Artigo dominical

Cada janela é alcançada pelo sol
Dom Pedro José Conti, Bispo de Macapá

 Um homem duvidava do amor de Deus. Estava desesperado. Um dia, porém, quando estava vagando sem rumo pelas colinas perto da sua cidade, encontrou um padre. Este, vendo a tristeza estampada no rosto dele lhe perguntou:

– Meu irmão, o que é que o aflige tanto?
– Estou me sentindo completamente só – respondeu o homem.
– Eu também estou só – disse o padre, no entanto, não estou triste.
-Talvez porque você tenha a companhia de Deus – replicou o outro.
– Falou certo – continuou o padre.
– Eu, ao contrário, não tenho nenhuma amizade com Ele. Não consigo crer no seu amor. Como é possível que Ele ame todos os homens um por um? Como é possível que ame a mim?
– Você está vendo a nossa cidade lá em baixo? – perguntou o padre – Está vendo todas as casas? Está vendo as janelas de cada casa?
– Estou vendo tudo isso, sim – respondeu o homem.
– Então, não deve se desesperar. O sol é um só, mas cada janela da cidade, também a menor e a mais escondida, é alcançada pelo sol em alguma hora do dia. Talvez você perdeu a esperança, porque deixa fechada a janela de sua casa!

Como de costume, durante o mês de agosto, refletimos sobre as diferentes vocações na Igreja e na sociedade. No primeiro domingo agradecemos ao Senhor pela resposta que os padres diocesanos, religiosos e missionários deram ao chamado de servir ao Povo de Deus através do ministério ordenado. É difícil em poucas palavras resumir a missão do padre. Às vezes pensamos que, não tendo família, tenha uma vida folgada. Livre das preocupações da maioria dos pais, ou mães, de família: sempre atrás de serviço e de dinheiro para pagar as contas, mas os padres se preocupam, sim, com famílias, crianças e jovens, só que são filhos… dos outros.

Outras vezes pensamos que o padre tenha uma vida solitária, talvez triste. Pode acontecer, porque é humano, mas em geral vive no meio das pessoas e sabe transmitir esperança, alegria e paz. Tudo isso porque, dizendo em poucas palavras, o padre é chamado a proclamar a verdade sobre Deus e sobre o homem. Uma verdade que não pode, não consegue e nem quer guardar somente para si.

A primeira verdade que deve anunciar é o amor de Deus. O padre da historinha convidou o homem triste a abrir a janela do seu coração para deixar entrar a paz e o amor de Deus. Não é Ele que deixa de nos amar; somos nós que damos pouco valor a este amor e não nos deixamos alcançar por ele. Quantas pessoas vivem fechadas em si mesmas ou em seus negócios. Parece não existir mais nada fora delas. Saber que são amadas pelo Pai não significa ter resolvidos, milagrosamente, todos os seus problemas. É mais do que isso. É abrir-se a algo e a alguém maior do que nós. É dar um sentido a tudo o que fazemos, abrir horizontes, criar laços de fraternidade, além dos lucros, das trocas de favores e do nosso exclusivo bem-estar, vivendo a experiência maravilhosa que “Há mais felicidade em dar do que em receber” (At 20,4).

Uma segunda verdade que o padre não pode calar – e por causa disso, muitas vezes não é bem acolhido – é sobre a transitoriedade da nossa vida e de todos os bens materiais. É o evangelho deste domingo. O padre, claro, não pode chamar alguém de louco, como fez Deus na parábola que Jesus contou. No entanto deve exortar as pessoas a não gastar inutilmente os dons que receberam de Deus para enriquecer sozinhas, juntando tesouros para si mesmas. Jesus não teve medo de alertar contra a ilusão da ganância e do poder. Convidou a sermos ricos perante Deus e não perante os homens. A riqueza de Deus é a misericórdia, para Ele valem o bem, feito sem recompensa, o amor e a vida doada. Tudo o contrário daquilo que sempre proclama o mundo.

Talvez seja por isso que não é fácil ser padre, por ter a missão de não enganar, de não iludir com promessas interesseiras. O que vale mesmo é encontrar aquele que somente pode satisfazer todas as nossas fomes e sedes: Jesus Cristo. Ele nos conduzirá ao Pai, com a força do Espírito Santo. Mas também nos conduzirá aos irmãos, sem exclusões e sem exploração. Ele nos dará a alegria de construir amizades, de ter alguém em quem confiar, sem medo de amar, perdoar, partilhar. Essas são as verdadeiras riquezas que vale a pena acumular. Nem precisa de celeiros, porque elas já estão guardadas no coração de Deus.

Artigo dominical

A mentira é feia
Dom Pedro José Conti, Bispo de Macapá

 Um jovem beduíno, vagando pelo deserto, chegou num lugar onde tinha um poço. Encostada nele, uma jovem muito bonita estava puxando água. O rapaz aproximou-se e disse à moça:

– Estou perdidamente apaixonado por você.

