Artigo dominical

O beijo
Dom Pedro José Conti, Bispo de Macapá

Um casal de idosos tinha cinquenta anos de casamento. Muitos anos juntos. Casa, trabalho, filhos e netos. Agora, vivendo o tempo da aposentadoria, estavam sentados num banco da estação, esperando a chegada do trem. No banco da frente deles, um casal de jovens namorados se abraçava com carinho. Os dois idosos olhavam tudo em silêncio. Os dois jovens começaram a se beijar. A senhora idosa, procurou levemente a mão do marido e, com um sorriso luminoso, disse-lhe:

– Você poderia fazer o mesmo.

– O quê? Está louca – respondeu o marido – eu nem a conheço!

O marido não entendeu ou fingiu não ter entendido. Deixemos de lado a brincadeira e falemos de São João Batista, pois neste domingo celebramos a solenidade do seu nascimento. Lembrar a criança e as circunstâncias do seu nascimento, no entanto, significa também lembrar os pais idosos: Zacarias e Isabel. Os encontramos no início do evangelho de Lucas e, como bem sabemos, a simplicidade da narração revela uma grande mensagem.

Apresentando a gravidez inesperada de Isabel, o evangelista quer nos preparar a acolher o mais surpreendente de tudo: a gravidez de Maria, mãe de Jesus. As palavras-chave são aquelas do anjo à Maria: “Para Deus nada é impossível” (cf. Lc 1,37) e a pergunta que o povo se fazia a respeito de João: “Que vai ser deste menino?” (cf. Lc 1,66). Os acontecimentos são sinais do amor de Deus que quer manter viva a esperança do povo porque algo de maior ainda está para acontecer: chegou a plenitude dos tempos (cf. Gl 4,4).

Maria, José, Zacarias, Isabel e, mais tarde, também os pastores que, alegres, irão a Belém para encontrar o recém-nascido Salvador, representam os chamados “pobres de Deus”, isto é, os humildes que esperavam ansiosos e confiantes a chegada do Messias.

Os primeiros capítulos do evangelho de Lucas antecipam o drama da acolhida e da rejeição de Jesus. Por que os pobres e os pequenos – os humildes – conseguem vibrar com o nascimento de João e, depois, com o de Jesus? Por que Deus, com eles, consegue fazer maravilhas e eles enxergam a novidade, acreditam, adoram e se rejubilam? Justamente porque são “pobres”. Eles não estão apegados a outras riquezas, não têm nenhum poder ou posição humana privilegiada para defender. Eles confiam totalmente e unicamente em Deus. Foi muito diferente para os Herodes, os grandes e os poderosos de todos os grupos do tempo de Jesus. Eles ficaram com medo, primeiro do menino Jesus e depois do profeta que vinha do Norte. Segundo eles, Deus não podia estar do lado de quem mostrava misericórdia, curava os doentes, saciava os famintos, consolava e perdoava os pecadores. Se Deus era Pai, que salvava por amor como ele ensinava, quem teria mais acreditado numa salvação que vinha da obediência rigorosa à Lei?

Já conhecemos o final da história de Jesus. Voltamos a Zacarias e Isabel, os dois pais idosos. Talvez para Maria, muito mais jovem, ter sonhos e esperanças era normal. Talvez todas as moças sonhavam em ser, um dia, mães do Salvador. Mas para os dois “velhos”, tinha sentido ainda “sonhar”, aceitar fazer parte da novidade que estava para acontecer e acreditar que João, o filho inesperado, “dom de Deus” – como diz o nome dele – ia preparar os caminhos para o Messias? Difícil acreditar. No entanto foi isso que aconteceu. As promessas de Deus se realizam sempre para quem acredita e nunca perde a esperança, porque sabe em quem confiou.

Por isso, admiro as pessoas idosas que rezam e participam da própria comunidade. Admiro-as quando falam de Deus aos mais jovens e parecem enxergar e viver as histórias que contam. Admiro-as quando continuam olhando para frente, não mais com a esperança nas coisas humanas, mas já vislumbrando as coisas do alto. Admiro-as quando não parecem estar cansadas como quem chega ao final de uma caminhada, mas animadas como quem está no início de uma nova aventura.

