Gasolina cara? Como funciona a política de preços da Petrobras e porque é adotada

Gasolina cara? Como funciona a política de preços da Petrobras e porque é adotada
Leandro Távora*

Há algum tempo é possível notar o aumento de preços de diversos produtos no Brasil, em virtude da famigerada inflação, assunto rotineiro nesta coluna, mas um em específico tem tomado as manchetes nas últimas semanas, os combustíveis, só no ano de 2021, a gasolina, por exemplo, aumentou 40% e liderou a alta da composição do principal índice inflacionário do Brasil, o IPCA, que acumulou 10,06% no mesmo ano.

A Petrobras, desde 2016, no então governo do ex-presidente Michel Temer, passou a adotar a política de paridade de importação (PPI), ou seja, a partir daquele momento os preços dos combustíveis praticados no Brasil, acompanhariam o mercado internacional. Mas porque utilizar um parâmetro internacional para definir o preço de um produto produzido e comercializado no Brasil?

Acontece que o mercado brasileiro de combustíveis não é autossuficiente como muitas pensam, ou seja, o Brasil precisa importar parte dos insumos para refino e derivados, como a importação é custeada em dólar e ele é muito mais valorizado perante o real, a maneira de compensar é indexar, por óbvio, a venda ao preço praticado internacionalmente.

Outro ponto de destaque, é a concorrência. Para tornar um mercado competitivo e não haver uma concorrência desleal, em 2019 a Petrobras firmou compromisso com o CADE de prática do PPI, tendo em vista que as demais empresas do setor também praticam a mesma política de preço, por também terem que importar os insumos para refino.

Antes do anúncio do mais novo aumento em 10 de março deste ano, a Petrobras vinha há mais de 50 dias sem reajustar os preços dos combustíveis, entre outros motivos, por conta da ingerência política em virtude do ano eleitoral, pois gasolina cara é impopular e de olho na escalada no preço das commodities que já ameaçava em virtude da subida das tensões no Leste Europeu, após o inicio do conflito entre Rússia e Ucrânia, o barril do petróleo, que serve de referência para os preços, chegou a custar mais de US$ 130 dólares, preços jamais visto desde a crise do subprime em 2008, logo a estatal se viu sem saída e sem ter como segurar o novo reajuste.

Foi então que o governo federal entrou em cena para tentar conter os danos, o problema é que as soluções sugeridas muito provavelmente no futuro, trariam outras consequências ainda piores e quem arcaria seria a população e nisso leia-se, a parte mais pobre da população, infelizmente. Quem não se lembra do legado do governo Dilma e a tentativa frustrada de redução na tarifa da energia elétrica em 2013? Anos depois, os cidadãos ainda pagam a conta da negligência política daquela época.

Há dias há um vai e vem em Brasília para tentar mitigar os danos, todas soluções visando o curto prazo e o ano eleitoral, mas o que não se vê e que poderia ser uma provável solução, é se falar em cortes de privilégios para subsidiar a alta inconteste dos combustíveis.

*Leandro é empresário, pecuarista e investidor, formado em Direito pela Estácio Seama com MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getulio Vargas.
Ele escreve toda semana neste site sobre economia, investimentos e negócios.

Twitter: @leandrotavora
Instagram: @leandrotavora

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