Chá da tarde

Uma lembrança de Verão
Val-André Mutran

Se um dia pudesse voltar no tempo…
Ouviria que seja por encanto o sussurrar do vento.
Leria muito mais Pablo e Spinoza à fórmulas de Kent.

Se um dia me fosse permitido olhar o tempo…
Repararia o corpo perfeito dos bem acabados ateus
que não reparam santos, pois, movem-se como Deuses.

Se um dia me fosse concedido ouvir o tempo…
Calaria, circunspecto, ouvir Callas após o Ato final.

Assobiaria besteiras para espantar a sina.

Se alguma vez conhecesse o encanto…
Confraria um trato: o de adiar a fome, aviltar a vontade,
esquecer a dor, levitar no agora;
encantar-me com a noite: perder-me de amor pelo dia.
Se apesar de tudo e só peço haja não me for permitido…

Que a morte venha tântrica, semântica, pois é tempo de trabalho
Muitos me esperam
Poucos me verão…
…No Inverno.

(Val-André Mutran, poeta e jornalista paraense, há vários anos residindo em Brasília)

Chá da tarde

Explicação

Vivo do ato de escrever
sobre tragédias
e espetáculos
sobre o candidato vitorioso
e o derrotado
sobre o deputado corrupto
e o governante que finge ser honesto
sobre a exportação da mandioca
e a importação da farinha
sobre a fome e a riqueza
sobre o real e o dólar.
Perdoa-me, Anjo,
não sobrou tempo
para escrever
um poema de amor.
(Alcinéa)

Hoje tem Poesia na Boca da Noite

O Movimento Poesia na Boca da Noite estende  hoje, a partir das 16h30, o Pano da Poesia no Parque do Forte.
É com muito lirismo, poemas, ciranda, chocolate,  bolo e guaraná que os poetas e  amantes da poesia vão comemorara a Páscoa e o aniversário da poetisa Andreza Gil (foto) , à beira do rio mais lindo do mundo e ao lado da Fortaleza de São José.

andreza2Andreza faz parte do Movimento Poesia na Boca da Noite. Ano passado ela participou da Bienal Internacional do Livro de São Paulo onde autografou a coletânea “Poesia na Boca da Noite” na qual constam belíssimos poemas dela.
Hoje ela faz aniversário e nada melhor do que festejar a data com muita poesia.

O Dia da Poesia em Macapá

Para comemorar o Dia da Poesia em Macapá, o Movimento Poesia na Boca da Noite desde a a madrugada desta quinta-feira espalhou poesias pela cidade. Durante a madrugada o Movimento pendurou poesias nas árvores, nos portões de centenas de casas e “esqueceu” livros em paradas de ônibus.
Pela manhã, com o sol dourando o dia, os integrantes do Movimento se concentraram na Praça Veiga Cabral. Lá, distribuíram mais de 500 poemas e 250 origamis com poesias e 80 livros.
O povo que passou pela praça parou para ler e ouvir poesia e parabenizou o Movimento pela iniciativa. Era gente de todas as idades, profissões e classes sociais.
Foi um dia cheio de lirismo, de ternura, de amor, emoção e alegria.
Eis algumas imagens:

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Uma rua linda

SAnunciando o Dia da Poesia, que transcorre amanhã, os passarinhos (de origami) pousaram hoje nas árvores  trazendo versos e cores que enfeitam  um trecho da avenida Almirante Barroso, no Centro, e alegram os passantes.
Muitas pessoas param para ler os poemas trazidos pelos passarinhos. Outras, olham para um lado, olham para o outro, certificam-se que não estão sendo “vigiadas” e discretamente retiram os origamis com poesias e levam.
Ah, podem levar sem medo. Tudo isso foi feito para vocês. É um presente do Movimento Poesia na Boca da Noite para os poetas e amantes da poesia.

SE amanhã, pela manhã, o Movimento Poesia na Boca da Noite estará na Praça Veiga Cabral comemorando o Dia da Poesia, enfeitando árvores, distribuindo e declamando poemas, armando varais de poesias nas paradas de ônibus em diversos locais.
No Pano da Poesia – que será estendido na Praça –  serão ofertados pergaminhos, origamis, fanzines e livros de poesias.

Chá da tarde

Poema para o amigo

É possível que eu te conte
uma história de príncipes e fadas
que escutarás com o olhar perdido na infância.
Ou que te conte uma piada tão engraçada
que rolaremos de tanto rir.
Nossas gargalhadas contagiarão os passantes
e de repente todo mundo estará rindo
sem nem saber por que.

É possível
que eu faça um café com tapioca e te chame
porque café, tapioca e amigo tem tudo a ver.

É possível que eu chegue na tua casa sem avisar
só pra te ofertar uma rosa que acabara de nascer
e te oferecer um Johrei.

É possível que eu te ofereça uma música no rádio
ou te mande, pelo Correio,
uma carta numa folha de papel almaço.

É possível que eu te ligue
no meio da noite
no meio do dia
a qualquer hora
– mesmo na mais imprópria –
só pra dizer:
Amigo, eu amo você.

(Alcinéa Cavalcante)

Chá da tarde

“Nossos inimigos dizem:a verdade está liquidada.
Mas nós dizemos:nós ainda a conhecemos.
Nossos inimigos dizem: mesmo que ainda se conheça a verdade,ela não pode mais ser divulgada.
Mas nós a divulgamos.”
(Bertolt Brecht)