Eu, professora com muito orgulho

Do fundo do baú: Eu e meus alunos no laboratório da Escola Integrada de Macapá

Me formei com 21 anos, portanto, bastante jovem eu já estava na sala de aula e nos laboratórios da Escola Integrada de Macapá (antigo GM) dando aulas de Tecnologia Mecânica, Desenho Técnico e Fabricação Mecânica. Conciliava  jornalismo e o magistério. Jornalismo eu fazia nas horas vagas, pois o magistério era a minha prioridade, minha paixão.
Lecionei durante muitos anos com dedicação e amor e tive meu trabalho reconhecido. Todos os anos, fosse qual fosse o diretor, recebia portaria de elogio da direção da escola pelo meu desempenho e até da Câmara de Vereadores recebi diploma de “Honra ao Mérito” pela “grande contribuição dada à educação amapaense”. Foram anos inesquecíveis dos quais tenho lindas lembranças. As amizades que fiz permanecem até hoje. Meus alunos eram mais que alunos. Fiz deles meu amigos.
Por eles até hoje tenho imenso carinho e afeto. De vez em quando encontro alguns deles por aí e vocês nem imaginam a felicidade que toma conta de mim quando recebo o abraço deles, o carinho e me chamam com orgulho de “minha professora”.
Neste dia, dedicado ao professor, parabenizo todos os professores amapaenses e registro aqui minha gratidão a todos meus professores (desde o jardim da infância aos cursos de pós-graduação) e aos meus queridos ex-alunos.

Eu estava lá

Eu estava lá

Eu estava lá quando o sol
jogou sorrisos dourados no rio-mar.

Eu ainda estava lá
quando uma estrela riscou o céu
e um pescador apanhou uma estrela do mar.

Por testemunha tenho um bem-te-vi
que bem me viu
quando as andorinhas bailavam no ar.

Quis fundir ouro com prata,
estrela cadente com estrela do mar
e cantar um canto novo
para sair bailando contigo.

Mas, que pena!
Tu não estavas lá.
(Alcinéa Cavalcante)

Bilhetinho

Bilhetinho

Meu caro:
recebi tuas bem traçadas linhas.

Tua caligrafia é muito linda.
Porém, confesso, o que mais me encantou
foi o selo colado
no envelope “par avion”.

Arranquei-o com cuidado.
Ele agora faz parte da minha coleção.

Tua missiva eu guardei
naquela caixinha cor-de-rosa.

Prometo  responder
assim que tiver um tempinho.
(Alcinéa Cavalcante)

O Fim do Mundo

O Fim do Mundo

Quando disseram
que o mundo ia acabar
Tia Lila pegou seu terço
e pôs-se a rezar.

O dono da venda
dividiu toda a mercadoria
com seus funcionários
e distribuiu o dinheiro do caixa
para os mendigos.

A recatada dona Clotilde
jogou-se aos pés do marido
e implorando perdão
confessou que o tinha traído com o compadre.

Seu Joaquim, um santo homem,
ajoelhou-se no meio da rua
ergueu as mãos para o céu
e pediu perdão a Deus
pelos assassinatos que cometeu
como matador de aluguel.

No dia seguinte
o dono da venda pedia esmolas,
a recatada Clotilde, expulsa de casa,
foi morar num velho puteiro,
Seu Joaquim foi preso.

Só Tia Lila continuou do mesmo jeito.
De terço na mão continuou rezando
e entre uma oração e outra murmurava:
– É mesmo o fim do mundo
– Dona Clotilde, hein, quem diria?
– Seu Joaquim com aquela cara de santo, hein!
É o fim do mundo! É o fim do mundo!

(Alcinéa Cavalcante)

Meio-dia

MEIO-DIA
Para onde vai
esse menino de andar tristonho
com uma camisa verde desbotada amarrada na cabeça?
Ele não caminha em direção ao sol.
Caminha sob o sol.
O sol queima.
O asfalto queima.
As lágrimas queimam.
Para proteger a cabeça tem uma camisa verde desbotada.
Para proteger os pés um par de tênis surrado.
Mas quem – ou o que – pode protegê-lo da tristeza que aflige seu coração
e se derrama em lágrimas queimando sua face?
(Alcinéa Cavalcante)

Honrada, agradecida e feliz

Deixa eu contar uma novidade muito bacana pra vocês: eu agora faço parte da Conselho Editorial do Senado, Eu e o Joãozinho Gomes. É a primeira vez que o Amapá tem representantes neste Conselho.
O Conselho é presidido pelo senador Randolfe Rodrigues – a quem expresso aqui minha gratidão pela escolha do meu nome – e tem como vice-presidente Esther Bemerguy de Albuquerque
Os demais membros são: Aldrin Moura, Ana Luísa Escorel, Ana Maria Machado, Ricardo Caichiolo, Cid Benjamin, Cristovam Buarque, Elisa Lucinda, Fabricio Ferrão, Ilana Feldman, Ilana Trombka, Ladislau Dowbor, Márcia Abrahão Moura, Rita Potyguara, TT Catalão e Toni Carlos Pereira

