Livro que recomendo

A poesia amapaense carrega uma singularidade: seus artífices têm mais que lápis e papel para escrevê-la, eles escrevem-na com os raios do Sol equatorial e com a chuva de prata que a Lua provoca no barro seco dos lagos e no leito do Rio Amazonas, que portentoso mata a sede e banha os poetas. E assim, eles, os poetas, marcam seus poemas com ações políticas, desconforto com o preestabelecido, sem perder a ternura, a sensibilidade e o arrojo da pororoca. Leão Moyses Zagury, um coração amapaense radicado no Rio de Janeiro, é um desses poetas que, ao perceber a força transformadora de um poema e vagando nas nuvens que se unem ao rio-mar, fez uso dos instrumentos que lhe ocupavam as mãos para exprimir a força de sua alma sonhadora com um mundo justo, alegre e agregador. O poeta busca novidade para um despertar contra a impunidade que “faz vítimas” e “derrama lágrimas inocentes”. É aí que se pode ver seu descontentamento com a política dos homens que se esquece dos menos aquinhoados. E lembra que os empréstimos ao homem concedidos hão de ser saldados, pois que somos “criaturas em crescimento espiritual”. Ao receber o convite de Leão para escrever o texto da contracapa de seu livro, senti um orgulho desmesurado varrer-me o coração, mas, ao mesmo tempo, senti o peso da responsabilidade. De qualquer sorte, o importante é a poesia de Leão, que posso afirmar ter em sua verve a compaixão dos espíritos iluminados e dignos da atenção de seus semelhantes. O livro de Leão vai além de um conjunto de poesias – é a dor, a alegria, a homenagem e a alma descritas em rimas construídas com sensibilidade e amor.
Ernâni Motta de Oliveira – Jornalista e amapaense

O livro foi lançado em 2015 e pode ser adquirido na Livraria Asabeça aqui

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