Neste domingo, vamos dizer muito obrigado aos zacarias e às isabeis presentes em nossas famílias e em nossas comunidades. Muitas dessas pessoas continuam, ainda hoje, a serem “pais e mães” de tantos joõesinhos. Todos nos ajudam a acreditar em Deus e a esperar por Ele. Merecem um grande beijo.

Artigo dominical

Os frutos
Dom Pedro José Conti, Bispo de Macapá

Um homem, que buscava a sabedoria, resolveu subir numa montanha onde, a cada dois anos, aparecia Deus. Durante o primeiro ano, alimentou-se com aquilo que o lugar lhe oferecia. Depois, tudo acabou e, não tendo mais nada para comer, teve que voltar para a cidade.

– Deus foi injusto comigo – exclamou – será que Ele não viu que esperei todo esse tempo para ouvir a sua voz? Mas agora estou com fome e vou embora sem tê-lo escutado.

Naquele momento apareceu um anjo que lhe disse:

– Deus teria gostado muito de poder falar com você. Por isso o alimentou um ano inteiro. Esperava que você mesmo providenciasse os seus alimentos para o ano seguinte. Mas, o que você plantou durante o primeiro ano? Se um homem não sabe produzir nenhum fruto lá onde mora, como pode pensar em estar pronto para falar com Deus?

Eis uma pequena história para ajudar, espero, na compreensão das duas parábolas sobre o reino de Deus que encontramos no evangelho deste domingo. A primeira nos lembra que os frutos da terra são também o resultado da própria natureza que cumpre as suas leis. De noite, quando o agricultor dorme, o trigo continua crescendo. A segunda parábola é aquela, bem conhecida, do grão de mostarda. Por ser tão pequeno, não inspira nenhuma confiança; acontece, porém, que, ao crescer, se torna a maior de todas as hortaliças, oferecendo sombra e abrigo aos pássaros.

Podemos aproveitar de ambas as parábolas para entender melhor o jeito “novo” do reino de Deus, que Jesus veio anunciar e iniciar. O reino de Deus é, antes de tudo, um dom oferecido gratuitamente e não pode ser medido pelas aparências ou pelo tamanho delas. Exatamente o contrário das duas grandes tentações que sempre nos atraem.

A primeira é a tentação da grandeza. Julgamos o valor e o resultado das coisas pelo tamanho das construções, pela riqueza acumulada, pelo número dos participantes. Claro que tudo isso nos empolga e nos faz sentir importantes. O sucesso sobe à cabeça de qualquer um; também porque junto com os invejosos sempre aparecem muitos bajuladores que nos enaltecem mais do que merecemos. Como sempre, é a tentação do orgulho que nos cega e ensurdece. Contra essa tentação, Jesus nos alerta a medir as coisas mais pela paciência que pelos resultados imediatamente visíveis. Os tempos do crescimento do reino não são os tempos que deveriam recompensar a nossa dedicação, como pensamos.

Do outro lado, se o reino é “dom” de Deus, por que nos esforçarmos tanto? Esta é a segunda tentação: esperar que Deus faça a parte dele – e Ele a faz com certeza – sem nenhuma colaboração ou participação de nossa parte; só aguardando para ver se tudo vai ser tão bom como foi prometido. Nesse caso são a preguiça e a indiferença que tomam conta da nossa vida de cristãos.

Resumindo os dois extremos: temos cristãos que medem as “coisas” de Deus com as mesmas medidas das coisas humanas, isto é, com o sucesso, a fama, a grandeza. O reino cresce em outras dimensões: no amor, na paz e na justiça, por exemplo. Cresce, sobretudo, no coração dos que têm fé. Temos também cristãos que não ligam para nada, cobram e exigem de Deus sem nenhum compromisso pessoal e concreto. Gratuidade não significa absolutamente acomodação e inatividade.

Em ambos os casos, a nossa participação deve ser ativa e confiante. É verdade que o trigo cresce também de noite, quando o agricultor repousa, contudo, cabe ao agricultor a colheita, para que o campo possa continuar a produzir mais frutos.  Pensando bem, a humildade e a gratidão deveriam ser os primeiros “produtos” da colheita. Outros podem ser a partilha e a solidariedade, para não cair no pecado do rico tolo que só pensava em aproveitar das riquezas acumuladas (cf. Lc 12,16-21).

