinham muros (ou eram bem baixinhos servindo como bancos, tal qual no caso do IETA). Algumas, só cercas, daquelas feitas com estacas de acapu, mas que era possível se ver tudo. Mesmo elas, que protegiam o patrimônio particular, deixavam o vento desfilar livremente.

Recordei quando cortávamos caminho pelos imensos quintais dos vizinhos. Esse ato gerava uma interação natural e constante, pois diariamente nos cumprimentávamos. Circulávamos sempre pelos quintais, sem sermos incomodados. Às vezes, com nossos familiares, indo à missa ou a um acontecimento social. Os quintais, na época, serviam até de vetor para as mensagens. Não raramente, ao passar pela propriedade vizinha, levávamos recados a alguém, que morava próximo. Em outros casos, não deixávamos de olhar como a filha do vizinho estava ficando “boa”. A ausência de obstáculos nos bairros facilitava até o começo de um namoro ou a continuidade dele, quando o romance era escondido dos pais. Por esses terrenos, circulavam muitos bilhetes ou recados verbais. Também aproveitávamos para catar cobre, alumínio e garrafas nas redondezas. Outro ponto importante era a facilidade pra se jogar peteca, fura-fura ou correr atrás de papagaios perdidos nos laços.

Conhecíamos cada palmo dos quintais de nossa cidade, principalmente os do bairro onde morávamos. E ao passar perto de uma árvore frutífera, colhíamos nossa merenda. Haviam os cajus encapados com sacos de papel (não sei por quê, já que papel não é empecilho pra passarinho); os maracujás de rato (mais gostosos e mais doces que os outros), nos quintais por vezes abandonados ou que não via enxada há algum tempo; das goiabeiras da casa do Caramuru, com suas goiabas grandes. Por terem sido plantadas nos fundos do terreno, as frutas pendiam para o nosso quintal. Ali, diariamente, dávamos nossa contribuição na colheita.

Existiam outros lugares pródigos em abastecimento: Lagoa dos Índios; o  complexo do aeroporto, com seu abacaxizal, a lixeira, onde juntávamos tucumã, jerimum e tampinhas para jogos de botão e os lagos, onde pescávamos; na Mata do Rocha; na área do seu Manoel Mosquito (que criava um peixe-boi), assim como no terreno ao lado do Ginásio Feminino (onde hoje está o SESI). Lembro de serem locais de visitas freqüentes, na coleta de material que não tinha outra serventia. Já só interessava aos moleques, pois o que ali fora jogado, dava apenas pra ganharem algum trocado e custear os luxos da época: picolé, revistas, cinema, ou quando chegava uma atração na cidade (circo, ou na vinda do grande lutador baiano, Valdemar Santana, que se digladiou com os bambas da luta livre do TFA, num ringue construído às pressas, no descampado ao lado da UBMA).

No trajeto para a escola, fazendo compras ou simplesmente pra brincar, nossos caminhos sempre incluíam os quintais. Relato aqui, cinco quintais muito importantes para mim: No bairro do Trem, o da dona Maroquita, onde morei; os das casas da Tia Cota, mãe do Pixata, do Balalão/casa do Alcione (contíguos) e o do Professor Lima Neto (pai do Antonnei), na Favela. Tinha também o do seu Rerrê Cobrinha, no Jesus de Nazaré. Os pais aturavam a gritaria dos moleques porque, jogando bola, de certa forma, “capinávamos” aqueles espaços.

A imaginação viaja longe por caminhos e fatos que não voltam mais. Se saudosismo é pecado, minha certeza é a de que não serei condenado sozinho.

Ah, ainda sobre as cercas nos quintais, oportuno citar Benjamin Franklin: “O homem é solitário porque, ao invés de construir pontes, edifica muros”.