A jovem respondeu:

– Perto da fonte tem outra mulher, tão bonita que eu nem seria digna de ser a sua serva.

O jovem virou-se para olhar, mas não tinha ninguém. Então a moça falou:

– Tanto é bela a sinceridade, quanto é feia a mentira! Você diz que me ama, mas basta que eu lhe fale de outra mulher para que você me vire as costas!

 

Esta simples fábula da Arábia nos lembra a diferença que existe entre o que afirmamos, às vezes com entusiasmo, e as atitudes e as decisões concretas que depois tomamos. Como bem sabemos é muito mais fácil falar do que realizar o que prometemos. Pelas nossas palavras seríamos todos extraordinários, perfeitos, honestos e bondosos. Vice-versa, ninguém seria censurável, falso, mentiroso e nem egoísta. Não existiriam nem pecados e nem defeitos.

Com o evangelho deste domingo, Jesus nos convida a declarar a nossa fé, mas muito mais a colocá-la em prática. Em primeiro lugar, é apresentada a pergunta sobre o que as pessoas pensam dele. De certa forma, cada um pode pensar o que quiser. Nunca, ninguém deve ser obrigado a afirmar o que não acredita. Fé e mentira não podem andar juntas. No entanto é fácil entender que cada maneira de responder traz consequências diferentes. Fazer declarações bombásticas, para depois não aplicá-las em nossa vida seria, afinal, um enganar a nós mesmos antes de mentir para os outros. É por isso que Jesus quer saber dos seus discípulos o que eles pensam dele. Eles já deixaram muitas coisas para segui-lo e agora estão envolvidos com a sua própria missão. Jesus não quer enganá-los: devem saber que seguir o Cristo, o ungido do Pai, significa abraçar também, junto a ele, a cruz, aprender a doar a própria vida para salvá-la.

Não cabe a mim fazer estatísticas ou dividir os que se declaram católicos em grupos ou em categorias. Sempre podemos mudar para melhor, mas também, infelizmente, para pior. Muitos começam bem. Vivem os sacramentos da chamada Iniciação Cristã; ficam emocionados e prometem muitas coisas na hora do batismo, da crisma e da primeira eucaristia. Depois, os anos passam e se esquecem do caminho da comunidade junto à qual começaram a conhecer Jesus. Outros trocam, pulando pra cá e pra lá, buscando recuperar, talvez, o que um dia tinham encontrado e que deixaram escapar.

Estou falando de uma fé sólida, corajosa, atraente e, sobretudo, comprometedora. Perdoem-me a comparação. Mas para a fé, talvez, valha o raciocínio do treinamento, como para qualquer esporte, arte ou conhecimento. Um atleta que deixe de treinar perde a forma: corre menos, pula menos, cansa logo. Os dedos dos músicos perdem a agilidade e algumas pessoas desaprendem a ler, a escrever e a fazer as contas. O que parecia adquirido para sempre, fica perdido e se torna cada vez mais difícil recuperá-lo.

A fé deve crescer com a experiência da vida porque Jesus quer nos ajudar a viver. Ele se oferece para ser o nosso Senhor não para mandar, mas para indicar o rumo, para nos lembrar o que vale mais, para nos consolar e perdoar. Quer nos ensinar a amar de verdade enriquecendo de sentido todos os grandes amores humanos que podemos encontrar ao longo da vida. O amor do homem e da mulher, dos pais e dos filhos, dos amigos e amigas e de quem, em nome do Senhor, dispõe-se a servir os mais pobres e infelizes.

Carregar a nossa cruz para seguir Jesus significa amar sempre aqueles a quem, um dia, prometemos amar, também quando o amor pesa e exige sacrifício e doação. Devemos aprender a sair de nós mesmo, das nossas defesas e interesses, para doar, ao menos um pouco, da nossa vida, do nosso saber, da nossa profissão, da nossa alegria, da nossa fé e da nossa esperança. Podemos ser felizes alegrando os outros; assim gastaremos a nossa vida doando-a cada vez mais. Para isso precisamos provar a Jesus que o amamos. Sem lhe virar as costas. Sem nos deixar distrair. Sem mentiras e falsidades.

Artigo – Ao Prefeito Clécio Luís

Ao Prefeito Clécio Luís
Sérgio La-Rocque*

“o meu pai era paulista, meu avô pernambucano, o meu bissavô mineiro, meu tataravô baiano……”
Não sou filiado ao PSol e nem tenho procuração, mas como cidadão macapaense fiquei muito feliz quando soube de sua intenção em nomear para a Secretaria de Saúde do Município o Dr. Maurício Bezerra. Digo isso porque conheço o seu trabalho como gestor da área da Saúde no vizinho estado do Pará durante o governo da companheira Ana Júlia – PT, do qual também participei na COSANPA.
Como colega de Equipe do governo, pude testemunhar o magnifico trabalho que ele desenvolveu a frente da Santa Casa, dando uma enorme contribuição ao SUS e por consequência à qualidade de vida de todos.

