Artigo – Aos mestres, com carinho

Aos mestres, com carinho
Lourival Freitas
, Ex-deputado federal PT/AP

Durante toda minha militância política sempre duvidei da eficácia da greve no serviço público, especialmente na área da educação. Greves são deflagradas em situação de conflito, onde os trabalhadores param, com o objetivo de pressionar os patrões a negociar. É lógico que toda greve precisa impor prejuízo aos patrões. É assim nas empresas privadas. Quando os operários de uma fábrica qualquer param, a produção despenca e, cai a capacidade de venda da empresa. Os patrões sentem no bolso o prejuízo e logo sentam à mesa para negociar.

No caso de greves das universidades federais, os professores não impõem nenhum prejuízo ao governo federal. Parar de dar aulas, não reduz a arrecadação de impostos e nem ao menos reduz a popularidade da Dilma. No máximo irrita os alunos que querem se formar no próximo semestre e aumenta a felicidade daqueles que aproveitam para se divertir nas praias ensolaradas deste Brasil. Eis é a principal razão, deste tipo de greve, ser tão prolongada: não incomoda quem deveria incomodar.

Em vários Estados, e no Amapá especialmente, os professores estaduais em greve há muito tempo, a situação é mais grave, pois prejudica crianças e jovens que jamais recuperarão este precioso tempo da sua formação. As aulas perdidas nunca são repostas integralmente e, na maioria das vezes, é substituída por tarefas de utilidade duvidosa para o aprendizado. A greve dos professores que tem uma de suas bandeiras, a melhoria da qualidade do ensino, acaba tendo um efeito contrário ao pretendido.

A defesa da escola pública e de qualidade, outra bandeira histórica dos professores, também fica comprometida devido ao desgaste que a categoria dos professores sofre juntos às famílias que não puderam optar, ainda, pelas escolas particulares, supostamente de melhor qualidade, aumentando, assim, o preconceito e a rejeição à escola pública.

Infelizmente o movimento justo dos professores por melhor remuneração e condições dignas de trabalho acaba prejudicando os mais fracos, pois há muito tempo a escola pública que deveria ser um espaço de convivência entre os diferentes, virou espaço reservados aos mais pobres.

A intransigência e relutância do governo em negociar com os professores, nos traz uma revelação lamentável, mas real: a classe média, e as autoridades, optaram por colocar seus filhos nas escolas privadas, e a melhoria da qualidade da escola pública continua a ser uma promessa de campanha, esquecida rapidamente depois de cada eleição. A luta dos professores não pode se restringir apenas à ação sindical, mas tem que abranger a luta política e de conscientização de toda sociedade.

No serviço público, principalmente na saúde e educação, a greve não pode ter a mesma lógica do setor privado: ela simplesmente prejudica o povo, que neste caso é o patrão. A melhoria da qualidade da educação dificilmente virá dos governos: os políticos preferem construir obras que lhes permite aparecer nas fotos de inaugurações, a investir em algo intangível, cujos frutos serão colidos a médio e longo prazo. Eis um grande desafio aos mestres. Uma lição que deve ser ensinada cotidianamente aos futuros pais, que terão que colocar seus filhos nas mesmas escolas que hoje não lhes garante a qualificação necessária para enfrentar um mundo cada vez mais competitivo.

A luta não é só dos professores, mas infelizmente eles estão combatendo sozinhos com uma arma de eficácia duvidosa. É preciso a união de toda sociedade para a construção de uma cultura da educação que garanta um futuro melhor para nossas crianças e nossa juventude.

  • Lourival!
    Nota-se pelas suas palavras o quanto que você desconhece a realidade das universidades federais. Lamento muito, mas tenho que ser um pouco duro. Te atualiza mais quanto as questões que não conheces.
    Sabes quanto ganha um professor universitário? E um motorista do senado?

    • Acho que nao me fiz entender.Eu nao disse que sou contra o movimento dos professores,apenas questiono a eficacia da greve.A greve nao prejudica o governo,mas sim os mais fracos e que nao tem o poder de decisao.Claro que eu conheco a situacao de precariedade da educacao em geral,mas isto so vai mudar quando a maioria da populacao se mobilizar e lutar junto com os professores.Infelizmento os professores estao isolados.

  • Pago de 992 a 1050 reais, quem nos mostrar um projeto que tenha sido proposto e aprovado por este cidadão quando deputado federal.

    • Para quem nao tem argumentos a saida e desviar o foco do debate.Incrivel como tem gente que cinicamente me condena por nao ter apoiado uma patifaria.

  • BELO ARTIGO SENHOR…MAIS OS ROTULADOS “992” NAO TE ESQUECEM !!! VC JA PASSOU PELO CONGRESSO NACIONAL, COM UMA PROCURAÇÃO DOS AMAPAENSES, E O QUE FEZ POR LÁ PELOS NOBRRES TUCUJUS PROFESSORES ? O POVO AMAPAENSE JÁ ESTÁ ESPERTO E AMADURECIDOS NA POLITICA.
    UM ABRAÇO A TODOS AI !

    • Era o que eu ia comentar. Aceitaria este tipo de manifesto de qualquer pessoa, menos de um político. Lembrei-me do Lula, logo após tomar posse, comentando sobre um problema nacional do qual não me recordo: “Alguém tem que fazer alguma coisa”. Ele se esqueceu de que já estava eleito.

  • Este artigo é de uma enorme verdade. Porém, me causa espanto por sua autoria. Se não estou enganado o referido autor é dirigente do PT, partido do Lula, da Dilma e que foi alçado ao “poder” também por esses mestres-professores que acreditaram que o “PT da greve” do sapo barbudo, que hoje está junto com o “filhote da ditadura”, iria mudar o destino da “Educação do Brasil” pra melhor. O que foi que aconteceu? Será que se o PT tivesse sido o “Poder do Trabalhador” seria necessário greve para mostrar que o trabalhador (servidor Publico) brasileiro merece respeito? Ser valorizado e ter salário melhor e digno. Esta é a única arma que restou a quem acredita que ainda pode brigar pela dignidade. Doutor, diga para o seu partido que não é escola inaugurada que vai melhorar a educação ou a nota do fundeb ou a quantidade de bolsas distribuidas, mas sim, a mudança de atitude com estabelecimento política públicas voltadas para educação com soluções definitivas e não remendos temporários visando o “voto”. É necessário que o governo, principalmente o federal, tome como sua esta responsabilidade, e faça a educação como o fator primordial do desenvolvimento deste país. Fale para os “companheiros” que o nosso Brasil só alcançar sua plenitude do desenvolvimento quando nos orgulharmos de nossas ESCOLAS PÚBLICAS. E o GOVERNO do PT não tá nem ai pra greve, porque para ele tanto faz tanto fez que o manézinho vá ou não prá escola. É mais um manipulável que está se criando, no futuro a bolsa escola resolve.m

  • Raciocinio nada lógico este do segundo parágrafo.
    Tenha um parente universitário como eu tenho para ver se ele está feliz, parece mais intenção de amenizar um lado e condenar o outro.
    Aliás, na campanha do Lula no primeiro governo, professor universitário, amigo meu, militante do PT me disse, agora não teremos mais greve, com Lula teremos salários dignos e condições satisfatórias de trabalho. Ele ainda aguarda por isso.

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