Boêmios do Laguinho vai mostrar a influência africana na cultura do Amapá

Desde os anos 50, tempos dos mestres Bené, Cabecinha, Falconey, Matapi, Joaquim Ramos, a Nação Negra, nascida em berço Laguinense, mostra seu orgulho das tradições, história e origens na avenida, seja na FAB ou Ivaldo Veras, e este amor próprio é motivo de enredo e exaltação, presenciadas ainda hoje por dois de seus fundadores, Francisco Lino e Mestre Biluca. Neste carnaval, na passarela improvisada na Rua Victa Mota, a Universidade de Samba Boêmios do Laguinho desenvolve o enredo “Belezas africanas: dádivas que a Mãe África mandou”, mais uma vez valorizando as heranças ancestrais.

O enredo percorre um caminho histórico que inicia no período da colonização portuguesa, quando os primeiros negros escravos chegaram no Amapá, e o processo de expansão territorial e cultural tornou o bairro Laguinho e quilombo do Curiaú reservas das tradições culturais, religiosas, manifestadas por meio do Marabaixo e batuque, que carregam em suas raízes o catolicismo e cultos de matriz africanas.

O desfile de Boêmios do Laguinho valoriza os elementos que compõem este legado, como o folclore, artesanato, dança, culinária, linguajar, literatura, rituais, musicalidade, poesia, até o andar, ginga e gestos, e promete encher a passarela de costumes, fé, toque de tambor e outras tradições enraizadas.

Nação Negra na pista
O desfile que canta e dança a herança africana será dividido em quatro setores. O primeiro formado pela comissão de frente, 1º casal de mestre-sala e porta-bandeira, rainha da bateria, bateria Pororoca e o carro abre-alas, que mostra a chegada da Força Humana, Fé e Acervo Cultural do Continente Africano. O segundo pela Gastronomia e Religiosidade, que traz o segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira, que enaltece o poder do dendê na gastronomia africana e sua influência na culinária brasileira; três alas que representam a fé nos cultos afros; a feijoada, como comida inventada por negros; a gengibirra, bebida tradicional do Marabaixo; e a ala das baianas, que tem importância fundamental nos rituais de cultos afros.

Terceiro setor é formado pela Arte e Cultura, que apresenta o 3° casal de mestre-sala e porta-bandeira retratando a influência musical africana na cultura do Amapá, duas alas que falam da herança no modo de vestir e homenageia personalidades negras do Amapá, e dois destaques de chão. O último setor, Festa do Tambor, desfila com cinco alas em que o instrumento musical é exaltado do início ao fim, e destaca Encontro dos Tambores, Tambores de Terreiro, a “laguinidade”, em que o Batuque é o ponto forte, a coreografada Axé do Tambor, e a Raízes do Laguinho, que faz o congraçamento entre etnias. Um destaque de chão e uma alegoria compõem este setor.

O enredo “Belezas Africanas: dádivas que a Mãe África mandou” é o mesmo que seria apresentado em 2016 e estava aguardando este momento. O samba original foi cantado pelo herói laguinense Macunaíma, falecido no mesmo ano. As homenagens aos imortais negros do Amapá também foram preservadas, e na quinta ala da escola, setor quatro, o público assistirá uma simbólica referência à Mãe Luzia, Tias Gertrudes, Fé, Vilsa, Vadoca Geralda, Mestres Bolão, Sacaca, e ainda Psiu, Ilan, Bode e outros tradicionais. O roteiro sofreu modificação em razão do falecimento de Tia Chiquinha, em 2015. Ela, que seria destaque central do carro Festa do Tambor, será substituída por um familiar, e representada na comissão de frente.

Trabalho e paixão
O desfile, que promete surpreender, homenagear, valorizar e emocionar, a partir do momento que Boêmios do Laguinho passar pelo portão de acesso à pista, está ganhando vida por obra de trabalhadores e colaboradores, e a escola investiu em profissionais e mão de obra qualificada, da casa e de fora. No barracão, as alegorias estão em fase de finalização, e movimentou 25 pessoas.

No ateliê central, 35 pessoas empregam seu talento e criatividade na produção das fantasias, operando máquinas de costuras e pistolas de cola, pedrarias e brilhos nos últimos retoques. Duas veteranas cumprem a missão de confeccionar as roupas dos casais de mestre-sala e porta-bandeira, bateria, comissão de frente e destaques.

