A glória de Maria

A glória de Maria
Dom Pedro José Conti, Bispo de Macapá

 Tomo emprestada a história milagrosa do escravo Zacarias, que encontrei numa cartilha de Novena do Tricentenário de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil. “O escravo Zacarias estava sendo reconduzido à fazenda de onde fugira, em Curitiba, Paraná. Preso por grossas correntes, ao passar perto do Santuário, Zacarias pediu ao seu feitor que o deixasse rezar na porta da Capela da Santa Aparecida. Recebendo a autorização, o escravo ajoelhou-se e rezou uma prece sentida. O que teria pedido? De seus pedidos não sabemos, mas sabemos a resposta que a Virgem Negra lhe deu: as correntes milagrosamente se soltaram, deixando-o livre e feliz.”

Neste terceiro domingo de agosto, celebramos a solenidade da Assunção de Maria ao céu. O “dogma” da Assunção foi definido no ano de 1950, durante o pontificado de Pio XII. Somos convidados, pela Igreja, a acreditar que Maria, pela singular e única condição de ter sido a mãe de Jesus, participe antecipadamente da glória e da alegria da ressurreição. Essa participação foi, também, prometida para todos aqueles que acreditarem no Senhor, mas somente no “último dia” (Jo 6,54). Um privilégio , então, de Maria. Sem dúvida, mas somente na antecipação de algo que todo crente aguarda com esperança e fé. Neste Ano Mariano Nacional, queremos mais ainda aclamar a glória de Maria. São cerca de 13 milhões os peregrinos que, a cada ano, visitam o Santuário Nacional de Aparecida. Não é só aquela “imagem” pequena e escura que atrai tantas pessoas: é a fé, a confiança, a simplicidade de poder chamar Maria de “mãe”, depois daquelas palavras de Jesus na cruz: “Mulher, eis o teu filho” (Jo 19,26).

Ser mãe significa gerar e defender a vida. É um compromisso, mas, sobretudo, uma missão. Cada dia mais, entendemos que não basta colocar um ser humano no mundo. A gestação é somente a primeira parte de um longo processo de aprendizagem. Todos fomos conduzidos pela mão de alguém na descoberta das coisas, das pessoas, da comunicação. Aprendemos a conviver, a respeitar, a dizer a verdade olhando nos olhos das nossas mães. Fomos carregados, quando ainda não sabíamos caminhar; fomos consolados, quando as lágrimas das quedas, da s derrotas e das decepções escorriam pelo nosso rosto. Ouvimos palavras de encorajamento, quando começaram os primeiros embates da vida e tivemos que aprender a nos virar sozinhos. Aprendemos mesmo ou, crescidos, fizemos questão de esquecer os conselhos de quem nos conhecia desde pequenos? A resposta é pessoal.

O mês de agosto é, também, o mês vocacional. Talvez ser “mãe” seja uma vocação que precisa relançar. Entre abortos e barrigas de aluguel, não podemos ficar na dúvida. Porque todos, homens e mulheres, somos chamados a cuidar da vida de tudo e de todos. Tem mães e pais biológicos, mas também de criação, mães e pais espirituais, educadores, bons exemplos de vida! O sonho de todo adulto deveria ser ver algo de melhor nas novas gerações. Não pela tecnologia ou a conta no banco mais gorda, m as pela riqueza de humanidade, pela maior capacidade de diálogo e de convivência social. Talvez o maior sofrimento para um pai e uma mãe seja aquele de ver que os seus filhos, crescidos, se tornaram mais desumanos, egoístas, violentos, agressivos, desonestos, arrogantes e interesseiros. Se parecem, ainda, com crianças briguentas em eterna competição. Onde os pais e as mães erraram? Quantos deles hoje experimentam esta angústia? A questão é que um ser humano não se improvisa, é o resultado de muitos fatores, informações, ambientes, pressões ou descuidos. Somos filhos, também, da época em que vivemos. Nem tudo depende dos pais. Mas criação e educação à vida e à fé ainda são uma vocação e uma missão grandes e abençoadas por Deus. Tem “índices” para tudo. Está faltando o do “amor” fraterno, paterno e materno. O PIB pode esperar para crescer, o “amor” não mais.

Maria foi virgem e mãe. Gerou vida e foi toda de Deus. Nada é impossível ao amor. Ainda hoje ela ajuda a quebrar correntes, liberta, promove a vida plena, verdadeira. Como uma boa mãe incansável sempre nos repete: “Fazei o que ele – Jesus – vos disser!”

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