A mercadoria mais preciosa

A mercadoria mais preciosa
Dom Pedro José Conti, Bispo de Macapá

Certa vez, um homem sábio viajava num navio com vários comerciantes. Um deles, bisbilhoteiro, perguntou-lhe:

– São muitas as mercadorias que o senhor leva?

– São muitas, sim, preciosas, e… não tenho nenhum medo do mar! – respondeu imediatamente o sábio.

Na realidade, ele não tinha nenhuma caixa no porão do navio e Continue lendo

A glória de Maria

A glória de Maria
Dom Pedro José Conti, Bispo de Macapá

 Tomo emprestada a história milagrosa do escravo Zacarias, que encontrei numa cartilha de Novena do Tricentenário de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil. “O escravo Zacarias estava sendo reconduzido à fazenda de onde fugira, em Curitiba, Paraná. Preso por grossas correntes, ao passar perto do Santuário, Zacarias pediu ao seu feitor que o deixasse rezar na porta da Capela da Santa Aparecida. Recebendo a autorização, o escravo ajoelhou-se e rezou uma prece sentida. O que teria pedido? Continue lendo

O diamante do mendigo

O diamante do mendigo
Dom Pedro José Conti – Bispo de Macapá

Certa vez, um mendigo chegou a uma pequena cidade. Estava com fome e não sabia como e onde passaria a noite. Mostrando segurança, bateu na porta da casa do usurário mais famoso da região.

– Não venho pedir esmola – falou decidido – o meu assunto é negócio, um grande negócio.

Apesar da roupa toda esfarrapada do pobre, o usurário, sempre interesseiro, o convidou a entrar. O mendigo fechou, cautelosamente, a porta atrás de si e, com ar misterioso, disse em voz baixa ao ouvido do rico: Continue lendo

O diamante do mendigo

O diamante do mendigo
Dom Pedro José Conti, Bispo de Macapá

Certa vez, um mendigo chegou a uma pequena cidade. Estava com fome e não sabia como e onde passaria a noite. Mostrando segurança, bateu na porta da casa do usurário mais famoso da região.

– Não venho pedir esmola – falou decidido – o meu assunto é negócio, um grande negócio. Continue lendo

Uma crônica de Flávio Cavalcante

Caixote Mágico
Flávio Cavalcante
Fundada em setembro de 1950, por Assis Chateaubriand, a TV Tupi de São Paulo foi a primeira emissora de televisão do Brasil. Porém, a revolucionária invenção do escocês John Baird demorou a se espalhar pelo restante do país, especialmente pelas pobres regiões do nordeste.
     Também naquela metade do século passado, fugindo das intempéries do sertão cearense, o ferreiro Chico Basil viajou para São Paulo. Na progressista região teve a oportunidade de conhecer o impressionante invento.
     Depois de um bom tempo trabalhando na terra da garoa, na volta para o Ceará Chico explicou para o seu velho pai, Antônio Basil de Oliveira, a novidade do sul:
     – Papai, o sinhô carece vê uma coisa que tem no São Paulo. É uma caixa de madeira que daqui de Várzea Alegre nós enxerga e ouve uma pessoa que tá conversano lá nas banda das Lavras da Mangabeira.
      O cético sertanejo Antônio Basil logo retrucou:
    – Chico, meu fi, deixa de leriado*. Eu ainda tou custano** a acreditar na caixa que só fala e ocê vem com outra que enxerga o povo que noutras paragens.

(* vocábulo cearense que significa “conversa fiada”
** flexão do verbo custar, que, no ceará, é sinônimo de demorar)

Leia mais crônicas de Flávio Cavalcante no blog Pedra de Clarianã clicando aqui

As gavetas da vida

As gavetas da vida
José Machado
As vezes não devemos abrir gavetas. Por alguma razão as trancaram. De cada gaveta que se abre salta uma surpresa. A maioria, reúne o tempo passado, o presente e o futuro,
Foram sendo ocupadas com cartas, fotografias, objetos. Abrigam documentos ,versos e contos inacabados, confissões, correspondências jamais endereçadas, resíduos de dor. São baus das lembranças e dos esquecimentos
E como diria a poetisa NANDA BARRETO –“ São o poleiro dos bisbilhoteiros”
Contém germes e fungos da imperfeição, do mundo. Mágoas que repetidamente desiludiram quem as fechou, há um mês um ano ou um século, não importa.
Mas chega um tempo, que somos compelidos a abri-las, remexer, deixar fluir, o conteúdo das nossas gavetas, buscando perceber os lugares onde nossas existências estão guardadas, para olhar e sentir a vivência, de um passado que não passa, que não vai para trás. Para melhor compreensão do trajeto percorrido.
Por isso, Conclui-se que faz-se necessário abrir gavetas, enunciar perguntas.No entanto, essa abertura pode causar impacto, trazendo fragmentos de memórias que não estamos preparados para vivencia-las
Nesse desengavetar, surgem inquietações, rumos, rotas, derivas e linhas de fuga – que tivemos pelos caminhos da vida. Ideias e sensações. Algumas com respostas e outras tantas por saber.

A tacacazeira de olhos ternos e largo sorriso

Dona Mangabeira era uma negra de olhar límpido, sorriso largo e dentes tão brancos como os guardanapos de algodão que ela mesma fazia para cobrir as panelas.
Foi uma das primeiras tacacazeiras da cidade. Era do bairro da Favela. Sua banca (naquele tempo não tinha os carrinhos de hoje) era montada na esquina da rua Leopoldo Machado com avenida Almirante Barroso. De longe se sentia o cheiro do tucupi. Esse cheiro dava água na boca atraindo tanta gente para sua banca. O camarão era vermelhinho e o jambu treme-treme.
Aos domingos, a movimentação era bem maior. Era parada obrigatória de quem passava por ali para ir ao estádio Glicério Marques assistir aos clássicos da época.
A todos – autoridade ou peão – Mangabeira atendia com alegria, contava histórias, fazia o tacacá do jeitinho que o freguês pedia.
– Mais goma ou tucupi? Quantas colheres de pimenta? Quer mais jambu?
E o freguês ia dizendo como queria.
De muitos ela sabia o gosto e já nem perguntava.
Contava que meu pai, o poeta e jornalista Alcy Araújo, era o único que tomava tacacá sem goma.
Mangabeira tinha um carinho especial pelas crianças. Para elas servia o tacacá em cuia menor e nada de pimenta.
Às vezes um moleque mais ousado pedia que ela colocasse um pinguinho. E ela, cheia de doçura, respondia: “Meu filho, criança não come pimenta”. E o moleque não insistia. O convencimento, tenho certeza, não era pelas palavras, mas pela doçura com que ela falava.
Além de tacacazeira, Mangabeira era excelente lavadeira. Daquelas que botava a roupa “pra quarar” e engomava usando ferro a carvão. Era também benzedeira, tirava quebranto de criança, fazia banho de cheiro pra curar gripe, catapora e sarampo e chás e garrafadas pra todos os tipos de males.

Mangabeira era uma imagem forte na paisagem do meu bairro e é uma das belas recordações da minha infância.
(Alcinéa Cavalcante)