Tio Arin foi fazer sua morada nos campos celestes

Aos 95 anos de idade faleceu hoje em Macapá uma das figuras mais conhecidas e queridas, não só do bairro do Laguinho, mas de toda Macapá: Tio Arin. Elegante, sorridente e amoroso, Tio Arin era um divertido contador de causos e sábio contador da história do Amapá e de sua gente, principalmente dos negros.
Não perdemos simplesmente um dos nossos Griôs, perdemos uma base de sabedoria popular”, disse o presidente do Instituto Municipal de Politicas de Promoção da Igualdade Racial, Maykom Magalhães, em nota que você lê abaixo.

NOTA DE PESAR

“Aonde tú vais rapaz, por este caminho sozinho? Aonde tú vais rapaz, por este caminho sozinho? Eu vou fazer minha morada lá nós campos do Laguinho”
Hoje o bairro negro de Macapá amanheceu com um grande sentimento de perda, a perda de um homem que muito caminhou por “tais caminhos” fazendo o legado negro resistir, com a fé e a esperança, sempre no rosto, de um preto da gente que tem história. *Marinho Ramos dos Santos* ou simplesmente o *“Tio Arim”* nasceu em 18 de junho de 1923, tem e teve toda autoridade para falar do Laguinho e nos muitos negros de luta nesta cidade. Não perdemos simplesmente um dos nossos Griôs, perdemos uma base de sabedoria popular.

Assim, o Instituto Municipal de Politicas de Promoção da Igualdade Racial – IMPROIR, em nome da Prefeitura Municipal de Macapá, vem a publico lamentar o falecimento de tão estimado cidadão Afro-macapaense que será eternizado pelo seu fazer pelo povo negro do Amapá resistindo à 95 anos contra muitas das mazelas as quais o povo negro sofre. Fica aqui o nosso muito obrigado por termos tido a imensa satisfação de conviver com tão sábio homem e a certeza de que o céu ganha um grande Folião que São Joaquim, São Beneditos e todas as falangens do bem estão em festa por receber tão estimada presença.

Descanse em paz!

Maykom Magalhães
Diretor Presidente

  • TIO ARIM

    Te despede homem forte,
    Tua vida na terra foi assim.
    No Céu tu serás um Anjo,
    Na terra sempre serás o Arim.

    Digo hoje e digo sempre,
    Não repare o que disse pra mim.
    Laguinho e o nosso marabaixo,
    Se despedem do ilustre Arim.

    O Céu se abre em flor,
    É festa do Bom Deus sem fim.
    Vem pra cá; adentra no Céu,
    Vem cá pra mesa Arim.

    Teu povo no Céu te recebe,
    Com festa de Deus e louvor.
    Na terra deixaste amizade,
    No Céu tua festa é cheia de amor.

    JOÃO AIRES DA SILVA
    [email protected]

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