Vamos passear de bicicleta?

Lembras quando Macapá era a cidade das bicicletas? A gente saía por aí pedalando nas ruas bonitas, largas e tranquilas da cidade. De bicicleta se ia ao cinema, trabalhar, festas, escola, estádio… em todos os lugares inclusive havia estacionamento para elas. Os meninos adoravam batizar suas “magrelas” com nomes esquisitos, como Sacatrapa, Maria Pretinha, Gruébia… Quem podia trocava de bicicleta todo ano.
Mas, conta aí na caixinha de comentários, suas lembranças dessa época e as estripulias que você aprontava sempre pedalando uma magrela.

Obra do artista plástico Limeira

Retrato do poeta Alcy Araújo feito pelo grande artista plástico Limeira, que morreu hoje.  Este quadro pertencia ao Governo do Amapá, foi feito por Limeira para a Galeria Alcy Araújo, da Biblioteca Pública, por encomenda da Fundação Estadual de Cultura do Amapa (Fundecap), hoje Secretaria Estadual da Cultura. O quadro foi roubado da Biblioteca Pública no primeiro governo de Waldez Góes e até hoje nada foi feito para tentar recuperá-lo.

Limeira contou certa vez que passou quase um mês para fazê-lo. Não há um traço. São pontos. Limeira estimava em algo em torno de oito milhões de pontos e dizia que esta era a obra que mais gostava. Tanto que sempre ia à Biblioteca para vê-la, saber se estava sendo bem cuidado. Foi ele que descobriu que a obra tinha sido roubada quando um dia chegando lá não a viu na galeria, perguntou e ninguém soube informar.
Quando perguntado quanto valia aquele quadro, Limeira respondia que aquela era uma obra que não tinha preço. E dizia que uma das suas grandes tristezas tinha sido o roubo dessa obra e que esperava que um dia ela fosse recuperada.

Morreu hoje o artista plástico Limeira

(Fotos: acervo de Paulo Tarso)

O Amapá perde hoje, 3 de dezembro de 2012, um grande artista plástico, professor e, sobretudo, um expert em restauração. José Limeira da Silveira, que nasceu em 20 de agosto de 1944, desempenhou um papel fundamental como restaurador de centenas e centenas de peças arqueológicas que hoje fazem parte do acervo do Museu Joaquim Caetano e se constituem em um patrimônio de altíssimo valor cultural. Seutalento ficará para sempre preservado através desse trabalho impagável que ele desempenhou com arte e muita dedicação para preservar a riqueza arqueológica do Amapá.
(Texto: Paulo Tarso)

Há 64 anos – Revista do Amapá e República do Cunani

Dia desses enquanto  esperava o sono chegar fiquei folheando minha modesta coleção de revistas antigas. E hoje resolvi reproduzir aqui o editorial da edição número 8 Revista do Amapá, de novembro de 1948.
A revista era uma publicação do governo do então Território Federal do Amapá e nesta edição trazia como matéria de capa a história da vila de Cunani, que chegou a ser, por um curto período , um país independente.
Moedas da República do Cunani ficaram por muitos anos expostas no Museu Histórico-Científico Joaquim Caetano da Silva, em Macapá. De lá foram roubadas. (Sim. Aqui se rouba tudo)
Uma das grandes atrações da vila eram os sinos da capelinha, feitos na França. Uma verdadeira obra de arte.
Cunani, que fica a cerca de 300km de Macapá, está abandonada. Nem em época de campanha política a comunidade é visitada.
Neste editorial a revista diz que a história do Amapá clama por estudiosos. Passados mais de 60 anos podemos dizer que a nossa história ainda clama por eles.
O Amapá é carente de historiadores, é carente de obras sobre sua rica história.
Dito isto, vamos ao editorial:

