Gian Danton na Feira de Livros do Amapá

Gian Danton, lançará no dia 4 de novembro, às 18h, no auditório da Biblioteca Pública Elcy Lacerda, o livro de sua autoria “O roteiro nas histórias em quadrinhos”.  Às 16h do mesmo dia, o autor ministrará uma palestra sobre a temática da obra, precedendo o lançamento. O lançamento e a palestra fazem parte da programação da I Feira de Livros do Amapá que o governo do Estad promove entre os dias 3 e 6 em Macapá.

Conhecido internacionalmente, Gian Danton é um dos mais premiados roteiristas de quadrinhos do Brasil. Já ganhouos mais cobiçados prêmios, como  Araxá, HQ Mix, Ângelo Agostini e da Associação Brasileira de Arte Fantástica. Também foi o vencedor do I Concurso de Contos e Crônicas da editora Geração. Foi um dos 50 autores escolhidos para homenagear Maurício de Sousa no álbum MSP + 50.
Constantemente é convidado a participar de  antologias nacionais e fazer palestras em vários cantos do país.

Além dos quadrinhos, ele dedica-se também à literatura e à filosofia. Seus textos, ensaios e artigos podem ser encontrados nas mais importantes revistas de circulação nacional sobre esses temas.

Escritor com vários livros publicados, seu mais recente romance – “Galeão” – tem lançamento nacional marcado para março de 2013.

Um motivo de orgulho para os amapaenses: ele mora há vários anos no Amapá.

Gian Danton é o pseudônimo de Ivan Carlo, jornalista e professor universitário. Já lecionou no curso de jornalismo da faculdade Seama e atualmente leciona na Universidade Federal do Amapá.

Além de “O roteiro nas histórias em quadrinhos”, ele  também lançará o livro “Introdução à metodologia científica” (editora Virtual Books),  na Biblioteca Pública, às 18h do dia 5, ainda como parte da programação da Flap. Para conhecer mais sobre Gian Danton/Ivan Carlo, basta acessar o  blog Ideias de Jeca-Tatu

( Com informações de Rita Torrinha/Secult)

Uma crônica de Paulo Rodarte

Quero de volta
Paulo Rodarte*

Alcinéa Cavalcante começou e terminou assim: “Quero de volta a paisagem antiga da minha rua, com suas casinhas brancas, cobertas de palha, gamela no jirau, fogão de barro na cozinha e passarinhos no quintal. Quero de volta aquela paisagem antiga, com a casa avarandada do Mané Pedro e a casa sem pátio da Maria Banha. Os meninos de pés descalços jogando bola na rua sem asfalto e as meninas de sapatinho branco brincando de roda. Quero de volta a paisagem antiga da minha rua com minha casa de venezianas cor-de-rosa, minha mãe no alpendre bordando flores nos lençóis, e minha avó rezando o terço. Quero de volta a paisagem antiga da minha rua só pra sonhar de novo os sonhos que sonhei na infância cheia de fadas, princesas, cirandas e varinhas de condão”.

Quando passei os olhos pelo livro lindo, nomeado Paisagem Antiga, com que ímpeto o folheei!

Eram dezenas de inspirados versos, num e noutro fui viajando, andando lento, correndo apressado, até me deparar nesse que abre meu texto.

Quantas e quantas vezes quis de volta o meu passado. Quantas e quantas vezes, perdido no presente, indagando a mim mesmo, onde estaria eu?, de calças curtas, cabelos fartos, nos idos anos de um mil e pouco mais de novecentos e cinquenta, vindo de pouco de Boa Esperança, esperançoso de ficar como sou?

Quero de volta aquela calça escura. Feita com mimo por uma costureira caprichosa, que o tempo levou.

Quero de volta a bicicletinha de rodinha de aro niquelado que se transformou nessa bike forte que atura as minhas pedaladas vigorosas.

Quero de volta aquele calçãozinho até os joelhos que ficou reduzido a uma sunga que encurtou.

Quero de volta as melenas topetudas que o tempo cuidou de deixar cair, nem o travesseiro segurou.

Quero tanto de volta os anos que sumiram na folhinha do calendário, que hoje mudou de forma, e, assentado no tampo da mesa perto de onde escrevo diz: “Como o tempo mudou”.

Quero de novo a companhia de tanta gente boa, que não por ter morrido deixou a bondade escondida na prateleira do olvido.

Quero de volta o patinete de ferro batido, que nem existe mais o modelo, foi esquecido na prancheta do skate que o moleque atrevido faz malabarismos nas rampas de raros aclives e descidas íngremes.

