Erasmo Carlos – Amar pra Viver ou Morrer de Amor

Vamos reviver nativos sentimentos
Vamos editar os bons momentos
Depois passar o filme por aí

Vamos evitar veneno em nosso vinho
Não deixar que as cepas se embriaguem
Do sangue que semeia o nosso chão

Guerra, mas só se for
Guerras de amor
Mísseis de flores, flores, flores
Bombas de isopor

De repente, mergulhar com otimismo
E nadar nas águas turvas do abismo
Evitar que mais de mil persiga um só
Viemos do mesmo pó
Fim ao desamor

Amar pra viver (Amar pra viver)
Ou morrer de amor (Ou morrer de amor)
Amar pra viver (Amar pra viver)
Ou morrer de amor (Ou morrer de amor)

Quem foi que disse que essa mulher não voa? 

Quem foi que disse que essa mulher não voa?
Alcione Cavalcante*

Gal atravessou, ainda atravessa e vai continuar a atravessar minha vida até o fim dos meus dias.

Ali pelo final da década de 60 e início dos anos 70, em casa, tivemos o primeiro contato com o trabalho de Gal. A minha irmã Alcinéa foi a responsável pela apresentação aos irmãos do primeiro manifesto musical do Tropicalismo, o LP Tropicália ou Panis et Circensis, onde aquela que viria a ser uma das mais importantes vozes do planeta emerge, límpida, juntamente com Caetano, Gil, Tom Zé Nara Leão.

O impacto se deve em parte ao fato de que à época ouvíamos em casa, a bossa nova de João Gilberto e Tom, clássicos como Mozart e Chopin, preferidos do nosso pai Alcy Araújo, além de Elza Soares, Ataulfo Alves, Miltinho e Doris Monteiro, estes mais ao feitio de nossa mãe Delzuite Cavalcante. Ou seja, em tudo muito diferente do conteúdo estético de Panis, de Mamãe, Coragem, composição de Caetano e Torquato.

Mas o encanto mesmo veio, definitivo, com a bolacha Gal Costa, com Baby e Não Identificado, ambas compostas por Caetano. A primeira feita para Bethânia e segunda pra Gal, que acabou, ambas, por força das interpretações apropriadas à Gal.

Posteriormente, em 1973, ainda debutando em Curitiba, onde estudei Engenharia Florestal, deparei-me com o LP Índia, aquele onde Gal, pra desespero dos puritanos de plantão, aparecia de tanga na capa, e que a censura impôs sua comercialização num envelope plástico de cor azul, levemente mais pálida que a “seda azul do papel que envolve a maçã”, como definiu Caetano muito mais tarde em Trem das Cores. Talvez a peça publicitária involuntária mais eficiente, promovida pela ditadura em prol de um desafeto político da resistência cultural. O LP vendeu demais, por sua qualidade evidentemente, mas também pela força do marketing ditatorial.

De Índia destaco “Dá Maior Importância”, uma canção de quase namoro feita por Caetano pra Gal, a esplêndida “Presente Cotidiano” do Luiz Melodia, e a guarânia “Índia” em tudo diferente das intepretações da minha infância.

Outro momento que guardo foi o Show Doces Bárbaros, que tive a oportunidade de assistir no Teatro Guaíra em Curitiba, nos idos de 76, quando já se aproximava o fim de minha estada na cidade. Ver ali, no que era até então um dos melhores teatros da América Latina, Caetano, Bethânia, Gal e Gil juntos foi um momento de intensa felicidade, afinal juntar quatro talentos incrivelmente diferenciados artisticamente, ainda que de mesma cepa, não é muito simples e fácil. Mesmo a plateia conservadora da idem Curitiba da época, se rendeu e ao final explodiu em reconhecido aplauso ao quarteto. Guardei durante muitos anos o canhoto do ingresso desse evento, do qual tenho a bolacha até hoje. Particularmente gosto muito da canção “Eu te Amo” de Caetano onde Gal exuda um mar de carinho e ternura.

Outra coisa legal aconteceu com o CD Mina d’água do meu canto (1995), que se perdeu de mim e que vim a resgatá-lo ao desistir de reparar um aparelho som que não possuía peça de reposição no Brasil. O mesmo se encontrava no local de reprodução de CD, intacto mesmo anos depois. Produzido por Jaques Morelenbaum e formado exclusivamente por músicas de Caetano e Chico Buarque é um dos que guardo com cuidado e carinho, do qual destaco “O Ciúme” de Caetano e a apaixonada “Futuros Amantes” do Chico.

A última apresentação que vi de Gal Costa foi a live comemorativa de seus 75 anos, onde apesar de alguns problemas técnicos mostrou a incrível cantora que Gal Costa sempre foi desde seu primeiro disco.

