Relatório aponta aumento de graves violações à liberdade de expressão

A Artigo 19 lança segunda-feira, 6, seu sétimo relatório anual “Violações à liberdade de expressão”, que compila e analisa as graves violações contra comunicadores registradas e apuradas pela organização em 2018 no Brasil. Foram registrados ao todo 35 casos de graves violações, sendo 26 ameaças de morte, quatro homicídios, quatro tentativas de homicídio e um sequestro. Comparados ao ano anterior, em que a organização registrou um total de total de 27 casos, os números evidenciam um aumento de cerca de 30% nas graves violações.

Quem cometeu as violações?

No Brasil, agentes do Estado, na figura de políticos, policiais e agentes públicos, são os principais autores de violações contra comunicadores: responderam por 18 violações (51%) em 2018.

A principal motivação segue sendo a realização de denúncias, o que se nota em 26 dos casos apurados (74%). Em sete casos (20%), os ataques ocorreram a partir de críticas ou opiniões feitas pelo comunicador. Já em outros dois casos (6%) foram processos de investigação que motivaram as violações.

“Os casos de graves violações em 2018 demonstram dois aspectos do cenário de violência. Primeiro, se reforçam as tendências históricas de ataques de pessoas poderosas, especialmente políticos, contra comunicadores em cidades pequenas que realizam denúncias contra ações realizadas por essas pessoas. Em segundo lugar, fica evidente um cenário que já vinha se desenhando nos últimos anos: os ataques online contra comunicadores têm se intensificado e impactado a vida e o trabalho de comunicadores inclusive fora da esfera virtual, de modo que novos desafios no enfrentamento da violência são colocados”, afirma Thiago Firbida, assessor de Proteção e Segurança da ARTIGO 19 e responsável pelo relatório.

A publicação destaca que as violações feitas online tiveram um papel significativo em 2018 e traz pela primeira vez uma análise do papel do ambiente digital no contexto das eleições do ano passado, considerado um marco de um cenário de violações que vem ganhando evidência mais recentemente. Ao todo, foram registrados 11 casos em que alguma ferramenta online serviu de meio para a veiculação de ameaça de morte, como aplicativos de mensagens, mídias sociais ou e-mails.

Baixe o relatório

Passaralho na TV Amapá

A TV Amapá – afiliada da Rede Globo no Amapá – deu inicio hoje a demissão em massa de profissionais.
Além de Elainne Juarez, que há 13 anos apresentava o Jornal do Amapá, jornal televisivo de maior audiência, foram demitidos também um cinegrafista, uma editora e uma produtora, conforme informou agora à noite o jornalista Paulo Silva em sua conta no twitter. Segundo ele tem mais profissionais na lista de demissão.

Passaralho =  Jargão jornalístico  para as demissões em massa nos meios de comunicação.

O direito à liberdade de opinião e expressão

“Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras”.

(Artigo 19 da “Declaração Universal dos Direitos Humanos”, proclamada pela Assembléia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948)

Liberdade de expressão

“Goste-se, ou não, a liberdade de expressão é a regra do jogo. Não se pode reverenciá-la apenas quando falam bem de nós.” (Juiz federal Francisco Codevilla sobre a censura ao site O Antagonista e revista Crusoé)

“Ou a liberdade de imprensa é completa ou é um arremedo de liberdade” (Carlos Ayres Britto, ex-presidente do STF, sobre a censura ao site O Antagonista e revista Crusoé)

Jornalista Ricardo Boechat morre na queda de helicóptero em SP

Do Estadão

Jornalista Ricardo Boechat morre em helicóptero que caiu em São Paulo

O Corpo de Bombeiros confirmou ao menos três mortes, do piloto, copiloto e o motorista do caminhão

SÃO PAULO – O jornalista Ricardo Boechat, de 66 anos, morreu na queda de um helicóptero no Rodoanel no início da tarde desta segunda-feira, 11. A aeronave caiu no quilômetro 7 do Rodoanel, próximo ao acesso à rodovia Anhanguera, próximo a chegada a São Paulo, em cima de um caminhão.

Boechat era apresentador do Jornal da Band e da rádio BandNews FM, além de ser colunista da revista IstoÉ. Ele é ganhador de três prêmios Esso e trabalhou no Estado. O piloto e o copiloto da aeronave e o motorista do caminhão também morreram.

A confirmação da morte do jornalista veio da direção de jornalismo da Band ao Estado. Ele estava voltando de Campinas, onde tinha ido dar uma palestra.

O helicóptero não era da emissora de televisão.

O apresentador José Luiz Datena interrompeu a programação da Band nesta tarde para confirmar a morte de Boechat. Emocionado, Datena disse que ele era “uma pessoa especial” e um dos maiores jornalistas do País.