Quero de volta o colo que minha mãe, sua mãe, me ofereciam com tanto carinho, eu em seus colos me recostava, sonhava com passarinhos, soltava-os da gaiola de arame azul, os deixava voar, apenas em sonhos coloridos.

Quero de volta os anos passados. Não os desenganos sofridos.

Quero de retorno as idas e vindas da missa das seis da tarde dos domingos, que, em outros janeiros se tornaram domingos de agora. Sem contudo o mesmo sabor de doce de saudade vencida.

Quero de volta as pernas da primeira namoradinha, que, se não foi a primeira, tornou-se a titular do meio de campo de um time que faz parte das melhores recordações que não tive.

Quero de volta a companhia dos meus avôs. Um deles, sério, compenetrado, era ministro da eucaristia. Já o outro, por parte de mãe, era tabelião de um cartório onde está registrado, pela linda caligrafia da minha mãe, a data do meu nascimento.

Quero de volta a volta que dei, quando, na mesma bicicletinha sem as rodinhas, de tantas voltas que dei, acabei ficando tonto, e vomitei, goela afora, as reminiscências que tanto me fazem bem.

Quero de volta, agradeço à poeta maiúscula Alcinéa Cavalcante, que apenas conheci pelo lindo livro miúdo que se debruça a minha frente, tudo dito antes, muito mais.

Só não quero de volta a inspiração que não tinha. Naqueles idos anos que o vento assoprou, e não consegue trazer de volta, jamais.

*Paulo Rodarte é conceituado médico e escritor com mais de dez livros publicados. É membro da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores. Para saber mais sobre ele, seu trabalho como médico e escritor e adquirir suas obras  clique aqui

Agenda cultural de hoje

No Museu Sacaca
A partir das  17h30, na Praça de Alimentação do Museu Sacaca, tem música e poesia. Jô Freitas e  Ed Jaques cantam o melhor da música popular brasileira e a poetisa Hayam Chandra fará uma bela performance poética, declamando poemas de sua autoria e de outros poetas.

No Museu da Imagem e do Som
No segundo piso do Teatro das Bacabeiras o grupo poético musical Pássaros Cantam na Chuva faz o show “Flores na Varanda” homenageando a poetisa amapaense Aline Monteiro.  Aline faz parte do Movimento Poesia na Boca da Noite e do grupo Poema de Quinta. O show começa pontualmente às 20h. É lindo e eu recomendo.

Poesia na Boca da Noite

Na badalada “Chocolate com Tapioca” tem sarau neste sábado a partir das 19h com o Movimento Poesia na Boca da Noite e o renomado músico Raulê Assunção.
A “Chocolate com Tapioca” fica na Av. Almirante Barroso esquina com Santos Dumont.

Agenda cultural

Hoje, quinta-feira

Museu Sacaca
Fim de tarde no Museu Sacaca com show musical de Josy de Lima e a apresentação performática da jovem poeta Suane Brazão, a partir das 17h30 na  Praça do Pequeno Empreendedor Popular.

Amanhã, sexta-feira
Reinauguração da Biblioteca Pública Elcy Lacerda
A cerimônia oficial será às 17h, e segue com programação cultural no Largo dos Inocentes. Haverá shows musicais, exposição fotográfica, contação de histórias, recitais de poesia com o Movimento Boca da Noite e os grupos Abeporá das Palavras e Tatamirô.

Sarau de Outono
A partir das 20h no Sesc-Centro. O Sarau de Outono é promovido pelo Museu da Imagem e do Som. Haverá lançamento do livro “Dedicados a mim”, do poeta Izaías Cunha; declamação de poesia com o Movimento Poesia na Boca da Noite e os grupos Poema de quinta, Boca Miúda, Abeporá,  Pena & Pergaminho e Respingo; e shows musicais de Pássaros Cantam na Chuva, João Amorim, Geison Castro e Camila Ramos. Entrada franca.

Concerto de Chorinho
No Centro de Convenções Azevedo Picanço, a partir das 19h,  a Banda de Música do Corpo de Bombeiros Militar do Amapá promove o I Concerto Concerto de Chorinho com participação de vários grupos musicais, como  Chorões do Fogo e Quarteto de Trombones Metais em Brasa, compostos exclusivamente por militares das bandas de música do CBM e Exército, respectivamente. Entrada franca.

