Vida de jornalista – A trajetória vitoriosa de Cleide Freires

Após 31 anos no jornalismo da TV Amapá e Rádio Amapá FM ( hoje CBN Macapá), a premiada jornalista  Cleide Freires trocou a TV e rádio pelo jornalismo digital.  “Saí da TV para fazer um trabalho na internet. Um projeto que sempre quis colocar em prática: o meu blog cleidefreires.com.br”, conta.
Conheci Cleide há mais de 30 anos quando foi minha aluna em um curso de elaboração de releases. Desde então acompanho seu trabalho, seu crescimento profissional e digo, sem medo de errar, que ela é um exemplo de profissional ética e responsável.
Num bate-papo rápido pelo whatsApp (por causa da pandemia evito encontros presenciais), Cleide me contou um pouco da sua história no jornalismo amapaense.
Acompanhe:

Como começou?
Fui contratada em 1990 pela TV Amapá ( hoje Rede Amazônica) . Comecei atuando na área comercial da emissora, mas foi por pouco tempo ( para não perder a vaga na época ) de “olho” na vaga que iria surgir com a implantação da Rádio Amapá FM ( hoje CBN Macapá), não lembro bem a data que comecei no rádio. Confesso que sempre fui apaixonada por “microfone”.

Então você acompanhou o nascimento da Amapá FM…
Sim. Brinco com os colegas de imprensa que vi o “parto” da Amapá FM. Vi tudo começar, do transporte de equipamentos à formação de pessoal para o quadro.
Recebi o tão esperado convite e  comecei a fazer os chamados “flashes” com notícias que eram lidas pelos locutores. Na época, o diretor era o Brazão, um cara exigente, mas que aprendi muito com ele. Não o vejo desde então. Mas tenho boas lembranças dele.

Além de redigir os “flashes” você apresentou programas?
Cheguei a apresentar na Amapá FM um programa sertanejo (acho que durou um ou dois meses apenas) – na época era um estouro nas paradas – e depois assumi o comando do Relax, um programa só de música instrumental que era apresentado pela minha querida e adorável amiga Tanha Silva, o qual acabei assumindo com a saída dela, mas também foi por pouco tempo.

Como foi a tua ida do rádio para a TV?
A minha saudosa amiga Simone Teran, nessa época, era âncora do Bom Dia Amapá (na TV) e sempre me procurava na rádio em busca das notícias. Foi assim que ela me descobri e solicitou de Manaus a minha transferência para o jornalismo da TV.

O que te levou a escolher o jornalismo?
Caí de paraquedas no jornalismo, mas acho que estava no “sangue”. Cheguei a participar de uma série de cursos no Senac, um deles era elaboração de releases, e a professora era a minha amiga e grande jornalista Alcinéa Cavalcante. Esse curso, claro, me ajudou nessa trajetória. Quando cheguei ao jornalismo da TV Amapá, novos desafios…. Um mundo fantástico, diferente, que me apaixonei. Conheci pessoas maravilhosas, grandes profissionais os quais tenho maior orgulho de citar: Corrêa Neto (esse homem foi fantástico na minha carreira,  aprendi muito com ele); Evandro Luis (que inspiração); Simone Teran, responsável por eu estar naquela época no jornalismo da TV. Eu passei então a ser produtora do Bom Dia Amapá junto com a Simone Teran , que era apresentadora  (saudades eternas da minha amiga)
Minha história na TV só estava começando.

E quando você pulou da produção para a telinha?
Não lembro bem a data, mas acho que em  1994. A Francy Rodrigues era a diretora de Jornalismo e foi ela a responsável por me tornar apresentadora de telejornal. Nessa data, gravei um piloto sobre eleições, e já aprovado foi direto pro ar. A partir de então, meu trabalho foi crescendo. Nossos nomes eram muitos parecidos: Francicleide e Francilene. E foi da Francy Rodrigues,a ideia de criar, a partir de então, um novo nome nas telas : Cleide Freires.
Eu agradeço muito a Francy Rodrigues por tudo que ela fez por mim. Graças a ela, tenho um nome, reconhecimento, credibilidade. Com ela aprendi muita coisa. Ter ética, amor à profissão, humildade e profissionalismo.

Além da TV Amapá e da Rádio Amapá FM, você trabalhou em outros veículos?
Não. Fui contratada pela TV Amapá aos 18 anos de idade. A empresa faz parte da minha vida, da minha história. Saí da TV para fazer um trabalho na internet. Um projeto que sempre quis colocar em prática. O meu blog – cleidefreires.com.br – está há pouco mais de 2 meses no ar e aos poucos vai ganhando a simpatia do público . Um desafio para mim que sempre atuei em TV. Tô muito feliz e espero que o público esteja gostando.

Falar em desafio, quais os maiores que você enfrentou?
Muitos, mas os desafios existem para nos amadurecer e fortalecer nas empreitadas da vida. Sofri preconceito por ser de família nordestina, mas isso nunca me impediu de seguir em frente com meu trabalho que sempre foi feito com garra, determinação e credibilidade. Uma coisa que falo com orgulho é que tenho credibilidade e respeito.

