60 e poucos anos

Quando completei 60 anos fiz esse post aqui no blog e hoje fazendo 60 e poucos anos resolvi republicá-lo:

Sexta-feira passada, 19, acordei sex e feliz. Aliás, feliz eu já era. Então, corrigindo: acordei sex e mais feliz.
Ser sex e feliz é uma bênção. Há tanta gente sex que não é feliz e há tanta gente feliz sem ser sex.
Mas como eu ia dizendo, acordei sex. Feliz. Tenho a melhor família do mundo; tenho os amigos que todos gostariam de ter; tenho um jardim onde as borboletas passeiam; um quintal que é morada de passarinhos; tenho amor e saúde.
E foi assim, com família,amor, saúde, amigos, flores, poesia, doces, música, borboletas e passarinhos que na sexta-feira, 19, me tornei sex… sexagenária.

Meus cabelos, que meu pai dizia que eram cor de mel, aos poucos vão ficando charmosamente prateados; o corpo que era de modelo ao longo do tempo foi ganhando um quilinho aqui um acolá e hoje está rechonchudinho (meu cabelereiro diz que mulheres como eu não ficam gordas, ficam com excesso de gostosura); a vista está um pouco cansada, mas isso não faz grande diferença para mim que uso óculos desde criança. Das doenças comuns nessa idade, a única que tenho é hipertensão. Não reclamo. Controlo. Afinal, é a lei natural da vida e sou imensamente grata a Deus e a Meishu-Sama por não ter outros males.

Canto, leio, brinco, escrevo, passeio, solto versos ao vento,espalho poesias na cidade, corro atrás de notícia, brinco carnaval, curto marabaixo, rezo,dou gargalhadas com a família… enfim, sou uma velhinha muito bacana. Vocês não acham?

E eu, claro, não desperdiço nenhuma oportunidade de ser feliz. Agradeço a Deus, a Meishu-Sama, ao meu marido (eterno namorado), ao meu filho (maior tesouro), meus irmãos e cunhados (que são os melhores do mundo), meus sobrinhos (que são lindos) e aos meus amigos, pois sem eles eu não seria tão feliz assim.

Quando fiz 15 anos…

A foto é  dos meus 15 anos. Naquele tempo a gente colocava os presentes na cama para “bater o retrato” com eles. Lembro bem desse meu vestido, era azul, feito por Idália Lobato. As jóias foram os presentes dos meus pais. Meu pai escreveu uma carta, que guardo até hoje, com orientações, conselhos etc. As jóias ele dizia que eram apenas uma lembrança, o presente era a carta. No cartão, ele escreveu: “Meu presente é a carta que acompanha esta lembrança. Perca o ouro da segunda, mas não perca as palavras da primeira”. Parte do ouro eu perdi faz tempo, mas as palavras, ah, as palavras não perdi nenhuma.