Quem dançou na Assembleia?

ibge1No início era a sede do Aero-Clube, depois virou Assembleia Amapaense. Aí eram realizados os melhores bailes. Dançando de rostinho colado, ao som dos conjuntos “Os Cometas” e  “Embalo 7” muita gente engatou namoro que evoluiu para casamento. As festas começavam às 22h e terminavam, no máximo, às 3h da madrugada. Não havia ingresso individual. Era vendida a mesa com direito a quatro lugares. Mesa de pista era mais cara. Lembras disso? Você dançou, namorou, curtiu muito os bailes da Assembleia? Conta pra nós na caixinha de comentários. Afinal, recordar é bom. É reviver.

Ah, sim. Isso era nos anos 70. A Assembleia ficava na Avenida Fab esquina com a Jovino Dinoá. A entrada era pela Procópio Rola.
(Foto: Arquivo do IBGE)

Minha avó

Ela era linda, negrinha, magra, os cabelos pareciam talas de tão lisos. Conta-se que ninguém engomava uma roupa melhor que ela. Naquele tempo que os homens tinham que usar calças de linho e camisas brancas de mangas compridas, tudo muito bem engomado, ela – usando ferro a carvão – engomava com perfeição as roupas do meu pai e os meus vestidinhos de organdi. A goma ela mesma fazia com tapioca. Acho que era a mesma goma que se toma no tacacá e que meu irmão usava  para colar seus papagaios de papel de seda.

Dizia-se também que não havia feijoada mais gostosa que a que ela fazia. Gostava de cozinhar no quintal. Fazia o fogo com lenha, que comida boa tinha que ser cozida na lenha.

Criava galinhas no quintal, que alimentava todas as manhãs e no fim da tarde, com milho. Lembro bem quando ela descia a escadinha da cozinha com uma bacia de alumínio cheia de milho. Ao vê-la as galinhas se aproximavam e ela ia jogando os punhados de milho.

Tinha também uma horta, onde plantava cebolinha, cheiro verde, coentro, pimentão, tomate e outras coisinhas. A horta era cercada com uma tela de arame.

Não gostava de cama. Nem tinha cama. Só deitava em rede. Perto da rede, uma mesinha com uma bilha de água, lamparina (para o caso de faltar energia), um caneco de esmalte, uma caixa de fósforos, o cachimbo, um pedaço de tabaco  e outras coisas que não lembro mais. Para curar tosse fazia uma mistura de pimenta do reino com açúcar e deixava numa tigelinha naquela mesa. De vez em quando comia um pouquinho. Eu achava essa mistura tão gostosa que sempre tossia perto dela só pra ganhar um pouco.

Seu quarto era simples: a rede, a mesinha, um armário e uma maleta de madeira, daquelas bem antigas. Duas janelas dando para o quintal e duas portas: uma para a cozinha e a outra para o quarto dos netos. Nunca vi aquelas portas fechadas.

Dos netos o preferido era o mais velho. Tudo que ela comia guardava a metade pra ele. Se fritava um ovo, a metade ela guardava naquela mesinha num prato esmaltado, coberto com um paninho, pra quando ele chegasse da escola.

Não lembro de ter visto alguma vez  uma revista ou livro em suas mãos, mas lembro muito bem  do jeito encantador como ela me contava  historinhas que sempre começavam com “era uma vez…”.

Um dia ela adoeceu. Apareceu nela um tal de “cobreiro” na barriga. Era uma coceira. Desde aí ela foi ficando cada dia mais tempo na rede, sentia dor e acho que sentia muita fraqueza, pois passado um tempo não saía mais da rede. Lembro que os médicos iam em casa, receitavam remédios, mas não sei que diagnóstico deram. Cada vez ela ficava mais fraquinha e como já não me contava histórias eu retribuía lendo para ela revistas de fotonovelas. Acho que ela nem prestava atenção. Uma noite  enquanto eu lia baixinho para ela e para a vizinha Zefa, que toda noite ia visitá-la, Zefa pegou no seu pulso, me olhou assustada  e mandou que eu chamasse correndo meu pai, que estava na sala,  pois minha avozinha Jacinta Alves Carvalho, mãe da minha mãe, acabara de morrer.
Eu tinha 10 anos apenas. E quando minhas colegas me perguntavam do que minha amada avozinha tinha morrido, eu, com os olhos cheios de lágrimas, respondia: “de cobreiro”.
Hoje quando alguém me faz essa pergunta – o que é muito raro – eu digo: “Parece que foi de cobreiro” e tento explicar o que é isso, mas o que eu gosto mesmo é de contar que ela era tão bonita, negrinha de cabelos lisos, magrinha, nascida no interior do Pará e que casou-se  com um português de olhos azuis, vindo de Lisboa, dono de comércios em Belém, e com ele teve uma única filha: minha adorável mãe.

