Silas Mochiutti falece em Belém. Amazônia perde um grande pesquisador

Pesquisador Silas Mochiutti será velado a
partir das 17h, na Embrapa Amapá

O velório do ex-chefe geral da Embrapa Amapá, Silas Mochiutti, 56, será iniciado às 17 horas desta terça-feira, 10/03, no hall da sede da Embrapa Amapá, à Rodovia Juscelino Kubitschek, em Macapá. O sepultamento ocorrerá às 10 horas da quarta-feira, 11/03, no cemitério São José, no bairro Santa Rita, em Macapá.
Mochiutti faleceu na segunda-feira, 09/03, no Hospital Adventista de Belém, onde encontrava-se internado desde 22 de fevereiro.

Relações profissionais entrelaçadas com amizades consolidadas em meio aos desafios e vitórias de se trabalhar com pesquisa e inovação na Amazônia. Assim foi preenchida a trajetória de Silas Mochiutti, que deixa um legado de contribuição efetiva para o desenvolvimento do Amapá. Colegas de trabalho, gestores de Unidades da Embrapa, parlamentares, extrativistas, agricultores e extensionistas, segmentos com os quais ele conviveu, publicaram condolências.

O presidente da Embrapa, Celso Moretti, externou “em nome da Diretoria Executiva os sentimentos de pesar de toda a equipe da Embrapa à família e aos amigos do saudoso colega Silas Mochiutti”. O atual chefe-geral da Embrapa Amapá, Nagib Melém, conviveu com Silas Mochiutti desde a época de faculdade de Agronomia. “Ele era muito ligado na parte técnica e cientifica, ao mesmo tempo em que atuava como um extensionista, sabia pegar os resultados da pesquisa com maestria e levar até ao extrativista, o ribeirinho, cumpria bem essa arte de associar a ciência à transferência da tecnologia. Soube aplicar a ciência em benefício da sociedade, tal como está na missão da Embrapa”.

Chefe-geral da Embrapa Amazônia Oriental, Adriano Venturieri, também conhece Mochiutti desde os tempos da graduação. “Era um dos melhores alunos, na parte intelectual e no comportamento ético. Posteriormente como colega da Embrapa, pelo trabalho de liderança e ao seu comportamento como gestor, vemos sua intensidade e como fará falta na Embrapa como um todo”.

O ex-presidente da Embrapa, Silvio Crestana, que esteve em Macapá em 2008 para dar posse a Mochiutti no cargo de chefe-geral, disse que na ocasião visitou comunidades ribeirinhas em companhia do pesquisador. “Um guerreiro que lutou todo o tempo para melhorar a Embrapa e ultimamente a sua luta pela vida. Só posso agradecer por tê-lo conhecido, trabalhado juntos e o privilégio da sua amizade”, concluiu Silvio Crestana.

O ex-chefe geral da Embrapa Amapá, Jorge Yared, pontuou que a trajetória profissional de Mochiutti caracterizou-se “pela excelência dos trabalhos desenvolvidos. Sem dúvida, dedicou a sua vida em desenvolver e levar conhecimentos, em sua área de atuação, especialmente para os produtores mais necessitados, muitas vezes, excluídos dos procedimentos formais de assistência técnica”.

A ex-coordenadora do Programa Nacional de Combate a Mosca-da-Carambola, Maria Júlia Godoy, que esteve várias reunida com o então chefe-geral Silas Mochiutti, em Macapá e em Brasília, recordou que o considerava “um ser humano excepcional, íntegro e que colocou sempre como prioridade a pesquisa e a Embrapa Amapá e sua equipe”.

Memória plantada nos açaizais
A direção da Escola Família Agroextrativista do Carvão e a Associação Nossa Amazônia, em nome das famílias base destas entidades, publicaram nota lamentando o falecimento de Mochiutti. “Reconhecendo publicamente a importância do seu trabalho no contexto do desenvolvimento dos nossos territórios de atuação. Perdemos um grande pesquisador, um parceiro presente, mas sua memória está plantada nos nossos açaizais, e será sempre manejada no nosso dia-a-dia, para que se estenda a gerações futuras”.

De Roraima, onde reside atualmente, o ex-chefe geral da Embrapa Amapá, Newton Lucena, apresentou seu pesar. “Pessoa leal, íntegra, dotada de elevado senso de responsabilidade, profissionalismo, ética e comprometimento. Tive o prazer de desfrutar de seu convívio por mais de seis anos pessoalmente e tê-lo conhecido há mais de 30 anos”, disse Lucena, que em junho de 2008 passou o cargo a Mochiutti.