Me causou profunda repulsa, em função dos argumentos utilizados, ouvir e ler nos meios de comunicação reações contrárias a sua intenção. Argumentos esses que vão do mais estúpido bairrismo ao preconceito; chegando ao ponto de acusá-lo, cinicamente, de homicida, sem explicar as razões e os porquês dessa desagradável situação vivida pelo Dr Maurício Bezerra, quando dirigia a Santa Casa, em Belém, em face do caos herdado da gestão anterior, tal qual a herança recebida pelo governador Camilo Capiberibe do governo da harmonia, a qual esses porta-vozes avalizavam.

São os mesmos que tentaram desqualificar a Lama Asfáltica, tecnologia mundialmente consagrada em manutenção de vias e rodovias, introduzida no estado durante minha gestão a frente da SETRAP, cujos resultados positivos são visíveis até hoje na Rodovia Duca Serra e no Ramal do km 9.

Aliás, na mesma toada, urraram também quando da indicação da Dra. Badine para a CTMAC.

São inaceitáveis esses disparates, cuja motivação, a juízo deles, é a pretensa defesa do solo macapaense de “invasores” (sic). Antes fosse, nessa terra de migrantes; mas na verdade são atitudes daqueles que só pesam e agem olhando o próprio umbigo, e estão pouco se lixando se a Saúde e o Trânsito vão melhorar. Não há outra conclusão possível diante desse comportamento.

Isto escrevo de cadeira, pois exerci minha atividades profissionais e alguns estados brasileiros, e, em todos, sem exceção, fui muito bem recebido, bem tratado e reconhecido. Tenho muito orgulho disto: honrei o nome do Amapá pelos rastros dos bons serviços prestados ao País.

Aqui mesmo, temos uma presença exorbitante, em todas as áreas, de profissionais de outros estados que escolheram o Amapá para viver e trabalhar.

Cito, em nome deles, o próprio dono deste Jornal, o jornalista Luiz Melo, os grandes poetas, João-zinho Gomes e Fernando Canto, o grande engenheiro e gestor Ortiz Vergolino. Todos, para o meu prazer, fraternos amigos.

Cito, em nome delas, a primeira dama do Estado, Cláudia Camargo Capiberibe; a juíza, Alaíde de Paula; a escritora, Luli Rojanski e a economista Maria Garcia. Todas, para o meu prazer, fraternas amigas.

A todos e a todas, nossas homenagens pelos va-lores que agregam ao estado e pela honra de suas presenças.

Assim, afirmo com todas as letras, o Dr Maurício e Dra. Badine são excelentes profissionais em suas respectivas áreas e têm muito a agregar ao acervo técnico do nosso município. São brasileiros com direito de ir e vir, assegurados em nossa Constituição. Suas presenças, com certeza, só irá engrandecer a administração municipal pelos resultados que produzirão em favor da população de Macapá.

É hilário imaginar que se, por algum motivo, o Dr. Adib Jatene e a Dra. Ermínia Maricato resolvessem trabalhar no e para o Amapá, a reação estúpida desses porta-vozes.
Prefeito Clécio, firme no leme. Como bem disse o “georgiano”: “o que é, é nada perto do que precisa ser feito.” A cidade agradece.
Dr. Maurício e Dra. Badine, BEM-VINDOS!…
Que venham mais migrantes qualificados!…O Amapá agradece.
Abaixo os porta-vozes do atraso!..

* Sérgio La-Rocque é engenheiro químico/MBA, trabalhou no grupo CAEMI, VOTORANTIM, SRC e JPE Engenharia. Foi presidente da CAESA, diretor e presidente da COSANPA, Secretário de Transportes do Amapá e Diretor-Presidente da ARSAP. Atualmente é consultor de gestão, engenharia e relações institucionais, associado ao escritório Bemerguy & Ferreira advogados.

Artigo dominical

As sandálias dos frades
Dom Pedro José Conti, bispo de Macapá

Lendas sobre santos não faltam. São Remáculo foi bispo das Ardenas e trabalhou muito para converter as populações daqueles lugares. Um dia resolveu construir uma igreja em Stavelot, bem no meio de um bosque do qual, porém, o diabo se achava dono absoluto. Começou a guerra. Satanás aterrorizava os pobres frades com toda sorte de armadilhas. Eles, porém continuaram a obra. O diabo, então, achou por bem fazer morrer o asno que ajudava os frades. Mas São Remáculo o pegou bem na hora e o obrigou a substituir o asno morto.

