Sobre Zaide Soledade

Reproduzo abaixo texto de Mariléia Maciel, publicado em julho do ano passado por ocasião dos 80 de Zaide Soledade

Ao aportar em Macapá, em 1952, Zaide Soledade trouxe na bagagem a vontade de ser alguém na vida, sem grandes pretensões, mas as necessidades do pequeno território a levaram a trilhar outros caminhos que não estavam nos planos, e ela se tornou uma das educadoras mais importantes do Amapá. Zaide veio de Óbidos, Pará, acompanhando a família que chegou aqui a convite do governador, apenas com o curso ginasial, feito em Belém.

Na época, o Amapá engatinhava, e tinha carência de trabalhadores para todas as áreas, do comércio ao serviço público, e Zaide, aos 17 anos, ganhou a oportunidade inicial, e foi balconista nos empreendimentos da família Zagury, a Casa Leão do Norte.  Geniosa, ela conta que várias vezes abandonou o balcão e foi pra casa emburrada, mas sempre que o carro do guaraná Flip chegava em frente à sua casa, voltava para a loja.

Sua vida sempre foi assim, cheia de surpresas e oportunidades. Em 1958 uma amiga fez o convite para que desse aula em Tartarugalzinho. E Zaide, mesmo sem experiência, levou três dias para chegar na nova missão, com direito a luxos prometidos, “cama, mesa e luz”, o que na verdade se resumia a uma instalação precária para morar, rede, lamparina e carapanãs. “A escola era de madeira, coberta com cavaco, tudo era muito pobre, mas foi ali que me apaixonei pela profissão e descobri do que gostava de verdade, que é ensinar”, conta Zaide.

Em uma das viagens para Macapá, onde recebia o salário, pago na época pelo Departamento Nacional de Estradas e Rodagens, outra porta se abriu. Passava em frente à antiga Radiofonia do Amapá, que funciona onde hoje é a Biblioteca Elcy Lacerda, e o jornalista Hélio Penafort a chamou, estava no telefone com o governador Pauxi Nunes, que ligava do Rio de Janeiro. “Ele me pediu o nome completo para ser enquadrada no Governo Federal e, por telefone, me tornei funcionária efetiva da União”, relembra.

E Zaide Soledade se apaixonou tanto pela pedagogia que foi estudar, pra aprender e ensinar melhor. Estudou Artes Dramáticas, Educação Física, Letras e Artes, entre outros cursos, inclusive na área de saúde. Foi professora de hoje grandes personalidades do Amapá, ajudando na formação e educação. Mas fora das salas de aula, Zaide exerceu papel importante na sociedade amapaense, foi conselheira de Educação e de Cultura, principal incentivadora para que a Guarda Municipal fosse criada em Macapá, deu nome ao Teatro das Bacabeiras, e foi  atriz na primeira novela produzida no Amapá, Mãe do Rio, onde fez o papel de benzedeira.

Militou em favor de causas que considerava justas, como na luta dos educadores. Foi presidente da antiga Associação dos Professores do Amapá (APA), e integrou o Sindicato dos Servidores Públicos em Educação no Amapá (Sinsepeap) e o Centro Folclórico Amapaense.

Atualmente Zaide Soledade atua incansavelmente na cultura macapaense através da Confraria Tucuju, onde é uma das integrantes mais ativas. Aos 80 anos, completados em 31 de julho, lúcida e falante, ela é um arquivo vivo da memória do Amapá, do Território ao Estado, que não pode ser perdido nem desvalorizado.

(Mariléia Maciel)

  • Meus sentimentos aos familiares.
    Sempre lembro da Professsora Zaide , amiga que foi de meus pais Veridiano e Andaoa, memórias de infância eternizadas em uma foto em que ela e minha mãe conversavam em frente de casa.
    Sinceramente, meus sentimentos.

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