Sempre teremos que agradecer e sempre teremos que trabalhar. Os frutos sempre serão, ao mesmo tempo, um dom de Deus e uma busca incansável de nossa parte. Não deve acontecer como ao homem que queria ouvir a Deus; aproveitou da fartura encontrada, mas esqueceu de plantar para o futuro. O reino de Deus sempre será dom e compromisso: nunca será só um presente para preguiçosos e acomodados. Menos ainda para os orgulhosos.

Artigo dominical

O pássaro com duas cabeças
Dom Pedro José Conti, Bispo de Macapá

Certa vez, num lugar deste mundo, nasceu um pássaro com duas cabeças e um corpo só. A cabeça direita era sempre faminta, muito esperta em encontrar comida e devorava tudo o que encontrava com uma velocidade extraordinária. A cabeça esquerda era também faminta, na mesma proporção da outra, mas era desajeitada nos movimentos e, na hora de comer, chegava atrasada. Dificilmente sobrava alguma coisa para ela. Desse jeito, a cabeça direita conseguia sempre satisfazer a sua fome; a esquerda, nunca, por isso morria de inveja e cansou de ficar para trás, assim elaborou uma estratégia assassina. Um dia falou à cabeça direita:

– Conheço, aqui por perto, um lugar onde existe uma grama muito gostosa; não queria experimentar?

Na realidade, a cabeça esquerda tinha feito uma pesquisa detalhada para ter  certeza de que aquela grama era venenosa e mortal. Assim a cabeça direita logo que viu as verdes plantinhas caiu sobre elas e, como sempre, comeu rapidamente e à vontade. A cabeça esquerda não teve tempo de ver as consequências da sua jogada, porque o único corpo morreu, poucos minutos depois, junto com as duas inseparáveis cabeças.

Bem sabemos que as palavras e as atitudes de Jesus deixavam incomodados muitos daqueles que não aceitavam ser questionados sobre a própria religião e a maneira de vivê-la. Em lugar de fazerem um autojulgamento, era muito mais fácil, para eles, acusar aquele pregador, que vinha de fora, de ser “possuído por um espírito mau”, por Belzebu, “o príncipe dos demônios”. Sendo assim, nada de bom podia vir de Jesus, tudo o que ele fazia e dizia era obra do “diabo” e, por consequência, errado, “mau”. Jesus respondeu com a comparação de um reino dividido. Inevitavelmente, divisões e disputas internas são causa de fraqueza e de derrota. As palavras dele devolveram a acusação: onde estava o “espírito mau”? Nos acusadores ou nos gestos dele, que libertavam e curavam as pessoas? Se o que Jesus fazia era um bem, não podia ser obra do “príncipe dos demônios”, somente podia ser obra de Deus, mas isso significava admitir e reconhecer que o próprio Deus estava agindo nele! Então Jesus era “possuído” pelo Espírito de Deus, não pelo demônio.

A nossa reflexão, porém, não pode parar por aqui. Se é verdade que toda cura, que seja ou não extraordinária, é algo de bom e desejável – e, portanto, devemos agradecer ao Senhor pela sua bondade quando as curas acontecem – não podemos deixar de lembrar que Jesus não quis ser um simples curandeiro ou milagreiro. Os gestos dele são sinais para nos apontar algo que está além e que é mais precioso. Não devemos procurar o Senhor somente pelas curas físicas ou psicológicas, para que ele preencha as nossas carências emocionais ou afetivas. A grande doença da qual Jesus quer nos curar é o pecado, o mal que cega os nossos olhos e o nosso coração. A busca individual do nosso bem-estar e do nosso sucesso pessoal é a causa de tantos males, mesmo quando não queremos admiti-lo, porque enxergamos somente o que nos interessa.