O diabo estava furioso, não acreditava que estava ajudando os frades a construir uma Igreja! Quando a obra acabou, o bispo dispensou o diabo dos trabalhos. Este, cheio de ódio, decidiu que ia se vingar. No dia da inauguração, lançaria uma pedra gigantesca contra a igreja e assim destruiria a igreja e mataria a todos. Já estava carregando a pedra nas costas quando um anjo avisou São Remáculo daquilo que estava para acontecer. O santo rapidamente juntou todas as velhas sandálias dos frades e as colocou num saco. Depois foi atrás do diabo. Quando o encontrou, este já estava cansado de tanto carregar a pedra enorme e, sem levantar os olhos, perguntou ao Santo:

– Está ainda muito longe a igreja de Stavelot?

– Ó, meu amigo, ainda está muito, muito longe – respondeu o santo.

– Estou vindo de lá e veja quantos sapatos já gastei no caminho!

– Satanás engoliu a mentira, pensou que ia chegar muito tarde para a cerimônia e tanto esforço seria inútil.  Jogou fora a pedra. A igreja e o povo foram salvos.

Só nas histórias é tão fácil assim livrar-se do demônio. No entanto, gostei das velhas sandálias dos frades. Pensei nos sapatos, mas, sobretudo nos pés dos evangelizadores e missionários de todos os tempos e de todos os lugares do mundo, a começar com aqueles primeiros setenta e dois que Jesus mesmo enviou. Já escreveu São Paulo na carta aos Romanos lembrando o profeta “Como são belos os pés dos que evangelizam” (cf. Rom 10,15).

Precisamos sempre acreditar que a Boa Notícia de Jesus faz belos os pés daqueles que a oferecem e a ensinam. Dependendo dos lugares, ainda hoje têm missionários que andam de pé, de burro, de canoa, de bicicleta, de rabeta. Outros já conseguem viajar de avião, de camioneta, de barco e voadeira, no entanto são sempre os nossos pés que nos levam ao encontro das pessoas. Para o evangelho as distâncias verdadeiras são o desinteresse, o desprezo e a indiferença que afastam os corações mais do que os milhares de quilômetros que podem ser superados. É o primeiro passo que vale; é a primeira decisão de abrir a porta da nossa casa e do nosso coração aos enviados de Jesus que nos fará superar todas as incertezas. O que parecia longe ficará perto. O pesado ficará leve.

O evangelista Lucas, no evangelho deste domingo, é o único que nos fala dos setenta e dois enviados, além dos doze apóstolos. Jesus não somente convida a segui-lo, também envia os discípulos na sua frente. Quem conheceu Jesus não pode deixar de comunicar a outros a alegria da sua descoberta. Este é um sinal claro de como andam as coisas entre nós e Jesus. Quem só pensa nele para seu próprio uso e consumo e tem vergonha de admitir a sua fé, ainda está só começando a conhecê-lo.  A empolgação, também, não é a melhor atitude para os verdadeiros missionários. O sucesso pode ser momentâneo. Nada de achar que vai ser tudo fácil. Precisa estar preparados para possíveis recusas. Cobras, escorpiões, isto é: calúnias, ameaças e perseguições fazem parte da vida dos evangelizadores.

Uma Igreja, comunidade viva, deve preocupar-se de ir ao encontro das pessoas, dos afastados, dos esquecidos, dos perdidos nos caminhos da vida. Pode ser necessário ir longe, partir para outros lugares, outros povos, outros continentes. No entanto, a missão pode começar em nossa casa, em nossa família. “A messe e grande, mas os trabalhadores são poucos”. Não deveria ser assim se cada batizado fosse um discípulo-missionário do evangelho de Jesus. Faltam pés e coragem para partir. Sandálias? Nem precisa. Jesus enviou os setenta e dois sem sapatos! Contudo, se eles servem para enganar o diabo, talvez o Senhor nos perdoe se os usamos e os gastamos para evangelizar.

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VOCÊ CONTINUA SENDO UM BOM MENINO
Dom Pedro José Conti, bispode Macapá

É bastante famoso o diálogo acontecido entre padre Flanagan, fundador da Cidade das Crianças no Nebraska e Eddie um garoto de 10 anos que o xerife lhe tinha entregado para ver se  “dava um jeito”. Eddie tinha se tornado assaltante e ameaçava as pessoas com um revolver. Pe. Flanagan teve muita paciência com ele. Tentou conquistá-lo a qualquer custo, chegando a comprar doces e roupa especial para ele, mas o menino era mesmo impossível. Certo dia Eddie se apresentou no escritório do padre e lhe disse em tom ameaçador: – Vamos acabar de vez com esta história. Você tentou me comprar de toda forma. Eu aproveitei e quase cai na sua armadilha. Mas ontem decidi: chega! – Você é tudo fingido! – ainda gritou o rapaz. – Prova isso – o desafiou Pe. Flanagan – se não, fica calado -. – Acabei de dar um chute na freira: o que você me diz? – – Que você continua sendo um bom menino – – Você diz assim, mas não acredita, por isso é falso e mentiroso. Diga se não é verdade?- Pe. Flanagan respondeu com calma: – Um bom rapaz não é aquele que obedece em tudo aos seus mestres? – – Certo – disse Eddie – – Então – retomou o padre – você teve por mestres ladrões e assaltantes, todas pessoas que o levaram ao mal e agiu sempre como um bom aluno. A prova é o chute que deu na freira. – Eddie ficou boquiaberto com este raciocínio. Olhou para padre Flanagan e, pela primeira vez deu um sorriso, mas logo começou a chorar e caiu nos braços do seu exemplar educador. Quando Eddie deixou a Casa das Crianças, dez anos depois, era outra pessoa. – Agora você é um bom cristão, também se ainda meio grosso! – disse Pe. Flanagan ao despedir-se dele.