Qual matéria mais te marcou?
Naufrágios (Novo Amapá e Anne Karoline III) são matérias que me deixam comovidas….

Qual matéria gostarias de ter feito e ainda não fez? Por que?
Sempre trabalhei muito dentro da redação, mas se eu tivesse tido a oportunidade, como repórter, faria matérias sobre as belezas e riquezas do Amapá. Gente, esse estado é lindo e a gente não conhece nem metade.

Como era fazer jornalismo na época que você começou sem a tecnologia de hoje e como é hoje? Vantagens e desvantagens de ontem e de hoje?
Lembro que cheguei a operar o telex ( muita gente nem vai saber o que é e nem vou saber explicar – máquina bem antiga); depois aprendi a escrever as laudas ( lidas pelos apresentadores de telejornal) na máquina de escrever ( ficava com os dedos “amassados” de tanto digitar e um detalhe: não podia errar, que aí teria que escrever tudo de novo); alguém lembra do papel carbono? Pois é, tinha que levar uma cópia da lauda para o apresentador, produtor e operador.
A tecnologia foi avançando e eu comemorando cada equipamento moderno que chegava na redação da TV Amapá. Ficou tudo mais fácil, mais dinâmico, sem dúvida. E eu que presenciei toda mudança tecnológica, de equipamentos antigos para modernos, me emocionava. Pra se ter uma ideia, o teleprompeter ( pra quem não sabe é o TP – uma tela pela qual o apresentador lê a notícia) era no papel e depois evoluiu , facilitando a vida do apresentador.

Que dicas você daria pra quem está começando agora?
Primeiro, que Jornalista tem que amar a profissão, porque não é fácil. Mas confesso, que é algo encantador. Eu aconselho que não desista dos seus sonhos, acredite neles, seja qual for sua escolha, sua profissão. Faça seu trabalho com amor, dedicação e principalmente humildade. Somos jornalistas, mas também somos seres humanos. Nosso papel é prestar serviços à comunidade, levando informação verdadeira, apurada, checada, com total responsabilidade. Não julgamos ninguém.

Para finalizar o papo, Cleide falou dos amigos que fez na TV Amapá e de sua gratidão a eles, conheceu muitas pessoas maravilhosas e que guarda todas elas no coração.

Ela disse:
“Vou citar algumas delas: meu agradecimento especial aos saudosos Corrêa Neto e Simone Teran; Evandro Luiz, Júlio Duarte e Francy Rodrigues. Não poderia também deixar de citar um grande mestre na minha vida profissional, que faleceu em 2021, mas que me deixou um grande legado, meu querido Elizandro Oliveira ( um dos melhores chefes de jornalismo que tive na empresa).
Também gostaria de citar um cara fera que é o Ângelo Fernandes, coordenador do Núcleo de Rede – TV Amapá; graças a ele fiz várias participações ao vivo e boletins gravados em Rede Nacional, como Jornal da Globo, Hora 1 e Globonews. O Apagão no Amapá foi um dos assuntos.
E para finalizar, gostaria de citar o nome de uma pessoa que considero importante nessa minha trajetória na emissora: o jornalista e empresário Phelippe Daou que faleceu em 2016. Um homem íntegro, grande jornalista e empresário que sempre valorizou o trabalhador. Os funcionários tiveram a oportunidade de participar de cursos, capacitações, qualificações, ter acesso a planos de saúde e escolar e outros investimentos. Eu fiz vários cursos na Uniglobo e aproveitei cada um deles.

Sou grata à Deus, por tudo!”

No próximo dia 11, o ICDAM (Instituto Internacional de Comunicação e Preservação da Amazônia) vai homenagear cem jornalistas da Amazônia com o Troféu Imprensa. Cleide Freires está entre os cem.
A solenidade será no auditório da Assembleia Legislativa do Pará.
Parabéns, Cleide. Ver o seu trabalho reconhecido por tão importante instituto nos enche de orgulho.

  • Uma mulher sem igual em todos os sentidos, quem conhece ela familiar e profissional, te desejo toda as boas vibrações em sua vida querida! Parabéns por essa homenagem

  • Cleide Freire grande jornalista, mulher e mãe respeitável, vc sempre foi forte e guerreira, maravilhosa. Sinto orgulho em te conhecer pessoalmente, que Deus abençoe grandemente a sua vida.😍😘❤

  • Que maravilha poder conhecer os detalhes da carreira dessa amiga querida e competente jornalista. Parabéns, Alcinéa pela iniciativa desse registro, e parabéns e mais sucesso para a Cleide.

  • Uma grande amiga, jornalista e profissional que tenho muito orgulho. Tive a honra de dividir a mesma redação com ela por longos 18 anos. Parabéns pela brilhante entrevista!

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