Tecnologias para pecuária de precisão são apresentadas a criadores do Amapá

Um sistema desenvolvido pela Embrapa na área de pecuária de precisão foi apresentado a criadores de bovinos e búfalos, e técnicos extensionistas do estado do Amapá esta semana, durante a 26ª Agropesc, evento que acontece no Parque de Exposição João Pompilho, no município de Amapá, no período de 9 a 16 deste mês. A mesa redonda intitulada “Uso da identificação por rádio frequência (RFID), pecuária de precisão na gerência de rebanho e rastreabilidade de bovinos e bubalinos” foi conduzida pelo pesquisador Pedro Paulo Pires, da Embrapa Gado de Corte, centro de pesquisas sediado em Campo Grande, MS. Também participaram do debate, o prefeito de Amapá, Carlos Sampaio, que é veterinário e técnico extensionista; o diretor-presidente do Instituto Estadual de Desenvolvimento Rural do Amapá, Hélio Dantas; a diretora-presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Amapá (Fapeap), Mary Guedes; pesquisadores e técnicos de transferência de tecnologias da Embrapa Amapá; e o presidente da Associação dos Criadores do Amapá (Acriap), Jesus Pontes.

O termo pecuária de precisão está relacionado aos recursos de automação que substituem procedimentos manuais no dia a dia de uma propriedade, pelo uso de aplicativos, softwares e hardwares criados para gerenciar produção animal. Uma das referências no Brasil no desenvolvimento de equipamentos para aprimorar a identificação eletrônica e rastreamento de bovinos, Pedro Paulo debateu com os participantes os benefícios e vantagens do kit de ferramentas que poderá ser adaptado para atender as peculiaridades do Amapá e necessidades dos pecuaristas locais. “Em Campo Grande temos um laboratório que chamamos de Mangueiro Digital, convido vocês para conhecerem in loco. Esse mangueiro foi concebido com uma arquitetura quer permite a facilidade de manejo dos animais”. Este ambiente (mangueiro) é o local de várias frentes de trabalho da equipe da Embrapa Gado de Corte dedicada a gerar tecnologias para automação da parte zootécnica da pecuária de precisão.

Entre as tecnologias apresentadas em Amapá estão o chip umbilical com termômetro, o software de acompanhamento de rebanho e uma balança de passagem utilizada para pesar o animal livre em campo, ao mesmo tempo em que alimenta um banco de dados sobre o animal por meio do funcionamento integrado do transponder, leitora, transmissor de dados e software de computador que pode ser baixado também em smartphone e tablete.

Com relação ao chip eletrônico, o pesquisador explicou que o equipamento deve ser instalado na prega umbilical do animal recém-nascido. Uma vantagem é que o chip é embebido com antibiótico e parasiticida. “Só de instalar o aparelho, já vai curar o umbigo (evitando o risco de bicheira), não vai assentar moscas e não vai dar infecção”, afirmou Pedro Paulo, médico-veterinário. No caso dos animais adultos, o chip deve ser instalado via oral, fazendo uso de um aplicador também desenvolvido pela Embrapa Gado de Corte para evitar que o animal morda a mão do cuidador do animal. O chip pesa 70 gramas, decanta totalmente dentro do estômago do animal e nunca será expelido. O número do chip será relacionado aos dados como data de nascimento do animal, sexo, identificação do proprietário, entre outros. “Este sistema tem sido um apoio forte para pecuaristas de outras regiões. A parte técnica, como faz as adaptações para o Amapá, inclusive para atender a bubalinocultura, podemos instalar uma unidade demonstrativa ou um experimento com a Embrapa Amapá e também estamos à disposição para recebê-los em Campo Grande, para que possam verificar o funcionamento das tecnologias”, acrescentou o pesquisador.

Com o sistema funcionando, os animais ao passarem pelo corredor feito de arame e caibro, em direção ao local onde bebem água, serão automaticamente pesados e os dados do peso são transmitidos para aparelho receptor, como um tablete ou smartphone por exemplo. A balança permite emitir dados captados de até 30 km de distância de cada cabeça livre no meio do pasto.

Pedro Paulo mostrou também imagens de um transponder com formato semelhante a uma caneta, utilizado para aferir a temperatura do corpo do animal. “Se o animal tem o chip, há um termômetro dentro do corpo dele, que é colado no umbigo. O sistema vai permitir que chegue até seu smartphone os dados da temperatura do reto do animal porque na veterinária a temperatura padrão é a retal”.

O pecuarista Dejaci Colares, criador de bovinos e búfalos no município de Amapá, considerou excelente a proposta de automação do gerenciamento do rebanho. “A apresentação foi excelente, pelo fato de nos apresentar novas tecnologias que podem ser incluídas no nosso meio se quisermos melhorar nossa capacidade de produção e de rentabilidade”. Ele acrescentou está ciente do grande desafio imposto aos pecuaristas do Amapá para implantar o sistema de rastreamento devido às condições geográficas de campo das áreas onde são criados os animais. “Mas é importante e necessário, diante do que foi exposto. Vamos refletir e planejar como implantar esse sistema. O mais viável é a implantação do chip, até porque temos uma incidência grande de roubo de gado, e isso vai ajudar a monitorar mais de perto nosso rebanho. O chip, além de controlar o rebanho com relação a dados de sanidade e localização, vai facilitar o gerenciamento, coisa que aqui temos dificuldades de acompanhar de perto do nascimento até o matadouro”, concluiu o pecuarista.

O pesquisador da Embrapa Gado de Corte ressaltou o posicionamento favorável da carne bovina produzida no Brasil, que lidera o ranking de exportações deste produto no mundo, e as perspectivas de o Amapá se integrar ao mapa de desenvolvimento da pecuária do país. Ele apontou dois fatores favoráveis: “O Brasil vai alimentar o mundo, ninguém tem dúvida disso. Agora imagina o Amapá, que está em uma área bem localizada com o porto em localização privilegiada para a rota da América do Norte; e em poucos anos poderá ser reconhecido como estado livre de febre aftosa sem vacinação”. Mas, é preciso investir no tripé sanidade, pastagem e genética, fazendo uso de tecnologias atualmente disponíveis para ajudar na produção, gerenciamento da produção e consequentemente, na certificação do produto. “Precisa certificar porque não basta ter o produto certo, você tem que provar que aquilo é certo senão os importadores não compram. Também é preciso agregar valor à carne para garantir bom preço no mercado”.

Ele elencou recomendações, destacando o gerenciamento da produção. Citou que é importante saber quantas cabeças possui, disponibilizar condições adequadas para a vaca ou búfala que está próximo de parir (isolá-la em um piquete menor, e providenciar sombra, água e comida), aplicar as vacinas corretas dentro dos prazos, cuidar do umbigo do animal recém-nascido (curar para evitar o risco de bicheira) e acompanhar a fase do desmame. “Tudo isso leva o nome de boas práticas agropecuárias e faz parte de projeto de pesquisa que viabilizou um conjunto de cartilhas da Embrapa Gado de Corte contendo orientações de como devem ser criados os bovinos de uma maneira padronizada”. Outro fator de grande importância é investir no monitoramento da saúde do animal. “Em pecuária devemos investir na saúde, na gerência, no pasto e na genética. Se largar e não cuidar vai dar prejuízo”.

(Dulcivânia Freitas/Embrapa-AP)

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