É sempre uma alegria para pais e educadores ver uma criança, um adolescente ou um jovem corresponder ao carinho e entender quanto é amado, também se aprontou e ainda apronta coisas erradas. Se reconhecer o amor recebido, um dia saberá corresponder. Parece mais difícil acontecer isso para adultos calejados, digamos, por experiências tristes e às vezes, convencidos mesmo que não exista ninguém bom neste mundo, capaz de amar o outro de graça. Sempre deve ter alguma fraude escondida. É difícil para quem foi muito explorado, enganado e iludido, acreditar na sinceridade do amor. No entanto, como cristãos, devemos dizer que existe, sim, alguém que nos amou e nos ama de antemão sem pedir nada em troca, simplesmente esperando a nossa resposta. É Jesus; ele ensinou e viveu tudo isso. O perdão que ele oferecia aos pecadores era a prova do amor infinito do Pai, acima de toda culpa ou mal feito. Era possível começar uma vida nova.

É fácil identificar na parábola dos dois devedores, aos quais são perdoadas as dívidas, as personagens principais da página do evangelho deste domingo. De um lado temos a pobre pecadora, já famosa e reconhecida por todos. Alguém pré-julgado da qual se podia falar com desprezo publicamente. Uma mulher perdida, afinal. Do outro lado temos um homem rigorosamente obediente à Lei, daqueles apontados como bons exemplos a serem imitados, correto, certinho, de fazer inveja.

Jesus não esconde as culpas da mulher pecadora; simplesmente abre os olhos ao fariseu orgulhoso da sua, ao menos aparente, perfeição. Por isso Jesus pergunta a Simão qual dos dois devedores perdoados ficará mais agradecido. Com efeito, entre a prostituta e o fariseu existe a diferença abissal de quem reconhece as suas culpas e quem as esconde ou aproveita da sua aparente honestidade para julgar os demais. A pobre mulher chora, beija e perfuma os pés de Jesus, considerando-se assim indigna de levantar os olhos para aquele homem tão diferente dos outros. Recebe o perdão e a paz e é elogiada pela sua fé. O fariseu esqueceu-se de acolher bem Jesus em sua casa, como quis esquecer-se dos pecados dele achando-os, talvez, uma dívida pequena demais. Pequena mesmo? Pode ser, mas sempre dívida que somente a generosidade do amor pode perdoar. Perdeu a chance de manifestar a sua gratidão.

Jesus reconhece a fé da pecadora arrependida; ele, por sua vez, bota fé na força do perdão. Como deve acontecer com um bom mestre que nunca desiste do discípulo até conduzi-lo num caminho melhor.

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2090
Dom Pedro José Conti, Bispo de Macapá

 O Senhor Atílio estava para morrer. Os seus olhos percorriam as paredes do quarto nº 280 da melhor clínica do país.

– As probabilidades estão todas a nosso favor – dizia o médico – Num futuro bem próximo a ciência médica estará em condição de lhe devolver a vida. Com certeza poderemos curar a sua doença e assim o senhor viverá ainda por muitos anos.

O rico Sr. Atílio estava satisfeito com as palavras do médico. Morreu tranquilamente e o seu cadáver foi congelado. Sonhou estar deitado numa linda praia e abriu os olhos. Piscou algumas vezes e viu ao seu lado um homem desconhecido, careca e aparentando certa idade.

– Bom dia – disse o desconhecido.

– Bom dia – respondeu o Sr. Atílio.

– Que pendentes esquisitos o senhor tem nas orelhas – disse o Sr. Atílio.

– Não são pendentes. São antenas e nunca são desligadas – respondeu educadamente o desconhecido.

– Me desculpe, mas em que ano estamos? – Perguntou o Sr. Atílio.

– Em 2090 – respondeu o homem.

– Passou um bom tempo – disse o Sr. Atílio – o meu patrimônio foi conservado?

– Acredito que não, respondeu o desconhecido – tive que desembolsar muito dinheiro para fazê-lo ressuscitar.

– Foi muito gentil de sua parte – retomou o Sr. Atílio – mas… Diga-me: encontraram uma cura para a minha doença?

– Dizendo a verdade, eles tentaram por um bom tempo, mas depois tiveram que desistir.

