Verba indenizatória – A versão da deputada Cristina Almeida

A deputada Cristina Almeida (PSB) disse agora há pouco ao blog que nunca recebeu R$ 100 mil de verba indenizatória da Assembléia Legislativa do Amapá e que não mentiu ao programa CQC.
“O programa me perguntou se eu recebia R$ 100 mil e eu respondi que não porque nunca recebi mesmo”.
O que não quer dizer que ela não tenha recebido nenhum tostão a título de ressarcimento de despesas. Ela confirmou que vem usando a verba indenizatória de acordo com as necessidades do seu mandato e que, de fevereiro a novembro, o maior valor que recebeu foi R$ 50 mil e o menor R$ 44 mil.
Cristina disse não saber informar se algum deputado, em algum mês, recebeu o valor máximo – que é de R$ 100 mil.

Ela afirma que  acusação de Rosely Matos (DEM) de que ela quebrou o decoro parlamentar mentindo em entrevista ao programa CQC não procede. “A pergunta que o repórter do CQC me fez foi bem clara e minha resposta também. Ele não perguntou quanto eu recebia de verba indenizatória. Ele perguntou se eu recebia cem mil e eu respondi que não recebia cem mil”.

A deputada do PSB diz que gostaria que todos os deputados informassem à sociedade claramente quanto recebem de verba de indenizatória. “Não tenho nenhum problema em informar que recebo de R$ 44 mil a R$ 50 mil e minha prestação de contas está à disposição da sociedade”, garante.

Na opinião de Cristina, a acusação de quebra de decoro parlamentar feita por Rosely Matos – e que tem o apoio de vários deputados – é em represália ao fato dela ter protocolado ontem um projeto de resolução reduzindo de R$ 100 mil para R$ 30 mil a verba indenizatória.

Candidata
Cristina Almeida pode ser a candidata do PSB a prefeitura de Macapá. “Coloquei meu nome à disposição do partido e venho conscientizando a militância de que meu nome é viável para disputar a prefeitura”, disse. Mas ressaltou que sua candidatura não é estilo prego batido ponta virada, pois até as convenções muitas conversas vão ocorrer com vários partidos.
Ela informou que é  certo  que o governo vai apoiar uma candidatura, do PSB ou não. Isso depende das conversações. Se ela for a candidata, ótimo. Se não for, vai trabalhar intensamente para eleger o candidato escolhido pelo governo. “Vou trabalhar como trabalharia se a candidata fosse eu”.

Verba indenizatória – Quem está mentindo?

O tempo fechou e a previsão é de mais trovoadas esta semana na Assembléia Legislativa do Amapá por conta da verba indenizatória de R$ 100 mil.
Os “nobres pares” se acusam mutuamente de contar mentiras. E mentir é quebra de decoro parlamentar. E quebra de decoro parlamentar dá até cassação de mandato.

A deputada Cristina Almeida (PSB) foi notificada ontem para apresentar defesa da acusação de quebra de decoro parlamentar feita pela deputada Rosely Matos (DEM).
De acordo com Rosely, a deputada do PSB quebrou o decoro ao mentir, dizendo em entrevista ao programa CQC, exibido em rede nacional, que não recebe  verba indenizatória.
Cristina tem um prazo de dez dias para se defender. Na sua defesa poderá provar que nunca recebeu um tostão a título de ressarcimento de despesas com manutenção de escritório político, combustível, viagens etc ou, caso tenho recebido, pedir desculpas pela mentirinha e ficará o dito pelo não dito.
Criada em 2007, a verba indenizatória na Assembléia do Amapá era de R$ 15 mil; em outubro do ano passado foi elevada para R$ 50 mil – a maior dentre todas as assembléias do país – e em junho deste ano passou para R$ 100 mil.
O estratosférico valor foi noticiado na imprensa local, nos blogs e na mídia nacional. Mas os deputados ficaram caladinhos. Nenhum ,durante todos esses meses, deu um pio se manifestando contra.
O presidente da Assembléia Legislativa, Moisés Souza (PSC), disse ao blog que todos os deputados, sem exceção, recebem verba indenizatória. “Uns mais outros menos, depende das despesas que eles apresentam”, disse ele, mas não quis revelar valores. “Até o final do mês colocaremos todas as despesas da Assembléia na Internet e então qualquer pessoa saberá quanto, como e em que a Assembléia gasta e quanto cada deputado recebeu durante o ano em verba indenizatória.”

Ontem, uma semana após ter ido ao ar a entrevista de Cristina Almeida ao programa CQC e Rosely Matos ter protocolado denúncia contra ela, Cristina deu entrada num projeto de resolução que reduz de R$ 100 mil para R$ 30 mil a verba indenizatória.

O blog tentou contato com  deputada Cristina Almeida ligando para seu celular mas ela não retornou as ligações. Das 16h01 até às 22h19 de ontem, a assessoria da deputada só informava que ela estava em reunião, reunião, reunião…

Secretário ficha limpa

Por unanimidade a Assembléia Legislativa do Amapá aprovou ontem o projeto de lei “Secretário Ficha Limpa”, de autoria da deputada Roseli Matos (DEM), que proíbe que pessoas com condenações judiciais, administrativas, eleitorais, entre outras, exerçam  cargos de secretário de estado, ordenador de despesas, diretor de Empresas Estatais, Sociedade de Economia Mista, Fundações e Autarquias do Estado do Amapá.
“Na prática ficam impedidos de assumir os cargos os agentes políticos condenados por infrigência das Constituições Federal e Estadual ou da Lei Orgânica, os que tenham representação julgadas procedentes pela Justiça Eleitoral, os condenados pelos crimes contra a economia popular, a fé pública, a administração e patrimônio público, os que perderam cargo por abuso de autoridade, os condenados por lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, os que tiverem suas prestações de contas relativas ao exercício de cargos rejeitadas, entre outros“, diz a deputada.