No esconderijo do Mancha

Desde o começo da tarde está rolando a maior folia no esconderijo do bloco Mancha Negra. Com feijoada, churrasco, cervejinha gelada, muito samba e causos do carnaval, a festa não tem hora pra terminar. Eu dei uma passadinha por lá e fiz estas fotos pra mostrar vocês.

mancha

Por que um novo Rei Momo?

A Liga das Escolas de Samba do Amapá (Liesa) decidiu que Raimundo Tavares, o Sucuriju (leia sobre ele aqui), não é mais o Rei Momo.

A Liesa alega que está apenas cumprindo um regulamento elaborado em 2000 quando por causa da morte do primeiro Rei, o Sacaca, foi feito um concurso para a escolha do herdeiro do trono. De acordo com o regulamento, a cada dois anos haveria eleição para a Corte do Carnaval, composta pelo rei, cidadão do samba e musa.

Se passaram nove anos e não foi realizada nenhuma eleição. Por que? Ora, porque todos os presidentes que assumiram a Liesa neste período entenderam que Sucuriju é cara do carnaval amapaense, uma figura marcante e tem uma bela história carnavalesca que começa quando ele tinha apenas cinco anos de idade. Sucuriju foi de empurrador de alegoria a fundador e presidente de escola de samba. É tido como um dos melhores mestres-salas que o Amapá já viu. “Sua casa é um barracão de escola de samba“, diz o ex-presidente da Liesa, carnavalesco Paulo Rodrigues. Ressaltando que Sucuriju “é amigo de todas as escolas” e sempre ajudou a todas. “É muito difícil encontrar alguém à altura para substituí-lo”, diz Rodrigues, com o que concordam outros ex-presidentes da Liesa, como Rostan Martins e Mathias.

Desde que Sucuriju foi coroado rei, passaram pela Liesa cinco presidentes: Paulo Rodrigues, Matias, Geléia, Tia Sila e Abimael e nenhum teve a  idéia infeliz e mesquinha de destroná-lo.

E por que a atual presidente da Liesa quer fazê-lo? Quem frequenta os bastidores assegura que a questão é pessoal, que tudo não passa de vingança porque ano passado Sucuriju cobrou seriedade da presidência, cobrou empenho e responsabilidade, reclamou da forma como o carnaval estava sendo conduzido. E reclamou com toda razão. Não há como negar que em 2008 o carnaval amapaense começou a despencar ladeira abaixo. Um carnaval que era grandioso, com escolas de samba levando para avenida até 30 alas se viu obrigado, por decisão de Liesa, a encolher com um regulamento amador que limitava o número de alas em 10 e acabava com a figura do campeão. Em vez de escolher a escola campeã, a Liesa resolveu distribuir troféu para melhor isso e aquilo. Em 2009 tentou voltar para o antigo regulamento, mas, desestimuladas pelo que tinha ocorrido no ano anterior, as escolas de samba não conseguiram reeditar os grandes carnavais e o que se viu foi um fiasco na avenida, fantasias se desmanchando, alegorias inacabadas, cachorros viras-latas passeando na avenida se misturando com os foliões, uma balbúrdia na concentração e outra na dispersão. Ora, que Rei Momo ficaria satisfeito com isso? Sacaca não ficaria. E Sucuriju não ficou.
Acontece que para quem preside a Liesa desde 2008 é pecado mortal fazer crítica, mesmo que construtiva. A presidência só aceita confetes, serpentinas e aplausos. Jornalistas que tiveram a “ousadia” de questioná-la ano passado tiveram suas credencias para cobrir o desfile cassadas. Até a um ex-presidente da Liga, que é jornalista, a credencial foi negada. Mas destronar o Rei Momo é o absurdo dos absurdos. É o mico do mico.

E não adianta dizer que a presidência não tem nada a ver com isso, que a decisão é do Conselho. Ora, todo mundo sabe que a maioria dos conselheiros não tem opinião própria, que come na mão da presidente, que ela manda e eles obedecem. O motivo dessa subserviência todos sabem também.