A oração que Jesus nos ensinou é sempre e toda no plural. O Pai é “nosso”, não “meu”. O Reino é para todos nós. O pão de cada dia, também, é “nosso”, porque todos precisamos nos alimentar. Por fim, o perdão ao irmão é o fruto do perdão de Deus oferecido a todos. O demônio nos conduz a pensar no “meu” de cada um. Assim nascem os conflitos e as disputas. Assim Caim matou Abel. O Filho que o Pai enviou nos quer  irmãos, porque todos somos amados e podemos aprender a amar. A fé que Jesus praticou e ensinou foi a de amar a Deus amando também o próximo. Com a sua vida doada nos curou da doença mortal do não amor. Quem sabe amar o seu próximo ama o Pai, cumpre a sua vontade e entra a fazer parte da nova “família” de Jesus.

Ela não tinha tempo nem para comer. A cabeça comilona não deixava nada para a outra. Assim nasceu a inveja que levou as duas à morte. O “milagre” da partilha teria salvado o corpo inteiro.

Programação de Corpus Christi

Em Macapá
As paróquias Beato João Piamarta, Nossa Senhora de Fátima e Jesus de Nazaré, pertencentes ao Vicariato 2 da Diocese de Macapá, intensificam os preparativos para a solenidade de Corpus Christi, que se realiza nesta quinta-feira,7. A programação constitui-se de missa, adoração, carreata e procissão com liturgia fundamentada no tema “Eucaristia e Vida” e no lema “Quem come deste pão viverá eternamente”.

Missa, às 9h, na Igreja Santa Maria e São João Evangelista, no bairro Cabralzinho, marca o início das atividades. Logo após, começa a adoração ao Santíssimo Sacramento à qual são convidadas pessoas de todas as paróquias, pastorais, movimentos e grupos eclesiais. No final da adoração, às 15h, uma carreata com o Santíssimo Sacramento percorrerá os bairros Marabaixo 1,2 e 3, com chegada prevista para as 16 horas na Igreja Nossa Senhora de Fátima, onde será celebrada, às 17, a missa campal presidida por Dom Pedro.

Logo após a missa, sairá a procissão pela Av. Cora de Carvalho, seguindo pela Rua Hamilton Silva, Avenida FAB, Rua Jovino Dinoá, Avenida vereador José Tupinambá, Rua Leopoldo Machado até a quadra da Igreja Jesus de Nazaré, para a bênção final.

Em Santana
Da Igreja de Nossa Senhora de Fátima e Sant’Ana (Avenida 15 de novembro) sairá, às 16h, a procissão. Antes, porém, haverá a reza do terço e adoração ao Santíssimo Sacramento.

A procissão percorrerá a Rua Salvador Diniz, Avenida Princesa Isabel, Rua Tancredo Neves, Avenida Castro Alves, Rua Everaldo Vasconcelos até a Igreja de São Pio e Bem-aventurado Luiz Monza onde será celebrada a Missa, presidida por Frei Denilson Leray.

(Graça Penafort, da Pastoral da Comunicação)

Artigo dominical

O falcão acomodado
Dom Pedro José Conti,Bispo de Macapá

Um grande rei ganhou de um amigo dois filhotes de falcão. Imediatamente os entregou ao mestre encarregado da criação desses pássaros para que, depois de crescidos e adestrados, servissem durante as suas aventuras de caça. Depois do tempo necessário, o mestre comunicou ao rei que um dos dois falcões estava perfeitamente pronto para as caçadas.

– E o outro? – perguntou o rei.

– Lamentavelmente o outro tem um jeito meio esquisito. Talvez tenha alguma doença rara que não conhecemos: nunca sai do galho da árvore onde foi colocado desde os primeiros dias. Nós mesmos temos que levar comida para ele.

O rei convocou os melhores veterinários, médicos e curandeiros do reino, mas ninguém conseguiu fazer com que o falcão saísse do lugar. Generais, conselheiros da corte e cientistas tentaram também, mas o falcão continuava firmemente empoleirado no galho. Dia e noite, o rei o olhava pela janela e o via imóvel, sempre no mesmo lugar. Finalmente decidiu pedir ajuda aos súditos do seu reino: qualquer um podia sugerir um remédio.

No dia seguinte, ao abrir a janela do seu quarto, viu o falcão voar majestosamente pelo jardim. Logo quis saber quem era o autor do milagre. Apresentaram ao rei um jovem camponês.

– Você conseguiu fazer o falcão voar, como fez isso? Tem alguma mágica no meio?

