Minha artiquibancada

Começa a chover no Sambódromo e a torcida esfria.
Armstrong anuncia que dentro de três minutos os portões serão abertos para Boêmios do Laguinho e pede aplausos para a nação negra, mas a torcida continua fria. Não grita, não apita, não levanta, não sacode a bandeira.
A chuva tirou o ânimo também dos brincantes.
Alemão se dirige ao intérprete e em seu ouvido diz:
– Parceiro, tá todo mundo frio, dá um alô pra arquibancada e pra concentração pra ver se anima.
– Podexá, diz o bom intérprete, que dá um gole no “abre gogó” (uma mistura de mel, gengibre e rum) e grita:
Alouuuuuuuu, minha arquitibancada!
Alouuuuuuuuuuu, meu concentramento!

(Extraído do livro “Sambou…”, de Alcinéa Cavalcante e Rostan Martins, lançado em 2008)

  • Isso virou até piada aqui na minha família, meu primo sempre conta essa em todo carnaval.
    “Alôô galera da artibancada, alôô galera do concentramento, não quero ver ninguém chorando, chooooraaaa cavaaacoo.”

  • huauhahuauhauh, meu primo tbm tava lá e sempre rimos desse episódio..

    “alouuuu galeeeeraaaaa da artibancadaaaaaaa, alôôôô galera do concentrameeennnnto, não quero ver ninguém chorando, choooooraa cavaaacoo”

  • Engraçado !
    Também ouvir outra história deste mesmo interprete. Diziam que ele era (semi) analfabeto, então necessitava ouvir algumas vezes o samba de enredo para decorar, ai pronto, pegava uma folha de caderno em mãos (pra disfarçar) e “metia bronca” com o vozeirão que lhe é peculiar.
    Belas h(e)istórias tucujú.

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