Mas, voltando a questão do regulamento. Se era pra fazer com que ele fosse cumprido, por que não terá também eleição para escolher o “Cidadão do Samba” e a “Musa do Carnaval”? Que história é essa de cumprir só a parte que se refere ao Rei? Na verdade, o regulamento de 2000 já nem existe. Um novo foi feito pela atual presidência acabando com o fugura do Cidadão do Samba e da Musa. Agora serão escolhidas a primeira e a segunda princesas, como no Rainha das Rainhas.

Será que esse povo que comanda a Liesa pensa que ninguém  sabe a diferença entre banda marcial e bateria, entre farda e fantasia, entre hino e samba, entre ala e pelotão? Me mata de vergonha!

Fica Sucuriju – Hoje pela manhã ouvi os programas de rádio que tratam do carnaval. Em todos eles, a decisão da Liesa de tirar a coroa de Sucuriju para colocar em outro foi duramente criticada. Ouvintes entraram no ar e fizeram um apelo aos conselheiros para que eles mantenham Sucuriju no cargo de Rei Momo. Um dos ouvintes, no programa Luiz Melo Entrevista, disse que se é pra destituir alguém que se destitua a presidente da Liga e não o Rei.

Pra não esquecer
Veja algumas imagens do carnaval do ano passado

Garrafão de vinho na avenida atrapalhando a evolução do casal de mestre-sala e porta-bandeira
Garrafão de vinho na avenida atrapalhando a evolução do casal de mestre-sala e porta-bandeira
Cães vadios na avenida
Cães vadios na avenida
Fantasias se desmachando
Fantasias se desmachando
Alegorias inacabadas
Alegorias inacabadas

Sambou…

Minha artiquibancada

Começa a chover no Sambódromo e a torcida esfria.
Armstrong  anuncia que dentro de três minutos os portões serão abertos para Boêmios do Laguinho e pede aplausos para a nação negra,  mas a torcida continua fria. Não grita, não apita, não levanta, não sacode a bandeira.
A chuva tirou o ânimo também dos brincantes.
Alemão se dirige ao intérprete e em seu ouvido diz:

– Parceiro, tá todo mundo frio, dá um alô pra arquibancada e pra concentração pra ver se anima.

Podexá, diz o bom intérprete, que dá um gole no “abre gogó” (uma mistura de mel, gengibre e rum) e grita:

Alouuuuuuuu, minha arquitibancada!
Alouuuuuuuuuuu, meu concentramento!

(Do livro “Sambou…”, de Alcinéa Cavalcante e Rostan Martins)

Meu Rei

Rei Momo SucurijuEle tem a cara e a alegria do carnaval amapaense. Caiu no samba ainda gitinho, foi ritmista de bateria de escola de samba, passista cheio de breque e ginga e um dos melhores mestres-sala. Daqueles que comprava o sapato branco com bastante antecedência e passava cera no solado para deslizar na avenida com leveza e elegância. Elegância  no gingado que só quem nasceu pra ser o rei do carnaval tem.
Ele é Raimundo Tavares, o Sucuriju, que deu muitas alegrias ao Boêmios do Laguinho e fundou a escola de samba Jardim Felicidade.
De sorriso largo e franco, conversador, contador de histórias, causos e piadas do carnaval amapaense, Sucuriju há muitos anos é o Rei Momo do Amapá, mas agora está sendo destronado pela Liga das Escolas de Samba que, por falta de coisa melhor pra fazer (até hoje não foi lançado o CD do carnaval)  resolveu escolher um novo Rei.
Não sei de que cabeça “iluminada” surgiu a idéia. Só sei que o novo Rei será escolhido pela diretoria executiva da Liga e presidentes das escolas de samba mediante análise de currículo. O que vai pesar nesta escolha também não sei, já que a Liga não informa quase nada. A única informação que se tem lá é que quem quiser disputar o trono tem que apresentar currículo até dia 10. O novo rei será apresentado à comunidade carnavalesca no dia 30, por ocasião do Festival de Sambas de Enredo.
Tomara que o escolhido não seja alguém que não saiba a diferença entre farda e fantasia, ala e pelotão, banda marcial e bateria, samba e hino…
Sucuriju, meu preto, neste blog e no meu coração você será sempre Rei.

Sambou…

Arrecua, arrecua!

