O Tempo – Evandro Luiz

O Tempo
Evandro Luiz

No principio Deus criou o céu a terra…e também o “Tempo”. Depois de sete dias, Ele completou a sua obra. Literalmente um lugar paradisíaco. E só aí então foi descansar.

Tudo corria na maior tranquilidade. Na maior paz. Parecia assim, um lugar onde jamais haveria choro, tristeza, e sofrimento. O “Tempo” então sem nada a fazer começou uma amizade com a cobra que não saía debaixo da Árvore da Vida. O Tempo” então perguntou a cobra: “por que você não vai ´passear na floresta? Mas a cobra disse que se sentia atraída por aquele lugar e que tinha o maior fascínio pela fruta daquela árvore.

O “Tempo lembrou que se alguém comesse daquele fruto haveria uma grande mudança no universo. Ainda assim, com todos os pedidos, a cobra não resistiu e arrancou o fruto da árvore da vida. Quando isso aconteceu a terra tremeu, árvores começaram a cair. Trovões eram tão fortes que pareciam bombas. raios cortavam os céus como se estivessem anunciando novos tempos. E estavam mesmo.

Um longo silêncio se fez, até que uma voz saindo de um lugar totalmente desconhecido, anunciava as novas regras no novo modelo de relação entre o céu e a terra. Foi dado ao “Tempo” um poder imensurável. Ele seria onipresente. Foi dado a ele o poder de decidir por quanto tempo deveríamos sofrer, por exemplo, por um grande amor. Todas as doenças estavam sob a sua tutela. Todas teriam tempo de validade. As epidemias só passariam a ser classificadas como pandemia se os homens tivessem perdido tempo com corrupção e desvio de dinheiro. Tudo era repassado para o todo poderoso. Que cada vez mais se convencia de que uma intervenção estava próxima. Tudo isso por que o Tempo perdia terreno. As geleiras derretiam rapidamente, as florestas sofriam com as queimadas e a pobreza crescia.

Tudo parecia estar sob o controle dos poderosos. Mas tudo tinha o seu tempo, inclusive o lado bom que pouca gente sabia exercê-lo. A harmonia com ele era fundamental para se chegar a felicidade. E isso não passava necessariamente pela questão econômica, mas sim espiritual. Fazer parte desse processo era tão difícil que poucos tinham sua parcela de tempo para exercê-la. O tempo era individual, coletivo e passageiro. Em alguns momentos era implacável, não perdoava aqueles que exploravam os menos favorecidos e crianças em trabalhos análogos ao de escravidão;  e em outros era tolerante, principalmente quem doava seu tempo com trabalho voluntário. Pois é desses daí que saíam os mártires. Pessoas que morreram acreditando em um mundo melhor para humanidade.. Mesmo com todo poder que lhe foi dado o tempo não para.

O tempo que passou já não nos pertence, está tudo registrado na biblioteca Dele. E na hora do julgamento final, a principal testemunha do júri será ele: O Tempo.

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