Marabaixo – As filhas de Gertrudes

SAs irmãs Izabel e Natalina, filhas da “tia” Gertrudes -que foi uma das maiores expressões do Marabaixo. Izabel, 67 anos, ainda dança e canta. Natalina – que está com 83 anos de idade – já não dança nem toca caixa, mas não deixa de assistir nenhum marabaixo da Favela. Numa cadeira de balanço ela acompanha batendo palmas, canta baixinho e conta pra quem quiser como os negros se mudaram da frente da cidade para o Laguinho e Favela na época do governador Janary Nunes.
Falta na foto a outra filha de Gertudres, a Maria José Libório, 74 anos, que canta, dança e toca caixa e é autora de lindos “ladrões”. Maria José formou-se há pouco tempo em Filosofia e seu TCC foi sobre o marabaixo.

No blog o Marabaixo continua

Com a derrubada do mastro, muito ladrão, caldo e gengibirra até altas horas,  encerrou ontem o Ciclo do Marabaixo. Mas aqui no blog a festa continua até o dia 16, quando é comemorado o Dia Estadual do Marabaixo.
Até lá estarei postando todos os dias fotos, curiosidades e um pouco da história.
E você, leitor, pode contribuir enviando textos, fotos e sugestões.

SEncerramento do ciclo ontem no Berço do Marabaixo da Favela. Lá as mulheres tocam caixa tão bem quanto os homens. Olha aí a Isaura, nascida e criada na Favela, em um “desafio” com o prefeito Clécio

Leio e recomendo Xico Sá

Sou fã do  escritor e jornalista Xico Sá. Quase diariamente acesso o blog dele no portal da Folha onde sempre encontro excelentes textos, como este:
Pelo direito de ser cavalheiro
Xico Sá

Cavalheiro ou Canalha? É o título de reportagem desta semana da revista “Carta Capital”. É que as novas feministas -ou os novos feminismos- acham que a gentileza masculina é apenas uma armadilha de dominação.

É, amigo, desejam praticamente criminalizar o código dos bons modos do homem, como puxar a cadeira do restaurante, abrir a porta do táxi (como o bom Don Draper aí na foto), proteger a formosa dama em uma travessia de rua, ser elegante com as moças etc.

Sobrou até para o Obama recentemente. Caiu na besteira de elogiar a beleza da nova procuradora-geral dos EUA, Kamala Harris. Levou cacete das minas mais radicais. Que mundo chato, meu Deus.

Todo canalha é um pouco cavalheiro, mas nem todo cavalheiro é canalha. O canalha é o cavalheiro de resultado, somente no momento da conquista barata.

O cavalheiro por vocação é gentil 24 horas, tenha interesse ou não na mulher. Se tiver interesse só reforça no seu código de gestos e delicadezas.

Entrevistado pela repórter Cynara Menezes dei lá os meus pitacos na matéria:

Ver como negativo os bons modos é pura paranoia delirante. Um cavalheiro convicto não abandona seus gestos, sob pena de sentir-se um tosco, grosseiro.

Óbvio que está meio fora de moda ser cavalheiro. Os mais jovens nem sabem mais o que seja isso. Sintoma dos novos tempos. Isso não significa, no entanto, que sejam menos ou mais machistas.

Tratar uma mulher como se fosse um “mano” qualquer não creio que seja também um avanço.

Perdão pelos bons modos, mas resisto. Primeiro as damas.

Mia Couto é o vencedor da 25ª edição do Prêmio Camões

Da Folha de S.Paulo27/05/2013 – 19h50

Escritor moçambicano Mia Couto vence o Prêmio Camões

O escritor moçambicano Mia Couto foi escolhido nesta segunda (27) o vencedor da 25ª edição do Prêmio Camões, a mais importante honraria da literatura em língua portuguesa. O autor receberá € 100 mil (cerca de R$ 265 mil).

Autor de romances como “Terra Sonâmbula” e “Jesusalém”, todos publicados no Brasil pela Companhia das Letras, Mia Couto, 57, é o segundo escritor de Moçambique a ser agraciado pela premiação –o primeiro foi José Craveirinha, em 1991.

O prêmio, criado por Portugal e pelo Brasil em 1989, considera o conjunto da obra de autores de língua portuguesa. Nas 24 edições anteriores, Brasil e Portugal foram agraciados dez vezes cada um. No ano passado, o vencedor foi o curitibano Dalton Trevisan.

Karime Xavier/Folhapress
O escritor moçambicano Mia Couto, que participará da próxima Bienal do Livro Rio, no final de agosto
O escritor moçambicano Mia Couto, que participará da próxima Bienal do Livro Rio, no final de agosto

O anúncio da premiação para Mia Couto foi feito na tarde desta segunda no Palácio Gustavo Capanema, no centro do Rio. O júri que o escolheu foi composto por Clara Crabbé Rocha e José Carlos Vasconcelos, de Portugal; Alcir Pécora e Alberto Costa e Silva, do Brasil; João Paulo Borges Coelho, de Moçambique; e José Eduardo Agualusa, de Angola.

