De José Façanha sobre Alcy Araújo

O POETA E O MENINO
José Façanha

zefacanhaForam sempre encontros intensos e proveitosos para o menino. Para o poeta, era uma curtição: ele percebia o quanto o menino se interessava por sua vida, já madura.

O início desse interesse quase infantil, pois o menino já estava próximo de seus 14/15 anos, veio de uma história contada pelo poeta que remontava aos anos 30/40.

A vida juvenil que o poeta desfrutava com seus amigos, no bairro do Telégrafo sem Fio, em Belém do Pará, dentro do que ele chamava de “razoável pobreza”, era compartilhada entre muitos, com destaque para um casal de irmãos que caminharia com ele, ainda que nem sempre juntos, até o dia em que foi chamado para compor a Academia de Letras, lá de cima.

Dificuldades divididas para estudar no antigo Colégio Progresso e começar a trabalhar muito cedo. O amigo, no comércio, e, a irmã, casando muito cedo e vindo morar no Amapá.

O poeta virou jornalista e foi batalhar no grande jornal da Amazônia que era a Folha do Norte. Virou “foca” (como chamavam os iniciantes nos jornais) do famoso e durão Paulo Maranhão.

Nesse início, com as dificuldades próprias de quem busca firmar-se recebeu um “conselho” de um gozador mais velho: deveria sempre indagar do Dr. Paulo que tom deveria dar à reportagem, em razão dos interesses políticos do jornal.

Não fez por menos. O homem chamou-o e deu-lhe a incumbência de cobrir a Semana Santa, aprofundando-se na vida de Cristo, ao que o poeta/jornalista, segundo as más línguas, e, no interesse da posição política do jornal, indagou: “Chefe, devo posicionar-me contra ou a favor do homenageado?”.

O reencontro do poeta com a amiga da juventude deu-se em Macapá, lá pelo final dos anos 40 e início de 50, quando o menino veio a conhecer e tornar-se amigo do poeta.

Já casado e gostando de comer acari, sua esposa e a amiga, cujo marido também gostava do tal peixe, iam apanhar (não era pescar, tal a fartura) acari nas poças de água na beira do Amazonas, em frente Macapá,  onde ficavam presos após a enchente. Essa história não é do poeta e me foi contada pela amiga dele.

Um dia o menino foi trabalhar no Serviço de Arborização da Cidade, a chamada TURMA DO BURACO. O nome vem da operação maior da turma que era abrir os buracos (grandes) para adubação e plantio das mangueiras hoje existentes no centro de Macapá.

Em seguida foi trabalhar no Serviço de Encadernação que existia no Palácio do Governo de onde foi resgatado pelo poeta para trabalhar no próprio Palácio, na condição de contínuo e, depois, escriturário nível 7, daí partindo para fazer um curso superior, estimulado e ajudado por amigos e familiares.

Durante o período que lá permaneceu, o menino desfrutou da amizade do poeta, de forma mais próxima e intensa. Era chamado por apelidos e diminutivos: Zé vai comprar um cigarro lá no Natan.

Já adulto, o menino passou a conviver com filhos e filhas do poeta, mesmo após o dia em que ele se foi e deixou saudades.

Já adulto, o menino passou a conviver com filhos e filhas do poeta, mesmo após o dia em que ele se foi e deixou saudades.

de Cristo, ao que o poeta/jornalista, segundo as más línguas, e, no interesse da posição política do jornal, indagou: “Chefe, devo posicionar-me contra ou a favor do homenageado?”.

O menino/amigo guarda com carinho muitas histórias do poeta/amigo.

Eu sou o Menino, o Zé, Zé Macapá, Zé Façanha, José Dias Façanha, filho de Diva Dias Façanha (a irmã do casal de amigos do Telégrafo) e Lourenço Borges Façanha, amigos do Neném, o amigo poeta e jornalista Alcy Araújo.

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