O sino do Cunani

A história do Amapá clama por estudiosos. Aqui e ali encontram-se referências ligeiras a um passado cheio de aventuras, de lutas e de sonhos. Mas os episódios desenrolados na imaginação dos que caminharam pelos seus rios e estradas interiores, correndo atrás de pepitas, carregando a bateia, descendo nas ravinas das montanhas para, turvando os igarapés, buscar no seu leito a pinta do ouro, ainda não tiveram o seu escritor. É mina que está por explorar.
Nossa capa constitui um exemplo vivo. Ali está o sino do Cunani, da sua capela pequenina, porém rica de tradição. Foi fundido na França, com o melhor bronze, especialmente para a Nossa Senhora do Cunani. Obra de arte perfeita, construída com carinho exemplar.
Cunani tem sua lenda no mundo. No fim do século passado e no princípio do presente serviu de motivo para comentários internacionais. Quando o Amapá atraía milhares de aventureiros à busca de filões auríferos, assistiu lindas festas e alimentou grandes ambições.
Duas vezes tentaram transformar esse lugarzinho em país independente. A primeira foi em 1886, durante a visita do célebre naturalista Henri Coudreau. Os franceses ali residentes elegeram-no Supremo Magistrado da Nação do Cunani. Conta Elisée Reclus que Paris em peso desabou às gargalhadas com esta idéia da eleição do sábio de Vauves para a presidência de um país sem súditos!… O caso é que logo após S. Excia. cercava-se de uma comitiva respeitável e seleta: foi fundada a ordem nacional Étoile de Cunani, mas esta instituição continha mais comendadores, cavaleiros e titulares do que habitantes havia em Cunani… Um belo dia o Ministro das Colônias da França, diante dos protestos do Governo brasileiro, com a penada eficaz de um decreto, fazia riscar do mapa a República de Cunani … (Alfredo Gonçalves).
A segunda ocorreu em 1903. O francês Adolfo Brezet proclamou a República do Cunani, abrangendo todo o território ex-contestado. Mas os seus áulicos tiveram sua ilusão desfeita pela Polícia de Belém.
Cunani teve também a sua moeda, cunhada na França, como possuía cerâmica original.
Hoje apenas a capela guarda a lembrança do passado glorioso. As telhas da cobertura e os tijolos do piso vieram de Marselha. Encontram-se no altar lindos castiçais e crucifixos.
Atrás da povoação acham-se os restos da linha de tiro, onde os soldados franceses faziam exercícios. Existem cafeeiros plantados no século findo que dão frutos.
Fala-se também que debaixo da capela há um subterrâneo. Alguns afirmam que ele é longo de vários quilômetros e vai até à serra do Cunani.
Aí fica um breve roteiro para os faiscadores da história amapaense. Cunani é um filão à espera de quem o descubra de novo.”

 

RUMO – A revista que projetou o Amapá

Há exatos 55 anos era lançada em Macapá a revista Rumo , a realização de um sonho de poetas, intelectuais e jornalistas amapaenses. Totalmente produzida no Amapá, a Rumo circulou em todo o Brasil e contava com correspondentes em vários estados. Era uma revista mensal e foi fundada por Ivo Torres, Alcy Araújo, Arthur Nery Marinho,Vilma Torres, Aluízio da Cunha, entre outros.

Considerada uma publicação de alta qualidade, foi identificada por críticos literários e renomados autores como um veículo de difusão cultural dos mais importantes do país. O primeiro número, que circulou em novembro de 1957, mostrava a participação do Amapá pela primeira vez em um Congresso Nacional de Jornalistas. Foi o VII Congresso, realizado em setembro daquele ano marcando o cinqüentenário da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). E o Amapá foi representado por Alcy Araújo.

O jornalista aproveitou a viagem para conhecer Brasília “e os trabalhos que se realizam no Planalto goiano para a instalação da futura capital do país“. Isto rendeu a matéria “Brasília – obra de saneadores, artistas e poetas”, tendo como subtítulo “Pioneirismo e técnica moderna erguem a cidade do futuro – Uma visita aos verdes altiplanos de Goiás”.

Uma matéria assinada por John H. Newman abordava a cultura da seringueira no Amapá, enquanto Paul Ledoux escrevia sobre agricultura, silvicultura e pecuária, e Amaury Farias sobre latifúndio; “A música no Território Federal do Amapá” era também destaque na primeira edição da Rumo, com matéria assinada por Mavil Serret, o pseudônimo de Vilma Torres.

Esta edição trazia também poemas de Fernando Pessoa, uma página de ciências, uma de economia e finanças, contos de Guy de Maupassant e de Almeida Fischer. Noticiava a morte do escritor José Lins do Rêgo, falava de teatro, de educação e traçava um perfil histórico de Macapá.