– Não – respondeu timidamente o jovem – simplesmente cortei o galho onde o falcão estava parado. Assim ele percebeu que tinha duas asas e começou a voar.

Se fosse tão simples assim tirar todos os preguiçosos e acomodados dos seus lugares seria bom demais. No entanto a historinha permite que nos aproximemos um pouco mais da comparação que Jesus faz, no evangelho deste domingo, entre ele, o Pai, a videira, os ramos e a vida dos cristãos.

Em primeiro lugar, devemos distinguir entre a poda e o corte. Jesus diz que o ramo que não produz fruto é cortado. O ramo seca e serve apenas para alimentar o fogo. Diferente é o que acontece com a poda: o ramo que produz fruto é podado, justamente, para que produza mais fruto. No caso da videira, todo agricultor sabe que a poda é absolutamente necessária para que haja uma boa produção de uva gostosa. Se não houver poda, a energia vital do tronco da videira se dispersa nos muitos ramos, e a produção fica escassa.

Entendendo a comparação, a poda em si é um sofrimento necessário para que a árvore produza cada vez mais e melhor. Podemos resumir o ensinamento de Jesus em poucas palavras: os ramos devem aceitar ser podados e limpos pelo Pai, que é o agricultor, mas somente conseguem produzir bons frutos os cristãos que ficarem unidos a Jesus, o tronco da videira.

Mais uma vez Jesus nos lembra da necessidade de caminharmos juntos com ele; de acreditarmos na unidade como primeiro, mais visível e, talvez, mais valioso fruto de quem quer pertencer ao grupo dos seus seguidores. Naquela mesma noite em que Jesus pronunciou as palavras do evangelho deste domingo, deixou também o mandamento do amor – será o evangelho do próximo domingo – e rezou muito pela unidade dos seus amigos. Amor e unidade andam juntos. A divisão pode não significar ódio entre as pessoas, mas, com certeza, é o resultado da indiferença e do desinteresse de uns para com os outros.

Toda separação e divisão são o contrário do amor. Este pede aproximação, alegria e desejo de estar juntos. Onde tem amor e unidade também tem a preocupação com quem não está presente, percebe-se a sua falta, nasce o desejo de não perder ninguém. Amor e unidade são frutos bons, agradáveis, mas só acontecem se todos continuam unidos ao tronco que é Jesus. É nele e com ele que se faz unidade e é possível aprender a amar de verdade. Quando prevalecem os individualismos, os interesses particulares, as disputas pelo poder, o resultado é divisão e mais e mais confusões. Nenhuma divisão produz frutos bons e úteis para todos. Podem ser bons para alguns, mas não o são para os outros. Podem dar alegria para alguns, mas nunca para todos.

Por isso os cristãos devem aceitar também a poda, para que a unidade e o amor cresçam: é a poda do nosso orgulho pessoal; de querermos ser os únicos possuidores da verdade; da vontade de humilhar os outros; ou de fazer as coisas cada um por sua conta. Muitas podas são necessárias para chegar à unidade, mas vale a pena. Quando uma família, um grupo, uma comunidade, uma paróquia, uma diocese, a Igreja toda vive unida, tudo se torna mais fácil. As forças se somam, as iniciativas alcançam os objetivos, o amor se multiplica. Somente o amor atrai. A divisão afasta porque cria partidos, disputas e controvérsias. Quem está bem acomodado no seu galho, achando que o mundo todo gira ao seu redor e não move um passo para a unidade e a colaboração, acaba isolado e produzindo muito menos bondade do que pensa. Está na hora de cortar o galho para voar junto com os outros.