Há pouco tempo li “Não se Assuste Pessoa! As Personas Políticas de Gal Costa e Elis Regina na Ditadura Militar”, de Renato Contente, o qual recomendo a leitura a todos interessados na trajetória de Gal. O nome do livro é emprestado da música “Dê Um Rolê” de Moraes e Galvão, que Gal também gravou (Enquanto eles se batem/Dê um rolê e você vai ouvir/ Apenas quem já dizia/Eu não tenho nada/Antes de você ser eu sou/Eu sou, eu sou o amor da cabeça aos pés).

Por fim lembro de versos da canção “Sem Medo nem Esperança” de Arthur Nogueira e Antônio Cicero), do CD Estratosférica onde Gal manda o recado: “Nada do que fiz / por mais feliz / está à altura / do que há por fazer”.

Gal nos deixou, não sem antes, em seu último show, em setembro, nos pedir para votar direitinho, destacando seu compromisso com a democracia, fazendo o “L”, para delírio dos presentes. LeGal.

*Alcione Cavalcante é engenheiro florestal e cronista

Gonzaguinha – Pequena memória para um tempo sem memória

Pequena Memória Para Um Tempo Sem Memória
Gonzaguinha

Memória de um tempoOnde lutar por seu direitoÉ um defeito que mata

São tantas lutas inglóriasSão histórias que a históriaQualquer dia contaráDe obscuros personagensAs passagens, as coragensSão sementes espalhadas nesse chão
De Juvenais e de RaimundosTantos Júlios de SantanaNessa crença num enorme coração
Dos humilhados e ofendidosExplorados e oprimidosQue tentaram encontrar a solução
São cruzes sem nomes, sem corpos, sem datasMemória de um tempoOnde lutar por seu direitoÉ um defeito que mata
E tantos são os homens por debaixo das manchetesSão braços esquecidos que fizeram os heróisSão forças, são suores que levantam as vedetesDo teatro de revistas, que é o país de todos nós
São vozes que negaram liberdade concedidaPois ela é bem mais sangueÉ que ela é bem mais vidaSão vidas que alimentam nosso fogo da esperançaO grito da batalhaQuem espera, nunca alcança
Ê ê, quando o Sol nascerÉ que eu quero ver quem se lembraráÊ ê, quando amanhecerÉ que eu quero ver quem recordará
Ê eu não quero esquecerEssa legião que se entregou por um novo diaÊ eu quero é cantar, essa mão tão calejadaQue nos deu tanta alegriaE vamos à luta

Recado

Há 77 anos (22/9/1945) nascia no Rio de Janeiro Luís Gonzaga do Nascimento Junior, o Gonzaguinha.
Ele morreu aos 45 anos em 29 de abril de 1991, vítima de um acidente automobilístico.

Cantor e compositor Enrico Di Miceli é indicado, em três categorias, ao Prêmio Profissionais da Música

O cantor, compositor e músico Enrico Di Miceli foi indicado, em três categorias, ao 7ª Prêmio Profissionais da Música. Com três discos gravados, canções compostas com dezenas de parceiros de todo o país, o artista vive um novo momento em sua carreira e a participação na sétima edição do PPM abrilhanta sua trajetória como cancioneiro amazônida.

As indicações ao Prêmio se deram por conta do disco “Timbres e Temperos”, terceiro álbum da carreira de Enrico, lançado em 2021, em parceria com o poeta, escritor e cantor Joãozinho Gomes e a cantora Patrícia Bastos.

Timbres e Temperos
Timbres e Temperos possui direção musical do músico e compositor paulistano Dante Ozzetti, autor dos arranjos. A produção executiva é de Clicia Vieira Di Miceli. O repertório do disco é composto por ritmos do Amapá, como o batuque e o marabaixo, e fusão de gêneros musicais da vizinha Guiana Francesa, como o zouk.

O artista concorre nas categorias:
– Criação – Norte – Cantor
– Criação – Norte – Autor(es) Música e Letra;
– Convergência – Norte – Videoclipe, com a música “Dançando com Oxum”.

A votação, iniciada no último dia 14, irá até 29 de setembro.

Como votar:
1- Acessar www.ppm.art.br
2- Fazer cadastro clicando no botão CADASTRO;
3- Ao concluir o cadastro, clicar no botão VOTAÇÃO;
4- Clicar na modalidade:
5- Depois clicar na categoria:
6- Aperte o botão votar.

Ao dar OK no voto, a categoria em que votou, mudará de cor.

Mais sobre Enrico Di Miceli
Enrico Di Miceli é musicista paraense radicado no Amapá. Ele é um dos grandes nomes da música regional. O artista começou a tocar e compor no final dos anos 80, se apresentando em bares de Belém (PA) e festivais do Norte do Brasil.
Com mais de 30 anos de carreira, compôs músicas em parceria com renomados compositores do Brasil. Gravou três álbuns: o “Amazônica Elegância” (2010), em parceria com o poeta Joãozinho Gomes, “Todo Música” (2019), solo com participações de vários renomados parceiros e “Timbres e Temperos” (2021). Sua música já cruzou a fronteira, através de shows realizados na Guiana Francesa (FRA).

