Artigo dominical

Perguntas e respostas
Dom Pedro José Conti, Bispo de Macapá

No ano de 2379 um homem e um marciano – assim se chamam os supostos habitantes do planeta Marte – se encontram e começam a falar:

– Nós marcianos somos todos iguais.
– Nós homens somos todos diferentes.
– Nós marcianos estamos sempre todos de acordo.
– Nós homens quase nunca estamos de acordo.
– Nós marcianos estamos sempre com o mesmo humor.
– Nós homens não; às vezes estamos alegres, outras vezes tristes e à vezes estamos alegres e tristes ao mesmo tempo.
– Para nós marcianos não é fácil compreender vocês.
– Também para nós não é fácil.
– O que? Compreender a nós marcianos?
– Não, compreender-nos entre nós homens.

Não faltam muitos anos para que este diálogo imaginário possa acontecer. Quem sabe, chegando lá… No entanto, compreender os outros nunca é fácil. Cada um de nós também é uma interrogação para si mesmo. Formular perguntas e buscar respostas é sinal da nossa inteligência e da nossa vontade de dar um sentido à vida. Muitas questões, inclusive, exigem uma resposta pessoal. Os outros não podem responder por nós. Está em jogo a vida de cada um.

O evangelho deste terceiro domingo de Advento está cheio de perguntas e respostas. É João Batista que manda perguntar a Jesus sobre a missão dele, e é Jesus que interroga as multidões sobre João: quer saber se entenderam o seu papel de profeta. Cada pergunta pede uma resposta. Assim, Jesus lembra aos discípulos de João que os sinais que ele faz são os sinais do messias prometido e esperado.

Aqueles que sabem ver e ouvir conseguem compreender. Eles mesmos podem dar uma resposta a respeito de quem é Jesus. Se alguém ainda está cego e surdo, ele mesmo pode abrir os seus olhos e os seus ouvidos. Quem se deixar curar por ele, quem se reconhecer pobre e carente, acolhe a boa notícia do Evangelho, acredita e não fica escandalizado com as suas palavras e os seus gestos. Pelo contrário, fica feliz, porque, finalmente, as antigas promessas dos profetas estão se cumprindo. Para entender a novidade de Jesus e a sua mensagem são necessários olhos e ouvidos novos. Quem se sente seguro nos seus preconceitos dificilmente entenderá. Continuará cego, surdo ou escandalizado.

Também a respeito de João Batista surgem muitas perguntas. Se ele for de verdade o mensageiro enviado à frente do messias para preparar o caminho dele, então, o Salvador não está longe, quem sabe já esteja presente no meio do povo. Jesus perguntando às multidões o que entenderam a respeito da missão de João Batista, está falando dele mesmo e de como é grande a tarefa de anunciar a sua chegada. Apesar desta missão única e difícil de João Batista, ele, porém, ainda faz parte da preparação, do tempo que antecede o evento. A presença de Deus que caminha com o seu povo já está acontecendo; o reino dos céus e os seus sinais já são visíveis. Assim quem acolhe o reino, por mais humilde que seja, já vive o evento e não mais a preparação e a espera.

É a nossa vez, agora, de colocar perguntas e buscar as respostas. Qual é a nossa posição a respeito do Reino que Jesus veio iniciar e que continua acontecendo na história das nossas vidas e da humanidade inteira? Será que ainda estamos indecisos ou aguardando outros sinais para participar ativamente da construção deste Reino? Mais uma vez cabe a cada um de nós abrirmos os olhos e os ouvidos ou pedirmos ao Senhor que nos cure de nossa cegueira e surdez. Simplesmente porque o Reino se revela aos pequenos, aos comprometidos, aos que confiam e acolhem a Boa Notícia de Jesus.

Também hoje, quem não admite a sua fragilidade e as suas limitações continua cego no seu orgulho e surdo aos apelos de Deus. João Batista e a sua pregação, o Natal de Jesus e a sua mensagem de paz e bem para todos, continuam incompreensíveis ou equivocados. Parecem conversas de outro planeta. Marte?

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