Paula Tavares e Socorro de Paula, desde 2009, ficam em uma espécie de reclusão profissional, para que o desfile saia melhor que no projeto, e sem imprevistos como roupas descosturadas ou rasgadas e pedras soltas. “Trabalho para Boêmios, torço e saio na escola, sou da harmonia do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, uma grande responsabilidade. Tenho três filhos, e neste período, meu marido assume a casa, ele entende meu trabalho, nos conhecemos no barracão, então, não enfrentamos problemas por isso”, disse Paula.

“Nestes anos sem desfile das escolas de samba, sentimos muita falta, porque é um complemento financeiro para nossas famílias, e agora que voltou, meu marido não reclama, pelo contrário, me dá força. Não saio na escola porque minha saúde não permite, mas torço muito, porque é nosso trabalho que está em julgamento”, considera Socorro.

Para o desfile de Boêmios do Laguinho, foram repassados R$ 170 mil em investimentos do cofre público e emendas parlamentares, e a escola injetou mais R$ 180 mil de recursos próprios e de patrocinadores. O presidente é José Gemaque, a rainha da bateria é Nega Vânia.

(Texto e foto: Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Macapá)

Piratão faz uma “Viagem à Terra do Nunca”

Aclamada pela comunidade como rei do carnaval, Piratas da Batucada fará seu 31º desfile com um enredo que permite voar, navegar, sonhar, recordar e voltar a ser criança, como armas para combater males do mundo atual. “Viagem à Terra do Nunca”, o tema escolhido, é um convite para o espectador fechar os olhos, entrar nas páginas dos livros e viajar na imaginação. O cenário é do clássico infantil Peter Pan, e a palavra “nunca” está presente durante todo o desfile para despertar o desejo de um mundo melhor.

Um enredo mágico para um carnaval de rua que adormecia no Amapá, e que, para se tornar realidade, foi necessária a formação de um verdadeiro e respeitado esquadrão, valorizando profissionais e com o apoio incondicional da comunidade Zona Sul. A concepção do enredo é do carnavalesco carioca Alexandre Louzada, profissional requisitado e que em 2017 foi campeão quatro vezes em grandes escolas do Rio de Janeiro.

O desfile se divide em quatro setores (“Nunca Deixar”, “Nunca Existir”, “Nunca Faltar” e “Nunca Acabar”), cada um composto por alas, alegorias e pontos técnicos. A escola desfilará com aproximadamente 1 mil integrantes, três casais de mestre-sala e porta-bandeira, três carros, um tripé, nove alas comerciais, cada uma com 60 componentes, ala das baianas, bateria com 150 integrantes e vinte destaques. O samba de enredo é de Rogério Silva, Bruno Sena e Adilan Bismark, e seus intérpretes oficiais são Ademar Carneiro e Fábio Moreno.

O primeiro setor, “Nunca Deixar”, propõe que os prazeres da vida nunca deixem de ser aproveitados, e a criança que existe dentro de cada pessoa nunca morra. Neste setor, desfilarão a comissão de frente, que irá trazer como elemento cenográfico um tripé, 1º casal de mestre-sala e porta-bandeira, baianas e o carro abre-alas. O segundo setor, “Nunca Existir”, sugere que a maldade e a guerra não mais existam, e para desenvolver a ideia, Piratão apresentará a bateria, 2º casal de mestre-sala e porta-bandeira e três alas.

Setor três, “Nunca Faltar”, falará da recriação de um mundo, e que nele nunca falte ar, água, e alimentos, e entra com uma alegoria e três alas. O último setor, “Nunca Acabar”, afirma que a “Terra do Nunca” existe, e que é no desfile de Piratas da Batucada, e que este, pela magia da apresentação neste carnaval, por permitir que se sonhe, não deve acabar. Encerrando o desfile, a agremiação apresentará uma alegoria e três alas. Nestes dois últimos setores, destaques de chão se preparam para dar show de samba e originalidade.

Potencial profissional é valorizado no Piratão
O presidente da Piratas da Batucada, Marcelo Zona Sul, afirma que o desfile terá muitas surpresas que irão surpreender o público e não decepcionará a comunidade, e, para isso, precisou fazer investimentos, como a contratação de Alexandre Louzada, para que o título de campeão seja mais uma vez comemorado. O conselheiro e membro da comissão de carnaval, Izauro Santos, fala do investimento em pontos técnicos, a exemplo do 1º casal de mestre-sala e porta-bandeira, Geandra e Bosco, que as roupas estão sendo confeccionadas fora do estado.