Segundo a Fundação Biblioteca Nacional, responsável no Brasil pela premiação, a decisão foi unânime. Em nota, a FBN destacou o romance “Terra Sonâmbula” como “um dos dez melhores livros africanos do século 20”. O jurado Agualusa destacou nos livros do colega a “criatividade linguística inspirada no falar das populações mais pobres de Moçambique”.

Mia vem neste ano ao Brasil, para a Bienal do Livro Rio, onde lançará o romance “Cada Homem É uma Raça” (Companhia das Letras).

Audiência pública para debater política cultural em Santana

Com o objetivo de discutir em conjunto com a sociedade, as políticas públicas, incentivos, promoção e metas para o segmento cultural do município de Santana, a Câmara Municipal promove amanhã, as 8h30 a Audiência Pública sobre Cultura. A proposta é do vereador Richard Madureira (PT).
De acordo com o parlamentar, o momento será de conhecimento e reflexão acerca das iniciativas e medidas por parte do município, no que se refere ao estímulo à cultura do município de Santana.
“As discussões tratarão sobre ações que proporcionam acesso aos bens culturais, e a democratização da cultura como um todo, medidas que ajudam a melhorar a qualidade de vida dos cidadãos” ressaltou vereador Richard Madureira.
Na oportunidade o vereador também abordará propostas apresentadas na Câmara Municipal de Santana, como o Projeto de Lei Nº 024/2013, que institui Sistema Municipal de Cultura, e visa proporcionar efetivas condições para o exercício da cidadania cultural a todos os santanenses, e estabelece ainda novos mecanismos de gestão pública das políticas culturais e cria instâncias de efetiva participação de todos os segmentos sociais atuantes no meio cultural.
O parlamentar também é autor do Projeto de Lei Nº 026/2013, que institui o Fundo Municipal de Cultura, vinculando à Secretaria Municipal de Gestão e Planejamento/Coordenadoria Municipal de Cultura, com finalidade de prestar apoio financeiro a projetos de natureza artístico-cultural, além do Projeto de Lei Nº 023/2013, que institui o registro de bens culturais de natureza imaterial que constituem patrimônio cultural santanense.
Para compor o debate, foram convidados representantes de todos os segmentos da sociedade ligados ao tema. Participarão da audiência, representantes do Governo do Estado, deputados estaduais que integram a Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa, Ministério Público, deputados federais, gestores da Prefeitura Municipal de Santana, além de representantes de associações culturais do município e seus distritos, entidades juninas, musicais, companhias de teatro, grupos de dança, jogos, artes áudio visuais, artistas plásticos, escritores, poetas, dirigentes de instituições religiosas, entidades de festas populares, movimentos sócio culturais e a população em geral.
(Assessoria de Comunicação/GAB. Ver. Richard Madureira)

Quando a alma é uma canção – Especial Dia das Mães

QUANDO A ALMA É UMA CANÇÃO
Alcy Araújo Cavalcante


O poeta pensou que fosse fácil falar, fosse fácil escrever, dizer qualquer coisa, neste dia de amor filial. A emoção, porém, interdita o gesto de escrever. As palavras ficam prisioneiras e a alma é uma canção que chora silêncios, neste domingo do mundo.
Penso no olhar de minha mãe rezando. No olhar que me viu pela primeira vez e adivinho um universo de ternura. Ternura que se transmitiu a mim e me fez poeta. Acho que sou poeta porque a sensibilidade de minha mãe assim o desejou.
Tanta coisa para dizer e este poeta sem palavras, com o coração cheio de lágrimas. E a inspiração defronte, doendo como um remorso. O poeta se pergunta se é um bom filho. Se merece amor. E não encontra resposta. É que hoje é dia das mães.
Que pode dizer este poeta, meu Deus, neste domingo? É melhor não dizer nada. É melhor pedir perdão. Bênção, minha mãe… perdoe seu filho.
Depois beijar as mãos enrugadas de mamãe e chorar. Chorar muito, até a alma se purificar com o fogo das lágrimas. Lágrimas caindo no rosto de minha mãe, no beijo de minha mãe, nos cabelos grisalhos de minha mãe.
Mãe que é perdão, súplica, oração, bondade, fé. Mãe onde ainda posso depositar minhas mágoas, meus desencantos, minhas grandes dores, minhas angústias só minhas.
Mãe que me pôs no mundo para a glória de ser poeta, para amar, para sentir as grandezas e as misérias do mundo. Mãe que me fez homem. Que me ensinou a ser bom, até o limite em que um homem pode ser bom. Que me ensinou a ser generoso até onde me permitem as minhas humanas limitações. Que me fez humilde até onde é possível meu orgulho. Enfim, que me fez filho, nada mais que um filho que ainda precisa de carinho porque não encontrou o caminho do retorno.
Minha mãe, acabaram as minhas palavras. Mas o meu amor permanece.

