Vamos ler poesia

Minha modesta estante está a sua disposição. Pode entrar, sem fazer cerimônia, pegue com afeto – como quem pega uma rosa – o livro que você quiser pra deixar seu fim de tarde mais bonito, mais leve, mais lírico. Pois, como diz meu amigo poeta Manoel Bispo, onde não há poesia a vida pesa como chumbo.

  • ARRANHÕES NA ALMA

    A mágoa que atiraste em meu peito,
    Irrompeu o pranto com a flecha no coração.
    Perdi a ânsia de procurar o teu amparo,
    Esqueci por completo uma nova emoção.

    Virei as páginas pra não mais ler este livro,
    A tua história se perdeu pelo meio da viagem.
    Ontem, no passado escondi todo esse conteúdo,
    Hoje, em branco; vagueia como uma miragem.

    O que sobrou desses cacos, ainda recolho,
    Juro que não varri nada pra baixo do tapete.
    As páginas são apagadas com muitas lágrimas,
    O difícil é me desfazer do que disse o teu bilhete.

    A idade deste amor nos uniu de corpo e alma,
    Encontramos sempre a bonança do ser que enobrece.
    A esperança que outrora me alcançou no teu colo,
    A minh’alma tem a voz de que nunca te esquece.

    Pronto, foi tudo um sonho que ontem fulgurou,
    Jogamos o tapete e tudo virou um falso verbete.
    A história que contamos foi uma bela mentira,
    Quando acordamos, vimos manchado pelo tapete.

    JOÃO AIRES DA SILVA
    joao.aires@mpa.incra.gov.br

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