“Eles representam o amor incondicional. Bosco vem de pirata da nossa ‘Terra do Nunca’, e é o principal personagem do desfile. Ele, como todo pirata, quer conquistar seus tesouros, inclusive, o principal, que é a porta-bandeira, e irá conseguir e protegê-la, assim como a bandeira e os tesouros, que estarão representados na indumentária”, explica Izauro. O estilista responsável pela roupa do casal é o renomado Rodolfo Gomes.

Piratas da Batucada também investe nos profissionais da casa, e os contratados atuam em ritmo pesado no barracão e ateliê. No total, a escola está pagando 25 trabalhadores do ateliê, 16 no barracão, quatro terceirizados e mais profissionais de apoio, como cozinheiras, vigilantes, seguranças e bombeiro civil. A folha de pagamento gira em torno de R$ 70 mil, e ainda garante o salário de músicos, mestres de bateria, diretor musical e auxiliares.

“Recurso público tem que fomentar a economia local e gerar renda para famílias. Hoje, o carnaval do Piratão é muito profissional, e esta profissionalização começa pela valorização dos trabalhadores”, afirma Marcelo Zona Sul.

(Texto e foto: Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Macapá)

Circuito FAB Folia – Confira a programação

Quinta-feira (13/02)
1 – Pipoca com Chocolate
2- Charqueiros
3- Nana AP
4- Tambores Tucuju
5- Zoeira
6- Proalcool
7- Sakarolha
8- Tomaladacá
9- Me Leva
10- Fura Olho
11- Fefam Folia
12- Odara

Sexta-feira (14/02)
1- Caldeirão da Favela
2- Melô Banhou
3- Auê
4- Paunela
5- Tia Fé
6- Caldeirão
7- Tonga da Milonga
8-Beijo
9- Urubuzada
10- Pororoca

Sábado (15/02)
1° Habeas Copus
2° Rolará
3° Kubalança
4° Pau Grande
5° Cabralzinho
6° Bafo da Onça
7° Mancha Negra
8° Pica-Pau
9° Mãe Luzia

Domingo tem CarnaCult

Domingo, dia 2, na frente da Casa do Artesão, bem na ilharga do rio Amazonas, tem CarnaCult a partir das 17h.
O músico Finéias Nelluty – que é um dos organizadores – ressalta que o Carnacult evidencia a cultura e os artistas amapaenses.

Limpeza, iluminação e asfalto na área de desfile das escolas de samba

A Prefeitura de Macapá está limpando, iluminando e fazendo o   recapeamento na área onde acontecerá o desfile das escolas de samba, localizada atrás do sambódromo e entorno do Estádio Zerão.

Segundo o secretário de Gabinete da prefeitura e coordenador do evento, Sérgio Lemos, os serviços melhoram toda a infraestrutura dos bairros do entorno (Zerão, Universidade e Pedrinhas), além de aquecer e movimentar a economia criativa. “Estruturaremos a área para aprimorar o trabalho conjunto e fazer a melhor festa de resgate do desfile. Também programaremos as ações integradas para garantir que tudo siga conforme o planejamento realizado”.

Há quatro anos não é realizado o desfile das escolas de samba, que ocorria no Sambódromo, juntamente com os desfiles de blocos, não é realizado na cidade. As dificuldades financeiras alegadas pelo Governo do Estado e a interdição do espaço inviabilizaram a festa.

Inaugurado em 1997, no governo de João Capiberibe (PSB), o Sambódromo – que foi palco de monumentais desfiles – está abandonado e com sua estrutura comprometida.

Agenda verde-rosa

💚💖 Todas as noites tem samba, ensaio show, alegria e encontro de amigos na quadra do Maracatu da Favela (Avenida Padre Julio, entre Marcelo Cândia e Santos Dumont, Santa Rita).
Além disso tem cerveja gelada, venda de fantasias e de camisas com o enredo da escola.
Confira a agenda

De segunda a quinta
20h30
Ensaio

Terça-feira
I Workshop Harmonia e Evolução

Sexta-feira 20h30
Ensaio Show com pontos técnicos
Ensaio de canto com a comunidade.
Samba e Pagode

Domingo
Apresentação especial no Sesc Araxá, às 17h.

Outros carnavais

Com o enredo “Quem conta um conto aumenta um ponto”, Piratas da Batucada foi, sem dúvida, a melhor escola de samba e mereceu o título de campeão de 2015, com suas bonecas de pano, sabugos de milho, cinderelas, branca de neve, soldadinhos de chumbo e demais personagens infantis.
Homenageou não apenas Monteiro Lobato, mas também o saudoso mestre Monteiro, que foi presidente e diretor de bateria da agremiação.