Alcinéa Cavalcante

O Papa é gordo
Dom Pedro José Conti – Bispo de Macapá

Conta-se que o bom Papa João XXIII, hoje santo, era muito espontâneo e brincalhão. Certo dia, quando ele visitava uma paróquia da cidade de Roma, andando pelo meio do povo, escutou uma senhora dizer à outra:

– Nossa, como o Papa é gordo!

João XXIII ouviu, mas não ficou desapontado e nem envergonhado. Parou, pediu licença às senhoras, e disse: Continue lendo

O filho do sapateiro

O filho do sapateiro
Dom Pedro José Conti – Bispo de Macapá

Quando Abraão Lincoln tomou posse como presidente dos Estados Unidos, foi um choque para a aristocracia americana. Um proletário assumir a liderança do país? O senador que coordenou seu juramento à pátria fez um comentário irônico: “Vamos ver se o filho de um sapateiro tem condições de dirigir um país”. Ao que Lincoln respondeu: “Que bom que o senhor lembrou de meu pai. Eu gostaria de ser um presidente tão bom quanto meu pai foi como um sapateiro. Aliás, estou vendo que o senhor está usando um par de sapatos que ele fabricou. Eu aprendi a consertar sapatos com meu pai e, se algum dia os seus apresentarem algum problema, me procure que eu os consertarei. Não importa o que esteja fazendo, sempre tenha orgulho e crie sempre algo de especial, porque é nos detalhes que você deixa a sua assinatura”. Continue lendo

As duas ilhas – Dom Pedro José Conti

As duas ilhas
Dom Pedro José Conti, Bispo de Macapá 

 Certa vez, tinha duas pequenas ilhas, divididas somente por um pequeno canal de água no imenso Oceano.

– Eu sou a mais bonita – dizia uma.

– Eu sou muito maior – dizia a outra.

– Eu tenho a maior praia – afirmava uma.

– As minhas palmeiras são maiores – replicava a outra.

– Você já viu as frutas das minhas árvores? – continuava uma. Continue lendo

O que virá a ser este menino?

“O que virá a ser este menino?”

Dom Pedro José Conti – Bispo de Macapá

O vigilante de um grande hipódromo fechou a sua conta no banco. Lá, ele tinha depositado a poupança da vida inteira. Quando recebeu o dinheiro, deu-o todo ao seu neto para que pagasse os estudos dele na universidade. Quando souberam disso, alguns dos seus amigos mais próximos o questionaram sobre a sua decisão. Queriam saber por quê tinha feito aquilo. O homem sorriu e disse: “Todos os dias vejo milhares de pessoas apostar dinheiro nas corridas dos cavalos e muitos deles já perderam até a camisa! Eu pensei que, desta vez, tinha uma boa chance de ganhar apostando sobre um ser humano, um jovem, por sinal”. Continue lendo

Velhice é real ou apenas sensação?

Velhice é real ou apenas sensação?
Por Ray Cunha

A tarde imobilizava a cidade com um bafo quente, afrouxando o ânimo, escoando energias, lenta como lesma. Os dois rapazes e quatro moças comiam sanduíches e tortas com refrigerante na lanchonete. Eram estudantes. Haviam saído cedo da faculdade, que ficava ali perto. A três mesas deles encontrava-se um velhote empertigado lendo O Globo. Os garotos olharam para ele numa sequência de cochichos, rindo furtivamente, enveredando numa conversa sobre o quanto a velhice era ridícula. Um deles mostrava-se preocupado porque era o mais velho da turma, completara 21 anos e sentia-se envergonhado, um avô. A mais jovem, de 17 anos, sentia-se ansiosa, pois ainda faltavam seis meses para completar 18 anos. “Quando isso acontecer” – pensou – “vou mostrar ao meu pai quem manda na minha vida.”

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Santa obediência!

Santa obediência!
Dom Pedro José Conti – Bispo de Macapá

 Certo dia, o Menino Jesus apareceu à Santa Teresinha. A santa, porém, não hesitou um instante em abandoná-lo, quando tocou o sino do Mosteiro que chamava à oração. A regra falava claro! Durante o noviciado, contaram à Santa Bernadete esse edificante exemplo de obediência e lhe perguntaram o que ela achava disso. A humilde vidente de Lourdes respondeu que ela teria agido diferentemente. As colegas ficaram surpresas e indignadas, mas a santa acrescentou: “Sem dúvida alguma, eu também teria ido logo para a oração, mas…teria levado comigo o Menino Jesus. Afinal, não devia ser muito pesado para carre gar”. Santa obediência das Santas!

Para o Ano Litúrgico, já estamos no tempo chamado Comum. Voltamos a ler de forma continuada o evangelho de Continue lendo

Liberdade de Imprensa, hoje e avante

Liberdade de Imprensa, hoje e avante
Por Aline Wolff da Fontoura*

Na data de hoje, 3 de maio, comemoramos o Dia Internacional da Liberdade de Imprensa. Sabemos que no mundo, e aqui no Brasil, muito ainda temos que desenvolver a sociedade nos avanços à democracia e à liberdade de expressão via notícia. Sou otimista em dizer que estamos no caminho. O advento da internet, logo da globalização dos meios de comunicação, foi um passo largo e firme rumo ao futuro que se deseja.

O que preocupa em meio à liberdade de expressão é a poluição da informação e as fake news que desqualificam o trabalho da imprensa. Mas essa questão eu não contabilizo como uma preocupação. Acredito que o público aprenderá a lidar e separar, a cada dia mais, o joio do trigo.

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A reinvenção dos Correios

A reinvenção dos Correios 
Carlos Roberto Fortner*

Os Correios são sinônimo de confiança, credibilidade e fé pública para a maioria absoluta da sociedade brasileira há mais de três séculos e meio. Trata-se de um patrimônio nacional, motivo de orgulho para seus quase 106 mil trabalhadores.

Apesar da crise que o país atravessa, afetando indistintamente diferentes segmentos da economia, os Correios provavelmente vivem hoje seu maior momento de reinvenção, recuperação e transformação, com os primeiros resultados visíveis e melhorias significativas para o cliente já começando a surgir. Continue lendo

A morte do peixe

A MORTE DO PEIXE
Rui Guilherme

Andrés Segovia, primeiro Marquês de Salobreña, guitarrista espanhol, é considerado o pai do violão erudito moderno. Resgatou o instrumento usado nas tavernas onde se cultua o flamenco, levando-o para o campo da música erudita, onde atingiu culminâncias. Guarde-se este ilustre sobrenome Segovia para o tema destas reflexões.

Se não me trai a memória, foi Abraham Lincoln quem disse:- “Nunca me arrependi pelas coisas que não falei. É sempre melhor manter a boca fechada e deixar que todos em volta pensem que você é um idiota do que começar a falar e desfazer a incerteza.” Se não foi literalmente assim, foi nesse rumo. Si non è vero, è ben’ trovato…Guarde-se, também, este pensamento. É palavra chave para o texto. Continue lendo