Eu, professora

“Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.”
(Cora Coralina)

Eu e meus alunos no laboratório da Escola Integrada de Macapá. Faz tempoooo

Me formei com 21 anos, portanto, bastante jovem eu já estava na sala de aula e nos laboratórios da Escola Integrada de Macapá (antigo GM) dando aulas de Tecnologia Mecânica, Desenho Técnico e Fabricação Mecânica (o que me permitiria aposentadoria aos 46 anos de idade). Conciliava o jornalismo e o magistério. Jornalismo eu fazia nas horas vagas, pois o magistério era a minha prioridade, minha paixão. Lecionei durante muitos anos com dedicação e amor e tive meu trabalho reconhecido. Todos os anos, fosse qual fosse o diretor, recebia portaria de elogio da direção da escola pelo meu desempenho e até da Câmara de Vereadores recebi  diploma de “Honra ao Mérito” pela “grande contribuição dada à educação amapaense”. Foram anos inesquecíveis dos quais tenho lindas lembranças. As amizades que fiz permanecem até hoje. Meus alunos eram mais que alunos. Fiz deles meu amigos.
Por eles até hoje tenho imenso carinho e afeto. De vez em quando encontro alguns deles por aí e vocês nem imaginam a felicidade que toma conta de mim quando recebo o abraço deles, o carinho e me chamam com orgulho de “minha professora”.
Neste dia, dedicado ao professor, parabenizo todos os professores amapaenses e registro aqui minha gratidão a todos meus professores (desde o jardim da infância aos cursos de pós-graduação) e aos meus queridos ex-alunos.

Professoras Mineko, Delzuite Cavalcante (minha mãe) e Ana Alves

Meio-dia

Meio-dia
Para onde vai
esse menino de andar tristonho
com uma camisa verde desbotada amarrada na cabeça?
Ele não caminha em direção ao sol.
Caminha sob o sol.
O sol queima.
O asfalto queima.
As lágrimas queimam.
Para proteger a cabeça tem uma camisa verde desbotada.
Para proteger os pés um par de tênis surrado.
Mas quem – ou o que – pode protegê-lo da tristeza que aflige seu coração e se derrama em lágrimas queimando sua face?
(Alcinéa Cavalcante)

Noturno

De noite
eu vigio estrelas.
Embriago-me de amor e luar.
Passeio com Hemingway em Paris.
Visito os becos de Goiás com Cora Coralina.
E com Quintana eu tento descobrir
o que é que os grilos
passam a noite inteirinha fritando.

Dormir
é bom de manhãzinha
quando o sol
– ainda sonolento e tímido –
pula minha janela
pra me ninar.

(Alcinéa Cavalcante)

Carta

Este poema caiu ontem na prova do concurso público da Prefeitura de Macapá organizado pela Fundação Carlos Chagas.
Ter um poema meu num concurso desses me deixa feliz. É um reconhecimento.

Há 39 anos

Há exatos 39 anos dissemos “Sim” diante do altar. Um “Sim” que renovamos todos os dias ao longo dessas quase quatro décadas de feliz união, amor e companheirismo.

Uma lembrança saborosa

Na minha ruazinha, de casas tão singelas, morava dona Lourdes. Quando seu marido Geraldo chegava do interior trazendo cachos de mucajá ela pulava na mesma hora pro quintal e com tanta agilidade tirava os frutos dos cachos.
Numa enorme bacia de alumínio em cima de um tronco, lavava tudo. Depois socava as frutas num pilão para retirar os caroços e socava de novo, agora com sarará (uns bichinhos que ela ia buscar no canal da Mendonça Junior). Dizia que  era para retirar a gosma.
Feito isso, misturava com outros ingredientes e botava pra cozinhar num panelão no fogão de lenha de sua cozinha.
Enquanto isso, a molecada de toda a vizinhança esperava brincando no quintal. Sim. Quando seu Geraldo chegava com os cachos era rápido que a notícia se espalhava e todos corriam – já com água na boca –  para o grande e arborizado quintal.
Dona Lourdes dava uma cuia de mingau pra cada um. E a gente  bebia lambendo os beiços.
Até hoje quando lembro  sinto o gosto desse mingau, sabor da minha infância, lembrança saborosa de meus tempos de criança na ruazinha de casas tão singelas.