Assim

Necessário que hoje os sorrisos se ocultem por trás de máscaras para que amanhã possam ressurgir largos e iluminados, numa explosão de alegrias, na troca do tão esperado – e demorado – abraço.
(Alcinéa Cavalcante)

Você já viu porco dar risadas?

Você já viu porco dar risadas? Eu também não.

Mas é comum a gente falar “que porco dá risada” quando nos referimos a uma fruta muito, mas muito, azeda, muito ácida.

“Nossa! Essa laranja tá tão azeda que até porco dá risada”, dizemos, fazendo careta, quando chupamos uma laranja insuportavelmente ácida.

Quando criança tentei várias vezes ver um porco rir, jogando a ele as frutas mais ácidas, como araçá, taperebá, limão caiana…

Tínhamos um vizinho que todo ano criava um porco para comê-lo no Natal. A vizinhança, sempre solidária, costumava mandar “babugem” para alimentar o bicho. Babugem é aquele resto de comida que fica nos pratos após a refeição. Junta-se os restos de todos os pratos, coloca-se numa tigelinha, numa lata ou num saco e aí está pronta a “babugem” que vai ajudar a engordar o suíno.

Pois bem, com a desculpa de jogar a “babugem” para o porco, a molecada jogava também um pedaço de araçá, um limão ou uma banda de laranja super azeda e ficava ali, escorada no chiqueiro, à espera que ao comer aquela coisa o porco do vizinho começasse a dar sonoras gargalhadas.

Às vezes o porco comia, outras não. Mas rir, nunca. Pelo menos na frente da patotinha.

Será que o porco era tímido e tinha vergonha de rir na frente de várias pessoas? A gente se perguntava isso, pois volta e meia algum moleque chegava contando que quando estava sozinho com o bicho ofereceu-lhe uma fruta azeda, o bicho comeu e se danou a rir. O moleque então entrava para a lista dos sortudos da rua e conquistava assim a posição de líder entre os demais.
(Alcinéa Cavalcante)

Um doce ajuntamento

Saudade desse doce ajuntamento numa tarde de domingo na Praça Floriano Peixoto e a gente (Randolfe Rodrigues, Flávio Cavalcante, eu, Rostan Martins e Pipitinho) comemorando a amizade com pirulitos sabor de infância

Quando a gente se guiava pelas estrelas

Quando a gente se guiava pelas estrelas

“Olha! Olha!” Exclamava o menino apontando para o céu.

“Lá vai, lá vai”.

E todos olhavam e viam e falavam sobre o objeto que passava saltitante entre nuvens e estrelas.

Não. Não era um disco voador. Era simplesmente um satélite, provavelmente desses que ficam fotografando a Amazônia.

Diversão da meninada naquele tempo, quando a noite caía, era sentar na frente da casa e olhar o céu, caçar satélites e estrelas cadentes, procurar São Jorge na Lua e identificar constelações.

O telescópio era um canudo de cartolina.

Ah, tempo bom, quando a gente sabia se guiar pelas estrelas e sonhava ser astronauta para visitar outros mundos, brincar em outros planetas e, depois, voltar à Terra com as mãos transbordantes de estrelas.

Trazer também uns fiapos de nuvem para fazer algodão doce, pois que a vida, meu irmão, era uma doçura e plena de encantamento naquela rua sem asfalto, sem bangalôs, sem muros e sem televisão.

(Alcinéa Cavalcante)

Vamos?

Vamos, eu e tu, andar por esta rua que se estende preguiçosa como uma tarde de domingo.
Te mostrarei as marcas da infância deixadas pelos meus pés descalços quando havia um pote de ouro no fim daquele arco-íris que atravessava a mata onde a matinta-perera morava.

Conheço cada pedacinho dessa rua, suas pedras, flores, janelas e personagens.

Vê! Ali morava Mané Pedro e sua bicicleta azul. Já não existe a casa. Nem a bicicleta. Desconfio que Mané Pedro foi pedalando para o céu e deixou uma saudade estacionada na rua.

Ah, a casa da Maria Banha. Era bem ali, do lado do Mané Pedro. Não tinha pátio nem varanda. Era coberta de palha e era tão singela.

Mais aqui morava “Vó” Etelvina. A casa era verde, de venezianas. Essa tinha pátio com duas cadeiras de vime. À tardinha, ‘Vó Etelvina”, sempre de vestido estampadinho, sentava no pátio e nos contava histórias sob os olhares atentos das flores que emolduravam a entrada.