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As cicatrizes
Dom Pedro José Conti, Bispo de Macapá

 Naquela tarde o calor era muito grande. Sem pensar duas vezes a criança pulou no igarapé que passava bem perto de sua casa. Estava acostumada a aproveitar do refrigério da água. A mãe olhava tudo pela janela e viu, com horror, um jacaré aproximar-se perigosamente do menino. Imediatamente correu para o igarapé, gritando com toda a voz que tinha. A criança ouviu e logo nadou para a beira onde estava a mãe, mas o jacaré já tinha agarrado as suas pernas.  O animal era muito forte, mas a mãe estava decidida a salvar o seu filho. Ouvindo os gritos, um caçador, que passava por perto, percebeu o perigo e conseguiu atirar no jacaré, matando-o. A criança tinha ficado gravemente ferida, mas estava salva. Em poucos meses voltou a caminhar. O fato se espalhou e, mesmo depois de muito tempo do acontecido, as pessoas pediam ao menino para mostrar as cicatrizes das presas do jacaré. O menino suspendia a calça e mostrava os sinais das feridas daquele dia pavoroso. Imediatamente, porém, ele arregaçava também as mangas da camisa e orgulhosamente mostrava, nos seus braços, outras cicatrizes. Eram marcas deixadas pelas unhas da mãe que o havia apertado com todas as suas forças naquela hora.

Uma história de amor e de heroísmo como tantas outras que, com certeza, o nosso povo conta sem cansar, porque faz bem lembrar a coragem e a determinação das pessoas que não se poupam por uma causa justa e nobre. Nós cristãos acreditamos também que Jesus nos tenha amado ao ponto de oferecer livremente a sua própria vida. Ele mesmo se apresenta, no evangelho deste domingo, como o “bom pastor”, aquele que não foge quando chega o lobo, mas o enfrenta até dar a própria vida para defender as ovelhas. Diferentemente, o pastor-mercenário abandona o rebanho porque não está interessado com a vida das ovelhas, mas sim com o dinheiro que ele ganha. É movido pelo interesse e não pelo amor. Quando escutamos estas palavras do evangelho não temos como negar que o nosso pensamento corre imediatamente aos “pastores” de ontem e de hoje: os homens e as mulheres que encontramos nos caminhos da vida. Numa hora difícil, de sofrimento, de incerteza e de desespero, é uma graça de Deus quando aparece alguém para estar ao nosso lado. Esses são os “bons pastores” da vida.

Claro que devemos pensar também nos padres, nos religiosos e religiosas, nos missionários, que atuam nas nossas comunidades, mas qualquer um de nós pode ser “bom pastor” para alguma ovelha sofrida que aparece à sua frente. Todos nós podemos dar um pouco da nossa vida, do nosso tempo e do nosso coração para quem está precisando. Os mercenários e  interesseiros, ao contrário, perguntam-se quanto vão ganhar se ajudarem os necessitados; o quanto vão faturar em publicidade; o quanto a imagem deles vai brilhar. Afinal, eles querem chamar atenção só para si. Os verdadeiros “bons pastores” agem de outra forma: preocupam-se mais com a vida dos outros do que consigo mesmos. Ficam felizes somente quando a vida das ovelhas está preservada e garantida.

Essas atitudes generosas e solidárias, porém, não deveriam aparecer apenas em casos extraordinários. O amor fraterno não pode ser reservado a atos de heroísmo. Todo dia deveríamos fazer o bem e todo dia deveríamos ajudar na construção de uma sociedade mais justa e fraterna. Nesse sentido, devemos entender também as vocações sacerdotais e religiosas. São chamados especiais a seguir o Senhor Jesus, mais de perto, para manter viva e atual a sua memória, a sua presença viva, o seu exemplo. Quem se dedica inteiramente à evangelização e à caridade, vivendo na pobreza, castidade e obediência, o faz porque atraído pelo amor de Jesus, o único Bom Pastor, modelo de todos os pastores e de todos os que doam a sua vida a serviço do rebanho. Nós rezamos pelas vocações sacerdotais e religiosas para que nunca faltem “bons pastores” para o rebanho. Precisamos mesmo de pastores, consagrados e consagradas, que ajudem a todos a ser fiéis no seguimento de Jesus.  No entanto devemos agradecer ao Pai porque também existem “pastores e pastoras” no meio do povo que vivem com generosa dedicação ao seu batismo na família, na profissão, no sofrimento, na solidariedade, na animação de grupos e de comunidades. Muitos deles são exemplo para os próprios consagrados, sabem aconselhá-los desinteressadamente da maneira e na hora certa. Amigos que sabem quando falar e quando calar; sabem ter muita paciência, também quando não são ouvidos e compreendidos. Tenho certeza que nas nossas paróquias e comunidade existem muitos bons pastores e pastoras, “pais e mães” de padres, religiosos e religiosas, que já salvaram vários deles dos assaltos de lobos e jacarés disfarçados de ovelhas. Também para eles e elas, hoje, a nossa oração e o nosso muito obrigado.                    