Reinauguração da Biblioteca Pública

Fechada desde 2009 para reforma, a Biblioteca Pública Elcy Lacerda será reinaugurada amanhã, sexta-feira, mais bonita e com novos espaços, como as salas das culturas indígena e afrodescendente.
Outra novidade é o “Cantinho do Poeta Alcy Araújo”, onde ficarão expostas a primeira máquina datilográfica do poeta, sua escrivaninha, caneta, cinzeiro, fotos, entre outros objetos pessoais.

A reinauguração está marcada para começar às 17h. Como parte da programação haverá shows musicais, apresentação de marabaixo, exposições e recital de poesia com o Movimento Poesia na Boca da Noite e os grupos Abeporá  e Tatamirô.

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67 anos de compromisso com a educação e pesquisa
Rita Torrinha, assessora de comunicação da Secult

A Biblioteca Pública passou a ser denominada Biblioteca Pública Estadual Elcy Rodrigues Lacerda por meio do Projeto de Lei nº 0031/96-AL, de autoria da deputada Janete Capiberibe, em 22/05/96. É um órgão vinculado à Secretaria de Estado da Cultura (Secult). Porém, até que se destinasse o prédio atual da Biblioteca, na rua São José, o acervo ao longo da história percorreu por outros endereços.

Quando o Amapá ainda pertencia ao Pará, funcionava na rua Mário Cruz uma pequena biblioteca, instalada em uma casa particular, com acervo doado pelo Dr. Acelino de Leão. Essa casa ficava ao lado da Intendência de Macapá, hoje o Museu Histórico Joaquim Caetano da Silva.

Com a transformação do Amapá em Território, o então governador Janary Gentil Nunes transferiu o acervo para um local mais adequado, onde a população tivesse mais conforto para pesquisar. Foi então que, no dia 20 de abril de 1945, a Biblioteca Pública foi criada, durante as comemorações ao centenário do Barão do Rio Branco, passando a funcionar em uma das salas do Grupo Escolar Barão do Rio Branco.

Em 1950 foi construído um prédio em frente à Escola Normal de Macapá (antigo Ieta), destinado à Biblioteca, devido o aumento do acervo. No período de 1950 a 1971, o acervo aumentou consideravelmente, havendo necessidade de novo espaço que abrigasse em melhores condições a instituição. E foi neste ano, 1971, no governo do general Ivanhoé Martins que foi construído o prédio da rua São José, onde funciona nos dias atuais.

Em 1992 a Biblioteca passou por reformas e adaptações, sendo reinaugurada em 10 de junho de 1994. Em 1996 recebe o nome da professora Elcy Lacerda. Hoje, o acervo conta com mais de 60 mil títulos, e se eleva a cada ano.

A partir de segunda-feira, 23, o atendimento ao público será retomado definitivamente. O horário de atendimento será das 8h às 18h, e o serviço será realizado por 20 funcionários. A Biblioteca é gerenciada pela professora de Língua Portuguesa e Literatura e escritora Lulih Rojanski.

Consulta popular para escolher os patrimônios de Macapá

A fim de identificar o patrimônio histórico de Macapá e tencionar o Poder Executivo a regulamentar a Lei do Estatuto do Patrimônio Artístico e Cultural, o vereador Clécio Luís (PSOL/AP) irá realizar uma consulta popular, que por meio de um questionário (impresso e online) a comunidade poderá apontar o que é patrimônio.  A primeira consulta será realizada durante uma extensa programação na Confraria Tucuju, no dia 4 de fevereiro, data que se comemora os 254 anos da cidade.
A campanha visa ainda, reconhecer e proteger como patrimônio todos os elementos que definem a identidade cultural de Macapá, como práticas, técnicas, expressões, instrumentos, artefatos, objetos, lugares e até pessoas que os indivíduos distinguem como parte integrante da cultura, fazendo com que bens materiais e imateriais de valor cultural, arquitetônico e histórico sejam preservados.
O evento tem como parceiros o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN e a Confraria Tucuju.
Para o vereador, o evento não busca apenas a opinião técnica, mas principalmente a participação direta do povo. “Este é um momento de preservar a memória histórica de Macapá através da manifestação do próprio, avançando para que a identidade cultural se fortaleça. O conceito de patrimônio está no imaginário de cada um, e com o questionário será possível identificá-lo através da consulta popular”, declara Clécio Luís.

São patrimônios materiais: acervos de livros, fotografias, obras de artes, edifícios, praças, ruas, prédios, entre outros.
São patrimônios imateriais: culinárias, lendas, músicas, festas, poesias, cantigas, rituais religiosos, danças, tradições, costumes, lugares extintos, fazeres e outros.

(Danielly Salomão, da Assessoria do vereador Clécio Luís)