(O poeta, escritor e jornalista Alcy Araújo Cavalcante, meu pai, nasceu em 7 de janeiro de 1924 em Peixe-Boi, no Pará, e morreu em 22 de abril de 1989 em Macapá. Sua mãe, Elvira Araújo Cavalcante, morreu em novembro de 1971 em Macapá)

Carta – Especial Dia das Mães

CARTA
Alcy Araújo

Há muito tempo, muito tempo mesmo que não escrevo para você. Não escrevo porque é muito difícil falar de coisas só nossas. Minhas e de você, como, por exemplo, o dia em que fugi de casa para conquistar o mundo e tinha apenas três anos. Também aquela vez que, maravilhado com a descoberta da caixa de fósforos, provoquei o mais belo princípio de incêndio que tenho na memória e que resultou em vigorosas palmadas que impediram que eu escolhesse, no futuro, a espetacular profissão de pirotécnico.
São coisas intimamente nossas, na saudade do que foi, como a escola e os sacrifícios que você fez para que eu fosse o que nunca pude ser o que você queria tanto que eu fosse. Às vezes fico pensando como seria a nossa vida hoje se eu tivesse podido entrar para o seminário de Belém. Quem sabe eu teria a minha paróquia como o padre Jorge? Mas o seminário não foi possível e ficou, até hoje, a frustração que atingiu o menino.
Há também a vida dura das oficinas e os plantões noturnos intermináveis nos jornais. E os nossos momentos felizes, apesar de uma existência tão plena de pobreza. O dia da minha primeira comunhão, a primeira vez que vesti o roquete de coroinha, o uniforme de escoteiro, o primeiro dinheiro ganho foram instantes de imensa felicidade. E as tristezas, como naquele dia em que Papai Noel não veio.
Depois o menino ficou homem e aconteceram muitas aflições e desencantos. Mas o menino que você embalou, que vestiu para o primeiro dia de aula não mudou em sua essência. É humilde e terno. Apenas sofrido. Carrega dores e cicatrizes no coração grisalho.
Mamãe, o menino ainda sente a mesma necessidade de carinho e de amor, sonha e tem as mãos cheias de ternura, para repartir entre os que necessitam de compreensão e de esperanças.
Que importa o que a vida judiou se os ensinamentos que vieram de você ainda permanecem? Mas não tem sido fácil conservar em meio a tantas mágoas o gesto de bondade.
Se isto pode servir de algum consolo para você, eu conto que o mundo não me fez mau. Digo isto porque você sabe que andei muitas vezes por caminhos proibidos. Mas isto, mãe, não é coisa nossa. Abençoe seu filho, nesta hora em que sinto uma vontade imensa de chorar…

(O poeta, escritor e jornalista Alcy Araújo Cavalcante, meu pai, nasceu em 7 de janeiro de 1924 em Peixe-Boi, no Pará, e morreu em 22 de abril de 1989 em Macapá. Sua mãe, Elvira Araújo Cavalcante, morreu em novembro de 1971 em Macapá)

Cinema

Programação na praça marca aniversário do Clube de Cinema

Clube de Cinema é um cineclube fruto de uma parceria interinstitucional entre o Festival Imagem-Movimento FIM e SESC Amapá. Idealizado para trazer à sociedade amapaense um cinema de qualidade e gratuito, onde é possível refletir e debater sobre diferenciados temas e apreciar as mais belas obras do cinema mundial. Sua principal proposta é ser, além de uma opção de lazer, um local de aprendizado, reflexão e compreensão.

Em 2013, o Clube de Cinema completa três anos de atividades, tempo em que se firmou como uma importante ferramenta de fomento cultural. Para comemorar o sucesso desta iniciativa, uma programação que pretende reunir diversas manifestações artísticas será realizada dia 11 de maio na Praça Veiga Cabral, a partir das 18h.
 
Na ocasião, haverá apresentação das bandas Télon Band, Nova Ordem, Velho Johnny e O Sósia. A mistura de estilos e influências promete agradar a todos que prestigiarem a comemoração.

Ainda como parte da programação serão exibidos diversos curtas-metragens e o documentário “Clube de Cinema.doc”, que retrata através de discursos as impressões de cada entrevistado em relação ao Clube de Cinema e a 7ª arte, envolvendo todo contexto de vivências e experiências através do audiovisual e os debates que ele instiga.
(Mary Paes)

A Casa de Alice
O Cine Mairi exibe hoje o filme A Casa de Alice, do diretor Chico Teixeira, às 16h, no auditório da Fortaleza de São José de Macapá.

Sinopse – Alice (Carla Ribas) é uma manicure que tem em torno de 40 anos e está com a vida estagnada. Ela mora na periferia da cidade de São Paulo com seu marido e seus três filhos. Ao lado da família, tenta levar a vida do melhor jeito possível ao enfrentar os problemas do dia-a-dia. Alice sabe que o marido encontra outras mulheres, mas releva, porque também sai com outros homens.