São intelectuais, escritores, reitores, jornalistas e educadores que ajudarão a definir os títulos a serem publicados.
Presidente do Conselho, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) disse que pluralidade foi critério para a escolha dos nomes.
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Sobre o Conselho Editorial
O Conselho Editorial do Senado Federal (CEDIT), presidido pelo Senador Randolfe Rodrigues, cumpre com sua atribuição de publicar obras fundamentais da cultura brasileira de caráter econômico, social, político e histórico, conforme Portaria do Presidente nº 10, de 2019.

A proposta do Conselho é privilegiar estudos de grandes autores que trazem ampla e densa análise sobre o Brasil. O Conselho Editorial do Senado Federal ora edita obras inéditas, ora republica outros títulos de grande interesse cultural que estão há anos – ou décadas – fora dos catálogos das editoras comerciais.

As obras do Conselho Editorial, em sua maioria, contam com prefácios ou apresentações, aparato crítico, notas elucidativas, e o apoio de índices onomásticos. Além de serem editadas segundo cuidadosa revisão e rigoroso estabelecimento de texto.

A participação do Conselho Editorial nas feiras e bienais de livros em todo o Brasil e a manutenção de um link na página eletrônica de publicações do Senado Federal auxiliam na divulgação das obras editadas, na ampliação do número de leitores e na democratização do acesso à cultura e à informação.

Dentro dessa filosofia, que privilegia estudos sobre nossa formação, o Conselho Editorial do Senado Federal busca preencher a lacuna na bibliografia brasileira fundamental: ora editando obras inéditas, ora republicando outras há anos fora do catálogo das editoras, sem acesso fácil ao público.

Ao buscar textos de relevância histórica, resgata-os para dar ciência aos interessados em cultura brasileira e atender a uma demanda cada vez mais exigente dos pesquisadores. As obras do Conselho Editorial são editadas a partir de um cuidado de revisão e editoração acuradas. Em sua maioria, contam com prefácios ou apresentações, aparato crítico, notas elucidativas, e o apoio de índices onomásticos.

Composição do Conselho Editorial
Criado pela Mesa Diretora em 31 de janeiro de 1997, edita obras de valor histórico e cultural e de importância relevante para a compreensão da história política, econômica e social do Brasil e reflexões sobre os destinos do país. O Conselho atual teve os membros nomeados pelo Ato do Presidente 16 de 2019.

Presidente: Senador Randolfe Rodrigues
Vice-presidente: Esther Bemerguy de Albuquerque
Conselheiros: Alcinéa Cavalcante, Aldrin Moura, Ana Luísa Escorel, Ana Maria Machado, Ricardo Caichiolo, Cid Benjamin, Cristovam Buarque, Elisa Lucinda, Fabricio Ferrão, Ilana Feldman, Ilana Trombka, Joãozinho Gomes, Ladislau Dowbor, Márcia Abrahão Moura, Rita Potyguara, TT Catalão, Toni Carlos Pereira.

Catálogo de obras (formato PDF)

Contato
Conselho Editorial do Senado Federal (CEDIT)
Praça dos Três Poderes – Av. N2 – Bloco 2, 1º andar
CEP 70165-900 – Brasília – DF
E-mail: cedit@senado.leg.br

(Fonte: Agência Senado)

Do meu velho álbum de retrato

Essa menina aí sou eu com 16 anos. Minha rua não tinha asfalto, as casas não tinham muros, no máximo uma cerquinha de madeira pintada de branco. A maioria das casas era de madeira, cobertas de palhas ou telhas de barro e as janelas eram venezianas. A casa que aparece nesta foto era do professor de educação física e campeão de natação Anselmo Guedes, o “Tio”, a família ainda mora no mesmo endereço, mas a casa já não é assim. Hoje é de alvenaria e muro alto.
E ao lado da casa do “Tio” a casa do Siqueira, motorista de ônibus e de caminhão. Quando o caminhão estava lá estacionado, a molecada se divertia brincando na carroceria. O Siqueira deixava. Não se importava com isso.
Ele era casado com a professora Rosa, com quem teve vários filhos cujos nomes começavam com a letra R. Depois que ele morreu a família mudou-se para outro bairro. A casa foi vendida, demolida e construída outra no lugar.