Vamos ler?

Tarde de quinta-feira (e todas as tardes) é bom para ler poesia. Da minha estante coloco hoje à sua disposição essa prateleira de poesias. Qual destes livros você quer ler hoje tomando um cafezinho? Qual destes poetas você mais curte? Conte pra nós que poesia marcou um momento especial de sua vida

Recomendo

Tenda Multicultural: espaço das artes, literatura e saber da 49ª Expofeira do Amapá

Declamações de poesias, exposições de livros, literatura, contação de histórias, música, teatro, piadas, estátuas vivas, dança, tudo em um mesmo lugar e com muita diversão. Assim está funcionando a Tenda Multicultural, um espaço dedicado às artes, que está atraindo públicos bem distintos na 49ª Expofeira Agropecuária do Amapá.

Localizada à direita, na rua principal do Parque de Exposições da Fazendinha, a tenda é uma proposta organizada pelo governo do Estado, sob responsabilidade da Secretaria de Estado da Cultura (Secult).

Já passaram pelo espaço artistas e grupos como Cia. de Teatro Piracuí, Trupe Gargalhada, Os Paspalhões, Cia. de Animação Alegria Alegria, Galinha Pintadinha e Stand Up Bar.

Os grupos Abeporá das Palavras, Poemas de Quinta, Pássaros Cantam na Chuva, Desiderare, Pena e Pergaminho, entre outros, são responsáveis pela programação literária.

“Nosso foco é fomentar a literatura, o hábito da leitura, o gosto pelo saber, de forma lúdica, envolvendo as pessoas, por isso esse espaço é cheio de cores, sons, livros. E o principal: é uma proposta que integra os grupos. A organização é do Abeporá, mais o trabalho é de parceria, de um coletivo de artistas”, explica Mara Valdene, uma das coordenadoras do Abeporá, junto com Carla Nobre, Elisete Jardim, Rai Amorim e Benedita Dias.

E àquelas pessoas que quiserem se saborear com uma boa leitura: infanto-juvenil, contos, dramas, poemas, poesias e prosas, podem procurar a Tenda Multicultural nos turnos da manhã, tarde e noite, e a minibiblioteca fica aberta ao público nos três turnos.

O estudante Anderson Cardoso, 14 anos, aprovou a proposta. “É bacana quando se une leitura e música, e esse espaço está chamativo porque a gente passa pela frente e vê as pessoas trabalhando com muita alegria, elas leem brincando com a história”, declara.

(Rita Torrinha/Secult)

Chá da tarde

Johrei
Alcinéa Cavalcante

Me conta, menino,
que luz é essa
que sai da palma da tua mão
e dissipa tristezas,
elimina dores
e faz a noite parecer dia.

Me fala, menino,
que luz é essa
que feito raio de sol
aquece meu coração,
aquieta minh’alma,
me banha de amor.

Me diz, menino,
de onde trouxeste esta luz.
Me ensina o caminho
que eu também
quero ir lá buscar.

Um poema de Cora Coralina

Não Sei
(Cora Coralina)

Não sei… se a vida é curta
ou longa demais pra nós,

Mas sei que nada do que vivemos tem sentido,
se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
não seja nem curta,
nem longa demais,
Mas que seja intensa,
verdadeira, pura…
Enquanto durar.

Paisagem Antiga

Avenida Almirante Barroso em 1971

PAISAGEM ANTIGA
(Alcinéa Cavalcante)

Quero de volta
a paisagem antiga da minha rua
com suas casinhas brancas
cobertas de palha
gamela no jirau
fogão de barro na cozinha
e passarinhos no quintal.

Quero de volta
aquela paisagem antiga
com a casa avarandada de Mané Pedro
e a casa sem pátio da Maria Banha.
Os meninos de pés descalços
jogando bola na rua sem asfalto
e as meninas de sapatinho branco
brincando de roda.

Quero de volta
a paisagem antiga da minha rua
com minha casa de venezianas cor de rosa,
minha mãe no alpendre
bordando flores nos lençóis
e minha avó rezando o terço.

Quero de volta
a paisagem antiga da minha rua
só pra sonhar de novo
os sonhos que sonhei na infância
cheia de fadas, princesas,
e varinha de condão.