Assustado, o Sr. Atílio se levantou com grande esforço na cama e disse:

– E agora o que vai acontecer?

– Não fique agitado, por favor; isso não é bom antes de um transplante de coração – disse com calma o desconhecido.

– Entendo – disse o Sr. Atílio, voltando a deitar-se. E perguntou:

-Tem alguma coisa que não funciona no meu coração? –

– Não – disse o desconhecido – no seu não, mas tem alguma coisa que não funciona no meu.

Apesar dos avanços da ciência a nossa condição humana é mortal. Não sabemos mais o que inventar para nos iludir que nunca morreremos. Amamos a vida, mas poderíamos amá-la mais ou amá-la de maneira diferente, sabendo, de antemão, que a deixaremos um dia. A questão não é simplesmente viver mais e mais, é, sobretudo, como viver. Não falo da tão badalada “qualidade de vida”, algo possível, hoje, mas que ainda existe para bem poucos. Falo do significado mais profundo da nossa existência.

Qual o sentido de estarmos neste mundo, nesta condição tão frágil de um lado e tão grande do outro?  Logo aparecem as contradições da vida. Desejamos muito viver, mas sabemos que vamos morrer. Desejamos uma vida feliz e gastamos muitas energias em fazer coisas e juntar bens que, afinal, teremos que deixar para os outros. Percebemos cada vez mais que temos capacidades para criar, inventar, transformar este mundo. Temos grandes possibilidades e, com isso, também, grandes responsabilidades. A esses dilemas cada um reage de forma diferente. Alguns nunca pensam seriamente no sentido da vida. Outros se satisfazem com os sucessos deste mundo e os bens materiais, por mais curta que seja a sua durabilidade. Enfim, há os que olham além desta realidade e buscam algo mais profundo, algo – ou alguém – que desafie os tempos e as limitações humanas. Não pode ser simples curiosidade, deve ser algo que dá sentido e valor a tudo o que fazemos neste mundo e além dele. Ou “alguém” que, ao encontrá-lo, dê luz de eternidade às coisas que passam.

No evangelho deste domingo, Jesus sente compaixão por uma mãe viúva que está levando para o enterro o único filho. Ele se apresenta como o “senhor da vida”, como alguém que pode dizer ao jovem, falecido, de levantar-se para, assim devolvê-lo, vivo, à mãe em lágrimas. Devem ter reparado que isso acontece na porta da cidade – lugar de entrada e saída, um limiar. Lá se encontram duas multidões: o cortejo de quem está levando o jovem falecido para o enterro e o cortejo dos discípulos de Jesus. É exagerado chamar um de cortejo da morte e o outro de cortejo da vida? No entanto esta é a mensagem do evangelho. Jesus é o profeta da vida nova, não simplesmente porque não vamos mais morrer, mas porque, com Jesus, a morte não tem mais a última palavra.

Tudo começa, porém, com a compaixão. Esta é a luz do amor, a luz que dá vida à vida. Sentir compaixão é o primeiro passo para vencer a indiferença, o egoísmo, para nos abrirmos ao outro percebendo, ao mesmo tempo, a nossa fragilidade e, portanto, deixando-nos também amar pelo outro. Esta é a vida nova que Jesus ensinou e viveu. Foi a compaixão do Pai que levou o Filho ao amor total na cruz e à vida nova da ressurreição. Cabe a cada um de nós decidirmos em quem confiar, de qual das multidões queremos fazer parte. A dos discípulos de Jesus ou não. Cuidado, porém, com as falsas promessas. Têm muitos senhores Atílios por aí.

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Estou aqui sentado, pensando na minha vida
Dom Pedro José Conti, Bispo de Macapá

 Muitos anos atrás, numa região da França, vivia um rei que nunca conseguia rir. Chamavam palhaços e humoristas de todas as partes do mundo para diverti-lo, mas o rei permanecia sério. Certo dia, um jovem se apresentou à corte declarando que tinha capacidade de fazer o rei rir. Ninguém acreditou, mas, para evitar serem acusados de ter jogado fora uma nova chance, permitiram que o jovem fosse até o soberano. Levaram-no até a sala do trono e assistiram a uma cena inacreditável: o jovem foi sentar-se perto do trono do rei e ficou calado o tempo todo. Depois de algum tempo, o rei, triste e desconsolado, perguntou-lhe:

– Você foi chamado para me divertir, por que não está fazendo nada para me fazer rir?

– O jovem, bem tranquilo, respondeu:

– Não tenho nenhuma intenção de fazer o senhor rir, estou aqui sentado pensando somente na minha vida.

Incrível! A absurda sinceridade do jovem fez o rei dar uma gargalhada poderosa e, assim, o bom humor voltou para a aquele pais.