Sobre o Prêmio Profissionais da Música
O PPM foi idealizado com o objetivo de expor e reconhecer a contribuição de todos os profissionais que colaboram para o desenvolvimento deste setor econômico.

(Assessoria de Comunicação)

Ariel Moura lança EP ‘Mundiar’ com releituras de sucessos da MPA

Com quatro novas versões de músicas já conhecidas do cancioneiro amapaense, a cantora Ariel Moura, lançou o EP ‘Mundiar’ em todas as plataformas de streaming nesta quarta-feira, 7. O trabalho ganhou também versões visuais para o YouTube.

‘Mundiar’ vem sendo preparado há cerca de um ano. No mês de julho a cantora lançou o single Língua intrusa, composição de Enrico di Miceli e Joãozinho Gomes. Junto a esta canção o EP também inclui as músicas, No compasso do luar (Joãozinho Gomes e Aldo Moreira), Pérola azulada (Joãozinho Gomes e Zé Miguel) e Mei mei (Joãozinho Gomes e Val Milhomem).

A produção musical de ‘Mundiar’ é assinada por Hian Moreira e produção artística assinada pela Duas Telas Produtora Cultural, e o projeto foi contemplado pela Lei Aldir Blanc e Circula Amapá através da Funart e Secretária de Estado da Cultura do Amapá – SECULT.

Para o lançamento presencial em Macapá Ariel se prepara para fazer seu primeiro show com as novas canções no Amapá Jazz Festival, que acontece no mês de outubro.

Ariel é cantora, compositora e atriz. Cantava desde a adolescência em apresentações em igreja, e iniciou sua carreira profissional de fato em 2015. Influenciada pelo Soul, Jazz, Pop, Música Popular Brasileira, onde assume ainda as raízes do Batuque e Marabaixo como uma de suas grandes referências. No ano de 2015 se apresentou pela primeira vez no Teatro das Bacabeiras, acompanhada de seu professor e amigo guitarrista Tom Campos em uma amostra cultural. No ano seguinte participou do programa The Voice da rede Globo.

Desde então realizou diversas apresentações. Participou do show “A Liga” ao lado de outros nomes da cena musical amapaense. Realizou seu primeiro show solo intitulado de “Gold” como cantora profissional, sob a direção musical de Dilean Monper. Participou da 7ª Edição do Amapá Jazz Festival, organizado pelo músico, compositor e produtor cultural Finéias Nellutty, além de outras aparições em programas regionais e shows locais.

(Texto:Thiago Soeiro)

Alan Yared lança o single “Avenida Fab”

O cantor e compositor Alan Yared lançou este mês o single “Avenida Fab” que faz parte do álbum que recebeu o mesmo título da música de trabalho. A canção, feita em parceria com o poeta Afonso Rodrigues, já está disponível no Spotify, Deezer, Youtube e demais streamings de música.

A faixa “Me Leve”, primeiro single lançado pelo artista no dia 23 de maio, tem a participação do cantor paraense Nilson Chaves.

Os shows de lançamento do álbum “Avenida Fab” estão previstos para acontecer este ano, nos dias 25 e 26 de novembro em Belém, 2 de dezembro Macapá e 15 em Santarém.

O artista assina individualmente três faixas: Casamento, Estigmas e Pra Ver o Sol. E ainda, assina a versão da música “Humanos” (Supla).

Oito faixas foram feitas em parceria, que são: Letra Por Letra (Alan Yared / Ademir Pedrosa); Me Leve (Alan Yared / Helder Brandão); Leonor (Alan Yared / Enrico de Miceli); Avenida Fab (Alan Yared / Luiz Afonso Rodrigues); Língua Morta (Alan Yared / Aldo Gatinho); Notívago (Alan Yared / Sérgio Sales); Alamanda (Alan Yared / Nitai Santana) e O Universo Dentro de Mim (Alan Yared / Rony Moraes).

(Com informações da Assessoria de Comunicação/ Cia Supernova)

Hoje – 160 anos do nascimento de Claude Debussy. Ouça Clair de Lune

Nasce Claude Debussy, o mais influente compositor francês dos últimos três séculos no dia 22 de agosto de 1862, em Saint-Germain-en-Laye, na França.
Em 1873, entrou para o Conservatório de Paris.
Considerado o fundador do impressionismo musical, Debussy influenciou o trabalho de compositores como Maurice Ravel, Igor Stravinsky, Bartók Béla, Alban Berg, Anton Webern e Pierre Boulez. Portanto, ele é considerado o mais influente compositor francês dos últimos três séculos.
Em seu trabalho constam a ópera “Pelléas et Mélisande” (1902), o trabalho orquestral “Prelude to The Afternoon of a Faun” (1894) e “La Mer” (1905).
Debussy morreu no dia 25 de março de 1918, em Paris.

(Com Paulo Tarso)