Minha outra avó também era linda, branca de bochechas rosadas, fazia crochê como ninguém e também nos encantava contando histórias… bom, mas sobre ela eu vou falar em outro post qualquer dia desses.

Há 47 anos

D.José MNa véspera do dia do Padroeiro São José e dia em que completava 51 anos de idade, o bispo D. José Maritano chegava ao Amapá. Eu estudava no Santa Bartoloméa Capitânio, um colégio de freiras. As freiras nos levaram para tomar bênção dele e beijar seu anel. D. José Maritano foi o primeiro bispo diocesano daqui. Ficou no Amapá de março de 1966 a agosto de 1983.
(Foto: acervo de Edgar Rodrigues)

Lembras?

1966 019 Cinema Joao XXIIINas tardes de domingo um programa imperdível era assistir filmes do circuito nacional no Cine João XXIII. Era lá que os jovens marcavam o primeiro encontro com a namorada ou namorado. Quem chegava primeiro guardava a cadeira do outro (a) e quando as luzes se apagavam, aí sim, todas as cadeiras eram ocupadas e os novos casaizinhos assistiam o filme de mãos dadas. Nada de beijo na boca no primeiro encontro. Lembram?
Era lá também que a molecada trocava revistas e figurinhas. Muitos meninos iam ao cinema só para trocar revistas. Chegavam lá com aquele monte de  Zorro, Tarzan, Superman, Roy Rogers, dentre outras,  embaixo do braço (não se usava mochila nessa época). Às vezes a fila parava por causa das trocas. Era um tal de “já leu? Já leu? Não. Bora trocar essa por essa” e assim todos voltavam para casa felizes com “novas” revistas para ler que, claro, seriam trocadas no domingo seguinte.
Ah, depois do cinema os jovens  iam dar uma voltinha no trapiche Eliezes Levy (que era também um passeio obrigatório nas tardes de domingo) e se os pais tivessem dado um dinheirinho extra era como um “vale-sorvete”. Sim, quem com um dinheirinho no bolso deixaria de tomar um sorvete servido em taças de inox pelo garçon Inácio no Macapá Hotel? Lembro de colegas que passavam a semana toda juntando uns trocadinhos  (inclusive o dinheiro dado pelos pais para a merenda) só pra tomar no domingo o sorvete do Macapá Hotel.

Quem pulou desse trampolim?

1968 033 Macapá Piscina125Piscina Territorial – 1968

Naquele tempo as manhãs de domingo eram super animadas na Piscina Territorial com os chamados “banhos livres”. Os rapazes considerados “bambambãs” aproveitavam para fazer piruetas no ar pulando do trampolim mais alto. E com essas piruetas conquistavam corações. O salto mortal acabava virando um salto direto no coração das gatinhas. E muitos namoros – alguns evoluíram para casamento – começaram ali nas manhãs ensolaradas de domingo.
Ah, poucas mulheres se atreviam a pular do trampolim. Bom mesmo era ficar lá embaixo de olhos pregados nos meninos.
Você frequentava a piscina? Conta pra nós o que você viu, o que você lembra, o que você sabe daqueles domingos.

Eu ganhei

Em 1975, ano do jubileu de prata do estádio Glycério de Souza Marques, o Glycerão, eu ganhei da Federação Amapaense de Desportos-FAD (hoje Federação Amapaense de Futebol) esta linda medalha de Honra ao Mérito. Foi o reconhecimento do meu trabalho como repórter esportiva, numa época em que  os homens dominavam o jornalismo esportivo.
Guardo até hoje, com todo cuidado e carinho, essa medalha.
Era comemorado também os 30 anos de fundação da Federação.
1975 foi um dos anos em que o Amapá exportou mais jogadores para outros estados e a imprensa paraense referia-se ao então Território Federal assim: Amapá, um celeiro de craques. O presidente da Federação era Manuel Antônio Dias e o vice era Pedro Assis de Azevedo.
Hoje, o Glycerão – que também era chamado de Gigante da Favela – completa 63 anos. E vai ter comemoração a partir das 12h. E eu irei lá.

Outros carnavais

Em 1992 a escola de samba Unidos do Buritizal estreou no carnaval amapaense.

Homenageando o meu pai – poeta, jornalista e compositor de samba-enredo – com o enredo “Alcy Araújo Cavalcante, o poeta do cais”, a escola sagrou-se vice-campeã do grupo de acesso e eu estava lá, na Comissão de Frente.
Mata, eu e Ranolfo Gato