A cura pela palavra – A boa poesia acende clarões no cérebro

Muito interessante o texto “A cura pela palavra – A boa poesia acende clarões no cérebro”, do premiado escritor e jornalista José Eduardo Agualusa, no jornal O Globo.

Vou postar aqui alguns trechos e abaixo dou o link para você ler a matéria completa:

“Há dois anos, surgiu na Inglaterra um curioso objeto literário, “The novel cure”, que poderíamos traduzir como “A cura pelo romance”. O livro, da autoria de Susan Elderkin e Ella Berthoud, tem como subtítulo “An A-Z of literary remedies”, ou seja, “Um receituário literário de A a Z”. A ideia é muito boa: receitar literatura para um vasto leque de males, da melancolia e depressão ao excesso de peso.”

“O livreiro português José Pinho, um dos proprietários da bonita e extravagante livraria lisboeta Ler Devagar inspirou-se no livro de Susan Elderkin e Ella Berthoud para criar um projeto ainda mais arrojado: uma farmácia literária. A farmácia deverá funcionar no átrio de um futuro centro de medicinas alternativas, a instalar num velho hospital de Lisboa, atualmente desativado. O paciente dirige-se ao farmacêutico literário (biblioterapeuta), dá conta das suas queixas, e recebe o remédio ou remédios, dois ou três livros (…)”

“Há alguns anos publiquei um conto numa revista literária sobre uma senhora que receitava poesia como tratamento para todo o tipo de males. Serviu-me de modelo para a personagem uma vizinha belga que, quando eu era criança, lia versos, em voz alta, para as flores do seu jardim. Eu via-a, em certos fins de tarde incandescentes, passear ao longo do muro, com um livro aberto entre as mãos.”

“A boa poesia surpreende, acende clarões no cérebro, provoca e desafia.”

“Quase todos os meninos são poetas. Manoel de Barros confessou, em várias entrevistas, ter roubado versos prontos aos próprios filhos. (…) Quem quer que tenha filhos pequenos conhece a experiência de redescobrir o brilho da língua através da poesia involuntária que os baixinhos praticam todos os dias. Infelizmente, o que a generalidade dos sistemas de ensino faz é tirar a poesia de dentro das crianças. Crescer é, assim, perder poesia. Talvez por isso temos tendência a adoecer à medida que nos afastamos da infância — e da poesia.”
“Crianças que crescem ouvindo dizer poesia correm o risco de nunca se transformarem inteiramente em adultos, ou, pelo menos, em adultos conformados (e doentes).”

Eis o link—->   http://oglobo.globo.com/cultura/a-cura-pela-palavra-16586606

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