A revista – que trazia artigos e reportagens enfocando os mais importantes movimentos artísticos e culturais do Amapá, do Brasil e do exterior – inseriu a cultura amapaense no contexto nacional. Suas páginas recheadas de teatro, música, folclore, sabedoria popular, eram freqüentadas por ícones da época.
Por sua envergadura, a Rumo chegou a ter projeção internacional. “A Rumo conduz e explica o Amapá“, escreveu o ensaísta Osório Nunes. Uma crítica publicada no suplemento literário do jornal Diário de Minas, em outubro de 1958, assim se expressou sobre a revista: “Encontramos suas raízes na Semana de Arte Moderna. A sua vida constitui um resultado de descentralização cultural que houve a partir daquela data e que cada vez se acentua. Se fôssemos um Carlos Drummond, Mário de Andrade, um Vinícius de Morais ou Aníbal Machado, nada nos alegraria mais do que nos saber lido lá pelos confins do Brasil, no Amapá.”

Num tempo em que livros eram praticamente instrumentos de uma pequena elite, o jornalismo passou a ser utilizado como uma forma de intervenção social. Naquele momento o jornalismo tinha mais importância do que a literatura, porque ajudou a criar o impacto para despertar a sociedade mexendo com as pessoas. Para haver literatura era preciso um conjunto de coisas funcionando a um só tempo: crítica literária, leitores, debate, produção de livros, escolas… como um conjunto de elementos articulados. Daí a necessidade e a pertinência da revista Rumo, responsável pela articulação de todo um movimento que se consolidou com a projeção da obra intelectual do grupo de escritores amapaenses para além das fronteiras do Amapá.

A promoção do debate levou a revista a criar outros mecanismos de apoio à produção literária. E assim nasceu a Editora Rumo, que viria a publicar em 1960 a antologia Modernos Poetas do Amapá, o livro Quem explorou quem no contrato do manganês do Amapá, de Álvaro da Cunha (1962), e Autogeografia, livro de poesias e crônicas de Alcy Araújo (1965). A revista Rumo também deu origem ao Clube de Arte Rumo, que reunia poetas, pintores, músicos e artistas de teatro para discutir o que se fazia no Amapá e no Brasil no campo da literatura, da música e das artes cênicas e plásticas. Ao mesmo tempo em que promovia concursos de crônicas e poesias na busca de novos talentos.

 

Editorial do nº 1 da Rumo

“Uma revista de arte e cultura sempre evidencia um salto para o futuro. Uma nova publicação nascida de gente moça, naturalmente, pela seiva entusiasta que lateja, deixa no clima um nervosismo saudável. A revelação revolucionária de coisas inéditas. A quebra do silêncio. A casa limpa, com sol, sem teias de aranha.

Uma coletividade só representa alguma importância, sua voz é notada, seus filhos autenticados e o nome guardado e reconhecido – pela sua cultura.

O Território do Amapá orgulha-se de ser uma terra alfabetizada. Onde o índice de gente analfabeta é ínfimo.Com seus inúmeros estabelecimentos de ensino derramando, todos os anos, jovens instruídos, capazes de fortalecer e solidificar o seu corpo intelectual. Autêntico exemplo num Brasil triste que tateia, com a maioria do seu povo, sem saber ler.

Era necessário, portanto, um elemento coordenador para recensear e arar esse imenso e futuroso campo de inteligências. Duas tentativas já haviam sido feitas, com as publicações Latitude Zero e Mensagem. Mas estas tiveram, unicamente, o mérito de serem pioneiras de uma missão, que as suas forças, ainda verdes, não souberam agüentar.

Rumo, aproveitando essas experiências, através de um grupo de moços idealistas, estudiosos e cônscios do trabalho e responsabilidade da empresa, propõe-se a resolver e semear a terra intelectual amapaense.

Por certo, muitas noites se tornarão brancas. Mas a colheita não há de tardar.

Ivo Torres, Diretor-responsável”

Do meu velho álbum de retrato

Essa menina aí sou eu com 16 anos, em março de 1972. Minha rua não tinha asfalto, as casas não tinham muros, no máximo uma cerquinha de madeira pintada de branco. A maioria das casas era de madeira, cobertas de palhas ou telhas de barro e as janelas eram venezianas. A casa que aparece nesta foto era do professor de educação física e campeão de natação Anselmo Guedes, o “Tio”, que ainda mora no mesmo endereço, mas a casa mudou

Retrato em preto-e-branco

A foto é de 1974. São alunos do professor Tatsuo Nakanishi fazendo pose logo após um treino ou teste para mudança de faixa.
Esses meninos davam show no tatame e faziam o maior sucesso com as gatinhas. Sabe quem são e o que fazem agora? Conta aí na caixinha de comentário.
(Clique na foto para ampliá-la)