Os quatro mensageiros – Dom José Conti

Os quatro mensageiros
Dom Pedro José Conti, Bispo de Macapá

 O Primeiro Mensageiro enviado do céu, ficou pouco tempo sobre a terra. Logo que os homens escutaram o início da sua mensagem, começaram a reclamar, pegaram umas pedras e o enxotaram a pedradas. Depois, porém, tiveram medo e, para amansar o Céu, levantaram uma grande coluna de pedra na praça principal. O Céu foi compreensivo e enviou o Segundo Mensageiro. Este dizia a verdade, mas os homens não gostam de ouvir a verdade. Assim pegaram bastões e espadas e o mandaram embora. Mais uma vez, se arrependeram, e, por medo do castigo do Céu, levantaram mais uma coluna. Acima colocaram um telhado. Tinham construído um pequeno templo. Veio o Terceiro Mensageiro. Falava melhor ainda que o Segundo. Curava os doentes, brincava com as crianças. Explicava a todos as causas da infelicidade. A sua palavra descia até o coração e pedia para que todos mudassem de vida. Foi por causa disso que não o quiseram mais ouvir. Pegaram as espingardas, mataram-no e o jogaram fora dos muros da cidade. Dessa vez, quando se arrependeram, sempre por causa do medo, construíram, no mesmo lugar, muitas outras colunas e fizeram uma esplêndida fachada. O resultado foi uma catedral maravilhosa cheia de mármores, estátuas e quadros belíssimos. Chamaram-na “A Casa do Céu”. De novo, o Céu não se vingou e os homens acharam que não tinham mais nada para fazer. Depois de alguns anos, a manutenção da catedral ficou muito cara e resolveram transformá-la em museu. Chegaram os turistas. Agora precisava pagar para visitar a “Casa do Céu”. Virou negócio; bom, por sinal. O Quarto Mensageiro ninguém o viu mais. Será que não encontrou o caminho? Ou veio e ninguém reparou nele? Talvez não tivesse o dinheiro para pagar a entrada do Templo.

Só mais uma historinha, nada mais. No entanto, é sempre bom responder à pergunta: quem é Jesus para nós? Como ficou, afinal, a sua mensagem? Isso, além das imensas catedrais ou das humildes capelas do interior, cheias ou vazias. Das imagens grandes e bonitas ou de um simples crucifixo de gesso quase sem cores. Dos eventos, das multidões, do som ensurdecedor ou do silêncio de um mosteiro e de um Sacrário. Dos slogans gritados ou da leitura orante da Bíblia. Tudo pode ser exterioridade ou interioridade. A medida e o equilíbrio dependem de nós. Estão em jogo a nossa fé e a nossa intimidade com o Senhor. Podemos sempre dar uma resposta imediata, fácil, aquela à qual todos estamos acostumados: Jesus é o Cristo de Deus. No evangelho de Lucas, deste domingo, Jesus não nega de ser o Cristo, o Ungido, o Esperado, mas pede severamente de não contar isso a ninguém, porque o mistério do amor de Deus não cabe simplesmente naquelas palavras. Elas podem ser mal entendidas. Não têm nada de poderoso e triunfal. Ainda faltam o sofrimento e a morte na cruz. Somente depois virá a ressurreição. A vitória de Jesus sobre a morte sempre estará junta com a sua vida doada no Calvário.

A resposta certa à pergunta de Jesus nunca será somente uma frase altissonante também se confirmada e repetida, justamente, por séculos de vida cristã. A resposta verdadeira dependerá sempre da nossa capacidade de arriscar a vida – perdê-la – por causa do Evangelho. Podemos saber a resposta certa. Até gritá-la para chamar atenção, mas depois continuar, de fato, a gastar a nossa vida atrás do dinheiro, do bem-estar egoísta, de interesses pessoais, do comodismo, tolerando corrupção, injustiça e exploração. Todos podemos ser cristãos sabidos, da boca para fora, que falam bonito, mas depois não praticam o que dizem acreditar. O maior e melhor anúncio da verdade sobre Jesus nunca serão os discursos, mas sempre será a vida exemplar dos cristãos comprometidos com a causa da verdade, da justiça e do amor fraterno, também se isso pode custar críticas, sofrimentos, perseguições e, também hoje, o martírio. Talvez o Quarto Mensageiro sejamos todos nós, ou melhor, o Espírito Santo que, através dos cristãos continua a missão de Jesus, até a ressurreição, sempre passando pela cruz. Não têm atalhos.

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