79 anos do Círio de Nazaré em Macapá

Pesquisa e texto: Edgar Rodrigues
A primeira procissão do Cirio de Nazaré realizada em Macapá aconteceu em 4 de novembro de 1934, quando as religiosas da Congregação das Filhas do Coração Imaculado de Maria, ao  comando da senhora Ester Benoniel Levy, esposa do então prefeito de Macapá, major Moisés Eliezer Levy. Apesar da cidade já ter seu padroeiro, São José, cuja festa é realizada todo dia 19 de março, a concentração de romeiros do Cirio de Nazaré em Macapá consegue ultrapassar, em volume de massa, os penitentes do próprio padroeiro São José, crescendo a cada ano o número de fiéis.
A trasladação da festa foi realizada no sábado, 3 de novembro, saindo a imagem, às 20h30, da residência da familia Serra e Silva, com o seguinte itinerário:  Travessa José Serafim,  Largo dos Inocentes (atrás da área de Igreja de S. José), Rua Siqueira Campos (atual Mário Cruz), dobrando à direita da rua Souza Franco, e depois av. Amazonas, chamada pelo povo de Rua da Praia, em direção à casa de Cesário dos Reis Cavalcante e de sua esposa Odete Goes Cavalcante, onde foi montada uma singela ermida, que acolheu a imagem até o dia seguinte.
No dia 4 de novembro, às seis da manhã, a população começou a se aglutinar em frente à casa onde estava  imagem. O padre Filipe Blanc, vigário de Macapá, foi quem acompanhou a procissão, seguido  do interventor do Pará Magalhães Barata, deputados do Pará Abel Chermont e Clementino de Almeida Lisboa, o prefeito Moisés Eliezer Levy, o médico e professor Acelino de Leão, o juiz de Direito João Gualberto Cruz, o tenente-coronel Jovino Dinoá, que era coletor federal e fundador do jornal Correio de Macapá, o comerciante e ex-prefeito Clodóvio Coelho, o segundo faroleiro de Macapá José Maria de Santana, o comerciante Vicente Ventura, o politico Secundino Campos.
Como a matriz de São José não possuia imagem da santa de Nazaré, o vigário solicitou a única existente na cidade, que pertencia à tradicional familia Serra e Silva. Daí o Cirio ter saido solenemente desta casa. Como berlinda foi usado um velho automóvel, devidamente adaptado.
A primeira romaria teve a presença destas autoridades e familia, seguidos de um pequeno cortejo formado de 60 cavaleiros armados de lanças que, com clarins e fanfarras, anunciavam à população a passagem da procissão. Em seguida vinha o anjo Custódio, imagem colocada sobre o dorso de um boi manso chamado Beleza, seguido de uma corte da anjinhos, ricamente trajados. No primeiro Carro dos Milagres havia uma reprodução da imagem da Virgem, que salvou a vida de Fuás Roupinho (Veja a seguir, na história do Cirio no Pará).
Durante o percurso, uma pequena banda de música tocava hinos em louvor a Nossa Senhora. No fim da procissão houve uma missa e depois um leilão, repetido na sgunda-feira (5), pela manhã. A festa durou apenas oito dias, com terços, ladainhas e cânticos. No arraial haviam brincadeiras diversas, vendas de produtos da região e comidas tipicas.
O dia 5 de novembro foi dedicado a São José. Historicamente tem-se 5 de novembro de 1934 como realização da primeira romaria do padroeiro, que é festejado no dia 19 de março. No dia 11, domingo, houve missa e Te Deum. À noite procissão em redor da Praça Capitão Assis de Vasconcellos (Veiga Cabral).
O recirio foi realizado na segunda-feira, 12, com a imagem retornando à casa da familia Serra e Silva.
No Cirio de 1937 a comunidade financiou a compra de outra imagem, colocando-a sob a guarda do padre Blanc. A compra foi feita em Belém, de onde veio também a berlinda.
No Estado ele segue a tradição do Pará, sendo realizada a festa sempre no segundo domingo de outubro.  Apesar do grande numero de romeiros em Macapá, o Cirio é uma festa de paraenses. A presença da Virgem andando pelas ruas de Macapá  nesse periodo é justificável historicamente. É que Macapá pertencia, juntamente com Mazagão, ao Estado do Pará até 1943, quando foi criado o Território Federal do Amapá.
A confecção da indumentária da santa foi, por alguns anos, obra de uma devota fiel, de nome Raimunda Mendes Coutinho, educadora da fase territorial do Amapá, já falecida,  conhecida popularmente como dona Guita. Mas a exemplo das religiosas da congregação fundada pelo padre Julio Maria Lombaerde, várias outras congregações como religiosas de Maria Menina (Bartoloméa) não mediram esforços para que a maior festa religiosa do Estado tivesse, ao longo dos tempos, um colorido maior.
  • Puxa, que bacana! Achei fantástico esse texto. Parabéns ao Sr. Edgar pela pesquisa e por dividir seus conhecimentos. Feliz Círio para todos.

  • Será se vai ter a mesma palhaçada que teve no ultimo dia da expofeira no Amapá ? falta de onibus pro retorno.
    Quem viver verá !
    São quase 200 mil peregrinos rezando e caminhando com a Mãe de Jesus.
    Bom Cirio e que N. Senhora nos proteja !

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