Repetir que quem complica a vida muitas vezes somos nós mesmos é banal, mas é uma simples verdade. Em lugar de agir com sinceridade e transparência parece que tenhamos sempre algo para esconder, algo que nos ameaça e, portanto, vivemos na defensiva.  Preferimos ficar calados para não nos expormos com as nossas palavras e não sermos criticados ou rebatidos. Outras vezes medimos nossos gestos e palavras por medo de sermos julgados pelos outros. Acontece também o contrário: falamos o que não devemos, condenamos ou absolvemos sem nenhum conhecimento da real situação, e assim por adiante. Pecamos por excessos de medo ou de superficialidade. Subestimamos a nossa capacidade de refletir e ponderar as coisas. Talvez bastasse sermos nós mesmos. Capazes de reconhecer os nossos defeitos – que não adianta esconder tanto assim – e de aproveita r dos dons que todos temos. Quantas vezes um gesto simples e espontâneo vale mais do que as formas sofisticadas de relacionamento, quando, por exemplo, o cerimonial nos obriga e a formalidade esvazia os próprios gestos.

No evangelho deste domingo, Jesus louva a fé do centurião. É um pagão, verdade, mas sincero e honesto. Até alguns dos anciãos, tão rigorosos e prontos a julgar os outros, reconhecem que o estimam. Ele também tem em grande consideração o empregado que está doente. Admitamos que não seja tão comum os patrões falarem bem dos seus empregados. Por fim, como bom militar, o centurião está acostumado a obedecer e a mandar para ser, por sua vez, obedecido. Parece mesmo que este homem não tenha nada para esconder. Diz o que pensa e age de consequência. A sua fé é simples e sincera. Também com Jesus tem o maior respeito. Não manda, pede. Não cobra, confia. Reconhece não ser digno de Jesus ir até a sua casa; propõe que diga uma só palavra e o servo ficará curado. Os evangelhos são sóbrios por natureza, mas desta vez Lucas expr essa com lucidez o raciocínio do centurião, sem inúteis enfeites ou rodeios de palavras. Jesus mesmo ensinou que devemos saber dizer sim, quando é sim, e não quando é não. “O que passa disso vem do Maligno” (cf. Mt 5,37).

Acredito que esta sinceridade e simplicidade devem caracterizar também, ou sobretudo, a nossa fé. Antes de ser explicitada e declarada no seu conteúdo, a fé deve surgir alegre e aprazível em nosso coração. Não pode ser um peso ou um conjunto de sofisticadas distinções, acolhidas ou não; deve ser uma entrega confiante àquele Deus que assim se fez conhecer, porque assim se manifestou em Jesus e, acreditamos, continua a nos amar e perdoar. A fé pode brotar de algumas simples reflexões sobre a realidade humana. Pensar em nossa própria vida de peregrinos neste mundo pode fazer rir o rei da história, mas é o primeiro passo. No silêncio interior, quando os palavreados se calam, ficamos somente na escuta do nosso coração. Sobressai o essencial. Rezamos para que seja a nossa fé-confiança em Deus-Amor. Para o resto? Talvez uma boa r isada resolva. Rir das nossas complicações é um bom conselho.

Pro vô

Pro vô
*Janaína Corrêa Serra

Não tem mais “cafezinho de vô” pra levar. A rotina daqui vai ser outra, que é pra gente se adaptar ao ausente. Alguém se fez de fora, se fez embora mundo adentro, dimensão afora.

Falta uma peça no meu jogo, um personagem na minha história. Essa parte de mim viajou. Pegou carona pra Via Láctea, foi desvendar cometa e descobrir mistério de estrêla. Esse meu homem herói subiu em trem-bala, foi mais rápido do que havia planejado, mas afinal se fosse lento não lhe caberia a autoria.

Quando o físico se vai e só as lembranças se fazem presentes, surge a tal da saudade. Achamos chato se não sentimos tocar mão com mão ou se não olhamos cara a cara. Tolice, pura coisa dos que não aprendem a usar o instrumento mais bonito que há. Povo que esquece de acionar o coração. O amor é maior que todos os tipos de pontes e conexões.

Tonico, canta pra mim. Vô, não quero dormir antes de poder ouvir Carinhoso na tua voz. Ou então antes de escutar que a Pepita de Guadalajara não tem vergonha na cara e que a estrela Dalva no céu vai despontar. Precisava que os teus brancos e prateados deitassem no travesseiro vizinho pela última vez, mas a vida gosta dessas surpresas, adora fazer nossos anjos voarem alto de repente, sem avisar.

Amor meu, não vou te prender, não. Se agora tens asas é porque teu destino é estar no alto, no teu céu de palavras, nessa imensidão azul. Mas olha, vem nos meus sonhos dar um “oi”, vem de vez em sempre que assim não morro de saudade. Como dirias pra mim: Nas nuvens ou na insensatez, me beije só mais uma vez, depois volte pra lá.