Contemporânea de Mochiutti desde seu ingresso na Embrapa, em 1987, a pesquisadora Valeria Saldanha Bezerra compartilhou com ele a república de jovens pesquisadores quando desembarcaram no então Território Federal do Amapá. “Dividimos muitos projetos de pesquisa, missões, viagens desbravadoras e muitas histórias. Tudo isso levou à formação da família Embrapa, que cada dia cresce mais. Vá em paz Silas, pois você cumpriu com muita dignidade sua missão na terra”.

Acervo de conhecimentos
O casal de agricultores Jose Cordeiro e Ana Deuza, do Assentamento Munguba, no município de Porto Grande, também expressaram pesar. “Lamentamos pela perda de um exímio profissional da instituição Embrapa”.  A pesquisadora Tatiana Sá, da Embrapa Amazônia Oriental (Pará), destacou que Mochiutti como pesquisador liderou o tema em que se especializou (açaí) e como formador participou de vários treinamentos. “Soube voltar ao papel de pesquisador e formador como poucos, ao final de seu tempo como gestor. Como pessoa, sempre preocupado com os demais. Fará muita falta”.

A chefe-geral da Embrapa Agroindústria de Alimentos (Rio de Janeiro), Lourdes Cabral, ressaltou que “conheceu e admirava muito o Silas Mochiutti”. Assim que foi informada do falecimento, enviou seus sentimentos à equipe da Embrapa Amapá e aos familiares do pesquisador. A Associação das Famílias da Escola Família Agrícola da Região do Pacuí (AFEFARP) e a Escola Família Agrícola do Pacuí (EFAP), assim como a Associação dos Engenheiros Agrônomos do Estado do Amapá e a Cooperativa de Produtores Agroextrativistas do Oeste Amapaense (Coopetral) também emitiram notas de pesar em solidariedade aos seus familiares, enaltecendo seu papel de incentivador das parcerias com a Embrapa. O diretor-presidente do Instituto de Desenvolvimento Rural do Amapá (Rurap), Hélio externou as condolências da equipe deste órgão de extensão rural “aos colegas da Embrapa e família do Silas. A agricultura do Amapá perde um profissional exemplar, que deixa um acervo de conhecimentos para a nossa sociedade”.

O deputado federal Camilo Capiberibe (PSB/AP) disse que recebeu a notícia com tristeza. “Um pesquisador comprometido com o desenvolvimento sustentável do nosso estado e da nossa população que, durante a nossa gestão à frente do governo do Estado (2011 a 2014), participou, incentivou e consolidou parcerias da Embrapa e GEA através do Protaf para atender centenas de pequenos agricultores, ribeirinhos, extrativistas e povos indígenas”.  O deputado federal Luiz Carlos (PSDB/AP) apresentou seus sentimentos: “nos manteremos em oração pela boa chegada de seu espírito a morada eterna, ao lado do criador. Silas foi um amigo por quem nutri muita admiração e carinho”.

Presidente da seção local do Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (Sinpaf), o pesquisador Jorge Segovia publicou em nota aos empregados da Embrapa Amapá o quanto “é difícil para nós a perda do nobre colega pesquisador Silas Mochiutti”. Ele destacou o legado do trabalho de Mochiutti “junto aos povos ribeirinhos e aos agricultores amazônicos, com a geração e transferência de tecnologias sobre sistemas agroflorestais, melhoramento genético do açaizeiro, manejo de floresta de várzeas e recuperação de áreas alteradas por atividades agrícolas”.

O pesquisador Gilberto Yokomizo lembra que Silas Mochiutti foi um dos seus primeiros contatos, quando ingressou na Embrapa em 1998, lhe explicando como funciona a Embrapa. “Ele era exigente comigo, tivemos divergências, mas divergência não significa inimizade. Quando surgia outro assunto e necessidade de trocarmos ideias, ele não pensava duas vezes, aparecia em minha sala. O açaizeiro nos aproximou e posso dizer que era um homem de grande coração”, recorda Yokomizo. Para o deputado estadual Jory Oeiras, “o setor produtivo do Estado e do Brasil perdem um excelente profissional”. Na nota de pesar, o parlamentar destacou a dedicação de Silas Mochiutti ao homem do campo.

(Dulcivânia Freitas /Embrapa Amapá)

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