Deus e os ídolos – Dom Pedro José Conti

Deus e os ídolos
Dom Pedro José Conti, Bispo de Macapá

Certa vez, em Roma, alguns idólatras astuciosos questionaram o velho Rabi Simeão, que tinha o apelido de “Muito Sábio”. Disseram-lhe:

– Se o vosso Deus não gosta que as pessoas adorem os ídolos, porque ele, o Todo-poderoso, não destrói esses ídolos todos de uma vez?

Respondeu com presteza o sábio Rabi: – Se os homens adorassem coisas inúteis que o mundo não precisa, de certo, Deus os arrasaria. No entanto, eles adoram o sol, a luz, os astros e os planetas. Deveria o Senhor destruir a sua criação por causa dos estultos?

Um dos romanos, querendo pegar o sábio em alguma contradição, indagou:

– Nesse caso, poderia pelo menos acabar com as coisas de que o mundo não precisa, e deixar as outras!

– Seria fortalecer a idolatria – retrucou Simeão – os idólatras diriam: “Vede: eis os verdadeiros deuses, porque os falsos foram destruídos”.

 

Neste domingo, a liturgia nos convida a celebrar a Solenidade de São Pedro e São Paulo. Rezaremos, de maneira especial, pelo Papa Francisco e, sem dúvida alguma, pela nossa Igreja Católica. Não fazemos isso por “culto à personalidade” (no caso do papa) e nem por mero “sectarismo” (no caso a Igreja Católica). Ao contrário, queremos lembrar a missão corajosa dos apóstolos, justamente para não nos fechar numa inútil e errada autocontemplaçã o. Ter consciência e estar felizes, porque amamos a nossa Igreja, não significa esquecer o resto do mundo e dos seus problemas. Papa Francisco sempre nos lembra que a Igreja não existe para si mesma e não acaba dentro dos seus templos e estruturas. A Igreja é enviada ao mundo, à humanidade inteira, porque está dentro da única história humana. O desejo de nos fecharmos num grupo de eleitos, de privilegiados, de pessoas que pensam estar já no limiar do céu, é uma grande tentação. As consequências disso sempre foram desastrosas. A Igreja corre o risco de tomar a atitude de quem julga e condena. No entanto, lemos no evangelho de João: “Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que seja salvo por ele” (3,17).

Isso não significa que o Papa Francisco e a Igreja Católica com ele, não tenham posições claras e firmes sobre certos assuntos. O que a Igreja não faz mais é ameaçar do inferno os que pensam e agem diferente. Ser tolerantes e acolhedores significa dialogar e não excluir, mas também não desistir das próprias convicções. Quem não tem ideias, princípios, valores e exemplos para dar, é sempre tentado a impor o próprio pensamento com a fo rça, com as artimanhas da retórica, com o abuso da mídia e da propaganda. Quem procura viver e praticar a sua fé não precisa de muitos outros recursos. Confia mais na força do Espírito Santo, que se antecipa nos corações das pessoas, do que nas próprias capacidades e conquistas. Trabalha com humildade e, sobretudo, alegremente, porque está feliz de ter encontrado, conhecido e amado o Senhor Jesus. Esse é o verdadeiro tesouro que encontrou na vida e faz de tudo para não perdê-lo.

Veneramos São Pedro e São Paulo, assim como tantos outros mártires e testemunhas que deram as suas vidas por causa do Evangelho de Jesus. Com eles, queremos aprender a ser mais corajosos sem pretender impor as nossas ideias, mas com a paciência do semeador que acredita na bondade da semente e na fecundidade do coração humano, quando se abre confiante ao mistério do amor divino. Por isso, neste domingo agradecemos a Deus, também, pelo pontificado do Papa Francisco, uma voz surpreendente e pacificadora no meio de tantas disputas, contradições e conflitos sociais. Rogamos a Deus que faça dele um homem “Muito Sábio” não somente para encontrar respostas a tantas dúvidas e perplexidades, mas para poder ser uma voz crível para todos os homens e mulheres de boa vontade e de paz. Sejamos, também nós católicos capazes de ecoar as mensagens do Papa Francisco, com a mesma franqueza, simplicidade e cordialidade. Acompanhar o papa é sinal de comunhão e de fé. Um bom sinal.

  • Boa noite Alcinea!
    saí de Macapá em 1974, estudei com o seu irmão Alcione no Colégio Amapaense.Fui um dos fundadores do bloco carnavalesco EMISSÁRIOS DA CEGONHA, hoje Escola de Samba. Incentivado por alguns colegas residentes no entorno da Praça Floriano Peixoto,numa noite de luar que só Macapá nos proporciona, escrevi a letra do então Bloco, isto nos idos de 1973. “Nesta avenida iluminada/onde hoje eu vou sambar/quero esquecer as minhas mágoas/ hoje eu vou me libertar. O meu samba não traz filosofia/ este samba foi feito prá folia/nosso lema é paz e amor/vamos brincar, vamos sambar com amor. Venha, não se indisponha, volte não me proponha/ fique, mas fique risonha/ com os Emissários da Cegonha.” Com este samba e muita garra dos componentes do bloco, ganhamos o carnaval na categoria Bloco do ano de 1973. A madrinha do bloco foi a minha vizinha Cristina Omobono. Quanta saudade!

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