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João o mendigo
Dom Pedro José Conti, Bispo de Macapá

Num centro para mendigos e moradores de rua, um alcoólatra de nome João, considerado até então um beberrão irrecuperável, ficou tocado pela generosidade dos voluntários do centro, e mudou completamente de vida. Tornou-se a pessoa mais serviçal de todas. Dia e noite, João ajudava incansavelmente. Nenhum serviço era humilde demais para ele. Podia ser a limpeza de um quarto, onde algum bêbado tinha passado mal, ou esfregar os banheiros imundos.

João fazia tudo o que lhe pediam sorrindo e visivelmente agradecido porque  era-lhe permitido ajudar. Sempre era possível contar com ele, quando precisava dar comida na boca de alguma pessoa extremamente fraca ou tirar o agasalho e colocar para dormir alguém que já não dava mais conta de fazer isso sozinho.

Uma tarde, o capelão do abrigo falou ao grupo dos presentes sobre a necessidade de pedir a Deus força para mudar. De repente um homem levantou, aproximou-se do altar, caiu de joelhos e começou a gritar:

– Ó Deus! Faça que eu me torne como João! Faça que eu me torne como João!

O padre aproximou-se dele e lhe disse:

– Ó meu filho, talvez fosse mais certo você pedir: Faça que eu me torne como Jesus!

– O homem olhou para o capelão e com jeito de quem não entende bem perguntou: Por quê? Jesus é como João?

Uma história simples e de mendigos para imaginar como seria o mundo se nós cristãos fôssemos confundidos com Jesus. Com certeza não pelos discursos e nem pelos milagres, mas simplesmente pelas atitudes amorosas de serviço e fraternidade.

A página do evangelho deste domingo é a continuação de outra muito conhecida: a dos discípulos de Emaús. Após terem reconhecido Jesus ao repartir o pão e terem admitido que as palavras dele tinham aquecido e reanimado o seu coração triste, voltaram imediatamente para Jerusalém. Desta vez foi no meio da comunidade reunida que Jesus vivo e ressuscitado apareceu para explicar os acontecimentos e enviar todos eles em missão. Várias vezes os evangelhos dizem que antes da paixão, morte e ressurreição de Jesus, os discípulos não entendiam bem o sentido de tudo aquilo, mas agora, aos poucos, as coisas iam se clareando. Tudo o que tinha acontecido podia ser explicado com as Escrituras e fazia parte de um maravilhoso plano do amor de Deus.

Aquele pequeno grupo que tinha conhecido e seguido Jesus naqueles anos chegou à conclusão que o agir e o falar dele só podiam ser o agir e o falar de Deus. Nos gestos e palavras de Jesus, na sua morte na cruz e na sua ressurreição era possível afirmar a presença do Pai. Em Jesus, Deus tinha manifestado toda a sua vontade, tudo o que ainda faltava dizer à humanidade para que acreditasse. A certa altura, aqueles poucos homens e mulheres se sentiram tão amados por Jesus, tão seguros de sua fé nele, que não conseguiram mais guardar para si a boa notícia e saíram pelo mundo afora para anunciar o jeito novo de viver e morrer de Jesus. Quem o seguisse no caminho da cruz, passando pela porta estreita da doação da própria vida para servir aos irmãos, também um dia teria parte da sua ressurreição. A novidade de tudo aquilo era tão grande que, diz o evangelho, eles tinham dificuldade de acreditar de tão alegres e surpresos que estavam. A fé não pode ser triste, como também não pode deixar de ser surpreendente, porque, se assim não fosse, deixaria de ser fé e se tornaria simples raciocínio, ideologia ou explicação humana.