Acidente

Segundo o Corpo de Bombeiros, a aeronave caiu em cima de um caminhão que trafegava pela via, no sentido interior, próximo à praça do pedágio. O motorista do caminhão foi socorrido pela concessionária.

Os bombeiros informaram que 11 viaturas foram deslocadas para o local para o resgate.

Ainda de acordo com os bombeiros, a aeronave que caiu era do modelo BELL PT HPG.

Foram feitas interdições parciais na pista do Rodoanel, sentido Perus, e na Anhanguera, sentido Jundiaí. A concessionária CCR Rodoanel informou que os motoristas podem acessar a Anhanguera, no sentido São Paulo, e pegar um retorno no quilôemtro 18 para seguir para o interior.

Seminário Brasil, brasis – Da luta contra a censura às fake news

A Academia Brasileira de Letras dá continuidade à série de Seminários “Brasil, brasis” de 2018 com o tema A liberdade de expressão: da luta contra a censura às fake news, coordenação geral do Acadêmico, professor, escritor e poeta Domício Proença Filho (quinto ocupante da Cadeira 28, eleito em 23 de março de 2006), e coordenação da Acadêmica, escritora e ensaísta Rosiska Darcy de Oliveira (sexta ocupante da Cadeira 10, eleita em 11 de abril de 2013). Os participantes convidados são Daniela de Castro Pinheiro e Pablo Cerdeira. O evento está programado para o dia 27, às 17h30, no Teatro R. Magalhães Jr. (Avenida Presidente Wilson 203, Castelo, Rio de Janeiro). Entrada franca.

O Seminário Brasil, brasis será transmitido ao vivo pelo Portal da ABL

À ABL o meu muito obrigada pelo convite

Jornalistas que atuam em situações de risco poderão ter direito a seguro de vida

Empresas jornalísticas deverão contratar seguros de vida e de acidentes pessoais para repórteres, cinegrafistas e outros profissionais que atuem em condições de risco. É o que estabelece a atual redação do Projeto de Lei do Senado (PLS) 114/2014, aprovado nesta quarta-feira (7) pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). A proposta segue para a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). (Leia mais)

Todo mundo quer informação

Todo mundo quer informação
Ivan Carlo*

Minha mulher me conta que, quando ela e a família moravam no interior, havia um objeto que jamais faltava na casa: o radinho de pilha. Era por ele que chegavam as informações sobre o que estava acontecendo no Estado, no país e no mundo. Essa história demonstra uma característica essencial do ser humano: a necessidade de informação.

Não importa como (internet, rádio, jornal, televisão), estamos sempre procurando novidades, querendo sair do marasmo do “nada de novo”. Essa necessidade é claramente visível nas crianças. O bebê que leva um objeto à boca está, a seu jeito, procurando informações sobre aquele objeto. É duro? Mole? Gostoso? Amargo? Doce?
Talvez eu seja um exagerado, mas acredito, sinceramente, que todos os grandes projetos da humanidade foram motivados pela busca da novidade. Por que Colombo descobriu a América? Porque a curiosidade o impelia. E os portugueses? Por que navegavam? Porque eles buscavam o novo, o diferente, o inusitado. A necessidade de informação era tão grande que eles desafiavam todo e qualquer perigo, real ou imaginário e perseveraram em suas viagens ao redor da costa Africana. Como dizia o poeta, “Navegar é preciso, viver não é preciso”.
Sim, eu sei. Muitos discordarão, argumentando que as grandes navegações tinham como objetivo a busca de riquezas. Verdade. Mas será que riqueza era a única coisa que impelia aventureiros como Cristóvão Colombo? Além disso, para que serve a riqueza? Para comprar novida-
des. Um vestido novo é uma novidade e, portanto, informação. Nunca ouvi falar de alguém são que pretendesse ficar rico para viverenclausurado em um quarto vazio.
Quero dar um exemplo recente: a chegada do homem à Lua. Os EUA gastaram milhões de dólares para quê? Para matar a curiosidade humana. O que há lá em cima? Como será andar na lua?
Claro, havia a guerra fria, que dava um grande incentivo ao programa espacial norte-americano. Mas será que foi a guerra fria que fez com que milhões de pessoas acompanhassem os passos de Neil Armstrong? Não. Foi a curiosidade. Todos queriam saber como seria a chegada da nave à Lua, o que aconteceria com os destemidos astronautas…
Essa é a razão pela qual a profissão de jornalista é tão importante: a matéria-prima do jornalismo é a informação. É o jornalista que leva as novidades às pessoas, seja através da internet, da televisão, do jornal ou de um radinho de pilha em uma casinha na beira do rio…
*Ivan Carlo é escritor, jornalista e professor. O presente artigo está publicado em seu excelente blog – o  Ideias de Jeca-tatu, que é uma das minhas leituras diárias e que recomendo a todos.