Vó Etelvina era linda e doce, cheirosa e sorridente. Tinha os cabelos da cor do luar. Dela a criançada tomava bênção. Mas também morria de medo e chorava, mas só quando estava com a garganta inflamada. É que Vó Etelvina era “curadeira” de garganta. Encharcava um algodão com copaíba, andiroba e limão, enrolava no dedo e enfiava na garganta do doente fazendo movimentos circulares. Juro que me dava vontade de morder a mão dela para que nunca mais fizesse isso. Mas era um santo remédio.

Aliás, nessa rua havia também uma benzedeira, que tirava quebranto e costurava rasgadura. Mas isso te conto no próximo passeio e te falo também dos demais vizinhos, como o campeão brasileiro de natação Anselmo Guedes e a professora Odete (que ainda moram no mesmo endereço), o jogador de futebol Tamundo, o professor Pardal, dona Carmina, dona Lourdes (que fazia o melhor mingau de mucajá do mundo), dona Ermínia e os japoneses da esquina. (Alcinéa Cavalcante)

Vem comigo!

Vem comigo

Vem comigo!
Vamos sair por aí plantando alegrias.
Traz um pincel, eu levo a tinta
e pintaremos de verde-esperança
todas as venezianas daquela ruazinha
por onde tantas vezes
passeamos de corações dados.

Vem comigo!
Vamos plantar dálias, rosas e poesia na velha praça
onde dividíamos o algodão doce no arraial do padroeiro.
Naquele tempo a infância era tão doce
e a gente até tinha medo de pecar. (Lembras?)

Vem comigo!
Vamos plantar papoulas vermelhas e amarelas
nos canteiros da ladeira
para enfeitar a cidade e alegrar os passantes.

Depois
– cansados, mas felizes –
tomaremos um sorvete.
Eu te darei um beijo sabor tucumã
tu retribuirás com um beijo sabor açaí.

E o Anjo que nos acompanha (nem te conto)
ficará cheinho de ciúme
e disfarçando dará de asas
(tu sabes que os anjos nunca dão de ombros),
mas Deus sorrirá
e acenderá estrelas na nossa estrada.
Por isso eu insisto: vem comigo, vem.

(Alcinéa Cavalcante)

Convites que muito me honram

De Cuba
Recebi convite para participar do 9º Encontro de Poetas em Cuba “La Isla en Versos”, de 30 de abril a 9 de maio. O evento é organizado pelo poeta Kiuder Yero Torres .
Haverá leituras poéticas, apresentações de livros, shows, exposições, atividades infantis, visitas a centros educacionais, locais de interesse histórico e cultural, encontros com editoras e escritores. O encontro foi planejado para a promoção da poesia e para o intercâmbio cultural.O Encontro de Poetas em Cuba “La Isla en Versos” é o Festival Internacional de Poesia de Romerías de Mayo.

De São Paulo
Do governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura e Poiesis/Casa das Rosas, das comemorações do aniversário de São Paulo no próximo sábado, 25. (Veja o post abaixo)

Glicerão 70 anos – Guardo com muito carinho

Em 1975, ano do jubileu de prata do estádio Glicério de Souza Marques, o Glicerão, eu ganhei da Federação Amapaense de Desportos-FAD (hoje Federação Amapaense de Futebol) esta linda medalha de Honra ao Mérito. Foi o reconhecimento do meu trabalho como repórter esportiva, numa época em que os homens dominavam o jornalismo esportivo.
Guardo até hoje, com todo cuidado e carinho, essa medalha.
Era comemorado também os 30 anos de fundação da Federação.
1975 foi um dos anos em que o Amapá exportou mais jogadores para outros estados e a imprensa paraense referia-se ao então Território Federal assim: Amapá, um celeiro de craques. O presidente da Federação era Manuel Antônio Dias e o vice era Pedro Assis de Azevedo.

E olha aí minha credencial de 1976 (a de 1975 não tenho mais):
Cobri muitos jogos no Glicerão, que amanhã completa 70 anos. Entrevistei os maiores craques do futebol amapaense.
Como repórter esportiva cobri também jogos do campeonato nacional, em outros estados, e entrevistei vários jogadores da seleção brasileira tricampeã do mundo.