A nossa Nova Floriano – artigo de Randolfe Rodrigues

*Por Randolfe Rodrigues  
Criada em 26 de janeiro de 1922, a Praça Floriano Peixoto sempre foi reduto de boêmios, amantes, poetas, músicos  e outras figuras extraordinárias. O olho d’água que formou os lagos observa há muitas décadas as histórias dos encontros que ocorreram por aqui. Parcerias musicais, reuniões de amigos, disputas de pescaria, torneios desportivos e beijos apaixonados… As memórias sobre este cenário constituem uma parte significativa do retrato afetivo dos moradores de Macapá.
Antes de passar pela urbanização do seu entorno na década de 1980, a Praça Floriano era conhecida como “Lago do Sapo” ou “Praça do Sapo”, embora também pudesse ser chamada de praça dos maçaricos, das garças e das saracuras que mariscavam à beira d’água sob a atenta vigilância de um atípico morador de áreas urbanas: um jacaré. Dizem que ele foi capturado depois de ter emergido em meio aos aningais e mururés para perseguir uma mulher ao longo da Rua General Rondon. Mas não é possível precisar sobre esta informação. O mais certo é que, além do jacaré e das águas que por aqui correram ou pararam, a Floriano se fez ninho de gente encantada.
O maestro Nonato Leal compôs muitas canções ao cair da tarde na companhia do poeta Alcy Araújo e dos gorjeios dos pássaros que pousavam religiosamente “à noitinha”, como costuma dizer o compositor. Anos mais tarde, pousava em bando, no mesmo horário, o grupo de skatistas, ocupando a praça de manobras velozes fazendo mais forte o ventinho da praça. Na madrugada, a juventude faminta pelo lanche do Ari emenda até hoje, a noite confraternizada nos bares e boates da cidade. No alvorecer, voltava para casa o Ginoflex, ébrio, boêmio convicto, carregando seus velhos vinis, seu bom humor infalível e algumas anedotas. Nas tardes de domingo, crianças pilotavam entusiasmadas pedalinhos em forma de cisnes brancos, ondulando com mais vida as águas dos lagos.
Considerada um dos cartões postais mais bonitos da cidade, a Praça Floriano é entregue à população revitalizada, desde a pavimentação do passeio externo, com piso tátil e rampas de acessibilidade, até à jardinagem, iluminação e limpeza dos lagos.
A Nova Floriano está ainda mais bonita, permanece com suas árvores frondosas, seu vento suave e seus cisnes à espera de novos retratos, outros personagens e boas lembranças para a gente amar.
*Senador da República pela REDE-AP
  • Na década de 1960 existia na praça Floriano venda de jacarés, tartaruga, peixe etc. Ainda não era proibida a venda desses animais.
    No lago então existente, havia peixes, tartarugas e com certeza, jacarés. Estes, acredito, que fugiram das barracas de venda.
    Cobra, então, nem se fala.
    Portanto, não é de estranhar a localização de jacaré, posteriormente.

  • Maravilha, amo esta praça, quando cheguei em Macapá era um local por onde sempre costumava passear, feliz por tê-la de volta.

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