*Janaína Corrêa Serra é neta do jornalista Corrêa Neto falecido domingo passado aos 74 anos

Se eu quiser falar com Deus

Se eu quiser falar com Deus
*Juliana Corrêa 

juA ausência de meu avô não leva de nós seu legado. Herança essa que ultrapassa as barreiras materiais e entra no campo do conhecimento e da curiosidade. A morte não cala o conhecimento, não cala a ética, não cala a história de uma vida inteira dedicada à informação correta, fosse ela originada de qualquer lugar.

Começo agradecendo imensamente às pessoas que cuidaram de meu avô nos últimos e mais difíceis anos de vida: Dona Rosa, sua fiel secretária, amiga e confidente; Patrício, seu enfermeiro fiel e o mais humano que Deus podia colocar em nosso caminho e Ruth, nossa secretária do lar que todo santo dia cuidava para que tudo acontecesse de maneira a não desregular a rotina da casa.

Ao Dr. Cláudio Leão, que por inúmeras vezes se dedicou aos cuidados com meu avô, ouvindo suas histórias e articulando para que tudo saísse da melhor maneira possível durante suas inúmeras internações e tratamentos intensivos. A seus grandes amigos, de longas datas, Elson Martins, Phelippe Daou, João Silva, Paulo Silva, João Capiberibe, Júlia Alcolumbre, Tabosa, Ana e Sandro Gallazzi, entre tantos outros que ora brigavam, se desentendiam, mas conseguiam perceber que o valor do projeto de vida que eles escolheram todos juntos era maior do que os perrengues do dia-a-dia.

Agradecer imensamente à nova safra de políticos que permitiram que ele morresse com esperança renovada de que daqui pra frente nós faremos o mundo mudar. E também agradecer aos maus políticos, pois graças a vocês, ele conseguiu realizar seu objetivo de vida, que era combater a má política. Entendam que sua ira não era contra as pessoas, e sim contra as condutas erradas.

Nosso muito obrigado a todas as pessoas que debatiam os mais diversos assuntos com ele, via internet. Vocês foram o combustível da vida dele após a doença que limitava sua vida social. Concordando ou discordando das suas convicções, vocês alimentavam sua existência mais do que qualquer nutriente palpável.

Meu avô pode se tornar o homem espetacular que foi, graças a tantos sofrimentos por ele vividos ao longo de seus 74 anos. Em Belém do Pará, ficou órfão de mãe aos sete anos de idade e precisou sofrer alguns maus tratos nas mãos de madrastas até que, aos 16 anos, fugiu de casa para nunca mais voltar.

Ingressou na Marinha, através da qual foi campeão carioca de tênis de mesa e se orgulhava muito de contar que, graças a este título, ele era o único marinheiro fardado que podia entrar no Clube Náutico do Rio de Janeiro para dar aulas de ping-pong. Jogou na equipe sub-21 do Vasco da Gama, seu time do coração até o fim da vida.

Decidiu ser Jornalista por não aceitar passar por esta vida em vão. Voltou ao Pará, desta vez em Bragança, onde conheceu sua esposa Vera. Já ativista na oposição de tudo o que achava incorreto, fugia constantemente da Ditadura Militar e por isso casou-se via procuração. Juntos, foram para Manaus, onde viveu as maiores aventuras que um jornalista pode viver. Dentre elas: voar em um avião Catalina com 16 parafusos a menos na asa para cobrir um grande acidente aéreo no meio da selva. Dentre elas também, fugir dentro de um cesto, no lombo de um burro, floresta adentro, para não ser assassinado pelos soldados da ditadura.

Passou dificuldades no Amazonas, tudo para fazer o que mais amava: comunicar. Veio para o Amapá com sua esposa e os dois primeiros filhos em busca de dias melhores, onde seu pai já estava vivendo. Aqui fez a maior parte de sua história e o restante de sua família. Combateu o governo do antigo Território, foi preso, sofreu tentativa de atropelamento, de suborno e muitos assédios morais, mas nunca calou para absolutamente ninguém.

Discordou de amigos, pediu desculpa a alguns desafetos. Sempre abriu espaço para todo tipo de opinião. Respirava opiniões. Chegava a dizer que era preciso provocá-las para que as pessoas saíssem da zona de conforto.

Vivia dizendo que não queria virar nome de rua, porque isso é inútil. Queria inspirar as pessoas a serem melhores e se quisessem homenageá-lo, que plantassem muitas flores para atrair bem-te-vis e beija-flores, pois ele os adorava.

Pulou as fogueiras dos maus tratos, solidão, fome, tuberculose, diabetes, complicações pulmonares, amputação de uma perna, escreveu até os 74 anos com o auxílio de uma lupa e no fim calou-se… Partiu nos braços de um anjo que Deus colocou em sua vida pra trazer carinho até o último momento, sua namorada Rechene. Não calou, porque tinha muitas perguntas a fazer para Deus.

*Juliana Corrêa é neta do jornalista Corrêa Neto falecido domingo passado aos 74 anos