Estresse, desespero, correria. É hora de arrumar a escola para entrar na avenida do samba.
Diretores de harmonia correm de um lado para o outro arrumando as alas.
O tempo corria, o portão já estava para abrir quando descobriu-se que
a ala das baianas estava na frente da bateria. A planta baixa indicava
o inverso.
Zé puxou para si a responsabilidade de corrigir este erro, tomou o
microfone de um dos intérpretes e se danou a gritar:

Atenção, ala das baianas!
Arrecua!
Arrecua pra bateria passar!

(Do livro “Sambou…”, de Alcinéa Cavalcante e Rostan Martins)

Caia na folia

“Olha que a rapaziada está sentindo a falta de um cavaco, de um pandeiro e de um tamborim” (Paulinho da Viola)

A partir de hoje, o programa Luiz Melo Entrevista e o jornal Diário do Amapá abrem alas para o carnaval.
Rostan Martins – que sabe tudo do reinado de Momo – assinará a página do Diário e fará um bloco de notícias no programa radiofônico.

Na Rádio Difusora de Macapá, Carlos Piru e Nonato Soledade estréiam no rádio hoje apresentando o programa “Na avenida do samba”, das 11h às 12h30, com produção de Tica Lemos.

Este blog também cai na folia a partir de hoje, divulgando tudo que rola nos ensaios, barracões e ateliês das escolas e blocos e contando causos do carnaval amapaense. Mande notícias da sua escola ou do seu bloco para o e-mail alcinea.c@gmail.com

Por onde anda o Armstrong? Até o carnaval passado ele era o âncora do programa Na avenida do samba e contagiava a todos com seu alto astral.

Leonardo Trindade, o Boca, me disse que vai assumir a assessoria de comunicação da Liga das Escolas de Samba e já se coloca à disposição dos “coleguinhas”. Foi indicado pelo governador Waldez Góes.

Governo vai repassar R$ 2.526.425,00 para o carnaval amapaense. O convênio já foi assinado. É uma boa grana. Né não?

Sambou…

Um político no jardim

Aquela escola da periferia era pobre-pobre-pobre de marré-de-si. Tão pobre que nunca pôde comprar sequer um chassi velho do mais velho fusca para fazer uma alegoria. Todo ano ficava em último lugar.
Um dia os dirigentes da escola descobriram que um político tinha se mudado para aquele bairro tão pobre da escola mais pobre ainda.

“A nossa salvação é convidar esse político para ser presidente da escola. O homem tem dinheiro e vai nos tirar dessa pindaíba”, sugeriu o presidente.

Uma comissão foi montada para ir a casa do nobre parlamentar fazer-lhe o convite.

Como político que se preza nunca diz não para o eleitor, a autoridade aceitou o convite já de olho na reeleição.

A comunidade festejou. Assessores do político organizaram um jantar para o dia da posse no barracão da escola.

Empossado, o novo presidente fez aquele discurso que só político sabe fazer. Prometeu mover céus e terra para levar a escola para o primeiro grupo. E não apenas isso, mas torná-la a grande campeã do carnaval amapaense. Declarou seu amor ao carnaval, disse que a primeira fralda que usou, quando nasceu, tinha as cores da escola e que o primeiro presente que ganhou foi um tamborim.

E a comunidade aplaudia e já lançava a candidatura dele a governador do Amapá.

Dois dias depois, na primeira reunião para tratar do desfile, o novo presidente perguntou quais as prioridades da escola.

O carnavalesco – que estava com uma lista de 12 itens – começa a responder.
– Presidente, temos aqui uma lista de prioridades. De imediato temos que conseguir um artista plástico e …

Não conseguiu concluir a frase. Foi cortado pelo empolgado novo presidente.

– Que plástico que nada, rapaz! A partir de agora nenhuma fantasia desta escola será feita de plástico. A era do plástico acabou!

Claro que o político não entendia nada de carnaval, mas tinha dinheiro e boa vontade.

A escola continua no segundo grupo, mas já tem alegorias (pobres, é verdade) e substituiu o plástico pelo metalóide (pobre, é verdade, mas com brilho).

(Do livro “Sambou…”, de Alcinéa Cavalcante e Rostan Martins)