Eles deviam ser testemunhas da “novidade” Jesus. Mas como? Anunciando, no nome dele, a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações (cf. Lc 24,47). De lá até hoje nunca mais a comunidade dos cristãos deixou de obedecer à ordem de Jesus: testemunhar tudo aquilo, comunicar em todo lugar e a todas as gerações o que Jesus tinha dito e feito. A história da comunidade de Jesus, que nós chamamos de Igreja, está aí, com os seus altos e baixos, com os seus santos e os seus pecadores.

A Boa Notícia de Jesus nunca mais parou. Os tempos mudaram, mas ao coração humano, que busca o sentido da vida e da morte, do bem e do mal, da alegria e do sofrimento, os exemplos continuam a falar mais do que as palavras.

O mundo continua precisando muito de testemunhas que vivam o que afirmam acreditar. Somente outros tantos “Jesuses”, em carne e osso, podem convencer os outros a vencer os medos e as dúvidas e acreditar, de coração sincero, na bondade do Pai.

Precisamos de mais e mais “Joões” como aquele mendigo do abrigo da historinha. A quem pede para ver Jesus, todos os cristãos deveriam poder responder: – Olhe para mim – Ao menos um pouco da “novidade” de Jesus deveria ser visível em nossa vida. Este e somente este é o nosso primeiro testemunho. Depois vem o resto.

Messiânicos

Reverendo Isaac Ezagui, diretor da área norte da Igreja Messiânica, está em Macapá.
Hoje ele comanda marcha de Johrei , amanhã às 19h faz palestra – uma excelente oportunidade para quem quer conhecer a doutrina messiânica – e quarta-feira ele faz a outorga de novos membros.
O endereço da Igreja Messiânica em Macapá é Avenida Almirante Barroso entre as ruas Hamiltom Silva e Manoel Eudóxia. A Igreja fica aberta das 7h30 às 21h.

O que é Johrei?

“Johrei é palavra criada por Meishu-Sama com a junção de dois ideogramas da língua japonesa que significam JOH – “purificar” e REI – “espírito”. Assim ele denominou o método de canalizar com as mãos, a intangível, infinita e poderosa energia que, pela sua origem e benefícios, é considerada Luz Divina.

A felicidade ou a infelicidade depende do nível espiritual de cada um. Quanto mais impurezas espirituais e físicas o homem acumula, mais pesado fica o espírito, decaindo nas camadas do mundo espiritual , onde a luz é escassa. O Johrei purifica as impurezas do homem e possibilita que ele se eleve espiritualmente para camadas onde a Luz é intensa. A Luz é a fonte da saúde, da sabedoria e da felicidade.

 

Assim explica Meishu-Sama: “A pregação das doutrinas religiosas agem do exterior para a alma. Mas o ato purificador do Johrei projeta a Luz Espiritual diretamente na alma, despertando-a instantaneamente. Os que ingressam, alcançam rapidamente uma percepção superficial e, em seguida uma percepção mais profunda. Além de superarem suas próprias tragédias, tornam-se aptos, também, a eliminar as tragédias alheias.”
Como ele atua?
As invisíveis, mas poderosas ondas de luz que irradiam durante o Johrei, eliminam as impurezas impregnadas no ser humano, revitalizando sua força natural de recuperação, também chamada força curativa natural.
Por que o Johrei é diferente?
Todas as práticas energéticas que objetivam restaurar a força curativa natural do ser humano, usam energia que emanam do próprio praticante, o que restringe a sua ação devido ao limite da condição humana. Porém, como o Johrei não utiliza a força humana, e sim a energia vital do universo, potencializada por Meishu-Sama, pode ser praticado indefinidamente e, o que é melhor, quanto mais se pratica, mais energia se recebe.
Alguns benefícios do Johrei:
Desperta o homem para a existência do Criador;

Fortalece-o para que ele possa ultrapassar osdesafios da vida;
Torna-o saudável física e espiritualmente;
Torna-o mais sereno e pacífico;
Eleva a sua inteligência e a sua personalidade;
Expande a sua aura, protegendo-o dos infortúnios;
Possibilita-lhe perceber melhor a abundância e as oportunidades,propiciando a sua prosperidade;
Fortalece o sentimento de gratidão e altruísmo.”
(Texto extraído do sítio Igreja Messiânica Mundial)
Clique  aqui  para ler interessante matéria sobre uma pesquisa que revela o poder da energia liberada pelas mãos.