As gavetas da vida

As gavetas da vida
José Machado
As vezes não devemos abrir gavetas. Por alguma razão as trancaram. De cada gaveta que se abre salta uma surpresa. A maioria, reúne o tempo passado, o presente e o futuro,
Foram sendo ocupadas com cartas, fotografias, objetos. Abrigam documentos ,versos e contos inacabados, confissões, correspondências jamais endereçadas, resíduos de dor. São baus das lembranças e dos esquecimentos
E como diria a poetisa NANDA BARRETO –“ São o poleiro dos bisbilhoteiros”
Contém germes e fungos da imperfeição, do mundo. Mágoas que repetidamente desiludiram quem as fechou, há um mês um ano ou um século, não importa.
Mas chega um tempo, que somos compelidos a abri-las, remexer, deixar fluir, o conteúdo das nossas gavetas, buscando perceber os lugares onde nossas existências estão guardadas, para olhar e sentir a vivência, de um passado que não passa, que não vai para trás. Para melhor compreensão do trajeto percorrido.
Por isso, Conclui-se que faz-se necessário abrir gavetas, enunciar perguntas.No entanto, essa abertura pode causar impacto, trazendo fragmentos de memórias que não estamos preparados para vivencia-las
Nesse desengavetar, surgem inquietações, rumos, rotas, derivas e linhas de fuga – que tivemos pelos caminhos da vida. Ideias e sensações. Algumas com respostas e outras tantas por saber.

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