Meu vizinho Janjão

Jota, Jotinha, Dega, Janjão, Deguinha. São os apelidos carinhosos desse meu querido vizinho chamado Euclides João Monteiro, que hoje completa 87 anos de idade.
Ele adora ficar chamegando com a mulher Eurydice, tomar uma cervejinha no sábado com o sobrinho Tondo, bater perna nas feiras atrás de um peixe fresco, um bom camarão e caranguejos do Sucuriju.

Janjão faz como ninguém um “avoado”. Não sabe o que é isso? É o peixe envolto na folha de bananeira assado na brasa. E sempre traz um pedacinho pra mim.
Aos 87 anos, Janjão vive de bem com a vida e sai pelas ruas da cidade pedalando sua bicicleta . E que ninguém se atreva a mexer na sua bicicleta – ele morre de ciúmes dela.
Este homem querido por toda a vizinhança nasceu na Vigia.
Em 1949 veio para o Amapá trabalhar nas minas de Calçoene. Conheceu a professora Eurydice, apaixonou-se, largou a noiva que tinha em Belém e casou. Um casamento que já dura 59 anos.
Orgulha-se de ter trabalhado na construção da base espacial de Kourou, na Guiana Francesa, (“Naquela época brasileiro era muito bem tratado e respeitado na Guiana”, diz) e na hidrelétrica do Paredão aqui no Amapá.
Pouca gente sabe – e por isso eu faço questão de registrar – que era Janjão, que junto com Cutião, construía a famosa boneca da Banda todos os anos e ainda dançava debaixo dela.
Lembro uma vez que Janjão fez todo o percurso da Banda com um único tira-gosto: uma pata de caranguejo. Lá pelo meio do percurso o tira-gosto dele já não tinha gosto de nada, mas ele não largava.
Ah, esse Janjão. Aí tem muita história.

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